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terça-feira, outubro 25, 2011

Mudanças climáticas reflectem-se no tamanho de animais e plantas

Estudo de investigadores da Universidade de Singapura publicada na «Nature Climate Change»

2011-10-18


Várias espécies foram ficando mais pequenas com o aumento da temperatura

Devido ao aumento das temperaturas e à falta de água o tamanho dos animais e das plantas está a diminuir. É o que defende um grupo de investigadores da Universidade de Singapura que publicou agora um estudo na «Nature Climate Change». As mudanças, advertem, podem ter profundas implicações na produção de alimentos nos próximos anos.

David Bickford e Jennifer Sheridan analisaram registos fósseis e dezenas de estudos que mostram que muitas espécies de plantas e animais como aranhas, escaravelhos, abelhas, cigarras e formigas foram ficando mais pequenas com o passar do tempo devido às mudanças climáticas.
Citaram uma experiência que mostra como os frutos de uma grande variedade de plantas são 3 a 17 por cento mais pequenos por cada grau célsius. Cada grau de aquecimento reduz também entre 0,5 e 4 por cento do corpo dos invertebrados marinhos e entre 6 e 22 por centos dos peixes.
Os peixes mais pequenos podem ver aumentar a sua capacidade de sobrevivência com as temperaturas mais quentes. Mas as condições de seca podem dar lugar a descendentes mais pequenos, baixando a média do tamanho, afirmam os autores.
Os impactos podem ir de uma maior limitação de recursos alimentares (menor quantidada de alimentos produzidos na mesma quantidade de terra) até uma perda maior da biodiversidade.

Artigo: Shrinking body size as an ecological response to climate change

Registada e apresentada nova espécie de dinossauro

O ‘Demandasaurus darwini’ foi descoberto em Sala de los Infantes (Espanha)

2011-10-24



'Demandasaurus darwini' tem 125 milhões de anos
O esqueleto parcial de um dinossauro descoberto há 12 anos em Salas de los Infantes, um município em Burgos (Espanha) foi apresentado oficialmente com a sua descrição científica no jornal «Acta Paleontologica Polonica».
Este novo género e espécie de dinossauro – Demandasaurus darwini – foi escavado entre 2002 e 2004 no sítio de Tenadas de los Vallejos II. Foram resgatados diversos fósseis: restos do crânio, incluindo dentes, ossos da coluna vertebral, costelas, parte da pélvis e do fémur. Encontraram-se no total 810 ossos e fragmentos nos 240 metros quadrados da estação arqueológica.

Apesar do bom estado de conservação, os fósseis foram submetidos a um delicado processo de preparação para que fosse garantida a conservação durante o estudo científico, explica o comunicado do Colectivo Arqueológico e Paleontológico de Salas.
O Demandasaurus darwini, que tem 125 milhões de anos e pertence à família dos Rebbachisaurus e ao grupo dos diplodocídeos, era um dinossauro de tamanho médio (10 a 12 metros de comprimento). O nome da espécie é uma homenagem à Sierra de la Demanda, onde se encontra Salas de los Infantes, e ao Charles Darwin, pai da teoria da evolução.
Este exemplar tem características singulares, explicam os investigadores, como dentes com sulcos no esmalte ou vértebras cervicais com estruturas ósseas que não estão presentes noutras espécies. A forma arredondada do focinho contrasta também com o formato mais quadrado dos restantes diplodocídeos.
A descoberta desta nova espécie amplia o conhecimento sobre a distribuição geográfica dos Rebbachisaurus, que até este achado só tinham aparecido em África e na América do Sul. Esta descoberta vai poder esclarecer algumas das dúvidas que existem sobre esta família de dinossauros.


Artigo: Demandasaurus darwini, a new rebbachisaurid sauropod from the Early Cretaceous of the Iberian Peninsula

Laboratório de Coimbra quer reduzir emissões de CO2 com atalho químico

Enquanto a energia no mundo for produzida à base de combustíveis fósseis, haverá libertação de dióxido de carbono de tubos de escape e chaminés de fábricas. Mas o gás não tem que inundar a atmosfera e acentuar as alterações climáticas, pode ser armazenado logo em grandes agregados de moléculas e ser utilizado na indústria química.
Esta é ideia de um projecto para evitar o aumento de gases na atmosfera que provocam o efeito de estufa, liderado por Abílio Sobral, investigador da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.

“Nos próximos anos não me parece que haja alternativa aos combustíveis fósseis para a indústria, e nessa perspectiva há que resolver o problema, muitos ecossistemas podem deixar de existir [devido às alterações climáticas]”, disse ao PÚBLICO o químico, especialista na vertente orgânica – a química que estuda as moléculas da vida, baseadas no carbono.

