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quinta-feira, maio 29, 2008

Lisboa: SimTejo investe 1,6 milhões de euros para melhorar tratamento de caudais pluviais poluentes


22.05.2008 - 12h12 Lusa


A SimTejo, concessionária do sistema de saneamento do Tejo e do Trancão, vai investir 1,6 milhões de euros para melhorar o tratamento de caudais pluviais com grande carga de poluentes, resultantes dos dias de maior precipitação.Parte significativa do sistema de saneamento da cidade de Lisboa funciona com redes unitárias (que juntam águas residuais domésticas e águas pluviais), o que coloca problemas quando as chuvas mais fortes provocam alterações radicais dos caudais. "Nessas alturas, os caudais podem ser 20 ou 30 vezes superiores aos caudais em época de estio", explicou o presidente da comissão executiva do conselho de administração da Simtejo. O sistema de Beirolas vai ser, por isso, alvo de uma intervenção que visa "assegurar que os caudais pluviais com maior carga poluente chegam à ETAR [Estação de Tratamento de Águas Residuais] e não são descarregados no rio sem tratamento", acrescentou Carlos Martins. Isto porque quando a precipitação é muito intensa a capacidade dos colectores esgota-se e os caudais pluviais, anormalmente elevados, chegam a pôr em causa alguns órgãos da rede de saneamento que estão sujeitos a paragens. "A intervenção visa, sobretudo, melhorar as condições ambientais no rio Tejo em épocas de fortes chuvadas", salientou o mesmo responsável, acrescentando que as situações de precipitação que provocam estes caudais excepcionais ocorrem apenas 20 dias por ano. A obra deve ser adjudicada em Junho, prevendo-se a sua conclusão até ao fim deste ano. A SimTejo é concessionária do sistema multimunicipal de saneamento do Tejo e Trancão, que abrange os concelhos da Amadora, Lisboa, Loures, Odivelas e Vila Franca de Xira, servindo uma população de 1,5 milhões de habitantes.

UICN põe na Lista Vermelha onze espécies de tubarões e raias do mal alto


22.05.2008 - 15h30 PÚBLICO

No Dia Mundial da Biodiversidade 2008, celebrado hoje, a União Mundial para a Conservação (UICN) pôs onze espécies de tubarões e raias na sua Lista Vermelha e lembrou que ainda não há limites para a captura destes animais ameaçados de extinção.Para marcar o dia, a UICN apresentou os resultados do primeiro estudo que traça a situação global de 21 espécies de tubarões e raias pelágicas (que vivem no mar alto). Mas os 15 cientistas que o realizaram, coordenados pelo Grupo de Especialistas da UICN em Tubarões, não tinham boas notícias para dar. Pelo menos para onze espécies, entre elas o Tubarão-raposo (Alopias vulpinus), o Tubarão luzidio (Carcharhinus falciformis) e o Rinquim (Isurus oxyrinchus).A culpa, dizem, é das capturas acidentais mas sobretudo do excesso de pesca para a comercialização das barbatanas e de carne. No ano passado, só em Singapura foram consumidas mais de 470 toneladas de barbatanas de tubarão, segundo o “China Post”.“A visão tradicional dos tubarões e raias oceânicos como rápidos e poderosos muitas vezes leva ao erro de pensar que eles são resilientes à sobre-exploração pesqueira”, diz Sonja Fordham, da UICN.Mas apesar “das provas do declínio e das crescentes ameaças a estas espécies, não existem limites internacionais para as capturas dos tubarões oceânicos”, salienta. “É urgente tomar medidas globais para que estas pescas sejam sustentáveis”.Além da definição de limites para as capturas, o estudo da UICN – publicado na revista “Aquatic Conservation: Marine and Freshwater Ecosystems” - sugere a melhoria da monitorização das pescas, o investimento em investigação e a minimização das capturas acidentais.“Estamos a perder espécies a um ritmo entre dez a cem vezes mais rápido do que os níveis históricos de extinção (...). Mas não tem de ser assim. Com o apoio das pessoas e a vontade política podemos dar a volta a esta maré”, comentou o autor principal do estudo, Nicholas Dulvy, da Universidade Simon Fraser, em Vancouver.

Países mais industrializados do mundo querem reduzir metade das emissões até 2050


26.05.2008 - 10h53 AFP, Lusa, Reuters


Os ministros do Ambiente dos países do G8 (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Canadá e Rússia), os mais industrializados do mundo, aceitaram hoje reduzir as suas emissões de gases com efeito de estufa em 50 por cento até 2050.Reunidos em Kobe durante três dias, os ministros do ambiente do G8 não traçaram metas intercalares, comprometendo-se apenas com uma redução de 50 por cento até 2050. Esta meta deverá ser assumida formalmente na próxima cimeira do G8, em Julho na cidade japonesa de Toyako, na qual a luta contra o sobre-aquecimento global será uma das prioridades.No ano passado na Alemanha, os países do G8 acordaram “estudar seriamente” a redução de, pelo menos, 50 por cento até 2050 das emissões.Os ministros salientaram no seu comunicado final “a importância de concluir as negociações sobre um acordo pós-2012 [sucessor do Protocolo de Quioto] na linha do plano de acção de Bali e, o mais tardar, em Dezembro de 2009”, numa conferência do clima da ONU, em Copenhaga. Matthias Machnig, secretário de Estado alemão do Ambiente, insistiu que “sem um objectivo de médio prazo” de redução das emissões para os países desenvolvidos, “será muito complicado chegar a acordo em Copenhaga”."Para reduzir as emissões, os países mais desenvolvidos devem exercer a sua liderança e conseguir maiores reduções", comentou o ministro japonês do Ambiente, Ichiro Kamoshita, em conferência de imprensa. Os países emergentes (África do Sul, Austrália, Brasil, China, Coreia do Sul, Índia, Indonésia e México) - cujos representes também participaram na reunião em Kobe, defendem que o G8 deve liderar o caminho ao definir metas concretas de redução para 2020, uma posição apoiada pela União Europeia.Quem avança primeiro?"Quanto a metas a médio prazo, é necessário definir metas concretas e os países desenvolvidos devem liderar o caminho", considerou Kamoshita. No entanto, acrescentou que este não será o momento apropriado para especificar números e referiu que os países em desenvolvimento com emissões em rápido crescimento também precisam de limitar os seus aumentos."Para que estas metas signifiquem alguma coisa, precisamos incluir não apenas os países do G8 mas todos os países com emissões significativas", disse Scott Fulton, da Agência de Protecção Ambiental norte-americana. Mas o planeta não pode perder tempo a debater quem será o primeiro a avançar, lembrou o ministro do Ambiente britânico, Hilary Benn.Quercus desiludida com meta de KobeA associação ambientalista Quercus classificou hoje como uma desilusão a meta traçada pelos países do G8."A meta para 2050 deveria estar entre os 60 e os 80 por cento de redução de emissões de gases com efeito de estufa relativamente aos valores de 1990. Cinquenta por cento de redução fica aquém das expectativas", comentou Francisco Ferreira, dirigente da Quercus. Para os ambientalistas, o importante teria sido estabelecer uma meta para a redução das emissões até 2020, uma data considerada prioritária dada a urgência de inverter a curto prazo o sobreaquecimento do planeta, causado pelos gases com efeito de estufa."O grande problema é não estabelecer uma meta intermédia em relação a 2050. É uma desilusão em relação ao que é necessário".

