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segunda-feira, novembro 12, 2007

Mancha de fuleóleo dirige-se para a costa ucraniana do Mar Negro

A situação no Mar de Azov está muito próxima de uma catástrofe ecológica, devido ao derrame de enxofre e fuelóleo, afirmou hoje à agência ITAR-TASS uma fonte do Ministério para Situações de Emergência da Rússia
De acordo com Alexandre Kozlikin, chefe da Direcção de Krasnodar daquele ministério, «mantém-se o perigo de poluição da linha costeira ucraniana e russa no Estreito de Kerch», na sequência do naufrágio de quatro navios, que derramaram cinco mil toneladas de enxofre e mais de quatro mil toneladas de fuelóleo.
As autoridades russas reiniciaram hoje de manhã as operações de salvamento de oito marinheiros desaparecidos do cargueiro Nakhitchevan, um dos cinco navios que domingo se afundaram no Mar Negro.
«Confirmamos que três marinheiros do cargueiro afundado faleceram, os seus corpos foram encontrados a um quilómetro da ilha de Tuzla (Distrito de Krasnodar)» - informou o Ministério para Situações de Emergência da Rússia, acrescentando que «vão continuar as buscas de cinco marinheiros que continuam desaparecidos» .
«Durante as operações de socorro, foram salvos 35 tripulantes dos vários navios. A realização das operações de socorro e a monitorização do meio marítimo estão a ser dificultadas pelas condições climatéricas» - acrescentou aquele departamento governamental.
Fortes ventos e ondulação no Mar Negro afundaram, durante o domingo, cinco navios (dos quais quatro originaram derrames para o mar), enquanto outros dois continuam à deriva.
O Ministério para Situações de Emergência da Rússia fala da maior catástrofe nos mares Negro e Azov.
Na madrugada de domingo, o petroleiro VolgaNetf-139 partiu-se em duas partes, derramando parte significativa das 4.000 toneladas de fuleóleo que transportava, enquanto a tripulação foi salva.
Mais tarde, afundaram-se dois navios de carga que transportavam enxofre, o Volnogorsk e o Nakhitchevan. A tripulação do primeiro foi toda salva, mas entre a tripulação da segunda há a registar três mortos e cinco desaparecidos, tendo-se conseguido salvar três marinheiros.
Onze marinheiros da tripulação do cargueiro «Kobel», que transportava enxofre, tentaram salvar o navio todo o dia, mas acabou por afundar-se também.
A tripulação foi toda resgatada com vida. Estes acidentes ocorreram no interior do porto russo Kavkaz, situado no estreito de Kerch, que liga os mares Negro e Azov.
O cargueiro Ismail, que transportava sucata de Mariupol (Ucrânia) para a Síria, afundou-se perto do porto ucraniano de Sebastopol.
Dos 17 homens que constituíam a tripulação, apenas dois se salvaram, estando 15 dados como desaparecidos. Na mesma zona, a barcaça Demetra, que transporta três mil toneladas de resíduos de petróleo, anda à deriva e é empurrada pela corrente para a praia de Tuzla.
Além disso, dois cargueiros, um georgiano e outro turco, encalharam em bancos de areia perto do porto russo de Novorrossisk.
Os cientistas e especialistas em meio ambiente falam em «catástrofe ecológica».
«As consequências poderão fazer-se sentir durante meses, anos, décadas. As medidas que as equipas de salvamento estão a tomar são o máximo que podem fazer, mas de pouco servem», considerou Vladimir Tchuprov, da organização ecologista Greenpeace.
Segundo ele, «os absorventes biológicos que devem absorver o combustível têm efeito eficaz apenas a temperaturas superiores a 10 graus, enquanto que, agora, a temperatura da água na região ronda os 7 graus. As barreiras também não ajudarão muito, porque os combustíveis pesados pousaram no fundo do mar e as ondas são muito altas».
«O derramamento de petróleo é uma grande problema, mas é ainda maior o problema da carga de enxofre que se afundou. A envergadura do prejuízo ecológico possível depende das operações do Ministério para Situações de Emergência, mas, em qualquer dos casos, trata-se de uma série catástrofe ecológica», considerou o académico russo Serguei Baranovski.
A Procuradoria-Geral da Rússia deu início a investigações em conformidade com dois artigos do Códido Penal russo: 352 (poluição de águas) e 263 (violação das normas de segurança de navegação e exploração de transporte marítimo).
Lusa/SOL

Ano Internacional do Planeta Terra em Portugal lançado hoje

Como gerir e utilizar adequadamente os recursos naturais para resolver os diversos problemas que afectam o planeta é um dos principais temas abordados hoje durante o lançamento oficial do «Ano Internacional do Planeta Terra» em Portugal.
No dia em que se celebra o Dia Mundial da Ciência ao Serviço da Paz e do Desenvolvimento, o Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, acolhe a cerimónia de lançamento em Portugal do «Ano Internacional do Planeta Terra» (AIPT).
No âmbito desta iniciativa vão ser realizados vários eventos em todo o país ao longo de três anos, subordinados ao tema «Ciências da Terra para a Sociedade».
Proclamado pela ONU e promovido pela UNESCO, o AIPT está centrado em 2008, mas abarca o triénio 2007-2009 e insere-se na Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável (2005-2014).
Através desta iniciativa, a ONU pretende que o conhecimento sobre o potencial das Ciências da Terra e o seu contributo na vida dos cidadãos e na salvaguarda do planeta esteja na ordem do dia em todo o mundo durante os próximos doze meses.
Além de colóquios com investigadores, o lançamento do AIPT em Portugal será ainda assinalado com vários seminários, módulos interactivos, ateliês e exposições, entre as quais uma sobre o primeiro geoparque português membro da rede mundial apoiada pela UNESCO.
A apresentação de uma proposta para a construção de um segundo geoparque português e uma exposição de fotografia das duas novas reservas da biosfera portuguesas (as ilhas do Corvo e Graciosa, nos Açores) são outros das actividades previstas.
No lançamento oficial do programa de actividades, que tem o patrocínio do Presidente da República, Cavaco Silva, participam do director executivo do AIPT junto da UNESCO, Eduardo de Mulder, e o presidente da Comissão Nacional da UNESCO, Fernando Andresen Guimarães.
Na iniciativa está ainda prevista a participação do ministro do Ambiente, Nunes Correia, e do secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, João Gomes Cravinho, entre outros.
Diário Digital / Lusa
10-11-2007 6:43:00

Autoridades evacuam 50 navios - Desastre ambiental no Mar Negro



A violência de uma tempestade partiu ao meio um petroleiro. Do combustível que transportava pelo menos duas mil toneladas já foram derramadas. Num outro acidente morreram dois homens.
Pedro Chaveca
12:39 Domingo, 11 de Nov de 2007






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Por enquanto foram derramadas duas mil toneladas de óleo combustível
O petroleiro "Volga-Neft" dirigia-se da cidade de Azvov para o porto de Kerch e acabou por se partir ao meio junto ao porto de Kavkaz, no estreito de liga o Mar de Azvov ao Mar Negro, quando a inclemência de uma tempestade partiu o navio ao meio.
Este incidente fez com que o "Volga-Neft" se afundasse e começasse a libertar parte do óleo combustível que continha nos tanques, o que rondará as duas mil toneladas.
Segundo fonte ligada à agência ambiental russa "Rosprirodnadzor", este acidente vai ter consequências dramáticas. "Este problema ainda vai levar alguns anos até ser resolvido. O óleo combustível é uma substância pesada e está agora a afundar-se em direcção ao leito do mar", assegurou.
As condições climatéricas agrestes têm impedido os esforços para socorrer os 13 tripulantes, que continuam a bordo do "Volga-Neft". Segundo autoridades portuárias de Kavkaz encontram-se abrigados na popa do navio.
Dois mortos e um desaparecido
As tentativas para impedir um maior derramamento do combustível também estão a ser dificultadas pela meteorologia. No terreno já está a ser realizada uma investigação para apurar as causas do acidente, contudo, ainda não é certo se aconteceu em águas ucranianas ou russas.
Neste momento para além do naufrágio do "Volga-Neft" que ocorreu à 01h45 (hora de Lisboa) há mais navios no Mar Negro a lutarem contra a violenta tempestade e um cargueiro que transportava metal já se afundou perto do porto ucraniano de Sebastopol. O acidente provocou a morte de dois tripulantes e um desaparecimento de outro. Os restantes membros da tripulação foram salvos.
Às 09h00 da manhã foi a vez de um outro petroleiro, o "Valganeft-123" passar por uma situação complicada. O navio está em risco de se afundar e o casco apresenta algumas fissuras, mas segundo o capitão do porto de Novorrossiski "não há fuga de combustível".
O fantasma do "Prestige"
Antes, já um cargueiro de enxofre já se tinha afundado, com a tripulação de nove homens a ser salva sem qualquer problema. "No Mar de Azov afundou-se um navio de carga. Os membros da tripulação conseguiram passar para uma baleeira. A vida deles não corre qualquer tipo de perigo", assegurou um porta-voz do ministério russo para Situações de Emergência, que salientou não haver perigo de derrame.
Ainda não existem previsões para a melhoria do tempo, o que já fez como que as autoridades marítimas ordenassem a evacuação de 50 navios do porto de Kavkaz para locais mais seguros.
Este desastre traz à memória dos europeus o derrame do petroleiro "Prestige", que há cinco anos poluiu com cerca de 64 mil toneladas de combustível as costas de Portugal, Espanha e França, sendo o país vizinho o mais fustigado por esta tragédia ambiental.
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Naufrágio de petroleiro russo derrama duas mil toneladas de combustível no Mar Negro


Um petroleiro russo quebrou-se em dois durante uma tempestade esta manhã e já derramou duas mil toneladas de combustível no Mar Negro, informaram as agências de imprensa russas, citando responsáveis do Ministério dos Transportes.
“O petroleiro ‘Volga-Neft’, que transportava cerca de quatro mil toneladas de combustível, quebrou-se em dois durante uma tempestade”, disse um porta-voz do ministério.Segundo a agência de notícias russa Itar-Tass, já começaram as operações de resgate aos 13 membros da tripulação do "Volga-Neft", no estreito de Kerch."A nossa principal missão agora é resgatar as pessoas do que ainda resta do cargueiro", disse a delegação do Ministério russo para as Emergências no distrito de Temryuk. A Itar-Tass citou autoridades segundo as quais nenhum os membros da tripulação está ferido e que a comunicação está a ser mantida de forma constante com a tripulação

Dois cargueiros com enxofre naufragam no estreito de Kertch


Além do cargueiro russo “Volganeft-139”, que se quebrou em dois derramando 1300 toneladas de fuelóleo, outros dois cargueiros carregados com enxofre naufragaram hoje no estreito de Kertch, que separa o Mar Negro do Mar de Azov, durante uma tempestade com vagas de cinco metros e ventos de cem quilómetros/hora.
O cargueiro russo “Volnogorsk” transportava 2400 toneladas de enxofre quando naufragou no porto de Kavkaz, informou um porta-voz do departamento regional do Ministério das Emergências.Os nove membros da tripulação, que se refugiaram num barco salva-vidas, não ficaram feridos e estão sãos e salvos, segundo o ministério, citado pela agência russa Itar-Tass.O outro cargueiro, o russo “Nakhitchevan”, com onze membros de tripulação, naufragou sem fazer feridos.Além destes dois navios, um terceiro, o “Kovel” – também com enxofre – emitiu um pedido de socorro no estreito de Kerch, informa a agência Interfax. Mas as más condições meteorológicas pioram a cada hora que passa, estimando-se que os ventos possam chegar aos 125 quilómetros/hora. O mau tempo deverá manter-se nos próximos três dias.

