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quarta-feira, outubro 31, 2007

Alterações Climáticas: Novas centrais a carvão comprometem meta UE de redução emissões - Greenpeace

31 de Outubro de 2007, 13:41
Hamburgo, Alemanha, 31 Out (Lusa) - A construção de novas centrais a carvão na Europa compromete a meta estabelecida pelos Estados-membros da União Europeia de reduzir em 20 por cento as emissões de dióxido de carbono ate 2020, afirmou hoje a organização ecologista Greenpeace.
No Conselho Europeu de Março último, os 27 Estados-membros da UE comprometeram-se a reduzir a emissão de gases com efeito de estufa em 20 por cento até 2020 (em relação a 1990), mas a proposta poderá ir até 30 por cento, dependendo do empenho internacional que sair da Convenção-Quadro da ONU sobre as Alterações Climáticas, que se realiza entre 03 e 14 de Dezembro em Bali, Indonésia.
No entanto, a Greenpeace alertou hoje em comunicado que esta meta está comprometida, uma vez que está prevista a construção de 68 novas centrais a carvão na Europa, 33 das quais na Alemanha, oito no Reino Unido e na Itália, seis na Polónia, cinco na Holanda e duas na Hungria.
De acordo com a organização ambientalista, está ainda prevista a construção de uma única central em países como a Grécia, Bulgária, Áustria e Espanha, bem como na França e na Eslováquia.
Em Portugal existem duas centrais a carvão, uma em Sines com cerca de 1.200 mega watts (MW) e outra em Pego, Abrantes, com cerca de 600 MW e, de acordo com o com o vice-presidente da Quercus, Francisco Ferreira, está prevista a construção de "uma central a carvão limpo (com tecnologia de sequestração de carbono) até 2014".
No caso da Alemanha - país que actualmente é responsável pela emissão de 880 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) -, os responsáveis da Greenpeace temem que a entrada em funcionamento das 33 centrais venha a representar um acréscimo de 140 milhões de toneladas de C02 e comprometer os objectivos de reduzir as emissões em 260 milhões de toneladas.
Nesse sentido, a organização internacional apelou hoje ao Governo alemão para que não conceda as respectivas autorizações de construção.
Este apelo surge no mesmo dia em que Berlim apresentou um pacote de 30 medidas que, segundo o ministro do Ambiente alemão, Sigmar Gabriel, podem reduzir as emissões de CO2 em 36,6 por cento (em relação a 1990) até 2020.
Estas medidas estão relacionadas com o estímulo de fontes de energias renováveis e com o aumento da eficiência energética e, segundo o governante alemão, vão favorecer a longo prazo não só o ambiente como também a industria.
De acordo com Sigmar Gabriel, a aposta nas energias renováveis pode evitar emissões de 50 milhões de toneladas de Co2 até o horizonte de 2020, enquanto que o aumento da eficiência energética nas novas construções pode levar a evitar 35 milhões de toneladas de emissões.
SK.
Lusa

segunda-feira, outubro 29, 2007

Alterações Climáticas: Portugal vai ultrapassar em 8 a 14% a meta de Quioto para as emissões de CO2 - estudo

29 de Outubro de 2007, 18:38
Lisboa, 29 Out (Lusa) - As emissões de gases com efeito de estufa em Portugal vão ultrapassar entre oito e 14 por cento a meta nacional estabelecida no Protocolo de Quioto para 2008-2012, segundo as estimativas do projecto MISP apresentadas hoje em Lisboa.
Esta é uma das conclusões do projecto Estratégias de Mitigação das Alterações Climáticas (MISP, na sigla em inglês), que projecta as trajectórias da procura e do consumo de energia e das emissões de gases com efeito de estufa em Portugal até 2070.
As conclusões são baseadas nos quatro panoramas mundiais projectados este ano pelo Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) da ONU e aplicam-se, entre outros, aos edifícios residenciais e de serviços, transportes, indústria, agricultura, pecuária, resíduos, centrais termoeléctricas a combustíveis fósseis, centrais nucleares e energias renováveis.
De acordo com as estimativas hoje apresentadas, Portugal vai emitir até 2012 entre 4,8 a 8,5 mega toneladas de dióxido de carbono (Co2), ou seja, entre 35 e 41 por cento mais do que as emissões em 1990 (ano de referência para o cumprimento deste acordo), ultrapassando assim a meta de 27 por cento estabelecida pelo Protocolo de Quioto para 2008-2012.
Quioto impõe à União Europeia (UE) uma redução das emissões em oito por cento em relação a 1990.
Para Portugal, no entanto, é permitido um aumento de 27 por cento devido a um acordo de partilha de responsabilidades.
Porém, falando na apresentação do MISP, Ricardo Aguiar, co-autor do estudo e investigador do Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação, lembrou que estas previsões "excluem as florestas, o uso do solo e suas alterações [FAUS], que poderão reduzir este excesso para algo entre três e cinco mega toneladas de C02".
O vice-presidente da Quercus, Francisco Ferreira, disse à Lusa que estas estimativas mostram que o Programa Nacional para as Alterações Climáticas de 2006 é "demasiado optimista em relação às previsões de curto e médio prazo [2008-2102]" e que é "urgente pôr em prática mais mecanismos do Protocolo de Quioto".
"As previsões do MISP apontam para que a meta nacional de Quioto 2008-2012 seja ultrapassada. Isto quer dizer que nos vai sair mais caro, uma vez que o Fundo de Carbono terá de ir além dos 350 milhões de euros decididos pelo Governo", frisou.
No entanto, o estudo também indica que Portugal vai deixar de aumentar as suas emissões de gases com efeito de estufa por volta de 2010, passando a partir daí a uma fase de redução até 2070, que será mais significativa até 2050.
"Todos os cenários mostram que por volta de 2010 vamos inflectir e reduzir as emissões e isto mantém-se até 2050. Nos vinte anos seguintes o ritmo de redução vai ser mais brando", explicou Ricardo Aguiar.
De acordo com o especialista, essa redução de emissões vai acontecer naturalmente devido "à maturidade do desenvolvimento das infra-estruturas, ao parque automóvel [em estagnação e mais preocupado com o ambiente], à redução da população portuguesa e aos fluxos entre zonas rurais e cidades, que estão prestes a terminar".
Os dados mais recentes indicam que em 2005 as emissões de gases com efeito de estufa estavam 18 por cento acima das metas impostas pelo protocolo de Quioto e 45 por cento acima dos níveis emitidos em 1990.
As estimativas do MIPS prevêem ainda que as emissões em Portugal caiam "na ordem de um por cento por ano até 2050", o que significa que em 2020 o excesso relativamente a 1990 "andaria entre 19 por cento e 31 por cento".
Ricardo Aguiar lembrou que estes valores ainda ultrapassariam a meta estabelecida pela UE para 2020, fixada em 20 por cento, podendo chegar aos 30 por cento.
O estudo destaca ainda, como ponto positivo, que as estimativas relativas à electricidade de origem renovável em Portugal para 2010 são da ordem dos 43 por cento, um valor muito próximo da meta de 45 por cento estabelecida pelo Governo para o mesmo período.
De acordo com o MISP, a electricidade de origem renovável aumentará até 2020 para 46 a 51 por cento.
SK.

UE: Noruega, Islândia e Liechtenstein combatem carbono

Os países da Área Económica Europeia vão integrar o comércio europeu de licenças de emissão de dióxido de carbono, que se torna assim o primeiro acordo internacional deste género, anunciou hoje a Comissão Europeia, em Bruxelas.
Com a adesão da Noruega, Islândia e Liechtenstein, o sistema de comércio de licenças de emissão de gases com efeito de estufa passa a integrar 30 países.
No âmbito da revisão do comércio europeu de licenças, Bruxelas está a considerar a hipótese de ligar o seu sistema a outros mundiais credíveis.
Dada a natureza global das alterações climáticas e a necessidade urgente de reduzir as emissões de gases poluentes, a Comissão Europeia está a estudar a criação de um mercado global de carbono que beneficie todos os países.
O anúncio da adesão dos três países ao sistema de comércio de licenças da União Europeia teve lugar no mesmo dia em que Bruxelas concluiu o processo de decisão sobre os planos nacionais de emissões dos 27.
A Bulgária e a Roménia foram os últimos países a verem os seus planos nacionais de atribuição de licenças aprovados.
Os planos nacionais de cada Estado-membro determinam o limite de emissões de dióxido de carbono (CO2) que as instalações coberta pelo sistema de comércio e quanto cada uma irá receber.
Portugal, por exemplo, poderá emitir 34,8 milhões de toneladas de CO2, tendo a Comissão Europeia cortado 3,1 por cento em relação ao proposto por Lisboa (35,9 milhões de toneladas).

Diário Digital / Lusa
26-10-2007 13:46:00

Poluição: Pequim recomenda que crianças fiquem em casa

O serviço meteorológico de Pequim alertou hoje crianças e idosos a ficarem em casa devido à forte neblina que cobriu a cidade e agravou a poluição atmosférica, segundo a imprensa local.
A neblina causou vários atrasos no aeroporto de Pequim e reduziu a visibilidade no centro da cidade a menos de 200 metros.
«A neblina vai afectar não só o tráfego, mas também prejudica o sistema respiratório das pessoas. Sugiro aos idosos e crianças que evitem sair ou que usem uma máscara», disse Sun Jisong, meteorologista da câmara, à agência estatal de notícias Xinhua.
A autarquia tem como meta melhorar a qualidade do ar antes dos Jogos Olímpicos de Agosto, mas um relatório divulgado quinta-feira pelo Programa Ambiental da ONU mostra que o problema persiste.
Em discurso na Conferência Mundial sobre Deporto e Ambiente, também na quinta-feira, o presidente do Comité Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge, reiterou que algumas provas de resistência dos Jogos Olímpicos podem ser adiadas caso a qualidade do ar não melhore.