16ª edição do Passeio Turístico "Lisboa Antiga"

26.05.2008 - 11h59

Realiza-se no dia 8 de Junho a 16ª edição do Passeio Turístico "Lisboa Antiga", organizado pela Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta, com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa.A participação é gratuita e destina-se a todas as pessoas com bicicleta que desejem conhecer Lisboa de forma saudável e ecológica.O ponto de encontro é às 08h30 no Terreiro do Paço, com partida marcada para as 09h30. Vão existir outros pontos de encontro ao longo do percurso: Castelo de São Jorge (10h00), Jardim de S. Pedro de Alcântara (11h00), Jardim da Parada (11h30), Torre de Belém (12h00) e Cais do Sodré (12h30).O passeio deverá terminar às 13h0 no Largo do Carmo. A iniciativa insere-se no âmbito da Semana do Ambiente (3 a 8 de Junho) e visa promover a mobilidade sustentável, não poluente, ecológica e saudável.
Contactos:Telefone: 21.315.96.48Telemóvel: 91.724.17.93Email: fpcub@fpcub.pt

Castor vai ser reintroduzido na Escócia de onde desapareceu há 400 anos


26.05.2008 - 15h13 PÚBLICO


Quatro famílias de castores europeus (Castor fiber) vão ser reintroduzidas na Escócia, mais precisamente em Knapdale. Esta é a primeira vez que o Reino Unido reintroduz um mamífero autóctone na natureza. Já não há castores na Escócia há 400 anos.A decisão foi autorizada ontem pelas autoridades escocesas, dando luz verde a uma proposta da Scottish Wildlife Trust (SWT) e da Royal Zoological Society of Scotland (RZSS).No âmbito desta experiência de cinco anos, os animais serão capturados na Noruega no Outono. Depois passarão por um período de quarentena de seis meses, antes de serem libertados na Primavera de 2009.“Este é um momento histórico para a conservação da vida selvagem”, comentou Allan Bantick, do Scottish Beaver Trial Steering Group. “Ao trazer de volta estes animais para o seu habitat teremos a possibilidade de restaurar um vazio nas nossas zonas húmidas e restabelecer um processo natural precioso”, acrescentou, em comunicado.David Windmill, director-executivo da RZSS, considera que esta reintrodução pode trazer benefícios económicos para as comunidades rurais.A reintrodução do castor segue-se ao lançamento, em Janeiro de 2007, do Plano de Acção para a espécie, que prevê a recuperação do seu habitat na Escócia.“O castor foi caçado até à extinção na Escócia no século XVI e estou encantado porque esta maravilhosa espécie possa vir a estar de volta”, comentou o secretário de Estado do Ambiente, Michael Russell, citado pela BBC online. Segundo a Comissão Europeia, actualmente existem apenas algumas populações isoladas em França, Alemanha, Noruega, Bielorrússia e Rússia. Mas vários projectos de reintrodução têm dado resultados positivos em Espanha, França e Finlândia. A espécie está dada como extinta em Portugal, Moldávia, Turquia e Reino Unido.Estima-se que a população global de Castor fiber seja de 639 mil indivíduos, segundo dados de 2006.

Projecto Extensity


27.05.2008 - 08h13


Quase 90 explorações agrícolas nacionais (mais de 70 mil hectares) têm em curso sistemas de gestão ambiental e de sustentabilidade no âmbito do Projecto Extensity, que pretende contribuir para a redução da emissão dos gases com efeito de estufa. Os primeiros resultados do projecto, que começou em Novembro de 2003, são apresentados a 27 de Maio em Lisboa. Foto: Adriano Miranda

Greenpeace protesta no alto mar contra o maior navio de pesca ao atum

O navio da Greenpeace “Esperanza”, que vinha a seguir o navio pesqueiro há cinco dias, lançou para dentro das redes do “Albatun Tres” uma faixa flutuante de 25 metros onde se lia: “Sem peixes, sem futuro”. Segundo o “El Mundo” online, o protesto ocorreu quando o navio pescava ao largo das ilhas Phoenix, de Kiribati.A ideia da Greenpeace era danificar as redes de pesca e evitar a sua reutilização, mas a manobra falhou.Segundo a organização, o “Albatun Tres”, propriedade da empresa espanhola Albacora, pode capturar mais de três mil toneladas de atum em apenas uma viagem, o que representa quase o dobro da pesca anual total de alguns países insulares do Pacífico.“Não se pode deixar que barcos deste tamanho esvaziem as reservas de atum; devem ser retirados das águas e desmantelados imediatamente”, afirmou Sari Tolvanen, da Greenpeace Internacional.A Greenpeace salienta que décadas de sobre-exploração reduziram algumas reservas de atum no Pacífico a 15 por cento do que eram.Na semana passada, os países do Pacífico Sul decidiram proibir que os barcos pesquem atum nas águas internacionais entre as suas ilhas e obrigá-los a levar a bordo observadores. Estas medidas entrarão em vigor a 15 de Junho.A Greenpeace defende a criação de uma rede de reservas marinhas que abranja 40 por cento dos oceanos.O navio “Esperanza” está na região há oito semanas para chamar a atenção para a sobre-exploração do atum. “Durante esse tempo, os activistas realizaram acção directa não violenta contra as frotas pesqueiras de Taiwan, Coreia, Estados Unidos, Filipinas e agora Espanha”, segundo um comunicado da Greenpeace.

Passeio fotográfico à Aldeia da Palhota


27.05.2008 - 15h48


No dia 31 de Maio, a Liga para a Protecção da Natureza (LPN) promove o Passeio fotográfico à Aldeia da Palhota. O objectivo é "dar a conhecer o Projecto Palhota Viva Associação da Defesa do Ambiente" e "sensibilizar os participantes para a necessidade de preservação e recuperação deste espaço", explicam os organizadores. O passeio terá a duração de oito horas e inclui uma visita à Aldeia da Palhota e à casa típica “Casa do Avieiro”, além de um percurso pedestre ao longo da margem do rio Tejo.

A palhota é uma típica aldeia piscatória, de origem avieira, situada na margem direita do rio Tejo. Característica e pitoresca pelas suas habitações construídas sobre estacas de madeira, esta aldeia merece um olhar do visitante que queira inteirar-se do modo de vida centenária destas comunidades piscatórias. Aldeia típica de pescadores, situada na margem direita do Tejo. Este pequeno aglomerado é constituído por casas de madeira, tipo palafitas, assentes sobre pilares, para protecção contra cheias.Nesta aldeia chegou a viver Alves Redol, um grande escritor português que muito escreveu acerca do Tejo e das suas gentes.



Contactos:Telef: 21.778.00.97

Telem: 96.465.60.33

Email: lpn.natureza@lpn.pt

Descobrindo novas realidades… Rumo a novas experiências próximos na Biodiversidade, com as novas tecnologias

Organizador: DGAC-Zonas Húmidas/RNSCMVRSA/ICNBE
Telefone: 281 531 257
Com início neste ano lectivo de 2007/2008, este projecto-piloto de educação ambiental envolveu a troca de experiências entre alunos de várias escolas inseridas em quatro das Áreas Protegidas que integram o Departamento de Gestão de Áreas Classificadas Zonas Húmidas (DGACZH): Reserva Natural Sapal Castro Marim Vila Real Santo António, Reserva Natural Lagoa Santo André Lagoa Sancha, Reserva Natural Estuário Sado e Reserva Natural Estuário Tejo. Ao longo do ano lectivo, através das novas tecnologias, cada grupo de alunos estabeleceu com o grupo parceiro um intercâmbio de informação sobre a Área Protegida onde cada Escola se insere. Cada turma realiza duas visitas de campo: uma visita à Área Protegida onde a sua escola se encontra inserida e outra visita à Área Protegida onde se encontra inserida a escola parceira. Ao longo do projecto os alunos Próximos na Biodiversidade, com as Novas Tecnologias, vão Descobrindo Novas Realidades... Rumo A Novas Experiências.Estiveram envolvidas no projecto seis turmas do 1º ciclo do Ensino Básico, sendo três de Vila Real de Santo António, uma de Alcochete, uma de Santo André e uma do Farilhão (Estuário do Sado). Ao todo, 150 alunos realizaram 22 visitas de campo às áreas protegidas do DGACZH. A realização das várias acções resultou de parcerias com as Autarquias de Vila Real de Santo António, Alcochete, Santiago do Cacém e Setúbal e do financiamento de empresas sedeadas em Santo André, Vila Real de Santo António e Castro Marim, ou que aí têm desenvolvido a sua actividade.Neste dia 5 de Junho, pelas 10h30, Dia Mundial do Ambiente, na sede da Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real, tem lugar um encontro de encerramento do projecto, com jogos, actividades e brindes, reunindo todos os alunos e professores participantes.