sexta-feira, novembro 09, 2007

Municípios e empresas vão financiar projectos ecológicos contra a pobreza - ONG

9 de Novembro de 2007, 17:24
Lisboa, 09 Nov (Lusa) - A organização não governamental Oikos está a lançar uma iniciativa para levar pequenas empresas e municípios a compensar as emissões poluentes financiando projectos ecológicos que ajudem também a reduzir a pobreza nos países em desenvolvimento ou mesmo em Portugal.
João José Fernandes, director-geral executivo da Oikos, explicou à agência Lusa que este projecto visa convidar a sociedade civil, o poder local e as empresas de menor dimensão a mitigar o efeito das alterações climáticas investindo em projectos que tenham também impacto na redução da pobreza.
"Uma pequena empresa que produza 25 mil toneladas de carbono por ano e que fez um projecto de eficiência energética mas ainda tem 20 mil toneladas que não consegue reduzir, poderá compensar voluntariamente as suas emissões investindo voluntariamente em projectos limpos noutros países", exemplificou João José Fernandes.
A Oikos, em parceria com a Ecoprogresso, vai fazer uma selecção dos vários projectos existentes nos países em que está a trabalhar, de forma a ter uma bolsa de ideias para apresentar às empresas ou às autarquias.
O objectivo da iniciativa "Carbono Contra a Pobreza" será também financiar projectos ou instituições em Portugal, já que o país também tem carências: "Cerca de 20 por cento dos portugueses vive no limiar da pobreza".
Desta forma, as autarquias podem fazer uma contabilização das suas emissões de gases com efeito de estufa e, o que for um excedente, aplicá-lo em dinheiro (usando o preço da tonelada de dióxido de carbono) numa instituição que necessite.
"Várias podem ser as instituições a ajudar, como por exemplo uma instituição particular de solidariedade social que tenha um lar numa zona deprimida do país e que precise de mudar a sua cadeia de frio, mas tem poucos recursos para investir em equipamentos eficientes e amigos do ambiente. Um município poderá financiar esta cadeia de frio e, com esse investimento, compensar as suas emissões poluentes", explicou o responsável da Oikos.
Também as escolas poderão ser um alvo preferencial destes projectos em Portugal.
O objectivo, segundo João José Fernandes, é "fazer com que os municípios tenham planos de adaptação e mitigação às alterações climáticas, contribuindo para que reduzam também a pobreza".
Numa tentativa de dar o exemplo, a Oikos fez também um cálculo das suas próprias emissões de dióxido de carbono e aplicou o correspondente em dinheiro (3.630 euros) no financiamento de um projecto na Índia: uma central de produção de biomassa, projecto que, além de reduzir as emissões, tem contribuído para o desenvolvimento da localidade onde se encontra, nomeadamente através da criação de 650 postos de trabalho
ARP.
Lusa/fim

Novos projectos vão sofrer corte na licença de emissões de CO2

Por Ioli Campos
A REDUÇÃO em três por cento das emissões de dióxido de carbono - imposta pela Comissão Europeia, em finais de Outubro - afectará sobretudo a reserva para novos projectos, segundo soube o SOL junto do Ministério da Economia

O reajustamento terá sido decidido por um grupo de trabalho com membros do Ministério do Ambiente e da Economia e, ao que o SOL apurou, a redução não afectará a indústria, como o sector temia, mas a reserva de novos projectos.
O novo Plano Nacional de Alocação de Licenças de Emissão (PNALE) deverá entrar em discussão pública no início da próxima semana, de acordo com o Ministério da Economia. No novo documento, a distribuição de emissões é redefinida de modo a corresponder à exigência da Comissão Europeia que aprovou o plano mas impôs a Portugal a redução de 3,1%.
Assim, o país terá direito a emitir 34,8 milhões de toneladas de dióxido de carbono anuais entre 2008 e 2012, menos 1,08 milhões que o Governo tinha inicialemente proposto.
ioli.campos@sol.pt


Redução de 3 por cento nas licenças de CO2 é problema da Economia - ministro do Ambiente

9 de Novembro de 2007, 14:44
Lisboa, 09 Nov (Lusa) - O ministro do Ambiente afirmou hoje que a forma como vão ser reduzidas as licenças de emissão de dióxido de carbono atribuídas às indústrias portuguesas, em resultado das exigências de Bruxelas, "é um problema da Economia".
Francisco Nunes Correia, questionado pela Agência Lusa sobre o processo relativo ao Plano Nacional de Atribuição de Licenças de Emissão de gases poluentes (PNALE II), que a Comissão Europeia obrigou a reduzir, afirmou que a Comissão para as Alterações Climáticas (CAC), que vai determinar como cumprir esta decisão, reuniu recentemente devendo "haver resposta dentro de uma ou duas semanas".
Na CAC têm assento representantes de vários departamentos do Estado com competências nesta área, tendo o ministério da Economia "uma palavra muito importante a dizer", sublinhou o governante, à margem de um encontro informal com jornalistas.
"A redução dos três por cento não é um problema ambiental, é da economia", justificou.
O PNALE II, que inicialmente atribuía à indústria portuguesa 37,9 milhões de toneladas de licenças de emissão, foi aprovado em Outubro pela Comissão Europeia limitando as licenças para o período 2008-2012 a 34,8 milhões de toneladas, um corte de três por cento face à última proposta de Lisboa.
O regime comunitário de comércio de licenças de emissão (CELE) pretende assegurar a redução das emissões de gases com efeito de estufa dos sectores da indústria e energia abrangidos ao menor custo para a economia, contribuindo para o cumprimento dos compromissos assumidos pelos Estados-membros no âmbito do Protocolo de Quioto.
A segunda fase do CELE, relativa ao período 2008-2012, tem início a 01 de Janeiro.
A Agência Lusa procurou saber a posição do ministério da Economia sobre este processo, mas não obteve resposta em tempo útil.
VP/RCR.
Lusa/fim

Ambiente: China cria fundo ambiental com venda de créditos de emissões de gases de efeito estufa

9 de Novembro de 2007, 14:51
Pequim, 09 Nov (Lusa) - A China, um dos maiores emissores mundiais de gases de efeito estufa (GEE) causadores do aquecimento global, criou hoje um fundo governamental para canalizar verbas da venda de créditos de redução de emissões para projectos de protecção ambiental.
O novo fundo vai buscar parte das verbas que as empresas chineses recebem ao abrigo dos Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL), os mecanismos de mercado do Protocolo de Quioto que permitem aos países desenvolvidos investir em projectos de redução de emissões em nações em vias de desenvolvimento, recebendo créditos pelas emissões poupadas e compensando assim o seu excesso de emissões.
"A criação deste fundo de desenvolvimento limpo é uma importante actividade do governo chinês para dar resposta aos problemas do aquecimento global", disse o ministro das Finanças da China, Xie Xuren, na cerimónia de inauguração do fundo.
As verbas, disse Xie, vão financiar os esforços chineses "para encorajar as medidas de poupança energética e proteger o ambiente".
No final de Outubro, a China tornou-se no maior mercado mundial de créditos de emissão de GEE, com a aprovação de 855 projectos de MDL, segundo dados da Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento, o ministério chinês responsável pela planificação económica e a autoridade coordenadora dos processos de MDL.
Segundo o ministro das Finanças, os projectos já aprovados poderão dar à China receitas de 15 mil milhões de dólares, três milhões dos quais vão constituir o novo fundo ambiental
A China, que por ser um país em vias de desenvolvimento não tem metas obrigatórias de redução de emissões, recusa também aceitar metas obrigatórias de redução de emissões após 2012, quando terminar o presente período de cumprimento do Protocolo de Quioto.
Segundo cálculos de governo holandês, a China já ultrapassou os Estados Unidos da América como maior emissor mundial de GEE, com mais de seis mil milhões de toneladas.
RBV.
Lusa/Fim

Agência McCann Erickson adere à Gestão Voluntária de Carbono

A McCann Erickson é a primeira agência de publicidade em Portugal a aderir ao programa de Gestão Voluntária de Carbono, com o qual pretende atingir o equilíbrio entre a empresa e o respeito pelo meio ambiente, nomeadamente no que diz respeito à optimização energética e redução das emissões de carbono para a atmosfera.
O projecto, desenvolvido pela EcoProgresso, terá início esta semana, com a realização de um inventário, que visa quantificar o impacto que a actividade da empresa tem no clima.
O programa terá a duração de seis meses, no final dos quais a McCann terá reduzido os custos actuais e futuros, através de uma maior eficiência na utilização de recursos.
O sistema de Gestão Voluntária de Carbono compreende três fases fundamentais:, que passam pela caracterização da pegada carbónica (estendido ao consumo e poupança de água e gestão de resíduos), elaboração de programa de redução de emissões de carbono (com definição de política interna de compensação de emissões) e comunicação dos resultados obtidos.
09-11-2007 11:13:14

quarta-feira, novembro 07, 2007

Supremo autoriza queima de resíduos perigosos


Alfredo Maia*O Supremo Tribunal Administrativo (STA) autorizou a Cimpor a queimar resíduos industriais perigosos (RIP) na fábrica de cimentos de Souselas, contrariando as decisões do Tribunal Administrativo e Fiscal de Coimbra e do Tribunal Central Administrativo do Norte. Estas instâncias tinham dado provimento à providência cautelar interposta pela Câmara de Coimbra, no final de 2006, para suspender o despacho do ministro do Ambiente que dispensava a co-incineração de avaliação de impacte ambiental. O presidente da Câmara, Carlos Encarnação, desvaloriza o acórdão do STA e recorda que ainda falta decidir a acção principal apresentada na mesma altura. Mas o advogado coimbrão co-autor de duas acções populares, Castanheira Barros, sugere que a autarquia adira à segunda delas (visando a anulação dos licenciamentos ambiental e de instalação concedidos pelos institutos do Ambiente e dos Resíduos) e proponha como apenso uma acção cautelar de suspensão. O autarca disse respeitar a decisão do STA, mas vincou que continua em vigor uma postura municipal que proíbe a circulação de veículos transportando RIP."A imediata execução do despacho (do ministro do Ambiente) permitirá que o procedimento de licenciamento prossiga mais agilmente, propiciando à Cimpor uma obtenção mais rápida e mais simples das almejadas licenças", lê-se no acórdão do STA. Segundo a agência Lusa, a decisão conclui que a relação entre a co-incineração e os prejuízos invocados pela autarquia "é apenas eventual ou hipotética" e que não decorre da execução do despacho "a produção de tais danos".O epidemiologista Massano Cardoso, que é catedrático da Universidade de Coimbra e integrou a comissão científica independente de avaliação da co-incineração, considera que a decisão não afasta os perigos para a saúde pública. "A co-incineração é uma actividade que comporta riscos", pois, "em termos científicos, existem suspeitas e algumas evidências de perigos", disse o também provedor local do Ambiente.Para o dirigente da Quercus Rui Berkemeier, o STA "prestou um mau serviço ao país" e o processo "está envolvido num clima de suspeição", desde que lei permite que os RIP sejam encaminhados "directamente para as cimenteiras" e o regulamento dos centros de tratamento está a ser elaborado por cientistas "ligados há muitos anos ao processo de co-incineração". * com Lusa