26-10-2007 14:07:21

domingo, outubro 28, 2007

Por uma melhor eficiência energética


Joana Silva Santos 2007-10-26

O Concurso Rock in Rio Escola Solar convida alunos e professores a apresentarem projectos que conjuguem benefícios ambientais e sociais. As inscrições estão abertas até dia 30.
"Rock in Rio Escola Solar" é o nome da primeira acção integrada no Projecto Social do Rock in Rio-Lisboa 2008, dedicado, este ano, à causa ambiental. O objectivo é estimular o conhecimento sobre a problemática das alterações climáticas e incentivar a adopção de boas práticas de utilização racional da energia, através da participação das escolas na concepção e execução de projectos sociais nas comunidades em que se inserem.Considerando que os problemas ambientais, nomeadamente as alterações climáticas, são "uma verdadeira emergência planetária só possível de resolver com a vontade e participação de cada um, bem como com o trabalho conjunto de todos os cidadãos", a organização do Rock in Rio decidiu proporcionar às escolas e às entidades dos sectores económico e energético uma oportunidade de desenvolverem projectos neste domínio.E assim nasceu o Concurso Rock in Rio Escola Solar. Um desafio às escolas do 2.º e 3.º ciclos do Ensino Básico e do Ensino Secundário de todo o país que deverão apresentar projectos que conjuguem a promoção da utilização racional da energia com a melhoria da qualidade de vida e do bem-estar da população seleccionada. "Deverão apresentar projectos sobre a problemática da redução de emissões de gases com efeito de estufa, em estratos mais carenciados da comunidade e que contem com o envolvimento de uma IPSS ou entidade local sem fins lucrativos", explica a organização.Os melhores 20 projectos recebem bilhetes para o Rock in Rio-Lisboa e, ainda, painéis fotovoltaicos. Os bilhetes garantem a presença de mil jovens das escolas vencedoras no evento - cada uma ganha 50 bilhetes e 50 kits com cadernos, t-shirts e diploma Rock in Rio -, enquanto que os sistemas fotovoltaicos, com uma capacidade de até 3,5 kWp cada, para além de font_tag_tage de receita, vão permitir, ainda, divulgar a temática das energias renováveis e das alterações climáticas junto do público jovem. Porque "a vertente pedagógica é fundamental" os sistemas fotovoltaicos instalados serão complementados com terminais informáticos para que todos possam monitorizar online os resultados de produção de energia dos sistemas de cada escola e, ao mesmo tempo, aceder a informação útil sobre questões relacionadas com a utilização racional de energia e com as alterações climáticas.A apreciação dos projectos pelo júri terá em conta, entre outros critérios, a racionalização do uso da energia induzida; a redução quantificada de emissões de gases com efeito de estufa induzida; os benefícios sociais induzidos; a originalidade do projecto como um todo ou das acções que o integram; o envolvimento da escola e os efeitos multiplicadores na comunidade.Esta acção insere-se no Projecto Social do Rock in Rio-Lisboa 2008, e pretende, para além da divulgação da temática das energias renováveis e das alterações climáticas junto do público escolar, gerar receitas financeiras, resultantes da venda à rede de abastecimento da totalidade da energia produzida por estes sistemas fotovoltaicos, que serão aplicadas no financiamento de projectos sociais a desenvolver a longo prazo. As inscrições dos projectos a concurso decorrem até 30 de Outubro e deverão ser efectuadas através do site oficial do Rock in Rio, em rockinrio-lisboa.sapo.pt. Os projectos têm de ser apresentados até ao final do corrente ano e deverão poder ser implementados até ao final do ano lectivo 2007/2008.O presente concurso é uma iniciativa promovida pela Better World e pela SIC Esperança, em parceria com a Direcção-Geral de Energia e Geologia e a Agência para a Energia, com o apoio do Ministério da Educação - Direcção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular, do Ministério da Economia e do patrocinador social do Rock in Rio-Lisboa. A acção agora apresentada vai ao encontro da temática e objectivos definidos pela organização do Rock in Rio-Lisboa 2008 para o seu projecto social: consciencialização, sensibilização e acção de toda a população no que respeita às alterações climáticas.Depois de duas edições com enorme sucesso, o Rock in Rio-Lisboa volta a Portugal nos dias 30 e 31 de Maio, 6, 7 e 8 de Junho de 2008, em Lisboa. Espanha recebe o evento logo depois, a 27 e 28 de Junho, 4, 5 e 6 de Julho, em Madrid.Mais informações:rockinrio-lisboa.sapo.pt.

sexta-feira, outubro 26, 2007

"Devemos pensar em reduzir a população antes que a Natureza o faça"

Se nada fizermos para travar a explosão demográfica e a sobre-exploração dos recursos, bastarão algumas décadas para a Humanidade entrar em colapso.



Nelson Marques
15:35 Segunda-feira, 22 de Out de 2007-Expresso


Alan Weisman: "Estamos a causar a destruição de outras espécies, incluindo espécies que precisamos, e, por isso, não conseguiremos sobreviver"


Alan Weisman passou mais de três anos a viajar pelo mundo e a conversar com centenas de especialistas para responder a uma pergunta: como evoluiria o planeta se os humanos desaparecessem? A resposta está em "O Mundo sem nós", um livro tão fascinante quanto provocador que chega esta semana a Portugal com a chancela da "Estrela Polar".


De passagem pelo nosso país, a convite da APDC-Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações, onde participará, esta terça-feira no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, na conferência "As TIC ao serviço do ambiente", Weisman falou ao Expresso.

O que o levou a escrever este livro?
Há anos que escrevo sobre o Ambiente e cubro assuntos ambientais em todo o planeta. Estas são questões urgentes que as pessoas necessitam saber. Quando olhamos para a questão do aquecimento global, percebemos que os assuntos ambientais estão todos relacionados entre si. Há pormenores que podem ser muito deprimentes, muito assustadores para as pessoas. Muitas pessoas que precisam saber o que se está a passar no nosso planeta, não querem pegar num livro que descreve em detalhe esta crise ambiental global. Por isso, tenho andado à procura de uma forma de escrever sobre isso sem afugentar os leitores e também conquistando uma audiência mais vasta que as pessoas que já têm consciência ambiental.


Porque decidiu criar um cenário onde a Humanidade já tinha desaparecido?


O que fiz foi, em vez de escrever um livro que afugenta as pessoas porque elas, ao lerem-no, pensam "Oh, este é um livro que diz que se não mudarmos o que estamos a fazer vamos todos morrer", escrever um livro em que já estamos todos mortos. A partir daí, o planeta começa a recuperar sem nós. Como se desenvolveria o resto da Natureza sem a pressão que lhe impomos todos os dias? Como lidaria com as coisas que deixaríamos? Por exemplo, lançamos muito dióxido de carbono na atmosfera. Quanto tempo levaria a Natureza a reabsorver esse dióxido de carbono? E em relação aos químicos, plásticos e material radioactivo? Poderá a Natureza curar-se do que lhe fizemos? E todos os nossos edifícios, todas as nossas cidades? O que lhes aconteceria? Poderia a Natureza apagar todos os nossos vestígios? São perguntas como essas que o livro tenta responder. As pessoas podem olhar para o futuro sem se preocuparem com o que lhes vai acontecer. No livro, já estão todas mortas.

As suas conclusões são baseadas em factos científicos?


Todo o que está no livro resulta de uma apurada pesquisa. Foram quase três anos e meio de investigação, mas muita da pesquisa que fiz no passado foi útil. Visitei muitos lugares em todo o Mundo e falei com centenas de cientistas e pessoas. Perguntei-lhes o que aconteceria se todos desaparecêssemos subitamente.
De certa forma, essa viagem ao futuro é também um regresso a um passado sem humanos. No livro, falo com muitos paleontólogos e paleoecologistas para perceber como o mundo era antes das pessoas. Fui, por exemplo, a África para perceber como as pessoas evoluíram e fui a outros continentes, como a América do Norte, para perceber que animais viveram aqui antes da chegada dos humanos. Existiam muitos mais animais grandes, com mais de uma tonelada, que desapareceram com a chegada dos humanos.



Que conclusão o surpreendeu mais?


Diria duas coisas. Em primeiro lugar, fiquei muito surpreendido por perceber que havia tanto plástico no Mundo. A maioria dos resíduos de plástico acaba rapidamente a boiar no mar, porque é muito leve. Porque não temos micróbios na Terra capazes de comer o plástico - pode demorar milhares ou centenas de milhares de anos até tal acontecer -, este é quebrado pela força do mar em pedaços mais pequenos, que são comidos por muitas criaturas marinhas. É algo que me preocupa muito. A segunda situação é muito reconfortante. A vida é extremamente resistente. Tem uma força enorme e surpreendente. Irá encontrar sempre uma forma de regressar, mesmo quando acontecerem coisas más. Não estou preocupado com o planeta, porque a vida na Terra já passou por várias extinções e depois de partirmos a vida voltará. Poderá é ser diferente do que vemos hoje.

Ou seja, há vida na Terra para lá dos humanos. Há, mas isso não quer dizer que não tenhamos que cuidar melhor o planeta. Não escrevi este livro porque pense que as pessoas devam desaparecer. Acredito que pertencemos a este planeta como as outras espécies. Trabalhamos muito para nos desenvolver, mas crescemos demasiado e tornamo-nos tão poderosos que estamos desequilibrados em relação ao resto da Natureza. Estamos a causar a destruição de outras espécies, incluindo espécies que precisamos, e, por isso, não conseguiremos sobreviver. O que espero que os leitores vejam no meu livro é como o mundo recuperaria e seria bonito sem os humanos e, com isso, pensar se existe uma forma de ficarmos na Terra e deixar que o resto da Natureza floresça de novo para que tenhamos um ambiente mais saudável.

É uma questão para desenvolver num próximo livro?


Talvez. No final deste, levanto uma questão que tem a ver com o facto de, a cada quatro dias, haver mais um milhão de pessoas na Terra. Deixo o leitor pensar como seria o Mundo se não nos estivéssemos a reproduzir à velocidade que estamos. Sempre que, na história da Terra, uma espécie cresceu demasiado, a sua população entrou em colapso. Algumas espécies extinguiram-se por completo. Se os seres humanos continuarem a crescer da forma que estão a crescer, se atingirmos nove mil milhões de seres humanos a meio deste século, isso talvez seja demasiado e a nossa população entre em colapso. Acho que devemos pensar em reduzir a população antes que a Natureza o faça por nós.