O investigador do Departamento de Química da universidade está a tentar desenvolver uma espécie de esponja que absorve as moléculas como o dióxido de carbono ou o metano, mas não só. “Há dois ou três materiais que fazem isto, mas o que se faz depois? O que propusemos é usar o dióxido de carbono acumulado como material industrial”, disse. Para produzir por exemplo formaldeído, um composto muito utilizado em processos industriais.
O projecto tem dinheiro da FCT para três anos e “só começou há seis meses”. A equipa de Sobral está a inspirar-se em várias moléculas orgânicas para obter a esponja, entre as quais a clorofila – responsável nas plantas pela obtenção de energia através de energia solar.
Se resultar, as moléculas serão depois sintetizadas no laboratório. “O ideal era utilizar energia solar”, explicou o cientista. Abílio Sobral ainda não sabe qual será o grau de eficácia da tecnologia, mas espera ser muito grande. Ou seja, para uma unidade de “esponja”, haverá a absorção de “100, 200 ou 300 moléculas de CO2”.
Isto, em situações de alta concentração do gás, como nas saídas de tubos de escape de carros ou chaminés de fábricas. Depois, o CO2 seria utilizado nos processos químicos reduzindo a quantidade de matéria-prima normalmente utilizada nestes produtos.
Actualmente há várias ideias de geoengenharia com o objectivo de diminuir os efeitos das alterações climáticas. Uma quer colocar sulfatos para a atmosfera, imitando o que os vulcões fazem. Isso aumenta a radiação solar que é reflectida para o espaço e diminui momentaneamente a temperatura na Terra. Outra ideia é enviar o CO2 atmosférico de volta para os espaços no interior da crosta terrestre de onde se retirou o petróleo.
Mas Abílio não considera que este projecto entre nessa categoria, porque não está a mexer directamente no ciclo do carbono. “Estamos a fazer um atalho, o dióxido de carbono é logo capturado quando é emitido, é um atalho químico”, disse o cientista que não se sente à vontade com as ideias da geoengenharia.

“Podemos discutir a ideia mas não concordo, por cautela científica. Qualquer ecossistema tem 1000 variáveis que não conhecemos, a ciência deve ser humilde e vejo a geoengenharia com alguma preocupação”, defendeu.

Presidente da Bolívia cancela projecto de auto-estrada na floresta amazónica

22.10.2011

Rita Siza

A marcha indígena de mais de 600 quilómetros, desde a floresta amazónica até à capital da Bolívia, para contestar a construção de uma auto-estrada em terrenos da sua reserva natural, teve final feliz para os manifestantes, com o Presidente Evo Morales a anunciar o cancelamento do projecto.

Os indígenas, que tinham sido recebidos de forma apoteótica em La Paz, com milhares de pessoas na rua em solidariedade com o seu protesto, estavam acampados há dois dias na Praça das Armas quando lhes chegou um recado do Presidente. “O assunto está resolvido”, garantiu Morales.

A notícia voltou a levantar a capital numa onda de celebração, com bandeiras, músicas e cartazes a assinalar a vitória dos “heróis” do Território Indígena do Parque Nacional Isidoro Sécuro, entretanto baptizados pela imprensa como os “marchistas de Tipnis” (TIPNIS é o acrónimo pelo qual é conhecido o parque).
Dessa zona remota, em plena floresta amazónica, partiram cerca de dois mil manifestantes, que caminharam durante 65 dias para fazer chegar directamente ao Presidente Evo Morales a sua mensagem de oposição à construção daquela infraestrutura que, alegam, arruinará o seu habitat e o seu modo de vida.
A opinião de Morales era a oposta: a nova estrada permitiria o desenvolvimento económico e a integração regional, logo a melhoria das condições de vida das comunidades indígenas, como repetiu em defesa do projecto.

Projecto financiado pelo Brasil

A polémica diz respeito à construção de uma auto-estrada de pouco mais de 300 quilómetros de ligação Norte-Sul, que principia em território brasileiro e desemboca no oceano Pacífico, na costa da Bolívia. Trata-se de um projecto de 415 milhões de dólares, financiado quase exclusivamente pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES) do Brasil e cuja obra foi atribuída à construtora brasileira OAS.

Estendida entre as províncias de Beni e Cochabamba, no centro da Bolívia, a reserva seria trespassada e dividida ao meio pelo troço de 177 quilómetros que liga San Ignácio de Moxos a Villa Tunari. O parque é o “território ancestral” de uma comunidade de cerca de 12 mil indígenas, de três grupos étnicos, cuja subsistência depende exclusivamente dos recursos da floresta (caça, pesca e agricultura).
“Se este território, um parque nacional, for dividido, 21 áreas protegidas vão ser irremediavelmente destruídas”, declarou o porta-voz dos indígenas do Tipnis, Fernando Vargas. “E para quê? Para semear coca e produzir mais droga, nada mais”, denunciou.
A marcha de protesto dos residentes na reserva amazónica começou há mais de dois meses e ganhou relevância mundial quando, a meio do trajecto, os manifestantes foram impedidos de prosseguir numa inesperada e violenta acção policial na localidade de Yucumo. As imagens da força anti-motim, armada com escudos e bastões, a investir contra os manifestantes, causaram perplexidade e indignação: dois ministros do governo de Morales demitiram-se em desacordo contra o uso da força.