Alemanha vai ajudar a biodiversidade com 500 milhões de euros até 2012

28.05.2008 - 12h05 AFP
A Alemanha vai contribuir, até 2012, com 500 milhões de euros para a protecção das florestas e de outros ecossistemas ameaçados, anunciou hoje a chanceler Angela Merkel, no âmbito da COP9 da Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica, a decorrer em Bona com a participação de cerca de seis mil delegados de 191 países.Merkel, que fez da protecção do clima uma das suas prioridades, anunciou as contribuições alemãs “para as zonas onde as florestas e outros ecossistemas estejam ameaçados”.Actualmente, a Alemanha já contribui com 210 milhões de euros anuais para a protecção das florestas internacionais. De 2009 a 2012, esse valor deverá ser aumentado em 500 milhões de euros. A partir de 2013, o contributo será aumentado mais 500 milhões de euros por ano. Este fundo é alimentado pelos leilões de certificados de emissão de dióxido de carbono (CO2).Mas Merkel salientou que “a Alemanha não pode suportar este peso sozinha” e que “qualquer contribuição” de outros países será bem-vinda.Lembrando a “perda dramática das espécies”, a chanceler considerou que esta conferência “tem a obrigação de fazer esforços para tomar medidas de protecção da biodiversidade”. “É a nossa própria sobrevivência que está em jogo”, declarou.O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, saudou a Alemanha. “Se as 191 partes da Convenção tiverem o mesmo espírito de Merkel, poderíamos mostrar que estamos a falar a sério quando defendemos a redução da perda da biodiversidade”, considerou.Esta conferência é “crítica se quisermos atingir os nossos objectivos em 2010”, lembrou. “É chegado o momento de redobrar os esforços”.A Greenpeace também saudou o anúncio da Alemanha. “A chanceler Merkel deu um sinal muito forte e importante”, comentou Martin Kaiser, líder da delegação da Greenpeace na conferência de Bona.“Agora o que é importante é que outros países industrializados unam esforços para atingir os 30 mil milhões de euros por ano necessários para a protecção das florestas virgens e do clima”, acrescentou.Esta conferência em Bona, que começou a 19 de Maio, é a nona entre os 191 países membros da Convenção da ONU sobre Diversidade Biológica, adoptada em 1992 na Cimeira da Terra, no Rio de Janeiro.Hoje entrou na fase política decisiva com a chegada dos ministros do Ambiente ou dos seus representantes. Nos próximos três dias vão debater as formas de proteger a biodiversidade.

Conferência de Bona quer tornar biodiversidade tão famosa como as alterações climáticas


28.05.2008 - 17h10 Helena Geraldes

Delegados de 191 países estão em Bona numa corrida contra o tempo para decidir como vai o mundo travar a perda da biodiversidade até 2010. Um problema que merece ser tão famoso quanto as alterações climáticas mas que ainda tem mais por fazer, como o provam os polémicos dossiers dos biocombustíveis e partilha dos benefícios dos recursos naturais.Desde 19 de Maio que cerca de seis mil delegados debatem as vírgulas e os pontos finais de temas como as florestas e a perda de espécies. Mas de todos, os mais complicados são os biocombustíveis e a partilha dos benefícios dos recursos naturais entre os países que os detêm e aqueles que os exploram.A conferência subiu hoje de tom com a chegada dos representantes governamentais, incluindo o secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa. Mas Portugal estava representado, desde o início dos trabalhos, por uma delegação do Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB).Elisa Oliveira, chefe da delegação do ICNB, já vê progressos entre as partes signatárias desta Convenção, adoptada em 1992 na Cimeira da Terra, no Rio de Janeiro.“Conseguimos o compromisso para a negociação de um regime internacional sobre a partilha dos benefícios dos recursos naturais”, adiantou hoje ao PÚBLICO. Mas foi depois de muita negociação. “Os países em desenvolvimento queriam que esse regime tivesse só elementos vinculativos. Mas outros, como o Canadá, eram totalmente contra. Já a União Europeia defendia uma solução intermédia: com situações obrigatórias e com outras voluntárias”. Depois de cedências, “estamos no bom caminho de conseguir um plano de acção com o número de reuniões e o que se vai discutir em cada uma”.Para Fausto Brito e Abreu, adjunto do secretário de Estado do Ambiente, a partilha de recursos “registou progressos técnicos”. “Históricos” até, dado que ainda não existe nenhum acordo. “Mesmo que só conseguisse este progresso, a conferência já seria um triunfo”.Especialistas estudam critérios de sustentabilidade para os BiocombustíveisMas o sucesso pode não ficar por aqui. Humberto Rosa acredita que se possam definir os critérios para compatibilizar os biocombustíveis e a biodiversidade. “Vamos tentar um impulso em busca da sustentabilidade, através da definição de critérios”.Hoje, os governos começaram a apresentar os seus compromissos. A chanceler Angela Merkel anunciou, até 2012, 500 milhões de euros para a protecção das florestas, questão que assumiu como prioritária para a biodiversidade. A partir de 2013, sobe até aos 500 milhões de euros por ano. “O anúncio de Merkel foi impressionante, notável”, comentou Fausto Brito e Abreu. “A Alemanha está a fazer da biodiversidade uma bandeira diplomática na política internacional”.Portugal vai oferecer formação de recursos humanos em África e a “inspiração” do Business & Biodiversity. Este projecto, lançado aquando da presidência da União Europeia, está a ser seguido por outros países. “A Alemanha deverá apresentar uma iniciativa nacional” em Bona, disse. Além disso, Lisboa tem um assento privilegiado nas negociações sobre a criação de áreas marinhas protegidas em alto mar.Áreas marinhas em alto mar podem vir a ser criadas segundo “Critérios dos Açores”A expressão “Critérios dos Açores” já percorre os corredores da conferência, em Bona. Apesar das reticências de muitos países, a União Europeia defende a criação de áreas marinhas protegidas em alto mar, naquelas zonas que “não têm dono”. No ano passado, quando Portugal ocupava a presidência da União Europeia, organizou nos Açores um "workshop" onde peritos de vários países definiram critérios para a criação dessas áreas marinhas. Hoje, em Bona, é Portugal quem se senta na cadeira da União Europeia e coordena as negociações internacionais. “Pode ser que haja uma adopção desses critérios. Ainda não há um documento final mas [o processo] está bem encaminhado”, contou Elisa Oliveira. Fausto Brito e Abreu é da mesma opinião. “Portugal tem aqui um papel muito importante e está muito envolvido. Os ‘Critérios dos Açores’ estão no bom caminho”.Mas o que Humberto Rosa realmente gostava era que a Biodiversidade fosse considerada “um problema tão magno como as alterações climáticas”. Um contributo nesse sentido pode ser o estudo sobre os custos da perda da biodiversidade, cujos resultados preliminares serão apresentados amanhã. “É um estudo paralelo ao relatório Stern sobre alterações climáticas [apresentado em 2007 por Nicholas Stern, segundo o qual os custos da inacção seriam muito maiores do que os da acção]. Este estudo pode vir a apontar no mesmo sentido”, comentou Humberto Rosa. Fausto Brito e Abreu revelou que a Assembleia-Geral da ONU decidiu dedicar à Biodiversidade uma sessão especial, em 2010.