Óleos alimentares convertidos em biodiesel

O município de Penacova vai implantar um novo sistema de reciclagem para óleos alimentares usados. O programa Penacova EcoOleo é feito em parceria com a empresa Bio Oeste e pretende distribuir contentores por restaurantes e pontos municipais, onde serão depositados os óleos, que depois serão reaproveitados para a produção de biodiesel.Segundo Pedro Carpinteiro, vereador da Câmara de Penacova, a reciclagem de óleos alimentares é uma área que "sempre preocupou o município, uma vez que os resíduos não tinham um destino final definido". Com esta medida, a Autarquia pretende evitar que este tipo de óleos "seja despejado no saneamento ou depositado noutro local qualquer, prejudicando a natureza".O vereador ressalva a importância de se ter um papel dinamizador e de sensibilização (há um programa nas escolas e para o público em geral) e explica a parceria com a Bio Oeste "a Autarquia não tem o 'know-how' para este tipo de iniciativas, mas encontrou parceiros para as poder desenvolver".O protocolo de cooperação entre a Câmara Municipal de Penacova e a Bio Oeste foi assinado ontem, e já foram distribuídos alguns contentores a proprietários de restaurantes presentes no evento. Os restantes serão distribuídos pelos estabelecimentos aderentes e pelos pontos municipais, como os armazéns da Espinheira e do Silveirinho, as piscinas municipais ou as juntas de freguesia. Um dos sócios da Bio Oeste, Nuno Soares, explicou que cada contentor vale pontos, e que os donos dos restaurantes podem trocar esses pontos por material necessário, dando o exemplo de termómetros ou kits de saturação.Pedro Carpinteiro salientou ainda que as preocupações do município relativamente à reciclagem não se centram só nos óleos alimentares usados. "A vida útil dos aterros está quase extinta e não se pode desprezar este ponto", alerta o vereador. Outra iniciativa da Autarquia nesta matéria está ao nível das pilhas, tendo o município arranjado pilhões, em conjunto com a Empresa de Resíduos Sólidos Urbanos do Centro (ERSUC). Para o futuro, Pedro Carpinteiro espera alargar a iniciativa a todo o concelho. João Pedro Campos

terça-feira, novembro 06, 2007

AMBP: 19 concelhos vão ter recolha de óleos alimentares

Os 19 concelhos da Associação de Municípios do Planalto Beirão (AMPB) vão passar a dispor de «oleões» onde podem ser colocados os óleos usados nas frituras domésticas, evitando assim a poluição de muitos milhões de litros de água.
O projecto foi hoje lançado em Tondela, o primeiro dos 19 concelhos a receber os «oleões» e, segundo o administrador-delegado da AMPB, António Pereira, será depois alargado aos restantes.
António Pereira explicou que foram comprados 50 contentores, representando um investimento de cerca de 20 mil euros, que, a seguir a Tondela, vão ser distribuídos por Mortágua, Santa Comba Dão, Carregal do Sal, Viseu e Tábua.
«Depois vamos alargando à medida que for possível», acrescentou, estimando que, durante o próximo ano, todos os 19 concelhos possam estar cobertos pelos «oleões».
Trata-se de um projecto dinamizado em parceria com a empresa Tratris - Tratamento de Resíduos Industriais Perigosos S.A., que há já três anos recolhe os óleos alimentares usados pelos restaurantes e cantinas, submetendo-os ao tratamento necessário (filtragem e centrifugação) e encaminhando-os depois para as unidades licenciadas para produção de biodisel.
«Estes oleões servem apenas para depositar os óleos resultantes das frituras das nossas casas. Funcionam como um sistema de triagem», frisou, junto a um dos cinco da cidade de Tondela, Pedro Tenreiro da Cruz, administrador da Tratris, uma empresa criada em 1999 e que desde Junho de 2006 está sedeada neste concelho.
Pedro Tenreiro da Cruz pediu aos munícipes que, ao invés de deitarem os óleos alimentares usados pela pia ou a sanita abaixo, causando graves prejuízos ambientais, os coloquem em recipientes de plástico que depois despejam nos «oleões».
Durante o lançamento da campanha, foram mostrados uns recipientes de cinco litros que permitem guardar e transportar de forma limpa e segura os óleos alimentares usados, que, futuramente, poderão ser vendidos ou distribuídos.
Pedro Tenreiro da Cruz disse que, «além da experiência de Sintra, ainda não há nada feito» no país ao nível da recolha dos óleos alimentares usados nas casas.
O projecto que hoje foi lançado em Tondela tinha inicialmente sido pensado pela Tratris para Vizela, onde, no entanto, a empresa diz não ter recebido «o apoio das entidades locais».
Outro dos administradores da empresa, António Tenreiro da Cruz, sublinhou que, além de permitir produzir biodisel, a recolha de óleos alimentares usados evita também graves problemas nas canalizações e a degradação das Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR).
Citando dados do Ministério do Ambiente, disse que serão usadas por ano 125 mil toneladas de óleos alimentares.
Sublinhando que actualmente, a recolha de óleos usados não é superior a 15 mil toneladas, questionou onde estão as restantes, para concluir que se gasta mais óleo nas casas do que nos restaurantes e lamentando que o seu destino habitual seja as pias.
Por fim, frisou que um litro de óleo pode poluir um milhão de litros de água.
Diário Digital / Lusa

Ambiente: CTT investem cerca de 6 M€ para reduzir impacto

Os Correios de Portugal (CTT) vão investir cerca de 6 milhões de euros em políticas ambientais para reduzir o impacto da sua actividade no ambiente, anunciou hoje o Director de Qualidade de Sustentabilidade, Luís Paulo.
O maior investimento dos CTT centralizou-se na modernização tecnológica da sua frota, «com 4,5 milhões de euros para nesta área», revelou o vice-presidente, Pedro Coelho, no âmbito do acordo com o Instituto de Conservação de Natureza e da Biodiversidade assinado na Central de Tratamento de Correspondência de Cabo Ruivo, que se insere na iniciativa Business & Biodiversity promovida pela União Europeia.
«Todos os anos os veículos do CTT percorrem 63 milhões de quilómetros, o equivalente a 164 idas à Lua», disse Pedro Coelho, explicando a necessidade de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa com uma nova frota de carros menos poluente.
«Temos também o objectivo de chegar a 2008 com uma idade média por veículo de 2,3 anos, contra os actuais 3,1 anos», acrescentou o vice-presidente.
Com 3.600 veículos a operar diariamente, os CTT também dedicaram um investimento de 20 mil euros para formação em condução defensiva e ecológica, um valor revelado por Luís Paulo.
Para além desta modernização, os CTT também vão remodelar os sistemas de climatização «dos dois principais centros de tratamento de correspondências de Cabo Ruivo e Vila Nova de Gaia, projectos que terão um custo de 1,5 milhões de euros», afirmou o responsável da empresa.
«Estes investimentos em tecnologias mais eficientes pretendem uma redução dos custos actuais a longo prazo», afiançou o Director de Qualidade de Sustentabilidade.
Segundo a empresa, os esforços para a redução de emissões de gases com efeito de estufa já tiveram um resultado de menos 10 por cento em 2006, comparativamente com o ano anterior.
«Gastámos menos para percorrer os mesmo quilómetros», assegurou o vice- presidente dos CTT.
Diário Digital / Lusa

segunda-feira, novembro 05, 2007

Eco-Dicas




Se queres ser um cidadão ecológico e não sabes como sobreviver ao consumismo da selva urbana, poderás encontrar aqui algumas respostas.
- Se não sabes o que fazer aos pacotes quando os vais deitar para o eco-ponto, pois o simples espalmar não resulta, segue as nossas instruções e descobre um forma eficaz de dobrar qualquer pacote sem que este ocupe muito espaço.



1. Lava sempre tudo o que colocares para reciclar. Tudo o que vai para os Eco-pontos é sujeito a um processo de triagem feito por pessoas e à mão. Isto significa que as condições de trabalho por si só não são muito agradáveis. Podemos minimizar certos odores com um gesto simples como o lavar as embalagens antes.


2. Levanta as abas do pacote, mas só as da parte superior



3. Espalma o pacote como indica a figuras





4. Dobra as abas laterais para trás.




5. Dobra o pacote e prende-o na zona inferior de forma a que este não se solte. Desta forma ocupa menos espaço e não se corre o risco do pacote abrir.


6. E eis o resultado final!!



- Diminui os teus gastos de electricidade e farás baixar o nível de CO2 produzido pelas centrais eléctricas
- Uma forma de ajudar a proteger a camada de ozono é assegurarmo-nos de que, ao comprarmos um frigorífico novo, ele é um dos recentes modelos com o mínimo de CFCs.
- Uma maneira de ajudares é assegurares-te de que a tua casa é energeticamente eficiente de modo a aproveitar ao máximo a energia "indispensável" consumida.
- Se vais comprar artigos de toilette (sabonete, sais de banho, etc.), dá preferência aqueles que trazem no rótulo "Cruelty free".
- Quando fores ao supermercado tenta usar, e se possível reutilizar, sacos biodegradáveis (Ex: papel ou pano) em vez dos usuais sacos de plástico que demoram uma eternidade a degradarem-se naturalmente.
Da palavra à acção:
- Dá preferência a embalagens de vidro. Permite infinitas reciclagens e não se decompõe na natureza. Das embalagens usadas pela industria, são consideradas das mais ecológicas, desde que não desperdiçadas no lixo.

- Procura produtos que tenham escrito "Not tested on animals" (Não testado em animais). Segue uma lista de empresas que não fazem testes em animais dá preferência a essas empresas.
Almay (Revlon)
Amway
Aramis, Inc. (Estée Lauder)
Amitée Cosmetics, Inc.
Avon
Carlson Laboratories
Chanel, Inc.
Christian Dior
Clarins of Paris
Clinique Labs.
Lancôme
Donna Karan Beauty Co. (Estée Lauder)
Garnier (L'Oreal)
Norelco
Gucci Parfums (Wella)
Nivea (Beiersdorf)
Revlon
L'Oreal (Cosmair, Maybelline*,Lancôme)
Ralph Lauren Fragances
Victoria Secrets

* indica que a empresa parou com os testes em animais, mas ainda está sob investigação.
- Prefere pilhas recarregáveis. As pilhas, depois de usadas, libertam metais no ambiente, como o zinco, o mercúrio, o cádmio, etc., que produzem efeitos nocivos ao ecossistema e à saúde das pessoas.
- Dá preferência à utilização de produtos biodegradáveis e recicláveis. Não utilizes aerosóis que contenham clorofluorcarbonetos (CFC), pois estes contribuem para a destruição da camada de ozono.
- Troca regularmente o óleo do carro e utiliza um filtro anti-poluente no escape.
- Separa papéis, vidros, latas e plásticos, para serem reciclados. Com isto estás a ajudar a diminuir o lixo acumulado e a obtenção de matéria prima sem que se precise extrair do meio ambiente.

