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terça-feira, maio 22, 2007

Quercus alerta para perda da biodiversidade em Portugal


Portugal será um dos países mais afectados pelas alterações climáticas em termos de perda da biodiversidade, avisou hoje a associação ambientalista Quercus, alertando para a vulnerabilidade dos ecossistemas às secas e incêndios devido à subida das temperaturas.
No Dia Internacional da Biodiversidade, que hoje se assinala, a Quercus relembrou que o planeta está a perder biodiversidade a uma taxa sem precedentes, sendo as alterações climáticas uma das maiores ameaças à diversidade da vida, juntamente com a destruição de habitats, poluição e proliferação de espécies invasoras.
«Os ecossistemas mediterrânicos, incluindo os de Portugal, estão entre os mais vulneráveis a uma subida de 2 a 5 graus centígrados, sob um efeito combinado da seca e dos fogos florestais», referem os ambientalistas num comunicado.
Igualmente alarmante para Portugal, acrescentam, é a diminuição do potencial hidroeléctrico entre 20 a 50%, no Sul da Europa, até 2070.
Na Europa, a subida do nível do mar poderá ser até 50% mais acentuada do que a média global e cerca de 20% das zonas húmidas correm o risco de desaparecer até 2080.
«Os anfíbios na Península Ibérica serão especialmente afectados e condenados a viver em áreas cada vez mais limitadas, tal como os répteis, que dependem de charcos e pântanos para a sua reprodução. Quanto às florestas, já estão a sofrer dos Verões excessivamente quentes e consecutivos incêndios florestais, aos quais se irá juntar a problemática da escassez de água», sublinhou a Quercus.
Mais de 40% dos vertebrados existentes em Portugal enfrenta algum grau de ameaça, sendo os peixes o grupo com mais espécies em perigo, segundo o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal publicado em 2006.
A avaliação, que abrangeu 512 espécies selvagens de vertebrados no Continente, Açores e Madeira, apurou que 42% das espécies estudadas estão ameaçadas ou quase ameaçadas relativamente ao risco de extinção, 46 por não estão consideradas como ameaçadas (categoria Pouco Preocupante) e sobre os restantes 12% não existe conhecimento suficiente.
Os peixes de água doce e migradores apresentaram a percentagem mais elevada de animais classificados em categorias de ameaça (Criticamente em Perigo, Em Perigo, Vulneráveis) ou quase ameaça: 69%.
A Quercus aponta várias medidas a adoptar para preservar a biodiversidade, como a criação de refúgios e a preservação de habitats que permitam uma adaptação de longo termo, o estabelecimento de redes de áreas protegidas terrestres, aquáticas e marinhas e o reforço da investigação sobre as ligações entre alterações climáticas e biodiversidade.
As alterações climáticas já estão a obrigar as espécies a adaptar-se, seja através de mudanças de habitat, alterações nos ciclos de vida, ou o desenvolvimento de novas características físicas.
Porém, nem todas conseguirão fazê-lo. As previsões indicam que cerca de um milhão de espécies serão extintas devido ao aquecimento global.
Diário Digital / Lusa
22-05-2007 14:22:00

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

Especialistas elaboram relatório científico

Vários especialistas vão elaborar em Paris um relatório científico sobre o aquecimento global, que deverá confirmar que a subidas temperaturas está relacionada com a produção de gases de efeitos estufa. O texto deverá ser apresentado até 2 de Fevereiro.

Cerca de meio milhar de especialistas mundiais vão elaborar a partir desta segunda-feira, na UNESCO, em Paris, um veredicto sobre o aquecimento global que ameaça o planeta até ao final do séc. XXI a partir de diversos estudos publicados desde 2001.No seu quarto relatório científico desde a sua criação em 1998, o Grupo Intergovernamental sobre a Evolução do Clima deverá confirmar que os aumentos da temperatura do ar e dos oceanos não têm relação com as variações cíclicas do clima.Para estes especialistas, na base deste grande aumento das temperaturas estão causas de origem humana como os gases com efeito estufa, em especial o dióxido de carbono, o metano e os óxidos de nitrogénio, que se libertam com a queima de carvão, petróleo ou gás.Este relatório deverá concluir que 2005 e 1998 foram os anos mais quentes desde que se fazem registos de temperatura e que a temperatura média da superfície terrestre aumentou desde o séc. XIX.Desde 1979, a temperatura em zonas terrestres aumentou duas vezes mais do que a temperatura do oceano, que também já tinha aumentado alguns anos antes, uma situação que fez aumentar o degelo e, consequentemente, o nível do mar.O relatório deste grupo criado pelas Nações Unidas e pela Organização Meteorológica Mundial vai elaborar um texto com cerca de uma dezena de páginas, que será negociado linha a linha

Emissões de CO2 aumentaram a um ritmo alarmante



As emissões de dióxido de carbono (CO2), um dos principais gases responsáveis pelo efeito de estufa, aumentou entre 2000 e 2004 a um ritmo três vezes superior ao registado nos anos 1990, revela um estudo científico americano publicado.

23:34 / 21 de Maio 07 )
Enquanto na década passada, o aumento se dava a uma média de 1,1 por cento por ano, no início do século XXI passou para 3,1 por cento, segundo o estudo divulgado na página de Internet da revista da Academia Nacional de Ciências. De acordo com os autores do estudo, este crescimento acelerado das emissões de CO2 deve-se, sobretudo, ao aumento do consumo de energia e ao aumento do recurso ao carbono na produção de energia. O estudo revela também que o aumento das emissões de CO2, desde 2000, excedeu o pior cenário previsto pelo Grupo Intergovernamental de Peritos sobre a Evolução do Clima (Giec). «As tendências que vinculam a energia ao crescimento económico vão realmente na má direcção», considerou o principal autor do estudo, Chris Field, director do Departamento de Ecologia Mundial na Instituição Carnegie. A aceleração de emissões de CO2 é particularmente importante nos países em desenvolvimento, cuja economia progride fortemente. O caso mais evidente é o da China, onde o aumento das emissões de CO2 é um reflexo do aumento do Produto Interno Bruto (PIB) 'per capita'. Entre 2000 e 2004, os países em desenvolvimento foram os principais responsáveis pelo aumento das emissões de dióxido de carbono, embora representem apenas 40 por cento do total de emissões. Em 2004, 73 por cento do crescimento das emissões teve origem nos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, que acolhem 80 por cento da população mundial. No mesmo ano, os países considerados desenvolvidos (entre os quais a antiga União Soviética) contribuíram para 60 por cento das emissões totais. Cabe também a estes países a responsabilidade por 77 por cento das emissões acumuladas desde o início da revolução industrial, assinala ainda o estudo.