Devemos estar preocupados com o fim da Humanidade?


Acho que toda a gente já está. Mesmo os mais egoístas sabem que estamos a usar demasiados recursos e a criar demasiada poluição. As pessoas estão hoje muito preocupadas com o aquecimento global, muito mais que há 10 anos. Estas ideias são hoje importantes para muita, muita gente. O livro tem sido um "best-seller" nos Estados Unidos, no Canadá e na Alemanha, e está agora a ser publicado em 27 línguas diferentes. Não é apenas um livro para ambientalistas e ecologistas. O facto de estar a vender tantas cópias é a prova que muita gente está atenta, não apenas as pessoas que amam as árvores e a Natureza.


Esperava este sucesso?


De certa forma. Não queria escrever mais um livro sobre o ambiente que apenas algumas pessoas lessem. Quis escrever um livro que fosse acessível a muita gente e que fosse, simultaneamente, um livro interessante de se ler e não afugentasse os leitores. Estou muito grato por isso ter sido conseguido.

As previsões de Al Gore

Espanha será o país da Europa mais afectado pelas alterações climáticas


16:27 Quinta-feira, 25 de Out de 2007-Expresso


Al Gore no Teatro Jovellanos, Gijón, onde proferiu uma palestra sobre o seu filme "Uma Verdade Inconveniente".
A Espanha é o país da Europa onde as alterações climáticas mais se farão sentir. A previsão é de Al Gore e foi feita esta quinta-feira em Oviedo, onde se deslocou para receber o Prémio Príncipe das Astúrias da Cooperação Internacional. Galardoado igualmente com o Nobel da Paz deste ano, o ex-vice-presidente (durante oito anos) dos EUA justificou: "Os cientistas já mostraram que, em toda a Europa, as previsões apontam para que o maior aumento de temperatura ocorra em Espanha". As razões são várias e vão desde a localização da Península Ibérica, "muito no Sul da Europa", até "à grande massa de terra" existente no seu interior. A que se soma a crescente influência do "ar quente vindo do Norte de África, através do Mediterrâneo".

A falar em Espanha e a propósito de um prémio espanhol, Al Gore não falou sobre Portugal. Mas a lógica mais elementar, reforçada pela simples observação do mapa que exibiu, na mesma manhã, numa conferência em Gijon, apontam para que o aumento de temperatura não se fique por Espanha, devendo prolongar-se pelo interior-Sul de Portugal. Procurando ser optimista, o candidato derrotado por George Bush chamou a atenção para os benefícios relativos desta situação: "Com tanto sol e tanto vento, a Espanha é o país da Europa com melhores oportunidades para aproveitar as novas vantagens económicas na produção de energias renováveis".

"Não tenho planos para me candidatar"
Os poucos (quatro) jornalistas que tiveram tempo para fazer perguntas durante a conferência de Imprensa organizada pela Fundação Príncipe das Astúrias quiseram saber dos seus projectos políticos. A saber: se será candidato às próximas eleições presidenciais nos EUA. Das duas vezes em que a questão foi colocada, Al Gore começou a sua resposta rindo. E agradecendo a sugestão dada. Mas a resposta foi suficientemente clara: "Não tenho nenhum plano para me candidatar outra vez a cargos políticos". É certo que não afastou completamente essa hipótese no futuro, mas acentuou que tem intenção de "dedicar o meu tempo e a minha energia para tentar mudar a maneira como as pessoas pensam a crise climática, no meu próprio país e no resto do mundo". Porque, acentuou, "trata-se de uma crise global e de uma emergência planetária". Um outro jornalista sugeriu que haveria uma proximidade de Al Gore com o pré-candidato negro à Casa Branca, Barack Obama. Sem se pronunciar sobre o senador democrata do Illinois, Al Gore preferiu informar que "tenho tido numerosos contactos com a maior parte dos candidatos que pretendem apresentar-se às presidenciais, sobretudo do meu partido, mas também de outras áreas políticas".
Quanto às críticas que têm sido feitas às suas teses - muito popularizadas através do filme "Uma verdade Inconveniente" -, Al Gore sublinhou que "as suas bases científicas estão demonstradas". Em sua defesa, lembrou a posição recente do Painel Inter-Governamental sobre Mudanças Climáticas, considerada a instituição científica mais autorizada do planeta em matérias como o aquecimento global e que partilha com o próprio Al Gore o Nobel da Paz.
O crítico mais recente foi o líder do Partido Popular, o maior partido da oposição em Espanha, Mariano Rajoy, que esta semana acusou Al Gore de sobreavaliar as consequências das alterações climáticas e do aquecimento global. O ex-vice-presidente dos EUA não quis entrar em polémica directa, retomando o seu argumento já clássico, segundo o qual "este assunto ultrapassa a política e as ideologias, na medida em que é sobretudo uma questão ética e moral". Mas não deixou de ser arrasador para o líder da direita espanhola: "Seria uma loucura dizer que as alterações climáticas não têm nenhum impacto". E não resistiu a comparar os que insistem em negar a evidência aos que, muito poucos, mesmo após a viagem de Cristóvão Colombo e a descoberta da América, continuaram a sustentar a tese de que "a terra era plana..."

Após a rápida conferência de Imprensa, Al Gore foi até à cidade vizinha de Gijon, onde proferiu a conferência "Uma verdade Inconveniente" - que, já esta semana, apresentara em Maiorca e Barcelona. Sexta-feira, será a estrela principal da cerimónia de entrega dos Prémios Príncipe das Astúrias.

Programa da ONU afirma que países continuam sem resolver ameaças globais

25 de Outubro de 2007, 20:31
Nova Iorque, 25 Out (Lusa) - Os países continuam sem resolver as ameaças globais como o impacto das alterações climáticas, a extinção das espécies ou a alimentação de uma população em crescimento, afirmou hoje o Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUE).
No relatório "Estudo global sobre o ambiente", hoje divulgado, as Nações Unidas sublinham que estes e outros desafios "continuam por resolver" e que "põem em perigo a humanidade".
O documento, conhecido como GEO-4 e no qual trabalharam 390 peritos mundiais, reitera que uma acção imediata e decisiva é indispensável a todos os níveis para garantir a sobrevivência das gerações actuais e futuras.
As advertências do PNUE constantes no documento constituem a primeira informação sobre o Ambiente realizada pelo organismo em 20 anos, depois da Comissão Mundial para o Ambiente e Desenvolvimento publicar o relatório "O nosso futuro comum".
O documento avalia o actual estado da atmosfera, da terra, da água e da biodeversidade a nível mundial, descreve as alterações que ocorreram desde 1987 e identifica uma série de prioridades de actuação.
"O nosso objectivo não é apresentar situações hipotéticas deprimentes e sem solução mas sim realizar uma chamada de atenção para uma acção urgente", refere o estudo de 570 páginas.
Apesar de apontar alguns exemplos positivos, como o tratado de redução das emissões de gás de efeito estufa, as Nações Unidas salientam que "em muitas ocasiões a resposta tem sido lenta e marcada por um ritmo e um grau de actuação que não responde ou que não reconhece a magnitude dos desafios que as populações e o meio ambiente do planeta enfrentam".
Entre os problemas que os peritos consideram que "persistem" encontram-se situações que vão desde o rápido aumento das "zonas mortas", a falta de oxigénio nos oceanos, o reaparecimento de enfermidades conhecidas e desconhecidas relacionadas em parte com a degradação do Ambiente.
Os especialistas sustentam que as alterações climáticas são "uma prioridade mundial" que exige vontade política mas salientam que face a esta prioridade há "falta de sentido de urgência" e uma resposta mundial "lamentavelmente inadequada".
No mês de Dezembro começam, em Bali, na Indonésia, as negociações sobre um tratado que substitua o Protocolo de Quioto, o acordo internacional que obriga os países a ter um controlo sobre as emissões que produzem o efeito de estufa.
TSM.
Lusa/fim

Província petrolífera canadiana de Alberta vai subir direitos de exploração do gás e petróleo

26 de Outubro de 2007, 00:20

Montereal, Canadá, 26 Out (Lusa) - A província petrolífera canadiana de Alberta, que detém a segunda reserva mundial de petróleo, anunciou quinta-feira uma subida dos direitos de exploração do gás e petróleo, o que deverá trazer 1,4 mil milhões de dólares suplementares em 2010.
O primeiro-ministro da província, o conservador Ed Stelmach, revelou um novo plano de taxas sobre os hidrocarbonetos, que deverá entrar em vigor a 01 de Janeiro de 2009.
"Com este novo sistema, os habitantes de Alberta terão a sua justa parte, ou seja, aproximadamente 1,4 mil milhões de dólares", declarou Ed Stelmach em conferência de imprensa.
Precisou que o novo cálculo de exploração representaria um aumento de cerca de 20 por cento, face às previsões de acordo com o sistema actual.
Com este novo regime, as sociedades que trabalham nas areias betuminosas, cujas reservas limitam 174 mil milhões de barris, deverão entregar entre 1 e 9 por cento à província antes que o projecto seja rentável, passando para entre 25 e 40 por cento quando o limiar de rentabilidade for atingido.
A variação destas percentagens é em função do curso do barril de petróleo.
Quando o petróleo negoceia abaixo dos 55 dólares, as empresas pagarão uma taxa mínima e quando atingir os 120 dólares ou mais as empresas deverão reverter o máximo para a província de Alberta.
Os rendimentos suplementares de 1,4 mil milhões são inferiores aos quase 2 mil milhões de dólares propostos pela comissão encarregue de estudar a política provincial de exploração.
TSM.
Lusa/fim

Sarkozy prepara uma "revolução verde" em França ao lado de Gore


O objectivo era ambicioso: lançar uma "revolução verde" em França. Mas a cimeira de dois dias, que ontem terminou em Paris, encerrou com um acordo para reduzir em 50% o uso de pesticidas "sem data limite" e com o apelo de Nicolas Sarkozy à UE para criar uma "taxa sobre o carbono" a aplicar aos grande emissores de gás com efeito de estufa. O Presidente francês propôs-se ainda investir mil milhões de euros em quatro anos nas "energias do futuro".Convidado de honra da cimeira, Al Gore considerou o encontro como "um avanço formidável" na luta contra o aquecimento global. O ex-vice-presidente dos EUA, que se tornou numa espécie de guru do ambiente após a derrota nas presidenciais de 2000, esteve ao lado do presidente da Comissão Europeia, o português José Manuel Durão Barroso, e da ecologista Wangari Maathai, Nobel da Paz 2004. O encontro contou com a participação, além do Governo, de empresários, sindicatos, organizações não governamentais."A França e a UE lutam juntas contra as alterações climáticas", sublinhou Barroso, para quem a cimeira abordou o "grande desafio do século XXI". Logo depois, Gore, que este mês venceu o Nobel da Paz pelo seu trabalho em prol do ambiente, felicitou os franceses pela sua preocupação com estas questões e elogiou Sarkozy, "grande amigo dos habitantes do planeta".Na presença dos ministros, o Presidente francês recuperou o tom que usou na campanha para as presidenciais ao garantir: "O que disse hoje, vamos fazê-lo, e vamos fazê-lo juntos". Com um discurso forte em termos de segurança e trabalho, Sar- kozy parece ter decidido apostar na área do ambiente.