Freira do Bugio passa a ser uma ave endémica de Portugal


28.05.2008 - 20h41 Nicolau Ferreira
Afinal, a Freira do Bugio só existe em Portugal. A ave foi agora classificada como sendo endémica da Madeira, mais propriamente do Bugio, uma das três ilhas das desertas.Até agora, os cerca de 200 casais de Pterodroma feae existentes nas desertas, juntamente com os que nidificam em quatro ilhas do arquipélago de Cabo Verde formavam uma só espécie. Já existiam dúvidas sobre a classificação correcta das populações, mas a nível morfológico as diferenças eram pequenas e ficavam-se pelo bico e pelas patas dos indivíduos. Recentemente, os investigadores do projecto SOS Freira do Bugio obtiveram resultados da pesquisa genética feita com tecidos dos indivíduos de Cabo Verde. Os dados provaram que a diferença genética é demasiado grande e obriga a elevar a população da Madeira a uma espécie diferente. “Ninguém sabe quando é que as duas espécies se separaram”, explicou Ivan Ramirez, o coordenador do programa marinho da SPEA (Sociedade Portuguesa para o estudo das Aves). Mas a diferença entre o ADN poderá dar uma indicação temporal dessa separação.Desde 2006 que o projecto SOS trabalha na conservação da comunidade da Madeira da Freira do Bugio que já era considerada vulnerável. Agora o esforço ainda é mais urgente. A espécie só visita durante os meses de nidificação o planalto sul da ilha, que tem menos de cinco mil metros quadrados. Apesar de passarem grande parte do dia no mar, é nesta área que as aves têm os ninhos, em buracos no solo. A erosão deste planalto e a ocupação dos ninhos por outras espécies de aves são as principais fontes de stress que os investigadores tentam combater.Para o final do ano deve sair o artigo científico sobre a nova espécie. Os investigadores propuseram um novo nome científico que espera a aprovação da Comissão Taxonómica Internacional, até lá ainda é a Pterodroma feae que continua a voar.

segunda-feira, maio 26, 2008

Quando a água se torna verde



Um pescador mostra a água do Lago Chaohu em Hefei, província de Anhui, China. No Verão passado, Chaohu, o quinto maior lago do país, sofreu um fenómeno de eutrofização que ameaçou o abastecimento de água às cidades mais próximas e a vida aquática, informou a agência de notícias Xinhua. Foto: Jianan Yu/Reuters.Um pescador mostra a água do Lago Chaohu em Hefei, província de Anhui, China. No Verão passado, Chaohu, o quinto maior lago do país, sofreu um fenómeno de eutrofização que ameaçou o abastecimento de água às cidades mais próximas e a vida aquática, informou a agência de notícias Xinhua. Foto: Jianan Yu/Reuters.

Os oceanos estão a perder oxigénio, e a culpa pode ser do aquecimento global

01.05.2008 - 20h57 Nicolau Ferreira
Os oceanos estão a perder oxigénio. A notícia pode não ser novidade, mas um artigo publicado hoje na revista "Science" acrescenta provas a esta tese. Esta perda pode estar relacionada com o aquecimento do planeta, e pode pôr em risco espécies marinhas que não sobrevivem abaixo de certos limiares de oxigénio (O2).O estudo feito por cientistas alemães e norte-americanos analisa a variação da concentração do gás ao longo de mais de quatro décadas, nas regiões tropicais do oceano Atlântico, Índico e Pacífico. E conclui que no Atlântico e no Pacífico existe uma camada de água a profundidades intermédias, com uma baixa concentração de O2, que tem vindo a aumentar de tamanho. As algas e o fitoplâncton libertam oxigénio para os oceanos através da fotossíntese. Mas a temperatura das águas vai influenciar a retenção deste gás, porque o O2 é tanto menos solúvel quanto mais alta for a temperatura. A partir de uma certa profundidade, os seres que fazem fotossíntese deixam de existir, porque já não têm luz. Por outro lado, há uma grande quantidade de microrganismos que se alimenta da “chuva” de detritos que cai da superfície do mar, gastando o oxigénio nesse processo. Assim, o nível deste gás vai diminuindo. Entre os 200 e os 1000 metros de profundidade, há uma camada de água com uma concentração muito baixa de oxigénio, chamada zona de oxigénio mínimo. A partir desta profundidade, correntes profundas vindas dos pólos, que estão carregadas de oxigénio, misturam-se e aumentam a sua concentração. Este projecto científico foi tentar perceber se têm havido alterações no tamanho das zonas de oxigénio mínimo nas regiões tropicais dos oceanos.Já foram feitos estudos que previam um aumento destas camadas, relacionado com o aquecimento global. A equipa analisou sete pontos georreferenciados que, desde 1960, tinham dados mais ou menos constantes sobre a concentração do gás a diferentes profundidades.Atlântico com menos gásOs cientistas analisaram três pontos no Atlântico, dois no Pacífico e um no Índico. Dos três, o Atlântico foi o que registou maior baixa na concentração do oxigénio. “Encontrámos a maior redução entre os 300 e os 700 metros, no nordeste tropical do Atlântico, enquanto as mudanças no leste do Índico são menos pronunciadas”, disse Lothar Stramma, o primeiro autor do artigo, do Instituto para as Ciências Marinhas de Leibniz, na cidade alemã de Kiel.No Atlântico, a zona de oxigénio mínimo quase duplicou em menos de 50 anos. O aquecimento global poderá estar por trás disto: se a temperatura média do mar aumentar, a quantidade de oxigénio solúvel diminui. Mas os cientistas ainda não têm dados para relacionar os dois fenómenos. “A redução também pode ser causada por processos naturais”, disse Stramma.No entanto, este tipo de monitorização não pode ser posta de lado. Há 251 milhões de anos, no final do Período Pérmico, a Terra viveu a maior extinção em massa conhecida. Os oceanos ficaram sem oxigénio, o que levou ao desaparecimento maciço de espécies marinhas e terrestres. Sabe-se que esta extinção esteve relacionada com um grande aumento da concentração de dióxido de carbono, um dos gases responsável pelas alterações climáticas que vivemos.