Supremo dá luz verde à co-incineração em Souselas


Supremo Tribunal Administrativo deu luz verde à co-incineração na cimenteira de Souselas, em Coimbra, contrariando as decisões do Tribunal Central Administrativo do Norte e do Tribunal Administrativo e Fiscal de Coimbra.
A Câmara Municipal de Coimbra esgotou assim o último recurso judicial para impedir a queima de resíduos industriais perigosos na cimenteira, no âmbito da providência cautelar que tinha interposto em finais do ano passado para travar de imediato o processo.
A co-incineração em Coimbra vai ainda ser analisada pelos tribunais, em resposta à acção principal que o município entregou ao mesmo tempo que a providência cautelar, mas enquanto isso não acontece a cimenteira está autorizada a iniciar a queima dos resíduos perigosos.
Diário Digital / Lusa
05-11-2007 13:35:00

Protótipo do avião solar é apresentado segunda-feira


O suíço Bertrand Piccard, o homem que realizou a primeira volta ao Mundo num balão sem efectuar escalas, quer repetir a circum-navegação ao planeta num avião solar. O protótipo é apresentado segunda-feira, na Suíça, com transmissão em directo no site do Expresso.
Nelson Marques

Protótipo do avião solar é apresentado segunda-feira
Um impulso solar para um mundo melhor


Em 2011 o avião estará pronto para a sua viagem de circum-navegação
O sonho de Bertrand Piccard já esteve mais longe de se tornar realidade: o aventureiro suíço que, em 1999, completou a primeira volta ao Mundo num balão sem realizar qualquer escala, quer repetir a circum-navegação do planeta, desta vez a bordo de um avião movido unicamente por energia solar.
O projecto, iniciado há quatro anos com o objectivo de promover as energias renováveis, entra segunda-feira numa fase decisiva. Em Dübendorf, uma localidade nos arredores de Zurique, na Suíça, será revelado o protótipo do aparelho que, em 2009, irá tentar manter-se no ar durante 36 horas, abrindo caminho para a concretização do objectivo final, dois anos mais tarde.
Avião solar voará à noite
Os detalhes técnicos do protótipo, conhecido como HB-SAI, só serão revelados na conferência de imprensa de amanhã, mas alguns pormenores são já conhecidos. Construído com materiais ultraleves, resistentes e elásticos para evitar rupturas, o avião pesará menos de duas toneladas e terá células fotovoltáicas instaladas nas imensas asas de 61 metros de envergadura, que captarão a energia e a armazenarão em baterias de lítio.
Este pormenor é decisivo, já que garantirá autonomia de voo "mesmo após o pôr-do-sol". Os actuais aviões solares não foram concebidos para armazenar energia, pelo que são obrigados a aterrar após algumas horas de voo, quando a luz solar se torna insuficiente (devido ao céu nublado ou ao cair da noite). "O Solar Impulse não é o primeiro avião solar concebido pelo homem, mas é certamente o mais ambicioso", garantem os promotores da iniciativa.
Testes, testes e mais testes
A construção do aparelho arrancou em Junho e deverá estar concluída no próximo Verão. Se o calendário for cumprido, antes da realização de um voo de 36 horas em 2009, o aparelho será submetido a rigorosos testes que deverão começar no Outono de 2008. Esta fase é decisiva, já que na mente de todos está ainda o desfecho do Hélios, o avião solar da NASA que, em 2003, se partiu ao meio 29 minutos depois de ter descolado. Até lá, permanecerá o suspense sobre a possibilidade do avião resistir à noite e prosseguir a sua missão.
Com os conhecimentos adquiridos durante o processo, será depois desenvolvido um outro avião para tentar realizar vários ciclos de voo de 24 horas, levando ao primeiro voo solar transatlântico em 2011 e, depois, à circum-navegação do planeta. A aeronave poderá levar apenas um passageiro de cada vez e deverá fazer cinco paragens, uma em cada continente, para apresentar a iniciativa ao público e às autoridades políticas e científicas.
70 milhões de investimento
Dois pilotos irão alternar com Piccard nos comandos do aparelho: Bryan Jones, companheiro de viagem do suíço na aventura do Breitling Orbiter 3, e o engenheiro e piloto de caças André Borschberg, director executivo do projecto. Cada etapa irá demorar quatro a cinco dias, considerado o tempo máximo que um piloto pode aguentar.
Para completar a aventura, serão investidos ao longo dos próximos anos cerca de 70 milhões de euros, 44 dos quais dedicados ao desenvolvimento do primeiro protótipo.
Bertrand Piccard: O Philleas Fogg do séc. XXI
Piccard é filho e neto de peixe, que para além de saber nadar, também sabe voar
O suíço Bertrand Piccard é uma espécie de Philleas Fogg dos tempos modernos. Psiquiatra de formação, Piccard, de 49 anos, já havia realizado em 1999, a bordo do Breitling Orbiter 3, a primeira volta ao Mundo num balão sem qualquer escala.
O desejo de aventura faz parte do código genético da família, já que Piccard representa a terceira geração de uma família de exploradores famosos. No início dos anos 30 do século XX, o avô, Auguste Piccard, realizou os primeiros voos na estratosfera numa cápsula pressurizada.
Duas décadas mais tarde, desceu com o filho Jacques até aos 3150 metros de profundidade, ganhando a alcunha de "o homem dos extremos", aquele que tinha subido à maior altitude e descido às profundezas do oceano.
Foi já sozinho que, na década de 60, Jacques, estabeleceu o recorde de profundidade em mergulho ao comandar o submersível Triest 1 ao maior abismo da Terra, a "Challenge Deep", localizada na Fossa das Marianas, no Pacífico Ocidental, a quase 11 mil metros de profundidade. Dando seguimento ao trabalho do pai, acabaria por construir o primeiro submarino turístico.
Com uma herança assim, Bertrand só podia dedicar-se a desafiar utopias, como num romance de Júlio Verne

quarta-feira, outubro 31, 2007

Alterações Climáticas: Novas centrais a carvão comprometem meta UE de redução emissões - Greenpeace

31 de Outubro de 2007, 13:41
Hamburgo, Alemanha, 31 Out (Lusa) - A construção de novas centrais a carvão na Europa compromete a meta estabelecida pelos Estados-membros da União Europeia de reduzir em 20 por cento as emissões de dióxido de carbono ate 2020, afirmou hoje a organização ecologista Greenpeace.
No Conselho Europeu de Março último, os 27 Estados-membros da UE comprometeram-se a reduzir a emissão de gases com efeito de estufa em 20 por cento até 2020 (em relação a 1990), mas a proposta poderá ir até 30 por cento, dependendo do empenho internacional que sair da Convenção-Quadro da ONU sobre as Alterações Climáticas, que se realiza entre 03 e 14 de Dezembro em Bali, Indonésia.
No entanto, a Greenpeace alertou hoje em comunicado que esta meta está comprometida, uma vez que está prevista a construção de 68 novas centrais a carvão na Europa, 33 das quais na Alemanha, oito no Reino Unido e na Itália, seis na Polónia, cinco na Holanda e duas na Hungria.
De acordo com a organização ambientalista, está ainda prevista a construção de uma única central em países como a Grécia, Bulgária, Áustria e Espanha, bem como na França e na Eslováquia.
Em Portugal existem duas centrais a carvão, uma em Sines com cerca de 1.200 mega watts (MW) e outra em Pego, Abrantes, com cerca de 600 MW e, de acordo com o com o vice-presidente da Quercus, Francisco Ferreira, está prevista a construção de "uma central a carvão limpo (com tecnologia de sequestração de carbono) até 2014".
No caso da Alemanha - país que actualmente é responsável pela emissão de 880 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) -, os responsáveis da Greenpeace temem que a entrada em funcionamento das 33 centrais venha a representar um acréscimo de 140 milhões de toneladas de C02 e comprometer os objectivos de reduzir as emissões em 260 milhões de toneladas.
Nesse sentido, a organização internacional apelou hoje ao Governo alemão para que não conceda as respectivas autorizações de construção.
Este apelo surge no mesmo dia em que Berlim apresentou um pacote de 30 medidas que, segundo o ministro do Ambiente alemão, Sigmar Gabriel, podem reduzir as emissões de CO2 em 36,6 por cento (em relação a 1990) até 2020.
Estas medidas estão relacionadas com o estímulo de fontes de energias renováveis e com o aumento da eficiência energética e, segundo o governante alemão, vão favorecer a longo prazo não só o ambiente como também a industria.
De acordo com Sigmar Gabriel, a aposta nas energias renováveis pode evitar emissões de 50 milhões de toneladas de Co2 até o horizonte de 2020, enquanto que o aumento da eficiência energética nas novas construções pode levar a evitar 35 milhões de toneladas de emissões.
SK.
Lusa

segunda-feira, outubro 29, 2007

Alterações Climáticas: Portugal vai ultrapassar em 8 a 14% a meta de Quioto para as emissões de CO2 - estudo

29 de Outubro de 2007, 18:38
Lisboa, 29 Out (Lusa) - As emissões de gases com efeito de estufa em Portugal vão ultrapassar entre oito e 14 por cento a meta nacional estabelecida no Protocolo de Quioto para 2008-2012, segundo as estimativas do projecto MISP apresentadas hoje em Lisboa.
Esta é uma das conclusões do projecto Estratégias de Mitigação das Alterações Climáticas (MISP, na sigla em inglês), que projecta as trajectórias da procura e do consumo de energia e das emissões de gases com efeito de estufa em Portugal até 2070.
As conclusões são baseadas nos quatro panoramas mundiais projectados este ano pelo Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) da ONU e aplicam-se, entre outros, aos edifícios residenciais e de serviços, transportes, indústria, agricultura, pecuária, resíduos, centrais termoeléctricas a combustíveis fósseis, centrais nucleares e energias renováveis.
De acordo com as estimativas hoje apresentadas, Portugal vai emitir até 2012 entre 4,8 a 8,5 mega toneladas de dióxido de carbono (Co2), ou seja, entre 35 e 41 por cento mais do que as emissões em 1990 (ano de referência para o cumprimento deste acordo), ultrapassando assim a meta de 27 por cento estabelecida pelo Protocolo de Quioto para 2008-2012.
Quioto impõe à União Europeia (UE) uma redução das emissões em oito por cento em relação a 1990.
Para Portugal, no entanto, é permitido um aumento de 27 por cento devido a um acordo de partilha de responsabilidades.
Porém, falando na apresentação do MISP, Ricardo Aguiar, co-autor do estudo e investigador do Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação, lembrou que estas previsões "excluem as florestas, o uso do solo e suas alterações [FAUS], que poderão reduzir este excesso para algo entre três e cinco mega toneladas de C02".
O vice-presidente da Quercus, Francisco Ferreira, disse à Lusa que estas estimativas mostram que o Programa Nacional para as Alterações Climáticas de 2006 é "demasiado optimista em relação às previsões de curto e médio prazo [2008-2102]" e que é "urgente pôr em prática mais mecanismos do Protocolo de Quioto".
"As previsões do MISP apontam para que a meta nacional de Quioto 2008-2012 seja ultrapassada. Isto quer dizer que nos vai sair mais caro, uma vez que o Fundo de Carbono terá de ir além dos 350 milhões de euros decididos pelo Governo", frisou.
No entanto, o estudo também indica que Portugal vai deixar de aumentar as suas emissões de gases com efeito de estufa por volta de 2010, passando a partir daí a uma fase de redução até 2070, que será mais significativa até 2050.
"Todos os cenários mostram que por volta de 2010 vamos inflectir e reduzir as emissões e isto mantém-se até 2050. Nos vinte anos seguintes o ritmo de redução vai ser mais brando", explicou Ricardo Aguiar.
De acordo com o especialista, essa redução de emissões vai acontecer naturalmente devido "à maturidade do desenvolvimento das infra-estruturas, ao parque automóvel [em estagnação e mais preocupado com o ambiente], à redução da população portuguesa e aos fluxos entre zonas rurais e cidades, que estão prestes a terminar".
Os dados mais recentes indicam que em 2005 as emissões de gases com efeito de estufa estavam 18 por cento acima das metas impostas pelo protocolo de Quioto e 45 por cento acima dos níveis emitidos em 1990.
As estimativas do MIPS prevêem ainda que as emissões em Portugal caiam "na ordem de um por cento por ano até 2050", o que significa que em 2020 o excesso relativamente a 1990 "andaria entre 19 por cento e 31 por cento".
Ricardo Aguiar lembrou que estes valores ainda ultrapassariam a meta estabelecida pela UE para 2020, fixada em 20 por cento, podendo chegar aos 30 por cento.
O estudo destaca ainda, como ponto positivo, que as estimativas relativas à electricidade de origem renovável em Portugal para 2010 são da ordem dos 43 por cento, um valor muito próximo da meta de 45 por cento estabelecida pelo Governo para o mesmo período.
De acordo com o MISP, a electricidade de origem renovável aumentará até 2020 para 46 a 51 por cento.
SK.