Vinte jardins recuperados através do projecto Hipernatura

Vinte jardins vão ser recuperados e modernizados através do projecto Hipernatura Continente que prevê um investimento de 600 mil euros para valorizar espaços verdes nas cidades onde se localizam estes hipermercados, em parceria com as respectivas autarquias.
O projecto, hoje apresentado em Lisboa, pretende promover os espaços verdes como forma de melhorar a qualidade de vida dos habitantes e prevê vários níveis de intervenção, desde a simples colocação de sinalética à recuperação de equipamentos, passando pela criação de novas áreas, explicou o director de marketing do Continente, Miguel Rangel.
Em fase avançada estão já 12 projectos, que foram hoje revelados, aos quais se vão juntar outros oito, sendo a intervenção desenvolvida ao longo de um ano, em todas as cidades onde existem hipermercados Continente.
Em Viana do Castelo vai ser feita a requalificação e valorização ambiental da Ribeira de Fornelos, no Jardim de São Vicente.
Os Parques Corgo e Florestal, em Vila Real, vão receber apoios a nível da manutenção, enquanto na Maia vai ser requalificado o Jardim de Gueifães.
Para o Porto está prevista a revitalização de uma área dos Jardins do Palácio de Cristal que não está acessível ao público.
Em Matosinhos, o Parque do Carriçal, que já tem boas condições de utilização, vai receber sinalética relativa aos equipamentos disponíveis e à flora, além de novos elementos no parque infantil.
O Jardim Almeida Garrett, em Ovar, vai ter um parque infantil.
Em Viseu, o Jardim de Santo António vai transformar-se num jardim sensorial com várias espécies de plantas, criando diversidade de cores, texturas e cheiros.
Na Covilhã, serão realizadas operações de conservação, manutenção e ampliação do Jardim do Lago.
Um terreno baldio em Coimbra vai dar origem ao Parque Aventura, enquanto o Parque Radical, em Leiria, vai contar com apoios a nível dos equipamentos, mobiliário urbano e sistema de rega.
O circuito pedonal Estrada dos Salgados, na Amadora, vai ser requalificado e pavimentado.
Por último, em Cascais, a intervenção incide sobre a Pedra Amarela, Campo Base no Parque Natural Sintra-Cascais, com apoios ao projecto de equipamentos para actividades de voluntariado de lazer e aventura.
O secretário de Estado do Ordenamento do Território, João Ferrão, considerou durante a cerimónia que os impactos desta intervenção vão além da componente ambiental, contribuindo para tornar as cidades mais cosmopolitas e promover novos estilos de vida ligados à fruição dos espaços verdes.
O governante enalteceu o facto de o projecto assentar numa parceria entre a empresa, uma organização não governamental (Quercus) e os municípios, o que revela uma nova forma de intervir sobre a cidade «menos centrada na acção pública e mais centrada na cooperação».
A selecção dos jardins e espaços a recuperar, bem como o tipo de intervenção, é feita pelas câmaras envolvidas em conjunto com o Continente.
A associação ambientalista Quercus e a revista Visão, também parceira desta iniciativa, desenvolverão os conteúdos ambientais e ecológicos do projecto.

Diário Digital / Lusa
25-10-2007 15:53:02

Ecologistas contentes com medidas de Sarkozy

As associações ecologistas reagiram, em geral, de forma positiva ao anúncio de medidas para a protecção do ambiente, feito hoje pelo Presidente francês, Nicolas Sarkozy, e esperam que as mesmas sejam concretizadas
As medidas, hoje divulgadas após uma mesa redonda de dois dias que reuniu em Paris ecologistas, sindicatos, entidades patronais, colectividades locais e o Governo, pretendem fazer «uma revolução ecológica» em França, afectando sectores como os transportes, energia, habitação, agricultura, fiscalidade e comércio.
O activista ecologista Nicolas Hulot, que na campanha para as presidenciais pediu aos candidatos que subscrevessem o seu «pacto ecológico», declarou-se hoje «mais que satisfeito»
Mostrou-se especialmente feliz por Sarkozy se ter comprometido a estudar a criação de uma taxa «clima-energia», um marco na revisão fiscal.
Para o Greenpeace, o discurso de Sarkozy contém «avanços indiscutíveis» mas comporta «imprecisões» e «ambiguidades» que requerem «vigilância» no seu seguimento.
A federação França Natueza e Ambiente, que agrupa cerca de três mil associações, aplaudiu o que chamou «uma alteração de rumo» mas garantiu que se manterá alerta sobre o vai fazer o Governo e o Parlamento.
As principais centrais sindicais, CGT e CFDT, também aplaudiram as ambições mas mostraram-se prudentes sobre os resultados e questionaram a forma de financiamento das mesmas.
Entre as organizações patronais reinava a satisfação pelos «equilíbrios entre a necessidade de integrar os interesses ecológicos com os económicos» mas também manifestaram alguma prudência em relação a alguns detalhes que «podem preocupar certas empresas», assim como eventuais repercussões em matéria fiscal.
Os sindicatos dos agricultores mostraram-se, em geral, satisfeitos pela redução prometida dos pesticidas e pelo aumento da agricultura biológica mas, no entanto, ficaram preocupados com a anunciada suspensão dos cultivos de transgénicos até às conclusões de uma comissão de peritos.
Nos partidos da oposição, o Partido Socialista manifestou-se «duvidoso» sobre a vontade «real» de Sarkozy e da sua maioria conservadora de ir «até ao final» nos anúncios, tendo em conta que existem várias «contradições flagrantes», receando que tudo não tenha passado de uma operação de comunicação.
Para o Partido Os Verdes, o discurso do Chefe de Estado foi «propaganda» e não passou de uma «grande operação de comunicação e propaganda».
Lusa/SOL

Principais medidas para proteger o ambiente,anunciadas em França

Presidente francês, Nicolas Sarkozy, anunciou hoje várias medidas que o país vai implementar em matéria de ambiente, depois de dois dias de negociações
Agricultura
- Objectivo de redução para metade nos próximos dez anos, «se possível», do uso de pesticidas e aceleração da difusão de métodos alternativos;
- Suspensão das culturas comerciais de transgénicos até às conclusões de uma avaliação a conduzir por uma instância criada antes do fim do ano;
- Uma lei sobre os transgénicos em Janeiro, publicará a criação de uma autoridade independente, os princípios de responsabilidade, de transparência (mapa das superfícies em causa) e de precaução.
- Aumento para 6 por cento em 2012 e 20 por cento em 2020 (contra os actuais 2 por cento) de parte da superfície agícola destinada à cultura biológica;
Biodiversidade
- Criação «de uma trama verde» para ligar os espaços naturais;
Transportes
- Ecopastilha com um reembolso na compra de automóveis novos mais ecológicos, financiado com uma taxa anual sobre as viaturas mais poluentes;
- Eco-taxa quilométrica sobre os pesos-pesados, com uma instauração efectiva em 2010;
- Construção de novas estradas e auto-estradas congeladas, excepto «casos de segurança ou de interesse local». A criação de aeroportos «deve corresponder à deslocação de tráfego por razões ambientais»;
- Desenvolvimento da rede ferroviária com o lançamento de duas novas linhas Norte/Sul e Norte/Sudoeste;
- Duplicar as linhas de TGV (comboio de alta velocidade) com o compromisso de 2.000 quilómetros de novas linhas até 2020;
- Aéreo: Redução de 50 por cento do consumo de combustível e das emissões de CO2 através de programas de investigação até 2020. Redução do barulho em 50 por cento;
- Auto-estradas marítimas Atlântico (França-Espanha) e mediterrânico (França-Itália, França-Espanha);
- Portagens urbanas: a decisão retornará às autarquias locais;
Construção
- Novo: programa «de ruptura tecnológica» para todas as construções públicas que deverão ser construídas a partir de 2010 em baixo consumo (50 kwh/m2/an). Para o privado a partir de 2012;
- Antigo: renovação térmica de todas as construções públicas até 2015. Balanço energético obrigatório a partir de 2008, o Estado compromete-se a efectuar a renovação das suas construções em 5 anos;
No privado, instauração de «mecanismos incitantes potentes (créditos de imposto e empréstimos);
Fiscalidade (anunciado por Nicolas Sarkozy)
- A revisão geral das cobranças obrigatórias inclina-se para a criação de uma taxa «clima-energia» (ou taxa de carbono) e, por outro lado, uma redução da tributação do trabalho;
- IVA à taxa reduzida sobre todos os produtos ecológicos que respeitam o clima e a biodiversidade;
Energia
- Desenvolvimento das energias renováveis para atingir o equivalente a 20 milhões de toneladas de petróleo até 2020;
- Balanço de carbono para qualquer empresa com mais de 50 pessoas;
- Proibição das lâmpadas incandescentes em 2010;
- Extensão «do rótulo energia» a todos os aparelhos eléctricos de grande consumo;
Saúde
- Proibição de 50 substâncias consideradas produtos tóxicos ou cancerígenos, dos quais 30 a partir de 2008;
- Ar externo: lançamento de um plano partículas «nos próximos meses» com fixação de um máximo de 15 microgrammes/m3 (partículas finas) visado em 2010 e tornado obrigatório em 2015 (- 30por cento em relação a hoje);
Desperdícios
- «Não há novos incineradores sem que a destruição dos desperdícios sirva para produzir energia»;
Uma última mesa redonda deve reunir-se sexta-feira de manhã para finalizar as propostas em matéria de educação e sobre os agrocombustíveis.
Lusa/SOL