Das palavras aos actos

Depois do desastre inicial na gestão do protesto, o Presidente prometeu diálogo com os manifestantes.
Morales, que em sete anos de poder nunca conheceu tamanha contestação, começou por suspender o projecto e anunciar a realização de um referendo local para aferir da viabilidade da construção.
Hoje, depois de uma reunião com 25 delegados indígenas no Palácio Quemado de La Paz, o Presidente pôs um ponto final no assunto. Não só confirmou o cancelamento da construção (uma decisão que terá de ser ratificada pelo Congresso, onde Morales detém a maioria), como fez saber que o TIPNIS será declarado “área intangível”, um estatuto reforçado de área protegida que virtualmente inviabiliza qualquer construção naquele território.
As palavras do Presidente permitiram aliviar a tensão dos últimos meses, mas ainda assim os indígenas reagiram com cautela. “Das palavras aos actos ainda há um longo caminho a percorrer. Vamos continuar a falar com o Presidente e estabelecer as regras do jogo. Não podemos dizer que está tudo resolvido, até porque temos outras exigências que ainda não foram atendidas”, sublinhou Fernando Vargas. Entre outras reivindicações, os indígenas querem, por exemplo, paralisar as actividades de exracção e transporte de hidrocarbonetos no sul do país e ser compensados pela emissão de gases com efeito de estufa.

Declínio do apoio a Morales

Como explicou o analista político boliviano Jorge Lazarte à BBC Mundo, “este é o pior momento político para o Governo. Há mais de um ano que se assiste a um processo contínuo de declínio do apoio popular a Evo Morales, que lentamente tem vindo a romper relações com os movimentos sociais que o levaram ao poder. Mas nunca, como agora, o Governo pareceu tão distante da população”, considerou. Ao ceder e chegar a acordo com os manifestantes, o Presidente “expôs a sua fragilidade”, opinou.

Para Lazarte, a situação para Morales, o primeiro líder indígena da Bolívia, era especialmente delicada, uma vez que o incidente pôs em causa “a própria identidade” do seu Governo. Vários observadores sublinham que se percebeu claramente a existência de diferenças e tensões entre os grupos indígenas minoritários, circunscritos às terras baixas da floresta amazónia, e as etnias dominantes do chamado “altiplano andino” – nomeadamente os Aymara, a que Morales pertence.

Outros analistas sustentam, porém, que apesar da erosão, Morales ainda detém capital político suficiente para ultrapassar o “episódio” sem grandes mazelas. “Aqueles que se apressaram a decretar o início do funeral de Morales esquecem que a Bolívia está a recolher os benefícios de uma economia estável, que a oposição política é incipiente e fragmentada e que não existe, a nível nacional, nenhum outro líder com o mesmo carisma.
"Se as eleições presidenciais fossem hoje e não em 2014, Evo Morales teria outra maioria absoluta”, estimou Martin Sivak, autor da biografia “Evo Morales: O Percurso Extraordinário do Primeiro Presidente Índigena da Bolívia”.

WWF confirma extinção do rinoceronte de Java no Vietname

25.10.2011

Helena Geraldes


O rinoceronte de Java, espécie criticamente ameaçada, está extinto no Vietname, confirmaram hoje organizações conservacionistas. A sobrevivência da espécie depende agora de apenas 50 animais na Indonésia.

“O último rinoceronte de Java no Vietname morreu”, disse Tran Thi Minh Hien, director da WWF (Fundo Mundial da Natureza) naquele país, em comunicado. ”É muito triste que tenham falhado todos os esforços para salvar um único animal, apesar de um investimento significativo na conservação da espécie no Vietname”, acrescentou.
De acordo com um relatório da WWF, análises genéticas a 22 amostras de dejectos recolhidas no Parque Nacional Cat Tien, entre 2009 e 2010, concluem que todas essas amostras pertenciam a um único rinoceronte. Pouco tempo depois do projecto ter terminado, em Abril de 2010, esse animal foi encontrado morto naquela área protegida. A WWF acredita que o rinoceronte morreu vítima da caça ilegal, dado que foi encontrado com uma bala na pata e sem o seu corno.
Já desde 2004 se sabia que restavam apenas dois rinocerontes de Java (Rhinoceros sondaicus annamiticus) no parque nacional.
Actualmente, estima-se que a população mundial de rinocerontes de Java esteja confinada a uma única população, com menos de 50 animais, num pequeno parque nacional na Indonésia. “A espécie está criticamente ameaçada e, com a procura de corno de rinoceronte para o mercado da medicina tradicional asiática a aumentar todos os anos, a maior prioridade é proteger e promover a expansão da população da Indonésia”, considera a WWF. “Isto torna o nosso trabalho na Indonésia ainda mais crucial”, comenta Susie Ellis, da International Rhino Foundation. “Precisamos garantir que o que aconteceu no Vietname não se repita na Indonésia dentro de poucos anos”, acrescentou.