UE: Noruega, Islândia e Liechtenstein combatem carbono

Os países da Área Económica Europeia vão integrar o comércio europeu de licenças de emissão de dióxido de carbono, que se torna assim o primeiro acordo internacional deste género, anunciou hoje a Comissão Europeia, em Bruxelas.
Com a adesão da Noruega, Islândia e Liechtenstein, o sistema de comércio de licenças de emissão de gases com efeito de estufa passa a integrar 30 países.
No âmbito da revisão do comércio europeu de licenças, Bruxelas está a considerar a hipótese de ligar o seu sistema a outros mundiais credíveis.
Dada a natureza global das alterações climáticas e a necessidade urgente de reduzir as emissões de gases poluentes, a Comissão Europeia está a estudar a criação de um mercado global de carbono que beneficie todos os países.
O anúncio da adesão dos três países ao sistema de comércio de licenças da União Europeia teve lugar no mesmo dia em que Bruxelas concluiu o processo de decisão sobre os planos nacionais de emissões dos 27.
A Bulgária e a Roménia foram os últimos países a verem os seus planos nacionais de atribuição de licenças aprovados.
Os planos nacionais de cada Estado-membro determinam o limite de emissões de dióxido de carbono (CO2) que as instalações coberta pelo sistema de comércio e quanto cada uma irá receber.
Portugal, por exemplo, poderá emitir 34,8 milhões de toneladas de CO2, tendo a Comissão Europeia cortado 3,1 por cento em relação ao proposto por Lisboa (35,9 milhões de toneladas).

Diário Digital / Lusa
26-10-2007 13:46:00

Poluição: Pequim recomenda que crianças fiquem em casa

O serviço meteorológico de Pequim alertou hoje crianças e idosos a ficarem em casa devido à forte neblina que cobriu a cidade e agravou a poluição atmosférica, segundo a imprensa local.
A neblina causou vários atrasos no aeroporto de Pequim e reduziu a visibilidade no centro da cidade a menos de 200 metros.
«A neblina vai afectar não só o tráfego, mas também prejudica o sistema respiratório das pessoas. Sugiro aos idosos e crianças que evitem sair ou que usem uma máscara», disse Sun Jisong, meteorologista da câmara, à agência estatal de notícias Xinhua.
A autarquia tem como meta melhorar a qualidade do ar antes dos Jogos Olímpicos de Agosto, mas um relatório divulgado quinta-feira pelo Programa Ambiental da ONU mostra que o problema persiste.
Em discurso na Conferência Mundial sobre Deporto e Ambiente, também na quinta-feira, o presidente do Comité Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge, reiterou que algumas provas de resistência dos Jogos Olímpicos podem ser adiadas caso a qualidade do ar não melhore.

26-10-2007 14:07:21

domingo, outubro 28, 2007

Por uma melhor eficiência energética


Joana Silva Santos 2007-10-26

O Concurso Rock in Rio Escola Solar convida alunos e professores a apresentarem projectos que conjuguem benefícios ambientais e sociais. As inscrições estão abertas até dia 30.
"Rock in Rio Escola Solar" é o nome da primeira acção integrada no Projecto Social do Rock in Rio-Lisboa 2008, dedicado, este ano, à causa ambiental. O objectivo é estimular o conhecimento sobre a problemática das alterações climáticas e incentivar a adopção de boas práticas de utilização racional da energia, através da participação das escolas na concepção e execução de projectos sociais nas comunidades em que se inserem.Considerando que os problemas ambientais, nomeadamente as alterações climáticas, são "uma verdadeira emergência planetária só possível de resolver com a vontade e participação de cada um, bem como com o trabalho conjunto de todos os cidadãos", a organização do Rock in Rio decidiu proporcionar às escolas e às entidades dos sectores económico e energético uma oportunidade de desenvolverem projectos neste domínio.E assim nasceu o Concurso Rock in Rio Escola Solar. Um desafio às escolas do 2.º e 3.º ciclos do Ensino Básico e do Ensino Secundário de todo o país que deverão apresentar projectos que conjuguem a promoção da utilização racional da energia com a melhoria da qualidade de vida e do bem-estar da população seleccionada. "Deverão apresentar projectos sobre a problemática da redução de emissões de gases com efeito de estufa, em estratos mais carenciados da comunidade e que contem com o envolvimento de uma IPSS ou entidade local sem fins lucrativos", explica a organização.Os melhores 20 projectos recebem bilhetes para o Rock in Rio-Lisboa e, ainda, painéis fotovoltaicos. Os bilhetes garantem a presença de mil jovens das escolas vencedoras no evento - cada uma ganha 50 bilhetes e 50 kits com cadernos, t-shirts e diploma Rock in Rio -, enquanto que os sistemas fotovoltaicos, com uma capacidade de até 3,5 kWp cada, para além de font_tag_tage de receita, vão permitir, ainda, divulgar a temática das energias renováveis e das alterações climáticas junto do público jovem. Porque "a vertente pedagógica é fundamental" os sistemas fotovoltaicos instalados serão complementados com terminais informáticos para que todos possam monitorizar online os resultados de produção de energia dos sistemas de cada escola e, ao mesmo tempo, aceder a informação útil sobre questões relacionadas com a utilização racional de energia e com as alterações climáticas.A apreciação dos projectos pelo júri terá em conta, entre outros critérios, a racionalização do uso da energia induzida; a redução quantificada de emissões de gases com efeito de estufa induzida; os benefícios sociais induzidos; a originalidade do projecto como um todo ou das acções que o integram; o envolvimento da escola e os efeitos multiplicadores na comunidade.Esta acção insere-se no Projecto Social do Rock in Rio-Lisboa 2008, e pretende, para além da divulgação da temática das energias renováveis e das alterações climáticas junto do público escolar, gerar receitas financeiras, resultantes da venda à rede de abastecimento da totalidade da energia produzida por estes sistemas fotovoltaicos, que serão aplicadas no financiamento de projectos sociais a desenvolver a longo prazo. As inscrições dos projectos a concurso decorrem até 30 de Outubro e deverão ser efectuadas através do site oficial do Rock in Rio, em rockinrio-lisboa.sapo.pt. Os projectos têm de ser apresentados até ao final do corrente ano e deverão poder ser implementados até ao final do ano lectivo 2007/2008.O presente concurso é uma iniciativa promovida pela Better World e pela SIC Esperança, em parceria com a Direcção-Geral de Energia e Geologia e a Agência para a Energia, com o apoio do Ministério da Educação - Direcção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular, do Ministério da Economia e do patrocinador social do Rock in Rio-Lisboa. A acção agora apresentada vai ao encontro da temática e objectivos definidos pela organização do Rock in Rio-Lisboa 2008 para o seu projecto social: consciencialização, sensibilização e acção de toda a população no que respeita às alterações climáticas.Depois de duas edições com enorme sucesso, o Rock in Rio-Lisboa volta a Portugal nos dias 30 e 31 de Maio, 6, 7 e 8 de Junho de 2008, em Lisboa. Espanha recebe o evento logo depois, a 27 e 28 de Junho, 4, 5 e 6 de Julho, em Madrid.Mais informações:rockinrio-lisboa.sapo.pt.

sexta-feira, outubro 26, 2007

"Devemos pensar em reduzir a população antes que a Natureza o faça"

Se nada fizermos para travar a explosão demográfica e a sobre-exploração dos recursos, bastarão algumas décadas para a Humanidade entrar em colapso.



Nelson Marques
15:35 Segunda-feira, 22 de Out de 2007-Expresso


Alan Weisman: "Estamos a causar a destruição de outras espécies, incluindo espécies que precisamos, e, por isso, não conseguiremos sobreviver"


Alan Weisman passou mais de três anos a viajar pelo mundo e a conversar com centenas de especialistas para responder a uma pergunta: como evoluiria o planeta se os humanos desaparecessem? A resposta está em "O Mundo sem nós", um livro tão fascinante quanto provocador que chega esta semana a Portugal com a chancela da "Estrela Polar".


De passagem pelo nosso país, a convite da APDC-Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações, onde participará, esta terça-feira no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, na conferência "As TIC ao serviço do ambiente", Weisman falou ao Expresso.

O que o levou a escrever este livro?
Há anos que escrevo sobre o Ambiente e cubro assuntos ambientais em todo o planeta. Estas são questões urgentes que as pessoas necessitam saber. Quando olhamos para a questão do aquecimento global, percebemos que os assuntos ambientais estão todos relacionados entre si. Há pormenores que podem ser muito deprimentes, muito assustadores para as pessoas. Muitas pessoas que precisam saber o que se está a passar no nosso planeta, não querem pegar num livro que descreve em detalhe esta crise ambiental global. Por isso, tenho andado à procura de uma forma de escrever sobre isso sem afugentar os leitores e também conquistando uma audiência mais vasta que as pessoas que já têm consciência ambiental.


Porque decidiu criar um cenário onde a Humanidade já tinha desaparecido?


O que fiz foi, em vez de escrever um livro que afugenta as pessoas porque elas, ao lerem-no, pensam "Oh, este é um livro que diz que se não mudarmos o que estamos a fazer vamos todos morrer", escrever um livro em que já estamos todos mortos. A partir daí, o planeta começa a recuperar sem nós. Como se desenvolveria o resto da Natureza sem a pressão que lhe impomos todos os dias? Como lidaria com as coisas que deixaríamos? Por exemplo, lançamos muito dióxido de carbono na atmosfera. Quanto tempo levaria a Natureza a reabsorver esse dióxido de carbono? E em relação aos químicos, plásticos e material radioactivo? Poderá a Natureza curar-se do que lhe fizemos? E todos os nossos edifícios, todas as nossas cidades? O que lhes aconteceria? Poderia a Natureza apagar todos os nossos vestígios? São perguntas como essas que o livro tenta responder. As pessoas podem olhar para o futuro sem se preocuparem com o que lhes vai acontecer. No livro, já estão todas mortas.

As suas conclusões são baseadas em factos científicos?


Todo o que está no livro resulta de uma apurada pesquisa. Foram quase três anos e meio de investigação, mas muita da pesquisa que fiz no passado foi útil. Visitei muitos lugares em todo o Mundo e falei com centenas de cientistas e pessoas. Perguntei-lhes o que aconteceria se todos desaparecêssemos subitamente.
De certa forma, essa viagem ao futuro é também um regresso a um passado sem humanos. No livro, falo com muitos paleontólogos e paleoecologistas para perceber como o mundo era antes das pessoas. Fui, por exemplo, a África para perceber como as pessoas evoluíram e fui a outros continentes, como a América do Norte, para perceber que animais viveram aqui antes da chegada dos humanos. Existiam muitos mais animais grandes, com mais de uma tonelada, que desapareceram com a chegada dos humanos.