Crianças são as principais afectadas pelo aquecimento global


29.04.2008 - 19h03 PÚBLICO
São as crianças, e principalmente as dos países mais pobres do planeta, as principais afectadas pelas consequências do aquecimento global. A conclusão é de um relatório da UNICEF no Reino Unido, publicado agora no âmbito das comemorações dos dez nãos da assinatura britânica do protocolo de Quioto.Mas não é só a saúde destas crianças que está em risco. Segundo o relatório, cheias, secas, doenças provocadas por vectores, como a malária, afectarão também a educação e perspectivas de futuro das crianças dos países mais desprotegidos.Enquanto os países mais desenvolvidos e mais ricos se adaptarão a esta nova realidade climática, os povos com menos recursos não terão hipótese de responder a estes novos desafios.“É quem tem contribuído menos para as alterações climáticas, os países mais pobres e, acima de tudo as suas crianças, que serão os mais afectados”, disse David Bull, director da UNICEF no reino Unido, em declarações à BBC.“Se o mundo não responder já para minimizar os efeitos das alterações do clima e para se adaptar aos riscos que esta nova realidade introduziu, estaremos a colocar em perigo o cumprimento dos Objectivos do Milénio até 2015”, acrescentou Bull.Os oito Objectivos do Milénio, os maiores desafios mundiais segundo as Nações Unidas, compreendem a erradicação da pobreza extrema e da fome, a educação universal, a igualdade de género, a redução da mortalidade infantil, o investimento na saúde materna, o combate contra o HIV e malária, entre outras doenças, a sustentabilidade do ambiente e a construção de uma parceria global com vista ao desenvolvimento.As nações comprometeram-se a alcançar estes objectivos até 2015. Mas o Banco Mundial alertou este mês para o facto desse comprometimento estar em risco de não ser cumprido. Pelo menos a África Subsariana falhará todos os oito objectivos por essa data.Mas para a Unicef são as alterações climática so principal travão a essa conquista. O aquecimento global e as consequências na redução de chuva, o aumento das doenças relacionadas com o consumo de água não potável, como a cólera e a diminuição da produtividade agrícola reforçam esta tese do organismo das Nações Unidas para a infância.“Todas estas consequências têm a ver com o aumento da temperatura global que cresceu pelo menos um grau em média, desde 1850”, disse à BBC Nicholas Stern, ex-vice-presidente do Banco Mundial, conselheiro do executivo de Gordon Brown e autor do relatório Stern Review sobre o impacto económico das alterações climáticas. Segundo Stren são as alterações climáticas o principal motor de um possível aumento da taxa de mortalidade infantil em África.

Transportes com dez por cento de biocombustíveis antes de 2020


29.04.2008 - 11h42 Lusa
O ministro do Ambiente, Nunes Correia, disse ontem em Paris, que Portugal quer utilizar dez por cento de biocombustíveis nos transportes antes de 2020, a meta definida pela União Europeia.Nunes Correia encontra-se na reunião ministerial da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Na reunião apresentou-se o relatório "Perspectivas ambientais da OCDE para 2030". O documento concluiu que os problemas ambientais que se enfrentam hoje têm resoluções que são viáveis e exequíveis a nível financeiro. Segundo o ministro do Ambiente, existem quatro áreas definidas pela OCDE com "luz vermelha" que "obrigam a uma atenção muito particular": alterações climáticas, escassez de água, perda da biodiversidade e impactos da poluição ambiental sobre a saúde. "O cenário é negativo se nada for feito mas aquilo que é necessário fazer é perfeitamente razoável em termos de custos, e isto é uma conclusão muito importante", defende o ministro.Nunes Correia admite que Portugal está "com dificuldades em alcançar as metas de emissões previstas em Quioto". No entanto, no caso dos transportes, "Portugal até se propôs antecipar o prazo e pretende antecipar", a União Europeia tinha definido 2020 como a meta para este objectivo. Para isso “está a apostar nos biocombustíveis [provenientes da produção agrícola] de segunda ou até mesmo de terceira geração. ”, disse à Lusa.Outra aposta, que o ministro considera “essencial, imprescindível, uma obrigação perante os consumidores”, é a rotulagem dos bens alimentares com informação acerca da existência de produtos transgénicos.A OCDE estima, de acordo com Nunes Correia, que o Produto Interno Bruto (riqueza interna de um país) do Estados da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico deverá duplicar até 2030. "Portanto, o esforço que se pede a estes países é relativamente modesto para conseguir resultados com extremo significado", sustentou o ministro.Segundo o ministro, três das quatro áreas fundamentais definidas pela OCDE, as alterações climáticas, escassez da água e perda da biodiversidade, foram uma prioridade durante a presidência portuguesa da União Europeia. “Em todos eles, estamos naturalmente activos", disse.

Alqueva com água abaixo dos níveis de 2007 apesar das fortes chuvadas

24.04.2008 - 09h48 Carlos Dias
A forte precipitação que se tem registado ao longo do mês de Abril não tem sido suficiente para que Alqueva atinja a sua capacidade máxima de enchimento. Comparativamente com igual período do ano anterior, a maior albufeira da Europa tem aproximadamente menos meio milhão de metros cúbicos de água.No dia 4 de Março de 2007, a grande albufeira de Alqueva atingia o seu máximo histórico: 150,7 metros acima do nível do mar, e um volume de armazenamento de cerca de 3,8 milhões de metros cúbicos de água. Faltavam então 1,93 metros para atingir o seu nível de pleno enchimento (NPA), que se situa nos 152 metros acima do nível do mar.Às 23h00 do passado dia 20 de Abril, a cota na albufeira de Alqueva atingia os 147,86 metros - 3,3 milhões de metros cúbicos de água -, o maior volume registado em 2008, mas menos de 2,5 metros na cota de armazenamento comparativamente com igual período de 2007 e a 4,5 metros da cota máxima de enchimento.O caudal entrado naquele dia, às 9h00, no Monte da Vinha, estação de medição localizada na fronteira com Espanha, registou um volume de entrada de 75,81 metros cúbicos por segundo. À mesma hora, no Pulo do Lobo, o caudal de água libertado por Alqueva e resultante dos afluentes do rio Guadiana, a jusante desta barragem, conferia um volume de descarga de 18,72 metros cúbicos por segundo.A intensa precipitação de Abril permitiu reter nas oito albufeiras da bacia do Guadiana, em território português (Caia, Lucefecit, Vigia, Monte Novo, Alqueva, Enxoé, Odeleite e Beliche) cerca de 3,7 milhões de metros cúbicos de água, o que representa o valor de 77 por cento da sua capacidade máxima de enchimento.Já em território espanhol, as barragens localizadas também na bacia do Guadiana, na região da Estremadura, apresentam cerca de 56,6 por cento da sua capacidade máxima de armazenamento, ainda assim cerca de 10 pontos percentuais acima, relativamente a igual período de 2007.Com as fortes chuvadas de Abril nas barragens estremenhas das bacias do Tejo e do Guadiana acumularam-se 8735 milhões de metros cúbicos de água, o que equivale a 61,8 por cento da sua capacidade total de armazenamento. E em apenas sete dias afluíram às albufeiras espanholas 401 mil metros cúbicos de água.

Portugal ensina ao resto da Europa a transformar pneus velhos em asfalto


22.04.2008 - 19h27 Lusa
Um projecto do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) para reutilizar pneus velhos no fabrico de asfalto está a ser apresentado esta semana na Eslovénia como um exemplo a seguir por outros países europeus.O projecto foi um dos escolhidos pela segunda Conferência Europeia em Investigação nos Transportes Rodoviários (European Road Transport Research - Arena TRA2008) e coube a Maria de Lurdes Antunes, investigadora do LNEC, o papel de representar o país naquele que é o principal fórum europeu que junta políticos, empresários e estudiosos em questões relacionadas com o ambiente e transporte. Segundo esta investigadora, Portugal é "um dos primeiros países europeus" a utilizar restos de pneus velhos no fabrico de asfalto, juntamente com betume e outros inertes. "Usamos borracha de pneus utilizados no agregado final", procurando encontrar uma "forma original de reutilizar" estes resíduos mas acaba por ser uma "solução técnica final mais vantajosa". O asfalto com borracha de pneus é mais durável, mais resistente e provoca menos ruído, explicou Maria de Lurdes Antunes. Em 1999, na zona de Santo Tirso, foi instalado o primeiro piso deste tipo num projecto considerado pioneiro a nível europeu, recordou a investigador do LNEC, instituição que tem tutelado a aplicação desta tecnologia. Agora, quase uma década depois, Portugal "tem muitos dados" sobre a durabilidade e resistência deste tipo asfalto que, apesar de mais caro, permite estradas mais amigas do ambiente. E foi a implementação desta tecnologia que levou Portugal ao papel de parceiro num novo projecto comunitário, denominado DirectMat, que visa elaborar uma espécie de "guia de boas práticas" para os construtores civis na reparação de estradas. A utilização de resíduos e inertes nas estradas, como asfalto já danificado, e a diminuição dos custos ambientais são os objectivos principais deste projecto, que irá incluir uma "base de dados com todos os desenvolvimentos" técnicos que permitam minimizar os danos das intervenções. "Nem sempre as novas tecnologias são do conhecimento dos construtores" pelo que uma equipa de investigadores europeus estão a compilar essa base de dados, cabendo ao LNEC incluir os dados relativos às misturas betuminosas, acrescentou. Além do LNEC, na Eslovénia estão expostos outros trabalhos de investigadores portugueses, como é o caso de uma equipa da Universidade de Coimbra, que inclui Álvaro Seco, Ana Silva e Carla Galvão. Este projecto conta com modelos de gestão da velocidade máxima das estradas de acordo com o ambiente envolvente, quer de acordo com as características do piso e do território mas também em relação a questões como os fluxos humanos.