quarta-feira, outubro 24, 2007

AIEA: Energia nuclear tem ainda um grande futuro pela frente

23 de Outubro de 2007, 23:46
Viena, 23 Out (Lusa) - A energia nuclear continuará a ser uma das principais fontes de energia no mundo nas próximas décadas, devido aos receios sobre as alterações climáticas e a segurança energética, afirmou hoje a Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA).
"A electricidade nuclear continuará a ocupar um lugar preponderante enquanto grande fonte de energia durante as próximas décadas", segundo um relatório intitulado "Energia, Electricidade e o Nuclear até 2030".
A AIEA fez duas projecções anuais, uma em baixa e outra em alta sobre diferentes cenários. Na projecção em baixa, partindo do estado actual do parque nuclear civil em todo o mundo, sem construção de nova central, a potência nuclear passaria de 370 GW (1 Gigawatt = mil milhões de watts) no final de 2006 para 447 GW em 2030.
Para a projecção baixa a progressão é de 25 por cento enquanto que a projecção alta, incluindo "projectos realizados e prometedores" aposta num crescimento que pode ir até 93 por cento da produção de electricidade nuclear em 679 GW em 2030.
A parte de electricidade de origem nuclear na produção eléctrica mundial passou de menos de 1 por cento em 1960 para 16 por cento em 1986 e mantém-se actualmente quase a esse nível, segundo o relatório.
"A China e a Índia têm economias florescentes, populações crescentes e necessidades energéticas também crescentes", sublinhou Alan McDonald, um analista em energia à AIEA. "Elas devem desenvolver todas as fontes de energia possíveis", acrescentou.
Actualmente, a energia nuclear responde apenas a uma pequena proporção das necessidades energéticas, ou seja, 2 por cento na China e 3 por cento na Índia, indicou.
A China tem em construção quatro reactores e prevê dotar-se com cinco vezes mais instalações nucleares até 2020, segundo a AIEA. Mas, apesar desta expansão, a parte do nuclear não deverá ultrapassar os 4 por cento do total da produção eléctrica até 2020 neste país, segundo as previsões da agência da ONU.
TM.

sexta-feira, outubro 19, 2007

Biocombustíveis


Ajudas para culturas energéticas vão ser reduzidas
Por Ana Fernandes
18.10.2007

Como a Europa já plantou 2,84 milhões de hectares de culturas energéticas, ultrapassando assim o limite da superfície elegível para os apoios comunitários, as ajudas vão ser reduzidas para 70 por cento em 2007.

A proposta foi apresentada pela Comissão Europeia e aprovada na quarta-feira pelo Comité de Gestão dos Pagamentos Directos. Até aos dois milhões de hectares no total do espaço da União, os agricultores podem receber 45 euros por hectare “desde que celebrem um contrato com o colector ou o primeiro transformador, a fim de assegurar que as culturas serão utilizadas para a transformação nos produtos energéticos em questão”, explica a Comissão.Mas ao ser excedida essa superfície, o que veio a acontecer, as ajudas começam a ser reduzidas de forma a não se ultrapassar o orçamento previsto de 90 milhões de euros, que este ano será totalmente utilizado pela primeira vez. Por esta razão, este ano os agricultores vão receber 70 por cento das ajudas."Este pagamento tem sido muito útil para incentivar o sector europeu dos biocombustíveis", afirmou Mariann Fischer Boel, Comissária responsável pela agricultura e desenvolvimento rural, citada num comunicado da Comissão. "Mas quando avaliarmos no próximo mês o estado de saúde da política agrícola comum, teremos de perguntar se ainda é necessário. Dispomos agora de um objectivo vinculativo para os biocombustíveis e de um mercado florescente". A ajuda às culturas energéticas data de 2003 e destina-se a apoiar os agricultores que apostem na produção de biocombustíveis e de energia eléctrica e térmica produzida a partir da biomassa. A aplicação do regime teve início em 2004, quando a superfície abrangida totalizava 0,31 milhões de hectares. A superfície aumentou nos dois anos seguintes: 0,57 milhões de hectares em 2005 e 1,23 milhões de hectares em 2006, duplicando neste ano.

Documentos importantes

"Rising to the Climate Challenge" (editorial da revista "Nature", de 18 de Outubro)
Arctic Report Card 2007
Proposta de Orçamento de Estado para 2008

Nova Legislação

Tratado da Antárctida (1959)
Decreto-lei altera limites do Parque Natural da Serra da Estrela
Estratégia Nacional para as Compras Públicas Ecológicas 2008-2010 (pdf)

Visão cria edição especial dedicada ao ambiente e promove plantação de árvores

18 de Outubro de 2007, 14:07
Lisboa, 18 Out (Lusa) - A 'newsmagazine' Visão quer lançar todos anos um número especial dedicado às questões ambientais, uma iniciativa que pretende ir além da vertente editorial e aposta na sensibilização do público para a preservação da natureza.
A primeira edição especial da Visão Verde, o nome que será dado a todas as edições especiais anuais, vai para as bancas na próxima quinta-feira, dedicando quase 90 por cento dos conteúdos a questões ambientais, disse hoje à agência Lusa o director da revista.
"A Visão Verde é uma edição temática, de linha, com uma capa diferente do habitual, onde cerca de 90 por cento das páginas serão dedicadas às questões ambientais", afirmou Pedro Camacho.
Com cerca de 200 páginas, a edição vai contar, entre outros aspectos, com trabalhos especiais sobre a preservação da natureza, reportagens (uma delas dedicada à Amazónia), cronistas especiais, entrevistas com ex-governantes para a área do Ambiente e um desdobrável com as principais espécies de árvores.
Apesar de ser um número temático, "os assuntos da actualidade incontornáveis também vão estar presentes", assegurou o director.
"A ideia é repetir todos os anos uma edição especial, que estará sempre associada a um projecto especial", explicou, referindo que a criação deste número temático é apenas uma das vertentes de um projecto de sensibilização e promoção de acções relacionadas com o ambiente, intitulado "Portugal Verde".
Em parceria com os hipermercados Continente (grupo Sonae), a 'newsmagazine" detida pela Edimpresa vai oferecer uma árvore por cada número vendido.
A meta é oferecer, durante este ano, 100 mil árvores aos municípios portugueses que aderirem à iniciativa.
"Neste momento, já 18 Câmaras Municipais de grandes cidades portuguesas manifestaram interesse", adiantou Pedro Camacho.
Além desta acção, a Visão vai oferecer, também em parceria com o Continente e com o apoio da Associação dos Amigos da Serra da Estrela, 10 milhões de sementes de carvalho, o que irá traduzir-se em 1 milhão de carvalhos para plantar na Serra da Estrela.
Ainda no âmbito do projecto "Portugal Verde", a revista vai lançar o programa "HiperNatura", que aposta na recuperação de zonas verdes dentro das cidades, como recriar ou reequipar jardins públicos, limpar matas urbanas e criar novas zonas de lazer ao ar livre.
Um projecto com "objectivos plurianuais" que pretende fazer "cerca de 20 acções por ano", de acordo com o director.
Para Pedro Camacho, estas apostas reflectem uma nova postura da Visão e surgem no seguimento de outras iniciativas promovidas pela revista nos últimos meses, como foi o caso do leilão on-line de um carro híbrido.
As receitas do leilão vão reverter para a instalação de painéis solares numa escola secundária situada em Arcos de Valdevez.
"As questões ambientais estão no quotidiano da Visão há muitos anos", afirmou, destacando que estes temas "ganharam uma nova dimensão e chegaram à consciência colectiva".
"O ambiente é uma questão central para o futuro colectivo e será uma área privilegiar a nível editorial", concluiu.
SCA.
Lusa/Fim

Alterações Climáticas: Luta contra aquecimento global passa por cooperação internacional sobre os Oceanos