Que conclusão o surpreendeu mais?


Diria duas coisas. Em primeiro lugar, fiquei muito surpreendido por perceber que havia tanto plástico no Mundo. A maioria dos resíduos de plástico acaba rapidamente a boiar no mar, porque é muito leve. Porque não temos micróbios na Terra capazes de comer o plástico - pode demorar milhares ou centenas de milhares de anos até tal acontecer -, este é quebrado pela força do mar em pedaços mais pequenos, que são comidos por muitas criaturas marinhas. É algo que me preocupa muito. A segunda situação é muito reconfortante. A vida é extremamente resistente. Tem uma força enorme e surpreendente. Irá encontrar sempre uma forma de regressar, mesmo quando acontecerem coisas más. Não estou preocupado com o planeta, porque a vida na Terra já passou por várias extinções e depois de partirmos a vida voltará. Poderá é ser diferente do que vemos hoje.

Ou seja, há vida na Terra para lá dos humanos. Há, mas isso não quer dizer que não tenhamos que cuidar melhor o planeta. Não escrevi este livro porque pense que as pessoas devam desaparecer. Acredito que pertencemos a este planeta como as outras espécies. Trabalhamos muito para nos desenvolver, mas crescemos demasiado e tornamo-nos tão poderosos que estamos desequilibrados em relação ao resto da Natureza. Estamos a causar a destruição de outras espécies, incluindo espécies que precisamos, e, por isso, não conseguiremos sobreviver. O que espero que os leitores vejam no meu livro é como o mundo recuperaria e seria bonito sem os humanos e, com isso, pensar se existe uma forma de ficarmos na Terra e deixar que o resto da Natureza floresça de novo para que tenhamos um ambiente mais saudável.

É uma questão para desenvolver num próximo livro?


Talvez. No final deste, levanto uma questão que tem a ver com o facto de, a cada quatro dias, haver mais um milhão de pessoas na Terra. Deixo o leitor pensar como seria o Mundo se não nos estivéssemos a reproduzir à velocidade que estamos. Sempre que, na história da Terra, uma espécie cresceu demasiado, a sua população entrou em colapso. Algumas espécies extinguiram-se por completo. Se os seres humanos continuarem a crescer da forma que estão a crescer, se atingirmos nove mil milhões de seres humanos a meio deste século, isso talvez seja demasiado e a nossa população entre em colapso. Acho que devemos pensar em reduzir a população antes que a Natureza o faça por nós.

Devemos estar preocupados com o fim da Humanidade?


Acho que toda a gente já está. Mesmo os mais egoístas sabem que estamos a usar demasiados recursos e a criar demasiada poluição. As pessoas estão hoje muito preocupadas com o aquecimento global, muito mais que há 10 anos. Estas ideias são hoje importantes para muita, muita gente. O livro tem sido um "best-seller" nos Estados Unidos, no Canadá e na Alemanha, e está agora a ser publicado em 27 línguas diferentes. Não é apenas um livro para ambientalistas e ecologistas. O facto de estar a vender tantas cópias é a prova que muita gente está atenta, não apenas as pessoas que amam as árvores e a Natureza.


Esperava este sucesso?


De certa forma. Não queria escrever mais um livro sobre o ambiente que apenas algumas pessoas lessem. Quis escrever um livro que fosse acessível a muita gente e que fosse, simultaneamente, um livro interessante de se ler e não afugentasse os leitores. Estou muito grato por isso ter sido conseguido.

As previsões de Al Gore

Espanha será o país da Europa mais afectado pelas alterações climáticas


16:27 Quinta-feira, 25 de Out de 2007-Expresso


Al Gore no Teatro Jovellanos, Gijón, onde proferiu uma palestra sobre o seu filme "Uma Verdade Inconveniente".
A Espanha é o país da Europa onde as alterações climáticas mais se farão sentir. A previsão é de Al Gore e foi feita esta quinta-feira em Oviedo, onde se deslocou para receber o Prémio Príncipe das Astúrias da Cooperação Internacional. Galardoado igualmente com o Nobel da Paz deste ano, o ex-vice-presidente (durante oito anos) dos EUA justificou: "Os cientistas já mostraram que, em toda a Europa, as previsões apontam para que o maior aumento de temperatura ocorra em Espanha". As razões são várias e vão desde a localização da Península Ibérica, "muito no Sul da Europa", até "à grande massa de terra" existente no seu interior. A que se soma a crescente influência do "ar quente vindo do Norte de África, através do Mediterrâneo".

A falar em Espanha e a propósito de um prémio espanhol, Al Gore não falou sobre Portugal. Mas a lógica mais elementar, reforçada pela simples observação do mapa que exibiu, na mesma manhã, numa conferência em Gijon, apontam para que o aumento de temperatura não se fique por Espanha, devendo prolongar-se pelo interior-Sul de Portugal. Procurando ser optimista, o candidato derrotado por George Bush chamou a atenção para os benefícios relativos desta situação: "Com tanto sol e tanto vento, a Espanha é o país da Europa com melhores oportunidades para aproveitar as novas vantagens económicas na produção de energias renováveis".

"Não tenho planos para me candidatar"
Os poucos (quatro) jornalistas que tiveram tempo para fazer perguntas durante a conferência de Imprensa organizada pela Fundação Príncipe das Astúrias quiseram saber dos seus projectos políticos. A saber: se será candidato às próximas eleições presidenciais nos EUA. Das duas vezes em que a questão foi colocada, Al Gore começou a sua resposta rindo. E agradecendo a sugestão dada. Mas a resposta foi suficientemente clara: "Não tenho nenhum plano para me candidatar outra vez a cargos políticos". É certo que não afastou completamente essa hipótese no futuro, mas acentuou que tem intenção de "dedicar o meu tempo e a minha energia para tentar mudar a maneira como as pessoas pensam a crise climática, no meu próprio país e no resto do mundo". Porque, acentuou, "trata-se de uma crise global e de uma emergência planetária". Um outro jornalista sugeriu que haveria uma proximidade de Al Gore com o pré-candidato negro à Casa Branca, Barack Obama. Sem se pronunciar sobre o senador democrata do Illinois, Al Gore preferiu informar que "tenho tido numerosos contactos com a maior parte dos candidatos que pretendem apresentar-se às presidenciais, sobretudo do meu partido, mas também de outras áreas políticas".
Quanto às críticas que têm sido feitas às suas teses - muito popularizadas através do filme "Uma verdade Inconveniente" -, Al Gore sublinhou que "as suas bases científicas estão demonstradas". Em sua defesa, lembrou a posição recente do Painel Inter-Governamental sobre Mudanças Climáticas, considerada a instituição científica mais autorizada do planeta em matérias como o aquecimento global e que partilha com o próprio Al Gore o Nobel da Paz.
O crítico mais recente foi o líder do Partido Popular, o maior partido da oposição em Espanha, Mariano Rajoy, que esta semana acusou Al Gore de sobreavaliar as consequências das alterações climáticas e do aquecimento global. O ex-vice-presidente dos EUA não quis entrar em polémica directa, retomando o seu argumento já clássico, segundo o qual "este assunto ultrapassa a política e as ideologias, na medida em que é sobretudo uma questão ética e moral". Mas não deixou de ser arrasador para o líder da direita espanhola: "Seria uma loucura dizer que as alterações climáticas não têm nenhum impacto". E não resistiu a comparar os que insistem em negar a evidência aos que, muito poucos, mesmo após a viagem de Cristóvão Colombo e a descoberta da América, continuaram a sustentar a tese de que "a terra era plana..."

Após a rápida conferência de Imprensa, Al Gore foi até à cidade vizinha de Gijon, onde proferiu a conferência "Uma verdade Inconveniente" - que, já esta semana, apresentara em Maiorca e Barcelona. Sexta-feira, será a estrela principal da cerimónia de entrega dos Prémios Príncipe das Astúrias.

Programa da ONU afirma que países continuam sem resolver ameaças globais

25 de Outubro de 2007, 20:31
Nova Iorque, 25 Out (Lusa) - Os países continuam sem resolver as ameaças globais como o impacto das alterações climáticas, a extinção das espécies ou a alimentação de uma população em crescimento, afirmou hoje o Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUE).
No relatório "Estudo global sobre o ambiente", hoje divulgado, as Nações Unidas sublinham que estes e outros desafios "continuam por resolver" e que "põem em perigo a humanidade".
O documento, conhecido como GEO-4 e no qual trabalharam 390 peritos mundiais, reitera que uma acção imediata e decisiva é indispensável a todos os níveis para garantir a sobrevivência das gerações actuais e futuras.
As advertências do PNUE constantes no documento constituem a primeira informação sobre o Ambiente realizada pelo organismo em 20 anos, depois da Comissão Mundial para o Ambiente e Desenvolvimento publicar o relatório "O nosso futuro comum".
O documento avalia o actual estado da atmosfera, da terra, da água e da biodeversidade a nível mundial, descreve as alterações que ocorreram desde 1987 e identifica uma série de prioridades de actuação.
"O nosso objectivo não é apresentar situações hipotéticas deprimentes e sem solução mas sim realizar uma chamada de atenção para uma acção urgente", refere o estudo de 570 páginas.
Apesar de apontar alguns exemplos positivos, como o tratado de redução das emissões de gás de efeito estufa, as Nações Unidas salientam que "em muitas ocasiões a resposta tem sido lenta e marcada por um ritmo e um grau de actuação que não responde ou que não reconhece a magnitude dos desafios que as populações e o meio ambiente do planeta enfrentam".
Entre os problemas que os peritos consideram que "persistem" encontram-se situações que vão desde o rápido aumento das "zonas mortas", a falta de oxigénio nos oceanos, o reaparecimento de enfermidades conhecidas e desconhecidas relacionadas em parte com a degradação do Ambiente.
Os especialistas sustentam que as alterações climáticas são "uma prioridade mundial" que exige vontade política mas salientam que face a esta prioridade há "falta de sentido de urgência" e uma resposta mundial "lamentavelmente inadequada".
No mês de Dezembro começam, em Bali, na Indonésia, as negociações sobre um tratado que substitua o Protocolo de Quioto, o acordo internacional que obriga os países a ter um controlo sobre as emissões que produzem o efeito de estufa.
TSM.
Lusa/fim

Província petrolífera canadiana de Alberta vai subir direitos de exploração do gás e petróleo

26 de Outubro de 2007, 00:20

Montereal, Canadá, 26 Out (Lusa) - A província petrolífera canadiana de Alberta, que detém a segunda reserva mundial de petróleo, anunciou quinta-feira uma subida dos direitos de exploração do gás e petróleo, o que deverá trazer 1,4 mil milhões de dólares suplementares em 2010.
O primeiro-ministro da província, o conservador Ed Stelmach, revelou um novo plano de taxas sobre os hidrocarbonetos, que deverá entrar em vigor a 01 de Janeiro de 2009.
"Com este novo sistema, os habitantes de Alberta terão a sua justa parte, ou seja, aproximadamente 1,4 mil milhões de dólares", declarou Ed Stelmach em conferência de imprensa.
Precisou que o novo cálculo de exploração representaria um aumento de cerca de 20 por cento, face às previsões de acordo com o sistema actual.
Com este novo regime, as sociedades que trabalham nas areias betuminosas, cujas reservas limitam 174 mil milhões de barris, deverão entregar entre 1 e 9 por cento à província antes que o projecto seja rentável, passando para entre 25 e 40 por cento quando o limiar de rentabilidade for atingido.
A variação destas percentagens é em função do curso do barril de petróleo.
Quando o petróleo negoceia abaixo dos 55 dólares, as empresas pagarão uma taxa mínima e quando atingir os 120 dólares ou mais as empresas deverão reverter o máximo para a província de Alberta.
Os rendimentos suplementares de 1,4 mil milhões são inferiores aos quase 2 mil milhões de dólares propostos pela comissão encarregue de estudar a política provincial de exploração.
TSM.
Lusa/fim