Quercus lança em Coimbra campanha para a reciclagem de rolhas de cortiça

22.04.2008 - 16h41 Lusa
A reciclagem de rolhas de cortiça para criar bosques foi o mote de uma campanha nacional hoje lançada em Coimbra pela organização ambientalista Quercus, a que se associam empresas para tornar o projecto financeiramente sustentável. Hoje comemora-se o Dia Internacional da Terra.Em Portugal, 300 milhões de rolhas por ano entram no mercado e a ideia é, gradualmente, ir alargando o sistema de recolha para que se evite a produção de dióxido de carbono (CO2) com a incineração desse resíduo, e se transforme novamente em matéria-prima com ganhos económicos investidos em plantar e cuidar de novas árvores. Paulo Magalhães, da Quercus, adiantou que, no primeiro ano, se pretende atingir uma recolha de dez por cento das rolhas que entram no mercado, no âmbito de um projecto que visa plantar e cuidar de um milhão de árvores em cinco anos. A campanha de recolha em estabelecimentos de restauração foi hoje lançada simbolicamente no Restaurante Alfredo, em Coimbra. A partir de 5 de Junho, os cidadãos passam a dispor de pontos de recolha nos hipermercados Continente, e posteriormente também na cadeia Modelo. Com esta campanha pretende-se igualmente criar cem novas reservas biológicas, cuidar de dois mil animais nos centros de recuperação, proteger 50 hectares de zonas húmidas e restaurar dez quilómetros de rios e ribeiras. No lançamento da campanha estiveram presentes a coordenadora nacional do Comité Português para o Ano Internacional do Planeta Terra, Helena Henriques, e representantes das empresas Biological e da Corticeira Amorim. A Biological, que se tem dedicado à recolha de óleos alimentares usados, para reciclagem, dispondo de nove mil pontos no país, vai participar no projecto recolhendo e transportando gratuitamente as rolhas, revelou o representante da empresa Paulo César. A Corticeira Amorim vai receber as rolhas e integrá-las no circuito de produção como matéria-prima para outras finalidade, incorporada em diversos materiais, nomeadamente para pavimentos e revestimentos. "Ninguém faz isto por negócio. Insere-se no âmbito da responsabilidade social da empresa, numa lógica de sustentabilidade social. É por isso que nos associamos", declarou Francisco Carvalho, da Corticeira Amorim. Na sua perspectiva só é possível conseguir receitas para a Quercus desenvolver actividades de preservação ambiental devido ao sistema que foi montado, em que cada parceiro participa na recolha de forma gratuita. Segundo Paulo Magalhães, com esta campanha a Quercus, pela primeira vez, aplica as receitas conseguidas directamente em acções na natureza - a plantar e cuidar de um milhão de árvores em cinco anos e a recuperar animais e reservas biológicas.

Rio poluído


Pequenas coisas pelo ambiente

com as dicas do Público podes ficar a saber...



Fale sobre o desenvolvimento sustentável de Lisboa
26.02.2008
A Lisboa E-Nova, Agência Municipal de Energia e Ambiente promove várias sessões Ponto de Encontro, onde convida os cidadãos a debater o desenvolvimento sustentável de Lisboa.


As 22 sugestões da Quercus para um Natal mais amigo do Ambiente
20.12.2007
Numa das épocas de maior consumismo e desperdício do ano, a Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza propõe 22 ideias para quem quer passar um Natal mais amigo do Ambiente. Desde a preparação da casa, aos presentes, passando pela arrumação do que ficou quando as celebrações terminam.


O que faz você pelo Ambiente?
23.11.2007
Vai de autocarro para o trabalho? Compra alimentos biológicos uma vez por mês? Escreve na parte de trás das folhas? Diga-nos de que forma está a contribuir para a sustentabilidade do planeta. Envie o seu texto, com nome, idade e localidade, para ecosfera@publico.pt e confira depois no Blogue "O que faço pelo Ambiente" e num suplemento especial no Dia da Terra, 22 de Abril.


Experimente na Semana Bio
19.11.2007
De 17 a 25 de Novembro experimente a diversidade e sabor da Semana Nacional da Agricultura Biológica que oferece dezenas de actividades por todo o país, da iniciativa da INTERBIO - Associação Interprofissional para a Agricultura Biológica.


Visite um barco amigo do Ambiente em Vilamoura
16.11.2007
Pode ser visitado até 18 de Novembro na marina de Vilamoura o trimarã "Earthrace", barco movido a biodiesel que se propõe dar a volta ao mundo em 60 dias para bater um recorde mundial.


Fim-de-semana na terra do Lobo
30.10.2007
Participe durante o fim-de-semana alargado de 1 a 4 de Novembro nas actividades organizadas pela Ecotura na terra do Lobo-ibérico (Canis lupus signatus), e das tradições ancestrais das aldeias serranas.


Ajude a acabar com o lixo do mar
27.09.2007
O Grupo Oceanos da Liga para a Protecção da Natureza (LPN) e a CETUS - Associação Portuguesa para a Conservação de Cetáceos lançam a todos o desafio de acabar com o lixo do mar, "antes de termos um mar de lixo". Para isso são propostas várias coisas simples que todos podemos fazer.


Almada convida à participação na sua Semana da Mobilidade
07.09.2007
A Câmara de Almada preparou um leque de actividades para os dias 16 a 22 de Setembro para celebrar a Semana da Mobilidade e convida todos os interessados a participar.


“Livre-se do seu Mono Já”
20.08.2007
Sem tem resíduos de equipamentos eléctricos e electrónicos (REEE) de que já não precisa, contacte o número verde 800.262.333, onde uma equipa da Amb3E prestará os esclarecimentos sobre o correcto depósito destes resíduos.


Cuidados de Verão
11.08.2007
A Quercus aconselha neste Verão a ir de transportes menos poluentes até à praia, procurando deixar o carro em casa. Além disso, é importante que proteja as dunas e as falésias das praias costeiras, bem como a vegetação nas praias fluviais. Procure praias com a Bandeira Azul e evite as horas de maior calor.


Apadrinhe um animal selvagem em recuperação
25.07.2007
Contribua para a recuperação de um dos animais selvagens no CERVAS – Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens, em Gouveia. Nesta fase podem ser apadrinhadas águias, mochos, corujas, entre outras espécies.


Visite a exposição "A Água no Algarve"
19.07.2007
Visite a exposição itinerante "A Água no Algarve", organizada pela associação Almargem em oito municípios, entre os dias 20 de Julho e 28 de Setembro. A ideia é sensibilizar para a importância do uso eficiente de água na região.