18 de Outubro de 2007, 14:15

Ponta Delgada, 18 Out (Lusa) - A solução para as alterações climáticas passa por uma cooperação internacional sobre os Oceanos, defendeu hoje o presidente da Comissão Oceanográfica Intersectorial da Fundação para a Ciência e Tecnologia, Mário Ruivo.
"Neste momento, não estamos mais a falar de mares fragmentados", mas sim de Oceanos que ocupam "dois terços do planeta" e que são fundamentais no processo de aquecimento global, alegou.
Esta situação obriga a que, no curto prazo, seja necessário passar de respostas das instituições para projectos destinados à "Humanidade no seu conjunto", defendeu o biólogo, que participava num seminário nos Açores sobre as questões ambientais e científicas no Atlântico Norte, promovido pela comissão do Ambiente, Agricultura e Questões Territoriais do Conselho da Europa, uma instituição com 47 países membros.
"O problema das alterações climáticas requer uma cooperação para salvar o planeta", defendeu Mário Ruivo, para quem não se trata de um alerta "trágico", mas de uma constatação.
De acordo com o especialista ligado à oceanografia, a futura Política Marítima Europeia que a União pretende adoptar significa que todos os países "podem desempenhar um papel importante", logo que sejam dadas as condições necessárias para a investigação.
Esta política deve consagrar, porém, que os problemas dos mares só terão uma "reposta adequada se houver consciência por parte dos cidadãos, no âmbito de processos democráticos e de participação".
"Isso implica que a opinião pública esteja esclarecida, que os deputados nacionais e europeus, as organizações públicas e não governamentais assumam responsabilidades colectivas", disse.
Para Mário Ruivo, estes problemas ambientais já não estão fragmentados, mas atingem países ricos e pobres, num mundo em que ainda se usa o "argumento que os dados científicos não são suficientes" para encarar a situação.
Estes dados "só são claramente aceites quando a catástrofe está em cima de nós", o que já acontece em alguns locais, alertou.
Num seminário marcado pelo debate sobre se o aquecimento global do planeta se deve à acção do Homem, o investigador britânico Chris Reid, da Alistair Foundation for Ocean Science, defendeu que "não há dúvida que somos nós que estamos a causar as alterações" climáticas.
Chris Reid alegou ser "muito simples" estabelecer a relação entre a acção da Humanidade e o aquecimento que se verifica no planeta, alertando para que estas alterações estão a acontecer a "velocidades inéditas".
O perito inglês adiantou que, nos últimos anos, o degelo foi 20 por cento acima das médias habituais, um aquecimento mais sentido a Norte e mais intenso a partir de 2000.
Devido a estas alterações, registou-se um movimento para Norte de plâncton, exemplificou o especialista da SAFHOS.
"Um dos grupos de plâncton ligado a águas mais quentes nunca tinha sido registado a Norte da Irlanda até 1990", afirmou Chris Reid, ao adiantar que as estimativas indicam ainda que, em 2045, os recifes de coral no mundo sejam "altamente afectados" por oceanos cada vez mais ácidos, um problema que "não está a ser tratado com a premência" necessária.
Para o especialista, o aumento das temperaturas é um fenómeno global, com acréscimos médios de seis graus, mas "haverá outras partes do mundo que aquecerão ainda mais".
Chris Reid alertou, também, que o mundo assiste a um aumento da população, que se prevê que possa crescer 15 por cento nos próximos anos, o que terá efeitos na emissão de dióxido de carbono.
PC.
Lusa/Fim

Montesinho: Quercus discorda de ICNB e defende eólicas

A Quercus de Bragança concorda com a exploração eólica de Montesinho condicionada e considera «contraproducente uma proibição taxativa» como a proposta no Plano de Ornamento para a área protegida, divulgou hoje aquela organização ambientalista.
O parecer do núcleo regional de Bragança da Quercus faz parte do conjunto de propostas, sugestões e críticas enviadas ao Ministério do Ambiente e ao Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) durante a fase de discussão pública do Plano de Ordenamento do Parque Natural de Montesinho (POPNM).
A participação na discussão pública do documento proposto pelo ICNB terminou a 17 de Outubro e todos os pareceres recolhidos vão agora ser analisados pela tutela para um decisão final sobre o plano, que será tomada em Conselho de Ministros.
A Quercus de Bragança quis participar também na discussão pública enviando um parecer em que discorda da posição assumida pelo ICNB de proibir peremptoriamente a instalação de parques eólicos na área protegida que se estende pelos concelhos de Bragança e Vinhais.
A associação ambientalista entende que «são irreais e incompatíveis com os objectivos das áreas protegidas» projectos da dimensão do já anunciado nesta região por uma empresa de capitais irlandeses que quer instalar em Montesinho o «maior parque eólico do mosaico Europeu».
Entende, no entanto, que «a construção de pequenos empreendimentos eólicos em contextos específicos, quando devidamente avaliados, pode ser compatível com objectivos de conservação da biodiversidade».
A Quercus sugere que se utilize a figura de «actividade condicionada», com mecanismos de salvaguarda que deverão definir, por exemplo, um limiar de potência instalada e eventualmente o número de aero-geradores.
«Uma proibição taxativa da construção de parques eólicos, por parte do POPNM pode ser contraproducente, uma vez que abre caminho a decisões discricionárias, movidas por interesses políticos de curto prazo», refere.
A Quercus dá parecer positivo, ainda que condicionado, a outro dos projectos que mais polémica tem gerado, a construção da barragem de Veiguinhas, prevista há quase duas décadas para abastecimento do concelho de Bragança e que tem esbarrado em obstáculos ambientais.
A associação ambientalista entende que o POPNM «constitui uma oportunidade para se resolver uma situação claramente insustentável», considerando-se que este deverá viabilizar o projecto inicial de barragem, com uma pequena dimensão, promovendo a substituição do açude existente e introduzindo os mecanismos de salvaguarda ambiental previstos no estudo de impacte ambiental«.
O parecer da associação ambientalista vai de encontro, ainda que com condicionalismos, à contestação das autarquias da área do parque que não aceitam que o POPNM impeça o desenvolvimento dos projectos referidos e expuseram também a sua posição na discussão pública do documento.
O Ministro do Ambiente, Nunes Correia, assumiu também recentemente uma posição contrária à proposta de ordenamento do ICNB, mostrando-se favorável à exploração eólica de Montesinho.
O governante justificou a sua posição com o mesmo argumento usado a nível regional da abundância de aero-geradores no lado espanhol da fronteira, mesmo junto a Montesinho.
Diário Digital / Lusa
18-10-2007 12:50:00

Ecologistas condenam pretensões do Reino Unido sobre Antártida

Grupos ecologistas internacionais como a Greenpeace e o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) condenaram hoje as intenções do governo britânico de reivindicar a soberania sobre vários milhares de quilómetros quadrados na Antártida.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico anunciou recentemente que o Reino Unido vai solicitar soberania sobre uma grande parte do oceano da Antártida, um pedido que o governo de Londres considerada «uma salvaguarda para o futuro».
Fontes daquele ministério disseram ao jornal britânico The Guardian na quarta-feira que estão a recolher e a processar dados para apoiar a reivindicação britânica, com o objectivo de alargar os direitos de exploração das reservas de petróleo, gás e minerais.
O pedido, que ainda está a ser elaborado, a pensar no prazo de Maio de 2009 imposto pela ONU, prevê alargar o território britânico nas águas daquela região em vários milhares de quilómetros quadrados, o que é permitido pela Lei da Convenção dos Oceanos.
Porém, o valor exacto de alargamento ainda não é conhecido com precisão. De acordo com a BBC, Londres pretende reivindicar a soberania sobre 2.590 quilómetros quadrados, enquanto que o The Guardian avança um milhão de quilómetros quadrados.
De acordo com o director do programa marinho do WWF, Simon Walmsley, citado hoje pela imprensa britânica, as intenções do Reino Unido «ameaçam a estabilidade do Tratado Antárctico», documento assinado em 1991 para acabar com futuras disputas territoriais no continente.
O tratado em causa proíbe a exploração de petróleo e de gás no fundo do mar daquela zona e todas as outras actividades relacionadas com a extracção de minerais que não estejam destinadas a fins de investigação.
O responsável lembrou que «eventuais explorações de petróleo ou gás podem pôr em perigo o delicado ecossistema marítimo do Oceano Antárctico» e sublinhou que «o mecanismo do Tratado Antárctico é bom» e que «em nenhum caso» as organizações ecologistas vão apoiar qualquer tipo de exploração no território.
Por sua vez, Charlie Kronick, um responsável da secção britânica da Greenpeace considerou a revindicação de Londres como «colossalmente irresponsável» e acusou o país de estar mais preocupado com o futuro mercado do petróleo do que com a problemática das alterações climáticas.
«Quando o Reino Unido devia liderar o esforço mundial para reduzir as emissões de dióxido de carbono verificamos que está na realidade a liderar uma nova era do petróleo», disse o responsável da Greenpeace.
Actualmente, grande parte do território da Antártida está a ser reclamado por outros países, tais como a Austrália ou Nova Zelândia e, de acordo com o governo britânico, Londres também tem direito de apresentar as suas revindicações para «salvaguardar os seus interesses nacionais».
Diário Digital / Lusa
18-10-2007 13:56:00

terça-feira, outubro 16, 2007

Universidade Coimbra quer transformar glicerina em aditivos para gasolina

Um investigador da Universidade de Coimbra quer transformar a glicerina, que existe em excesso no mercado internacional e portanto está cada vez mais barata, em aditivos para aumentar a qualidade da gasolina, explicou o próprio à Lusa