Sarkozy prepara uma "revolução verde" em França ao lado de Gore


O objectivo era ambicioso: lançar uma "revolução verde" em França. Mas a cimeira de dois dias, que ontem terminou em Paris, encerrou com um acordo para reduzir em 50% o uso de pesticidas "sem data limite" e com o apelo de Nicolas Sarkozy à UE para criar uma "taxa sobre o carbono" a aplicar aos grande emissores de gás com efeito de estufa. O Presidente francês propôs-se ainda investir mil milhões de euros em quatro anos nas "energias do futuro".Convidado de honra da cimeira, Al Gore considerou o encontro como "um avanço formidável" na luta contra o aquecimento global. O ex-vice-presidente dos EUA, que se tornou numa espécie de guru do ambiente após a derrota nas presidenciais de 2000, esteve ao lado do presidente da Comissão Europeia, o português José Manuel Durão Barroso, e da ecologista Wangari Maathai, Nobel da Paz 2004. O encontro contou com a participação, além do Governo, de empresários, sindicatos, organizações não governamentais."A França e a UE lutam juntas contra as alterações climáticas", sublinhou Barroso, para quem a cimeira abordou o "grande desafio do século XXI". Logo depois, Gore, que este mês venceu o Nobel da Paz pelo seu trabalho em prol do ambiente, felicitou os franceses pela sua preocupação com estas questões e elogiou Sarkozy, "grande amigo dos habitantes do planeta".Na presença dos ministros, o Presidente francês recuperou o tom que usou na campanha para as presidenciais ao garantir: "O que disse hoje, vamos fazê-lo, e vamos fazê-lo juntos". Com um discurso forte em termos de segurança e trabalho, Sar- kozy parece ter decidido apostar na área do ambiente.

Vinte jardins recuperados através do projecto Hipernatura

Vinte jardins vão ser recuperados e modernizados através do projecto Hipernatura Continente que prevê um investimento de 600 mil euros para valorizar espaços verdes nas cidades onde se localizam estes hipermercados, em parceria com as respectivas autarquias.
O projecto, hoje apresentado em Lisboa, pretende promover os espaços verdes como forma de melhorar a qualidade de vida dos habitantes e prevê vários níveis de intervenção, desde a simples colocação de sinalética à recuperação de equipamentos, passando pela criação de novas áreas, explicou o director de marketing do Continente, Miguel Rangel.
Em fase avançada estão já 12 projectos, que foram hoje revelados, aos quais se vão juntar outros oito, sendo a intervenção desenvolvida ao longo de um ano, em todas as cidades onde existem hipermercados Continente.
Em Viana do Castelo vai ser feita a requalificação e valorização ambiental da Ribeira de Fornelos, no Jardim de São Vicente.
Os Parques Corgo e Florestal, em Vila Real, vão receber apoios a nível da manutenção, enquanto na Maia vai ser requalificado o Jardim de Gueifães.
Para o Porto está prevista a revitalização de uma área dos Jardins do Palácio de Cristal que não está acessível ao público.
Em Matosinhos, o Parque do Carriçal, que já tem boas condições de utilização, vai receber sinalética relativa aos equipamentos disponíveis e à flora, além de novos elementos no parque infantil.
O Jardim Almeida Garrett, em Ovar, vai ter um parque infantil.
Em Viseu, o Jardim de Santo António vai transformar-se num jardim sensorial com várias espécies de plantas, criando diversidade de cores, texturas e cheiros.
Na Covilhã, serão realizadas operações de conservação, manutenção e ampliação do Jardim do Lago.
Um terreno baldio em Coimbra vai dar origem ao Parque Aventura, enquanto o Parque Radical, em Leiria, vai contar com apoios a nível dos equipamentos, mobiliário urbano e sistema de rega.
O circuito pedonal Estrada dos Salgados, na Amadora, vai ser requalificado e pavimentado.
Por último, em Cascais, a intervenção incide sobre a Pedra Amarela, Campo Base no Parque Natural Sintra-Cascais, com apoios ao projecto de equipamentos para actividades de voluntariado de lazer e aventura.
O secretário de Estado do Ordenamento do Território, João Ferrão, considerou durante a cerimónia que os impactos desta intervenção vão além da componente ambiental, contribuindo para tornar as cidades mais cosmopolitas e promover novos estilos de vida ligados à fruição dos espaços verdes.
O governante enalteceu o facto de o projecto assentar numa parceria entre a empresa, uma organização não governamental (Quercus) e os municípios, o que revela uma nova forma de intervir sobre a cidade «menos centrada na acção pública e mais centrada na cooperação».
A selecção dos jardins e espaços a recuperar, bem como o tipo de intervenção, é feita pelas câmaras envolvidas em conjunto com o Continente.
A associação ambientalista Quercus e a revista Visão, também parceira desta iniciativa, desenvolverão os conteúdos ambientais e ecológicos do projecto.

Diário Digital / Lusa
25-10-2007 15:53:02

Ecologistas contentes com medidas de Sarkozy

As associações ecologistas reagiram, em geral, de forma positiva ao anúncio de medidas para a protecção do ambiente, feito hoje pelo Presidente francês, Nicolas Sarkozy, e esperam que as mesmas sejam concretizadas
As medidas, hoje divulgadas após uma mesa redonda de dois dias que reuniu em Paris ecologistas, sindicatos, entidades patronais, colectividades locais e o Governo, pretendem fazer «uma revolução ecológica» em França, afectando sectores como os transportes, energia, habitação, agricultura, fiscalidade e comércio.
O activista ecologista Nicolas Hulot, que na campanha para as presidenciais pediu aos candidatos que subscrevessem o seu «pacto ecológico», declarou-se hoje «mais que satisfeito»
Mostrou-se especialmente feliz por Sarkozy se ter comprometido a estudar a criação de uma taxa «clima-energia», um marco na revisão fiscal.
Para o Greenpeace, o discurso de Sarkozy contém «avanços indiscutíveis» mas comporta «imprecisões» e «ambiguidades» que requerem «vigilância» no seu seguimento.
A federação França Natueza e Ambiente, que agrupa cerca de três mil associações, aplaudiu o que chamou «uma alteração de rumo» mas garantiu que se manterá alerta sobre o vai fazer o Governo e o Parlamento.
As principais centrais sindicais, CGT e CFDT, também aplaudiram as ambições mas mostraram-se prudentes sobre os resultados e questionaram a forma de financiamento das mesmas.
Entre as organizações patronais reinava a satisfação pelos «equilíbrios entre a necessidade de integrar os interesses ecológicos com os económicos» mas também manifestaram alguma prudência em relação a alguns detalhes que «podem preocupar certas empresas», assim como eventuais repercussões em matéria fiscal.
Os sindicatos dos agricultores mostraram-se, em geral, satisfeitos pela redução prometida dos pesticidas e pelo aumento da agricultura biológica mas, no entanto, ficaram preocupados com a anunciada suspensão dos cultivos de transgénicos até às conclusões de uma comissão de peritos.
Nos partidos da oposição, o Partido Socialista manifestou-se «duvidoso» sobre a vontade «real» de Sarkozy e da sua maioria conservadora de ir «até ao final» nos anúncios, tendo em conta que existem várias «contradições flagrantes», receando que tudo não tenha passado de uma operação de comunicação.
Para o Partido Os Verdes, o discurso do Chefe de Estado foi «propaganda» e não passou de uma «grande operação de comunicação e propaganda».
Lusa/SOL

Principais medidas para proteger o ambiente,anunciadas em França

Presidente francês, Nicolas Sarkozy, anunciou hoje várias medidas que o país vai implementar em matéria de ambiente, depois de dois dias de negociações
Agricultura
- Objectivo de redução para metade nos próximos dez anos, «se possível», do uso de pesticidas e aceleração da difusão de métodos alternativos;
- Suspensão das culturas comerciais de transgénicos até às conclusões de uma avaliação a conduzir por uma instância criada antes do fim do ano;
- Uma lei sobre os transgénicos em Janeiro, publicará a criação de uma autoridade independente, os princípios de responsabilidade, de transparência (mapa das superfícies em causa) e de precaução.
- Aumento para 6 por cento em 2012 e 20 por cento em 2020 (contra os actuais 2 por cento) de parte da superfície agícola destinada à cultura biológica;
Biodiversidade
- Criação «de uma trama verde» para ligar os espaços naturais;
Transportes
- Ecopastilha com um reembolso na compra de automóveis novos mais ecológicos, financiado com uma taxa anual sobre as viaturas mais poluentes;
- Eco-taxa quilométrica sobre os pesos-pesados, com uma instauração efectiva em 2010;
- Construção de novas estradas e auto-estradas congeladas, excepto «casos de segurança ou de interesse local». A criação de aeroportos «deve corresponder à deslocação de tráfego por razões ambientais»;
- Desenvolvimento da rede ferroviária com o lançamento de duas novas linhas Norte/Sul e Norte/Sudoeste;
- Duplicar as linhas de TGV (comboio de alta velocidade) com o compromisso de 2.000 quilómetros de novas linhas até 2020;
- Aéreo: Redução de 50 por cento do consumo de combustível e das emissões de CO2 através de programas de investigação até 2020. Redução do barulho em 50 por cento;
- Auto-estradas marítimas Atlântico (França-Espanha) e mediterrânico (França-Itália, França-Espanha);
- Portagens urbanas: a decisão retornará às autarquias locais;
Construção
- Novo: programa «de ruptura tecnológica» para todas as construções públicas que deverão ser construídas a partir de 2010 em baixo consumo (50 kwh/m2/an). Para o privado a partir de 2012;
- Antigo: renovação térmica de todas as construções públicas até 2015. Balanço energético obrigatório a partir de 2008, o Estado compromete-se a efectuar a renovação das suas construções em 5 anos;
No privado, instauração de «mecanismos incitantes potentes (créditos de imposto e empréstimos);
Fiscalidade (anunciado por Nicolas Sarkozy)
- A revisão geral das cobranças obrigatórias inclina-se para a criação de uma taxa «clima-energia» (ou taxa de carbono) e, por outro lado, uma redução da tributação do trabalho;
- IVA à taxa reduzida sobre todos os produtos ecológicos que respeitam o clima e a biodiversidade;
Energia
- Desenvolvimento das energias renováveis para atingir o equivalente a 20 milhões de toneladas de petróleo até 2020;
- Balanço de carbono para qualquer empresa com mais de 50 pessoas;
- Proibição das lâmpadas incandescentes em 2010;
- Extensão «do rótulo energia» a todos os aparelhos eléctricos de grande consumo;
Saúde
- Proibição de 50 substâncias consideradas produtos tóxicos ou cancerígenos, dos quais 30 a partir de 2008;
- Ar externo: lançamento de um plano partículas «nos próximos meses» com fixação de um máximo de 15 microgrammes/m3 (partículas finas) visado em 2010 e tornado obrigatório em 2015 (- 30por cento em relação a hoje);
Desperdícios
- «Não há novos incineradores sem que a destruição dos desperdícios sirva para produzir energia»;
Uma última mesa redonda deve reunir-se sexta-feira de manhã para finalizar as propostas em matéria de educação e sobre os agrocombustíveis.
Lusa/SOL