Um Verão em território de Lobo
02.07.2007
A Ecotura, empresa de ecoturismo, propõe um conjunto de actividades para este Verão, em território do Lobo-ibérico (Canis lupus signatus), na Serra da Peneda.


Percorra os cinco novos percursos pedestres de Vila Real
21.06.2007
A Câmara de Vila Real apresentou a 21 de Junho cinco percursos pedestres, que levam à descoberta do concelho num total de 32 quilómetros, divulgando o património arquitectónico e sensibilizando a população para a preservação do ambiente.


Inscreva-se em projecto europeu para poupar energia em casa
18.06.2007
Seja uma das 200 famílias participantes no projecto europeu EchoAction, promovido pela Agência Municipal de Energia de Sintra em conjunto com outras agências de seis países, para poupar energia em casa.


"Um Dia por Lisboa - Fazer e Não fazer"
15.06.2007
Saiba o que doze cidadãos consideram que se deve ou não fazer por Lisboa, numa iniciativa a realizar dia 19 de Junho no Teatro São Luiz, entre as 18h00 e as 00h00.


Peça um compostor
02.06.2007
Peça à Associação Amigos do Mindelo para a Defesa do Ambiente um compostor que transforma restos de comida e resíduos de jardins, hortas e quintais em solo. Cem famílias já aderiram à campanha “Mindelo a reciclar”.


Dia Mundial de Energia
28.05.2007
Experimente o simulador de potência contratada que a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos vai disponibilizar a partir de 29 de Maio, Dia Mundial de Energia, no site http:// www.erse.pt, para ajudar os consumidores a reduzir a factura eléctrica.


Borboletas através do tempo
24.05.2007
Visite a exposição "Borboletas através do tempo" no Museu de História Natural, em Lisboa. As portas para conhecer melhor as espécies ibéricas estarão abertas até Dezembro.


Uma ida para o emprego que pode salvar a biodiversidade
23.05.2007
Uma vez por semana vá para o emprego de transportes públicos, de bicicleta, a pé ou de boleia de colegas. Esta é uma das dez sugestões da iniciativa Countdown 2010 para salvar a biodiversidade do planeta.

Novos designers portugueses desafiados a criar produtos “amigos do Ambiente”

22.04.2008 - 08h48 Helena Geraldes

Criar produtos de papelaria ou têxtil lar com reduzidos impactos ambientais é o desafio lançado hoje pelo concurso “Kickoff Novos Designers Continente” a jovens criadores portugueses. O vencedor verá a sua obra nas prateleiras dos hipermercados desta cadeia.De 22 de Abril a 30 de Junho, os estudantes finalistas ou recém-licenciados dos cursos de design, arquitectura ou artes podem submeter os seus projectos a concurso. O desafio é criar um conjunto de peças têxtil de cama (um jogo de capa para edredão, dois lençóis, duas fronhas e uma peça livre), um conjunto de mesa (toalha, guardanapos, individuais e peça livre) e um serviço de jantar (prato raso, chávena e pires e mais peças livres). Para a área da Papelaria, os trabalhos prevêem a concepção de uma mochila, caderno espiral A4 e uma peça livre.“Os participantes devem escolher materiais com baixo impacto ambiental, reutilizáveis, e devem conceber peças que exijam pouca energia na sua concepção e que tenham uma maior durabilidade”, explicou ao PÚBLICO Miguel Rangel, director de Marketing do Continente.O trabalho do vencedor será adaptado e posto à venda nos hipermercados desta cadeia. “É uma ideia que se transforma em algo que terá um uso diário, regular. Serão sempre coisas práticas e aplicáveis” ao dia-a-dia dos consumidores, acrescentou.O vencedor será premiado com um workshop no Central Saint Martins College of Art and Design, em Londres, e com um estágio de três meses na equipa de Desenvolvimento de Produto da Modelo Continente Hipermercados. O júri é constituído por três pessoas, duas da Modelo Continente e o designer André Hilário.Esta é a terceira edição do “Kickoff Novos Designers Continente” e a primeira com o tema Ambiente. Segundo Miguel Rangel, em 2005 inscreveram-se 350 pessoas e no ano passado cerca de 200. De acordo com o responsável, esta cadeia procura colocar nas suas prateleiras produtos que tenham preocupações ambientais, “para dar ao consumidor opções mais amigas do Ambiente”.

Amarante: Barragem de Fridão pode provocar desastre ambiental na cidade


21.04.2008 - 18h01 Lusa
A cidade de Amarante corre o risco de sofrer um desastre ambiental devido à elevada poluição do rio Tâmega, se a barragem de Fridão for transformada em aproveitamento reversível, ficando emparedada entre dois açudes e duas barragens, alertou hoje um especialista ambiental. A afirmação foi feita num debate, em Amarante, por Rui Cortes, professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e especialista em estudos de impacte ambiental.Segundo o técnico, que tem colaborado em estudos ambientais de diversas barragens - nomeadamente Alqueva, Sabor e Foz Tua - o Tâmega é o curso de água, dos rios internacionais, que apresenta maior grau de poluição, devido à eutrofização (formação de algas tóxicas).Rui Cortes sustenta, ainda, que se for construído um contra-embalse/açude a jusante da barragem, para permitir a recolocação da água na albufeira principal durante a noite, aproveitando a energia das eólicas, a qualidade da água colocada no curso de água (caudal ecológico) será de pior qualidade.Outro problema crucial a debater no âmbito do estudo de impacte ambiental (EIA), a cargo do consórcio que ganhar o concurso, será a profundidade a que a água será turbinada. "Quanto mais fundo for turbinada mais poluição terá o caudal libertado. Será necessário diminuir as fontes de poluição, a montante, se não vamos ter em Amarante um desastre ambiental", avisou o professor da UTAD.Linha de alta tensão traz mais problemasParticiparam também no debate Hélder Leite, que chamou a atenção para os problemas da construção de uma linha de alta tensão de 400 KVA com 22 quilómetros de extensão, e Berta Estevinha, que considerou preocupante o aumento da eutrofização das águas do rio, devido à poluição. A eutrofização é um problema que afecta o rio Tâmega há quase uma década, sobretudo na albufeira formada pela actual barragem do Torrão, localizada na foz do rio.Durante o debate, o deputado municipal por Amarante, Emanuel Queirós, alertou para o perigo dos sismos induzidos, um problema que, afirmou, "está completamente desvalorizado e foi até descurado" na análise dos dez empreendimentos considerados prioritários.Dos dez aproveitamentos seleccionados pelo Governo, a barragem de Fridão é a segunda infraestrutura em potencial hidroeléctrico, logo a seguir a Foz Tua, já adjudicada à EDP. O Ministério do Ambiente anunciou que o concurso para a concessão da barragem de Fridão será lançado a 30 de Abril.