A glicerina, ou glicerol, é um subproduto do processo de obtenção do biodiesel e a sua produção mundial tende a aumentar com a crescente aposta neste biocombustível, cuja produção visa diminuir a dependência dos combustíveis fósseis.Com a disseminação da produção de biodiesel, particularmente no Brasil, e o consequente aumento do volume de glicerina no mercado, este produto tem sofrido uma acentuada diminuição do preço, o que lança um desafio aos investigadores: encontrar alternativas de utilização, além das aplicações convencionais, nomeadamente na indústria de cosméticos.Na Universidade de Coimbra (UC), no Departamento de Engenharia Química, o investigador António Portugal, que antes se ocupara da transformação dos óleos alimentares em biodiesel, vai iniciar este mês um projecto de continuidade, desta vez para transformar glicerina em aditivos para a gasolina, para lhe aumentar o teor de octanas.Na sequência de resultados preliminares considerados promissores, o projecto foi apresentado em 2006 à Fundação para a Ciência e Tecnologia, que o contemplou com um financiamento da ordem dos 100 mil euros, para três anos.A investigação foi considerada inovadora pela instituição, quer do ponto de vista científico, quer na aplicação prática, numa área onde apenas são conhecidos trabalhos preliminares de uma equipa da Universidade de Dortmund (Alemanha). «Pensámos que, sendo possível transformar a glicerina, o processo de produção de biodiesel a partir de óleos alimentares ficava de certo modo fechado. Aproveitava-se a parte do biodiesel e podia-se transformar a glicerina em compostos que seriam utilizados como aditivos da gasolina», explicou à agência Lusa o investigador e docente no Departamento de Engenharia Química da UC.O processo pelo qual optaram os investigadores da Universidade de Coimbra «é o da eterificação», a transformação química do glicerol em éter.«Pensamos que a eterificação é um bom desafio, porque permite produzir éteres, compostos que se podem adicionar directamente na gasolina, para lhe aumentar as octanas», explicou.Além do aproveitamento económico de um produto com reduzido interesse comercial, o aditivo conseguido a partir do glicerol apresenta vantagens ambientais por ser menos solúvel em água.O aditivo comum, o MTBE (éter metil-butil-terciário), tem vindo a ser contestado, nomeadamente nos EUA, por ser cancerígeno, de grande solubilidade e ter elevado risco de contaminação de lençóis freáticos.Para António Portugal, com esta investigação «encerra-se o ciclo de transformação dos óleos» alimentares usados, com os compostos aditivos a partir da glicerina, depois da obtenção do biodiesel.Em termos de massa, dos óleos alimentares usados «praticamente tudo é aproveitado».Esta investigação de três anos deverá iniciar-se este mês, estando o seu arranque dependente da aquisição de um reactor quando for disponibilizado o financiamento atribuído pela Fundação para a Ciência e Tecnologia. Segundo António Portugal, ao longo dos três anos serão ajustadas as condições experimentais, de temperatura, de tempo de reacção, de caracterização e de optimização do processo, e ainda realizados testes com as misturas de gasolina e aditivos conseguidos a partir da glicerina.Este trabalho de investigação dá sequência a um outro no Departamento de Engenharia Química da UC coordenado igualmente por António Portugal, em torno da produção de biodiesel a partir de óleos alimentares usados.Em consequência dos bons resultados obtidos, em 2005, o Departamento, os Serviços de Acção Social da UC e a Câmara Municipal de Coimbra criaram um consórcio para a criação de uma unidade piloto de produção de biodiesel, e candidataram o projecto à Agência de Inovação, que apesar de reconhecer o seu interesse, não o apoiou.A intenção era recolher óleos alimentares em depósitos a colocar em vários pontos da cidade, nas cantinas universitárias e nos Hospitais da Universidade. Só nas cantinas universitárias são servidas diariamente cerca de 10 mil refeições.Tinham também sido desenvolvidos contactos com a Agência Regional de Energia e Ambiente do Centro (AREAC), para expandir a recolha aos municípios da região. Na altura a Câmara de Coimbra já utilizava experimentalmente biodiesel em três viaturas.Os custos de produção do biodiesel, tendo em conta a duração do projecto, de dois anos (até 2007), e o investimento nos equipamentos necessários, apontavam para um valor de 50 cêntimos por litro, muito aquém do preço dos combustíveis convencionais, que estão hoje entre 1,1 e 1,5 euros por litro.

Contra o aquecimento global

Um manifestante conseguiu colocar máscaras de gás em dois guerreiros de terracota expostos no Museu de Londres como forma de protesto contra as emissões de dióxido de carbono provenientes da China
É uma manifestação contra as emissões de CO2 da China. Nada foi prejudicado (da exposição). Tudo decorreu com respeito» acrescentou Wyness, embora tenha sido levado pelos guardas para o exterior do edifício.
A mostra estará patente até Abril de 2008 e inclui o maior número de objectos emprestados pela China até hoje. «Examinámos os dois objectos cuidadosamente e não parece ter havido nenhum dano», afirmou uma porta-voz do museu, acrescentando que a segurança foi reforçada após o incidente.
A segurança em torno dos guerreiros de terracota de 2.000 anos estava sendo feita de maneira discreta para permitir aos visitantes ficar a uma distância de poucos passos.
«A ideia é deixar os visitantes bem perto dos guerreiros para ver os detalhes e ficar face a face com eles. É uma vergonha que ele tenha abusado desse privilégio», disse a porta-voz.

SOL/Reuters

Biocombustíveis podem ser piores para o clima do que o petróleo


Por Ana Fernandes
02.10.2007


As dúvidas sobre o impacto positivo do uso de biocombustíveis crescem a cada dia que passa. Acusados de destruir as florestas tropicais e de contribuir para o aumento do preço dos alimentos, agora é a sua própria razão de ser que é posta em causa. Um estudo do Prémio Nobel da Química, Paul J. Crutzen, indica que estes podem ser piores para o clima do que os combustíveis fósseis.

A acusação não é nova. Já muitos fizeram as contas à energia gasta para os produzir, comparando-a com aquela que geram, concluindo que, nalguns casos, o balanço era negativo. Desta vez, Crutzen, do Instituto Max Planck de Química (Alemanha), com colegas americanos, austríacos e britânicos, avança que o óxido nitroso libertado pelo uso de fertilizantes nas culturas energéticas tem piores efeitos que os gases emitidos pelo uso de petróleo.

Segundo o estudo, publicado na revista Atmospheric Chemistry and Physics, a colza, muito usada na Europa para o biodiesel, e o milho, que nos EUA está na base do etanol, produzem entre 50 a 70 por cento mais gases com efeito de estufa do que os combustíveis fósseis. Isto por causa das emissões de óxido nitroso - um subproduto dos fertilizantes à base de nitrogénio usados na agricultura -, que tem 296 vezes mais potencial de aquecimento global que o dióxido de carbono.

A investigação liderada por Crutzen chega a resultados três a cinco vezes mais graves do que anteriores análises de ciclo de vida feitas sobre os biocombustíveis. Isto sem terem incluído nas contas a energia gasta para transformar os materiais agrícolas em combustíveis, sublinham os autores, que podem ainda tornar mais evidentes os efeitos negativos do seu uso.

De todos os materiais agrícolas usados na produção de biocombustíveis, o que continua a surgir como o que oferece mais benefícios é a cana-de-açúcar. Mas como estas culturas estão situadas nos trópicos, crescem os receios sobre o seu impacto em relação às florestas. Mesmo que não sejam as causadoras directas da destruição, são acusadas de, na ânsia de procurar novos terrenos, empurrar outras culturas, como a soja e as pastagens, para dentro da mancha verde.

Os autores aconselham a mais estudos sobre o ciclo de vida dos biocombustíveis e defendem que os cientistas e os agricultores devem apostar em culturas e métodos de cultivo menos intensivos. Mas, neste momento, tal como está a ser produzido, "o etanol feito a partir do milho não passa de um exercício inútil", disse um dos autores, Keith Smith, à Reuters.

A febre do etanol nos EUA está a atingir o seu pico, relata o New York Times. A corrida, com preços nunca vistos do milho e o aumento do preço dos alimentos, provocou excesso de oferta, que não encontra escoamento e está a pressionar os preços em baixa. O ritmo a que foram construídas as destilarias não foi acompanhado pela distribuição e a abundância de etanol no mercado assusta os investidores. O problema é que este biocombustível é corrosivo e permeável à água e impurezas, pelo que não pode ser distribuído pela rede de oleodutos, o que satura os outros meios de transporte, inundados pelo novo produto.



Dossier A Era dos Biocombustíveis
Bloggers Unite - Blog Action Day

segunda-feira, outubro 15, 2007

Alerta para a preservação do ambiente

PRESERVAR O AMBIENTE É RESPONSABILIDADE DE TODOS NÓS

quinta-feira, outubro 11, 2007

Estudo: Nível preocupante de contaminação em rios franceses

Um estudo do Ministério da Ecologia francês aponta a existência de diferentes focos de contaminação por bifenilos policlorados (PCBs) em vários rios do país, como o Sena, o Ródano, o Reno e o Mosela.
O relatório, apresentado quarta-feira, baseia-se em 852 análises de água de outros tantos pontos de diferentes rios franceses: em quase metade dos casos encontraram-se níveis preocupantes de PCBs, um produto químico tóxico que se emprega principalmente em equipamentos eléctricos e plásticos.
Os PCBs, que são pouco solúveis na água, podem ocasionar no ser humano, se ingeridos regularmente, problemas de fertilidade, crescimento e cancro.
Entre os lugares mais afectados estão os Rio Sena, nos arredores de Paris e Rouen, Ródano e Loire, nas proximidades de Lyon, e Reno, perto de Estrasburgo.
Em Agosto, as autoridades de várias províncias francesas proibiram o consumo de peixes do Ródano devido a sua contaminação por PCBs e a medida poderá alargar-se a outros rios.
As autoridades francesas acreditam que esta contaminação por PCBs é o resultado de décadas de desenvolvimento industrial que não tinha em conta o efeito no meio ambiente, já que a venda desses produtos foi proibida no país em 1987.
A secretária de Estado da Ecologia, Nathalie Kosciusko-Morizet, que presidiu quarta-feira em Lyon à primeira reunião da comissão de acompanhamento sobre contaminação do Ródano, anunciou a criação até ao final do ano de uma estrutura semelhante de âmbito nacional.
Ao mostrar um mapa da contaminação de sedimentos com PCB, indicou que afecta «quase» todos os grandes rios franceses e inclusive europeus que tiveram «um passado industrial entre 1930 e 1980», salientando que a proibição de uso do PCB «foi respeitada durante 20 anos».
Kosciusko-Morizet anunciou para daqui a 18 meses um mapa mais completo, com resultados de análises dos peixes.

Diário Digital / Lusa
11-10-2007 6:51:00

Aumento anormal da humidade no Planeta



A quantidade de humidade presente no ar próximo da superfície aumentou, em quase todo o Planeta, cerca de 2,2% em apenas três décadas, de aordo com um estudo da revista "Nature", divulgado ontem.Regiões como o Oeste dos Estados Unidos, África do Sul e partes da Austrália são as únicas excepções ao aumento da humidade, revelando estarem ainda mais secas.O estudo conclui, através de modelos simulados em computador, que a única resposta possível para este aumento significativo é o aquecimento global provocado pelo Homem, essencialmente por meio das emissões da queima de combustíveis fósseis. Os cientistas revelaram ainda que o aquecimento global tem a marca das mãos do Homem em 10 aspectos diferentes do clima da Terra - temperaturas à superfície, humidade, vapor de água sobre os oceanos, pressão atmosférica, precipitação, fogos florestais, mudança nas espécies de plantas e animais, secas, temperaturas na atmosfera superior e aquecimento dos oceanos. A quantidade de humidade presente no ar próximo da superfície faz com que o calor se torne insuportável. "Esta alteração da humidade é uma contribuição importante para o stress causado pelo calor nos humanos como resultado do aquecimento global", reiterou Nathan Gillett, um dos autores do estudo.As previsões do autor apontam para que a humidade no ar aumente, no futuro, 0,6% por cada grau Celsius, o que, segundo as projecções para os aumentos das temperaturas, significará um aumento de 12 a 24% da humidade até 2100.