quarta-feira, outubro 24, 2007

AIEA: Energia nuclear tem ainda um grande futuro pela frente

23 de Outubro de 2007, 23:46
Viena, 23 Out (Lusa) - A energia nuclear continuará a ser uma das principais fontes de energia no mundo nas próximas décadas, devido aos receios sobre as alterações climáticas e a segurança energética, afirmou hoje a Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA).
"A electricidade nuclear continuará a ocupar um lugar preponderante enquanto grande fonte de energia durante as próximas décadas", segundo um relatório intitulado "Energia, Electricidade e o Nuclear até 2030".
A AIEA fez duas projecções anuais, uma em baixa e outra em alta sobre diferentes cenários. Na projecção em baixa, partindo do estado actual do parque nuclear civil em todo o mundo, sem construção de nova central, a potência nuclear passaria de 370 GW (1 Gigawatt = mil milhões de watts) no final de 2006 para 447 GW em 2030.
Para a projecção baixa a progressão é de 25 por cento enquanto que a projecção alta, incluindo "projectos realizados e prometedores" aposta num crescimento que pode ir até 93 por cento da produção de electricidade nuclear em 679 GW em 2030.
A parte de electricidade de origem nuclear na produção eléctrica mundial passou de menos de 1 por cento em 1960 para 16 por cento em 1986 e mantém-se actualmente quase a esse nível, segundo o relatório.
"A China e a Índia têm economias florescentes, populações crescentes e necessidades energéticas também crescentes", sublinhou Alan McDonald, um analista em energia à AIEA. "Elas devem desenvolver todas as fontes de energia possíveis", acrescentou.
Actualmente, a energia nuclear responde apenas a uma pequena proporção das necessidades energéticas, ou seja, 2 por cento na China e 3 por cento na Índia, indicou.
A China tem em construção quatro reactores e prevê dotar-se com cinco vezes mais instalações nucleares até 2020, segundo a AIEA. Mas, apesar desta expansão, a parte do nuclear não deverá ultrapassar os 4 por cento do total da produção eléctrica até 2020 neste país, segundo as previsões da agência da ONU.
TM.

sexta-feira, outubro 19, 2007

Biocombustíveis


Ajudas para culturas energéticas vão ser reduzidas
Por Ana Fernandes
18.10.2007

Como a Europa já plantou 2,84 milhões de hectares de culturas energéticas, ultrapassando assim o limite da superfície elegível para os apoios comunitários, as ajudas vão ser reduzidas para 70 por cento em 2007.

A proposta foi apresentada pela Comissão Europeia e aprovada na quarta-feira pelo Comité de Gestão dos Pagamentos Directos. Até aos dois milhões de hectares no total do espaço da União, os agricultores podem receber 45 euros por hectare “desde que celebrem um contrato com o colector ou o primeiro transformador, a fim de assegurar que as culturas serão utilizadas para a transformação nos produtos energéticos em questão”, explica a Comissão.Mas ao ser excedida essa superfície, o que veio a acontecer, as ajudas começam a ser reduzidas de forma a não se ultrapassar o orçamento previsto de 90 milhões de euros, que este ano será totalmente utilizado pela primeira vez. Por esta razão, este ano os agricultores vão receber 70 por cento das ajudas."Este pagamento tem sido muito útil para incentivar o sector europeu dos biocombustíveis", afirmou Mariann Fischer Boel, Comissária responsável pela agricultura e desenvolvimento rural, citada num comunicado da Comissão. "Mas quando avaliarmos no próximo mês o estado de saúde da política agrícola comum, teremos de perguntar se ainda é necessário. Dispomos agora de um objectivo vinculativo para os biocombustíveis e de um mercado florescente". A ajuda às culturas energéticas data de 2003 e destina-se a apoiar os agricultores que apostem na produção de biocombustíveis e de energia eléctrica e térmica produzida a partir da biomassa. A aplicação do regime teve início em 2004, quando a superfície abrangida totalizava 0,31 milhões de hectares. A superfície aumentou nos dois anos seguintes: 0,57 milhões de hectares em 2005 e 1,23 milhões de hectares em 2006, duplicando neste ano.

Documentos importantes

"Rising to the Climate Challenge" (editorial da revista "Nature", de 18 de Outubro)
Arctic Report Card 2007
Proposta de Orçamento de Estado para 2008

Nova Legislação

Tratado da Antárctida (1959)
Decreto-lei altera limites do Parque Natural da Serra da Estrela
Estratégia Nacional para as Compras Públicas Ecológicas 2008-2010 (pdf)

Visão cria edição especial dedicada ao ambiente e promove plantação de árvores

18 de Outubro de 2007, 14:07
Lisboa, 18 Out (Lusa) - A 'newsmagazine' Visão quer lançar todos anos um número especial dedicado às questões ambientais, uma iniciativa que pretende ir além da vertente editorial e aposta na sensibilização do público para a preservação da natureza.
A primeira edição especial da Visão Verde, o nome que será dado a todas as edições especiais anuais, vai para as bancas na próxima quinta-feira, dedicando quase 90 por cento dos conteúdos a questões ambientais, disse hoje à agência Lusa o director da revista.
"A Visão Verde é uma edição temática, de linha, com uma capa diferente do habitual, onde cerca de 90 por cento das páginas serão dedicadas às questões ambientais", afirmou Pedro Camacho.
Com cerca de 200 páginas, a edição vai contar, entre outros aspectos, com trabalhos especiais sobre a preservação da natureza, reportagens (uma delas dedicada à Amazónia), cronistas especiais, entrevistas com ex-governantes para a área do Ambiente e um desdobrável com as principais espécies de árvores.
Apesar de ser um número temático, "os assuntos da actualidade incontornáveis também vão estar presentes", assegurou o director.
"A ideia é repetir todos os anos uma edição especial, que estará sempre associada a um projecto especial", explicou, referindo que a criação deste número temático é apenas uma das vertentes de um projecto de sensibilização e promoção de acções relacionadas com o ambiente, intitulado "Portugal Verde".
Em parceria com os hipermercados Continente (grupo Sonae), a 'newsmagazine" detida pela Edimpresa vai oferecer uma árvore por cada número vendido.
A meta é oferecer, durante este ano, 100 mil árvores aos municípios portugueses que aderirem à iniciativa.
"Neste momento, já 18 Câmaras Municipais de grandes cidades portuguesas manifestaram interesse", adiantou Pedro Camacho.
Além desta acção, a Visão vai oferecer, também em parceria com o Continente e com o apoio da Associação dos Amigos da Serra da Estrela, 10 milhões de sementes de carvalho, o que irá traduzir-se em 1 milhão de carvalhos para plantar na Serra da Estrela.
Ainda no âmbito do projecto "Portugal Verde", a revista vai lançar o programa "HiperNatura", que aposta na recuperação de zonas verdes dentro das cidades, como recriar ou reequipar jardins públicos, limpar matas urbanas e criar novas zonas de lazer ao ar livre.
Um projecto com "objectivos plurianuais" que pretende fazer "cerca de 20 acções por ano", de acordo com o director.
Para Pedro Camacho, estas apostas reflectem uma nova postura da Visão e surgem no seguimento de outras iniciativas promovidas pela revista nos últimos meses, como foi o caso do leilão on-line de um carro híbrido.
As receitas do leilão vão reverter para a instalação de painéis solares numa escola secundária situada em Arcos de Valdevez.
"As questões ambientais estão no quotidiano da Visão há muitos anos", afirmou, destacando que estes temas "ganharam uma nova dimensão e chegaram à consciência colectiva".
"O ambiente é uma questão central para o futuro colectivo e será uma área privilegiar a nível editorial", concluiu.
SCA.
Lusa/Fim

Alterações Climáticas: Luta contra aquecimento global passa por cooperação internacional sobre os Oceanos

18 de Outubro de 2007, 14:15

Ponta Delgada, 18 Out (Lusa) - A solução para as alterações climáticas passa por uma cooperação internacional sobre os Oceanos, defendeu hoje o presidente da Comissão Oceanográfica Intersectorial da Fundação para a Ciência e Tecnologia, Mário Ruivo.
"Neste momento, não estamos mais a falar de mares fragmentados", mas sim de Oceanos que ocupam "dois terços do planeta" e que são fundamentais no processo de aquecimento global, alegou.
Esta situação obriga a que, no curto prazo, seja necessário passar de respostas das instituições para projectos destinados à "Humanidade no seu conjunto", defendeu o biólogo, que participava num seminário nos Açores sobre as questões ambientais e científicas no Atlântico Norte, promovido pela comissão do Ambiente, Agricultura e Questões Territoriais do Conselho da Europa, uma instituição com 47 países membros.
"O problema das alterações climáticas requer uma cooperação para salvar o planeta", defendeu Mário Ruivo, para quem não se trata de um alerta "trágico", mas de uma constatação.
De acordo com o especialista ligado à oceanografia, a futura Política Marítima Europeia que a União pretende adoptar significa que todos os países "podem desempenhar um papel importante", logo que sejam dadas as condições necessárias para a investigação.
Esta política deve consagrar, porém, que os problemas dos mares só terão uma "reposta adequada se houver consciência por parte dos cidadãos, no âmbito de processos democráticos e de participação".
"Isso implica que a opinião pública esteja esclarecida, que os deputados nacionais e europeus, as organizações públicas e não governamentais assumam responsabilidades colectivas", disse.
Para Mário Ruivo, estes problemas ambientais já não estão fragmentados, mas atingem países ricos e pobres, num mundo em que ainda se usa o "argumento que os dados científicos não são suficientes" para encarar a situação.
Estes dados "só são claramente aceites quando a catástrofe está em cima de nós", o que já acontece em alguns locais, alertou.
Num seminário marcado pelo debate sobre se o aquecimento global do planeta se deve à acção do Homem, o investigador britânico Chris Reid, da Alistair Foundation for Ocean Science, defendeu que "não há dúvida que somos nós que estamos a causar as alterações" climáticas.
Chris Reid alegou ser "muito simples" estabelecer a relação entre a acção da Humanidade e o aquecimento que se verifica no planeta, alertando para que estas alterações estão a acontecer a "velocidades inéditas".
O perito inglês adiantou que, nos últimos anos, o degelo foi 20 por cento acima das médias habituais, um aquecimento mais sentido a Norte e mais intenso a partir de 2000.
Devido a estas alterações, registou-se um movimento para Norte de plâncton, exemplificou o especialista da SAFHOS.
"Um dos grupos de plâncton ligado a águas mais quentes nunca tinha sido registado a Norte da Irlanda até 1990", afirmou Chris Reid, ao adiantar que as estimativas indicam ainda que, em 2045, os recifes de coral no mundo sejam "altamente afectados" por oceanos cada vez mais ácidos, um problema que "não está a ser tratado com a premência" necessária.
Para o especialista, o aumento das temperaturas é um fenómeno global, com acréscimos médios de seis graus, mas "haverá outras partes do mundo que aquecerão ainda mais".
Chris Reid alertou, também, que o mundo assiste a um aumento da população, que se prevê que possa crescer 15 por cento nos próximos anos, o que terá efeitos na emissão de dióxido de carbono.
PC.
Lusa/Fim