“National Geographic” celebra o Dia da Terra com 24 horas de documentários


21.04.2008 - 16h04 PÚBLICO
O “National Geographic Channel” celebra amanhã o Dia da Terra com a emissão de 24 horas de documentários dedicados à protecção e conservação do planeta.No “Especial Dia da Terra” destacam-se as estreias de quatro produções: “A Mecânica do Planeta: Cozinha à Luz Solar”, às 20h05; “Macaco: Música Multicultural de Barcelona”, às 21h00; “A Pegada Humana”, às 21h30 e “Retrato da Terra: O Estado do Planeta” às 22h30. “A Mecânica do Planeta: Cozinha à Luz Solar” apresenta mais um episódio da oficina ecológica de Dick e Jem, desta vez na Andaluzia para ajudar um proprietário de uma quinta a extrair do seu poço água suficiente para dar ao seu gado. Os dois oferecem-se também para construir um forno solar gigante para fazer uma “paella” para a população nas festas da localidade. Enquanto Dick constrói um moinho de vento tradicional, Jem enfrenta a tarefa de construir um motor Sterling – que aproveita as diferenças de temperatura dentro de um cilindro para mover a cápsula que utiliza para a bomba que permite extrair a água do poço. No documentário pode ser visto qual dos engenhos sairá vencedor e se algum dos dois conseguirá preparar “paella” suficiente para satisfazer o apetite de todos os participantes na festa. O documentário “Macaco: Música Multicultural de Barcelona” apresenta a banda espanhola “Macaco”, conhecida por misturar rumba catalã, “reggae” e “hip hop”. Macaco sobe ao palco com uma acústica criada para agitar corpos e mentes. O vocalista e músico Dani Carbonell (mais conhecido como Dani Macaco) fala dos primeiros tempos da banda, das suas influências musicais e a da utilização das várias línguas na sua música.Quantificando as marcas que cada ser humano deixa no mundoImagine que consegue ver tudo o que consumiu ao longo da vida: todo o lixo que gerou e até as lágrimas que chorou. Ao longo da vida, cada ser humano deita, em média, 40 toneladas de lixo para os contentores, consome 7550 litros de leite, toma quase 7163 duches, nos quais consome cerca de um milhão de litros de água, e tem 104.390 sonhos. No documentário “A Pegada Humana” juntou-se todo o pão consumido, em média, ao longo da vida e ateou-se fogo a todo o metano emitido. Tudo para criar uma visualização única e persuasiva das marcas que cada um de nós deixa no mundo. “Retrato da Terra: O Estado do Planeta” analisa as emissões de dióxido de carbono e dos programas de reflorestação e avalia os efeitos positivos e negativos que os diversos países exerceram no nosso planeta ao longo de 2007. No ano passado, a Terra sofreu a emissão de oito milhões de toneladas de dióxido de carbono para a atmosfera, a extracção de 90 milhões de toneladas de peixe dos seus oceanos e o arranque de 11 mil milhões de árvores das suas florestas. A China, que abriu uma central térmica de carvão, superou, pela primeira vez, os Estados Unidos em emissões totais de carbono. No entanto, investiu 8 mil milhões de dólares para construir a Muralha Verde da China, sob a orientação do maior projecto de reflorestação do mundo, estendendo-se por quase 4500 quilómetros. Por sua vez, os Estados Unidos vão pôr em marcha um programa piloto de armazenagem de dióxido de carbono, no qual serão depositados cerca de 3 mil milhões de toneladas de dióxido em solo americano.

Jangadas ecológicas descem o rio Douro em Junho


21.04.2008 - 15h59 Lusa
Jangadas artesanais tripuladas por dezenas de jovens vão descer o troço final do rio Douro, a 28 e 29 de Junho, numa iniciativa dos Ecoclubes de Portugal que pretende alertar a população para a preservação do Ambiente."Queremos sensibilizar as pessoas para as questões ligadas à preservação ambiental, muito especialmente para a importância da reutilização de materiais", afirmou hoje Elisabete Silva, da organização desta iniciativa. Por essa razão, as jangadas envolvidas nesta II Manifestação Ambiental no rio Douro devem ser, preferencialmente, construídas com material reutilizável. Na edição de 2007, a Manifestação Ambiental contou com uma dezena de meia de jangadas, envolvendo cerca de 60 jovens, mas os promotores da iniciativa esperam "ter mais jangadas e mais jovens" este ano. "Pode participar quem quiser, os único requisitos é que as jangadas não sejam motorizadas e que as velas tenham uma frase alusiva à qualidade ambiental", frisou Elisabete Silva, acrescentando que as inscrições podem ser feitas até meados de Junho. O programa prevê que os participantes se concentrem na manhã de 28 de Junho no Araínho de Zebreiros, levando lanche e almoço, sendo o jantar fornecido pela organização no Araínho de Avintes, local previsto para passarem a noite. No segundo dia, os participantes cumprirão o trajecto final, entre o Araínho de Avintes e a Ribeira do Porto. A iniciativa pertence aos Ecoclubes de Portugal, actualmente cerca de uma dezena, maioritariamente localizados na região norte do país. "Os ecoclubes são grupos de jovens que organizam acções que visa promover a melhoria da qualidade de vida das populações, nas áreas da saúde e do ambiente", salientou Elisabete Silva. Os ecoclubes nasceram na Argentina em 1992, a partir de grupos de alunos de escolas que promoviam campanhas de reciclagem junto das suas comunidades, tendo o movimento alastrado a toda a América Latina, América Central e, posteriormente, à Europa. Actualmente existem cerca de 450 ecoclubes, em 20 países, envolvendo mais de 10 mil jovens. Os ecoclubes são constituídos por crianças e jovens, entre os 10 e os 25 anos, que elegem os seus líderes e são responsáveis pelos projectos que se propõem desenvolver. Todos os ecoclubes contam ainda com a participação de um facilitador, que é um adulto, cuja função é apoiar os jovens nas suas actividades. Em Portugal, a Associação dos Amigos do Mindelo é a entidade promotora dos Ecoclubes.

sexta-feira, maio 23, 2008

Danos contra o ambiente vão passar a ser crime


Código Penal já prevê três crimes ambientais mas nunca houve condenação
Destruir uma espécie ameaçada como uma águia ou uma cegonha negra, um habitat como um montado de sobro em zona protegida de Rede Natura, ou fazer uma descarga de poluição num rio, ameaçando a saúde pública, poderá vir a ser considerado crime em toda a União Europeia. A proposta de punir as infracções graves ao ambiente com sanções penais é da Comissão Europeia e recebeu agora luz verde do Parlamento Europeu. Em Portugal a transposição desta directiva não trará grandes alterações teóricas, uma vez que o Código Penal já prevê três crimes ambientais. Mas na prática, tudo poderá mudar, uma vez que não há memória de alguém ter sido condenado criminalmente por atentar contra o ambiente no nosso País.De acordo com a proposta de directiva, a punição penal só se aplicará em casos intencionais ou de negligência grave e se a destruição tiver um determinado impacto. A mesma punição penal poderá ser aplicada a qualquer comportamento que cause a deterioração significativa de um habitat no interior de um local protegido, como um parque natural.Entre os actos previstos na directiva estão também a produção, importação, exportação, colocação no mercado ou utilização de substâncias que empobrecem a camada de ozono; a descarga, emissão ou introdução de matérias ou de radiações ionizantes na atmosfera, solo ou água, que causem ou possam causar a morte ou lesões graves a pessoas; a produção, tratamento, manipulação, utilização, detenção, armazenagem, transporte, importação, exportação e eliminação de materiais nucleares ou substâncias perigosas.Catarina Pina, da Quercus, explica que "a maioria dos actos sancionados na directiva já são sancionados pelo nosso Código Penal". O problema, disse ao DN, "prende-se com a fiscalização e o défice de cultura de protecção do ambiente, pois este crimes são públicos e o Ministério Público pode proceder à respectiva acusação na sequência de denúncias". Além da "falta de objectividade da lei que não especifica que conduta deve ser penalizada", acrescenta Paulo Magalhães, também da Quercus.Nalguns casos, a nossa lei é até mais abrangente, diz Catarina Pina, lembrando que o código "sanciona tanto danos a espécies protegidas, como a ameaçadas de extinção".A transposição interna destas normas comunitárias - que terá de ocorrer dois anos após a publicação - traz "esperança" aos ambientalistas. "Não há nada pior para a imagem de uma empresa do que ser acusada de um crime", diz Paulo Magalhães.