Relator da ONU pede moratória sobre a produção de biocombustíveis para combater fome

O relator das Nações Unidas para o direito à alimentação, Jean Ziegler, pediu hoje uma moratória internacional de cinco anos sobre a produção de biocombustíveis, a fim de lutar contra o aumento do preço dos alimentos
A conversão de solos aráveis à produção de vegetais destinados ao fabrico de «gasolina verde» está a provocar, desde há vários meses, um aumento dos preços agrícolas que prejudica os países pobres, obrigados a importar uma parte da sua alimentação a preços elevados, sublinhou o sociólogo suíço aos jornalistas.
«São necessários 232 quilos de milho para encher um depósito de cinquenta litros de bioetanol», disse, adiantando que «com esta quantidade de milho, uma criança pode viver durante um ano».
A conversão das terras à produção de biocombustíveis «vai criar hecatombes», acrescentou, prevendo uma baixa da ajuda alimentar enviada pelos países ricos aos países em desenvolvimento.
«É uma catástrofe total para os esfomeados do mundo», afirmou.
A proposta de uma moratória de cinco anos, que conta apresentar a 25 de Outubro na Assembleia geral da ONU, visa proibir a conversão de terras à produção biocombustíveis.
Jean Ziegler espera que, passado este prazo, a ciência tenha avançado suficientemente para se poder passar aos biocombustíveis de segunda geração, produzidos a partir de desperdícios agrícolas ou plantas não agrícolas.
Tomando o exemplo do Brasil, o relator da ONU lamentou que as plantações de cana de açúcar destinadas à produção de biocombustíveis se desenvolvam a expensas das culturas alimentares.
De acordo com Ziegler, as culturas alimentares fazem viver entre sete e 10 agricultores em média sobre 10 hectares, enquanto a cana de açucar representa somente um emprego na mesma superfície.
Lusa/SOL

quarta-feira, outubro 03, 2007

Buraco no ozono na Antárctida diminuiu 30 por cento

O buraco na camada de ozono na Antárctida diminuiu 30 por cento este ano face a 2006, devido a variações naturais da temperatura e da dinâmica atmosférica

As medições efecuadas pelo satélite Envisat demonstraram que a perda de ozono, molécula extraída do oxigénio que permite filtrar os raios ultra-violetas do Sol, nocivos para a saúde, atingiu este ano 27,7 milhões de toneladas, contra os 40 milhões em 2006.
«Mesmo que o buraco seja um pouco mais pequeno do que o habitual, não podemos concluir que a camada de ozono já se restabeleceu», ressalvou um especialista do Instituto Meteorológico da Holanda, acrescentando que «este ano, o buraco esteve menos centrado no Pólo Sul do que em anos anteriores, o que permitiu uma mistura de ar quente que limitou o desperdício de ozono».
O buraco do ozono, favorecido pelo frio durante o Inverno austral, aparece normalmente no princípio de Agosto, atinge o seu máximo em Setembro e desaparece entre Novembro e Dezembro.
Lusa / SOL

Degelo vai atingir Portugal «em cheio», diz Carlos Pimenta

O ex-eurodeputado Carlos Pimenta alertou hoje, no Porto, para as consequências para Portugal do aumento do nível do Oceano Atlântico resultante do degelo dos glaciares, atendendo à situação geográfica do país.
«Não se esqueçam que Portugal tem 800 quilómetros de costa e é atingido pelas principais correntes do Atlântico. Temos todas as condições para sofrer em cheio as consequências das alterações climáticas», afirmou Carlos Pimenta.
O antigo secretário de Estado do Ambiente proferia a aula inaugural do curso de doutoramento em Sistemas Sustentáveis de Energia, ministrado em conjunto pelas faculdades de Engenharia do Porto e de Ciências de Lisboa e pelo Instituto Superior de Economia e Gestão, no âmbito do Programa MIT (Massachusetts Institute of Technology) Portugal.
«Levei este ano a família à Gronelândia para ver os glaciares enquanto lá estão», contou Carlos Pimenta, alertando para as consequências ambientais do degelo e das emissões de dióxido de carbono.
Carlos Pimenta referiu que, se houver quem esteja disposto a pagar 200 dólares por barril de petróleo, é possível manter por «mais um século» o actual paradigma energético, centrado na extracção de hidrocarbonetos, mas frisou que «o ambiente não deixa».
«Todos os anos pagamos a mais uma ponte Vasco da Gama por causa do aumento do preço do petróleo», salientou o agora membro do Centro de Estudos em Economia da Energia, Transportes e Ambiente (CEEETA).
Para Carlos Pimenta, o crescimento incontrolado de emissões de CO2 resultante da excessiva extracção e consumo de hidrocarbonetos implica que o planeta invista no desenvolvimento e adopção de sistemas sustentáveis de energia.
Carlos Pimenta defendeu a aposta em energias alternativas e num modelo de redes energéticas inteligentes e abertas, quer na construção, quer nos transportes, mas realçou que é preciso distinguir o que é realmente sustentável.
«Sou um grande crítico da grande fanfarra que a União Europeia está a fazer à volta dos biocombustíveis, que são uma fraude ambiental», frisou.
O ex-governante manifestou-se céptico, relativamente à adopção de decisões políticas que conduzam à mudança de paradigma energético, mas reconheceu que há «algumas boas notícias», nomeadamente os investimentos na energia eólica e nas nanotecnologias.

Diário Digital / Lusa
03-10-2007 18:00:00

Estudo prevê aumento dos dias de calor tórrido



O número de dias de calor extremo e perigoso para a vida humana, com temperaturas máximas superiores a 35 graus, vai aumentar entre 200 e 500 por cento nos países do Mediterrâneo ao longo deste século, segundo um estudo.


( 18:54 / 30 de Julho 07 )

Uma investigação da universidade norte-americana de Purdue e do Centro Internacional de Física Teórica Abdus Salam (Itália) conclui que, caso as emissões de gases com efeito de estufa continuem ao ritmo actual, o número de dias anuais com temperaturas máximas acima de 35 graus na região do Mar Mediterrâneo aumentarão cinco vezes durante o século XXI. No entanto, a investigação sublinha que se se conseguir reduzir as emissões, os dias com temperaturas extremas aumentariam apenas em 50 por cento na região. Segundo o estudo, publicado na revista «Geophysical Research Letters», as zonas do Mediterrâneo com maior risco de sofrer um aumento de ondas de calor são a França Ocidental e as regiões costeiras espanholas e do Norteda África. Embora a França seja o país onde as temperaturas mais irão aumentar - podendo subir oito graus acima da média durante vários dias - o estudo prevê que o maior aumento de número de dias extremamente quentes se verifique no litoral espanhol e no Norte da África. «Também a Itália será atingida, sobretudo nas regiões costeiras, porque ao calor se juntará a humidade», explicou Filippo Giorgi, um dos autores da investigação. O estudioso acrescentou que as projecções apontam para que «em algumas regiões se registem 40 dias tórridos em cada Verão, em comparação com os oito a dez sentidos hoje». Além do risco para a saúde humana, o aumento de dias extremamente quentes trará consigo, segundo o documento, «consequências negativas para a economia dos países mediterrânicos, assim como para os seus recursos hídricos, agricultura e procura de energia», diz o texto do estudo. Lembrando a onda de calor que no Verão de 2003 matou 35 mil pessoas em toda a região, 15 mil delas na França, o investigador italiano advertiu que a «situação de 2003 pode tornar-se regra», caso não se consiga reduzir rapidamente as emissões de gases com efeito de estufa. «É necessário conseguir rapidamente uma queda nas emissões e não apenas uma simples manutenção» frisou Giorgi, explicando que «isso teria um grande efeito sobre a temperatura, talvez ainda maior do que estimamos». Segundo os autores norte-americanos, chineses e italianos, a investigação confirma que a região do Mediterrâneo «será umas zonas mais afectadas pelas alterações climáticas nos próximos anos».

NASA detecta água capaz de encher 5 vezes oceanos da Terra


O telescópio espacial 'Spitzer', da NASA, detectou num sistema planetário em formação a quantidade suficiente de vapor de água para encher cinco vezes os oceanos da Terra, revelou hoje a agência espacial.
( 16:25 / 30 de Agosto 07 )
Em comunicado, o Laboratório de Propulsão a Jacto (JPL), da Agência Espacial Americana (NASA), explicou que estas observações constituem a primeira visão directa da forma como a água, elemento crucial na formação de vida, começa a fazer parte dos planetas, inclusivamente dos rochosos, como a Terra. «Pela primeira vez estamos a observar como a água aparece numa região onde provavelmente se formam planetas», explicou Dan Watson, astrónomo da Universidade norte-americana de Rochester e autor de um estudo sobre o sistema, identificado como NGC 1333-IRAS 4B. Este sistema encontra-se a, aproximadamente, mil anos-luz da Terra, na constelação de Perseu. Segundo os especialistas da NASA, o vapor de água tem origem numa nuvem central do sistema e cai sobre um disco de poeira estelar, que seria o material da formação inicial dos planetas. «À Terra, a água chegou na forma de asteróides e cometas de gelo. A água também existe como gelo nas densas nuvens que formam as estrelas», disse o astrónomo norte-americano. «Agora vimos que a água, que cai na forma de gelo de um sistema estelar jovem, evapora para depois se congelar novamente e se transformar em asteróides e cometas», acrescentou Watson. «Conseguimos detectar uma fase muito especial na evolução de uma jovem estrela, na qual o material da vida avança dinamicamente rumo a um ambiente no qual se podem formar planetas», disse, por sua vez, o cientista da missão do 'Spitzer' nos escritórios do JPL, na Califórnia (EUA), Michael Wenero.