22h31m
Lisboa, 24 Fev (Lusa) - As associações ambientalistas portuguesas concluíram hoje que "existem razões mais que suficientes para o Governo recusar a instalação da refinaria" de Balboa, junto à fronteira, disse hoje à agência Lusa um dirigente da Quercus.
A Quercus, o Geota, a Fapas e a Liga de Protecção da Natureza entendem, num parecer a que a Lusa teve acesso, que o promotor espanhol, mesmo após insistência das autoridades portuguesas, não apresentou explicações cabais sobre o projecto, as quais "são claramente insuficientes" e "não revelam a "realidade do projecto".
De acordo com as associações ecologistas muitos dos prejuízos da instalação da refinaria "são remetidas para futuros regulamentos de segurança que são por agora desconhecidos, não se mencionando qualquer probabilidade de ocorrência de eventos com consequências ambientais graves".
As quatro organizações não governamentais alertam que "a refinaria depois de construída, em caso de funcionamento com problemas ou de acidente grave as consequências serão principalmente para o rio Guadiana e para as actividades dele dependentes", esclarece o dirigente da Quercus, Francisco Ferreira.
As associações ecologistas aconselham o Governo português a manifestar-se "veementemente contra o projecto", já que os riscos associados para o ambiente e para diversas actividades económicas são "demasiado elevados, pondo em causa investimentos de centenas e centenas de milhões de euros efectuados em Portugal".
Francisco Ferreira esclarece que na ausência de impactes no território português, e tendo em conta um conjunto de operações que implicam descarga, armazenagem e oleoduto de transporte de crude, e o próprio funcionamento da refinaria, implica riscos associados.
As organizações entendem que "a acumulação de riscos implicados, tornam indispensável o equacionar de outras alternativas de localização para a refinaria", que não impliquem impactes ambientais em território português, concluiu.
Mais de mil activistas e responsáveis de plataformas ambientais das regiões espanholas de Extremadura e Andaluzia manifestaram-se dia 07 de Fevereiro, em Santa Olall Del Cala, contra a construção da refinaria Balboa, proposta para a região de Badajoz.
De acordo com o projecto de construção, a refinaria de petróleo deverá ser construída a cerca de cem quilómetros da fronteira portuguesa, uma localização que poderá ter impactes ambientais negativos não só para Espanha mas também para Portugal, segundo alertas de ambientalistas.
Na acção de protesto, contra a refinaria de petróleo e o necessário oleoduto, que decorreu de forma pacífica, muitos participantes percorreram a pé três quilómetros, desde os arredores da localidade situada na província de Huelva (Andaluzia), onde começou a manifestação, até à Praça da Constituição, onde se concentraram.
O primeiro-ministro, José Sócrates, afirmou no início de Fevereiro que "nada será feito se puser em causa os valores ambientais desta zona (Alqueva)".
A promotora do projecto, Refinería Balboa, S.A., do grupo Alfonso Gallardo, defendeu que estas fábricas "são compatíveis com o desenvolvimento agrícola, pecuário e turístico da sua zona de influência".
A refinaria Balboa está projectada para o município de Santos de Maimona, província de Badajoz (Extremadura), a cerca de cem quilómetros da fronteira com Portugal.
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