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quarta-feira, dezembro 23, 2009

sexta-feira, dezembro 11, 2009

Doze perguntas e respostas para perceber Copenhaga

1. O que está em causa em Copenhaga e o que faz desta uma conferência especial?
 A cimeira pretende ser uma espécie de Protocolo de Quioto, Parte II: em 1997, foi assinado, no Japão, um acordo entre os países mais desenvolvidos - com a notável excepção dos EUA - para limitar a emissão de gases com efeito de estufa, entre 2008 e 2012 (uma descida de 5,2% em relação aos valores de 1990). Este ano, deveria sair da Dinamarca um documento para controlar as emissões a partir de 2013 e ainda uma série de medidas de adaptação às alterações climáticas. Esta 15.ª Conferência das Partes, no âmbito das Nações Unidas, é a mais importante desde Quioto, a 3.ª COP (sigla inglesa para Conferência das Partes), precisamente por ser apenas a segunda vez que o mundo tenta atingir um objectivo palpável: levar os Estados mais desenvolvidos a cumprir metas concretas, tentar trazer os menos desenvolvidos para o barco (propondo algumas limitações ao crescimento económico baseado nos combustíveis fósseis) e apresentar soluções de financiamento para todas as medidas em cima da mesa. As negociações da COP 15 serão efectuadas por 193 países, entre os dias 7 e 18 deste mês.


2. O que se pode considerar um sucesso completo?
 Um acordo perfeito passaria (e o uso do condicional aqui não é inocente) pela aprovação de um documento juridicamente vinculativo, que efectivamente reduzisse a pegada de carbono dos países mais ricos. Do ponto de vista científico, o ideal seria conseguir-se uma redução entre 25% e 40% das emissões de CO2, até 2020. Não se conseguindo isso, já não era nada mau que 2020 fosse o ano em que as emissões atingissem o seu pico, iniciando-se aí a descida. Tudo para garantir que a temperatura média do planeta não suba mais de 2°C, relativamente aos valores pré-industriais - o valor máximo que, segundo a maior parte dos cientistas, a Terra conseguirá suportar, sem consequências catastróficas. Para isso, de acordo com os modelos climáticos, a concentração de CO2 na atmosfera não pode ultrapassar 450 ppm (partes por milhão), sendo que, hoje, o planeta se encontra sujeito a valores que rondam as 385 ppm e que crescem a uma velocidade de 2 ppm ao ano. De resto, é fundamental que gigantes como a China (o maior poluidor do mundo), a Índia, o Brasil e a Indonésia também se proponham limitar as suas emissões, investir na descarbonização da indústria e travar a desflorestação.
3. E um fracasso?
 Sair-se de Copenhaga sem metas concretas de redução de gases com efeito de estufa era considerado, há alguns meses, um fracasso absoluto. Neste momento, já há quem se contente com um documento de boa vontade, que aponte na direcção certa. Mas essa é uma discussão puramente política. No que diz respeito aos factos, 2°C é mesmo o ponto de não retorno. Faça-se o que se fizer, com mais ou menos justificações, o resultado final só pode ser um: um acordo que vincule os países ricos a reduzir as emissões globais de forma significativa e os pobres a limitar o crescimento das suas. Menos do que isso não chega. Adiar a decisão para a próxima COP, no México (um cenário que muitos dão como provável), perdendo-se um ano, é um luxo a que o planeta não se pode dar. Por outro lado, os países mais desenvolvidos também não podem abandonar a Dinamarca sem um projecto sério e consistente de apoio ao Terceiro Mundo, que vai sofrer incomparavelmente mais com os efeitos das alterações climáticas. Amostras dos efeitos na população pobre dos fenómenos extremos são vistos todos os dias nas notícias, sempre que há cheias no Bangladesh, tufões nas Filipinas ou secas em África. Como será no futuro, quando estas anomalias forem muitíssimo mais frequentes e intensas?

4. As perspectivas são optimistas ou pessimistas?
Sob o chapéu - ou desculpa - da crise económica, o balão foi-se esvaziando nos últimos tempos. Ainda em meados de Novembro, altos responsáveis da Comissão Europeia admitiam, informalmente, que não acreditavam num acordo vinculativo, devido aos sinais pouco animadores vindos dos Estados Unidos e da China (que, juntos, emitem, anualmente, mais de 40% do total de gases com efeito de estufa). Entretanto, nas últimas semanas, as esperanças voltaram a crescer, com propostas relativamente entusiasmantes vindas de vários países - incluindo aqueles dois, mas também, por exemplo, do Brasil, que se propõe baixar as suas emissões entre 36,1% e 38,9%, além de ter apresentado um plano para reduzir a desflorestação da Amazónia (a floresta com maior capacidade de sugar CO2 da atmosfera). Fica só uma dúvida: será que baixar as expectativas faz parte de um plano cínico para que qualquer migalha que saia de Copenhaga pareça um êxito? Mesmo que a resposta seja afirmativa, há uma boa razão para o mundo estar optimista: a aposta nas tecnologias amigas do Ambiente e nas energias renováveis tem sido apontada por muitos analistas como uma das soluções, e não um entrave, para relançar a economia em 2010 e criar empregos no futuro - 20 milhões até 2030, segundo a Organização Internacional do Trabalho.

5. Se for atingido um acordo, o problema do aquecimento global fica resolvido?
 De maneira nenhuma. A prova disso é que, do plano de discussões para Copenhaga, uma grande parte diz respeito a projectos de adaptação e apoio aos prejuízos, além das formas de financiar o combate aos efeitos das alterações climáticas nos países subdesenvolvidos. De facto, todos os esforços que estão a ser feitos servem para desacelerar o aquecimento do planeta e manter os seus efeitos colaterais no mínimo possível - não para travar completamente o fenómeno. O IPCC (sigla inglesa para Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas, o organismo científico global que estuda o tema) prevê que a temperatura pode aumentar até 6,4°C, durante este século, mantendo-se a evolução prevista dos níveis de emissão de gases com efeito de estufa. Mas mesmo que, por milagre, fosse hoje exalado o último grama de CO2, a temperatura continuaria a subir, devido à longa vida das partículas do gás na atmosfera e ao efeito termorregulador dos oceanos (que influencia o clima e, ainda por cima, tem uma reacção muito lenta às alterações climáticas). Para se ter uma noção mais exacta: quando a temperatura do ar parar de subir, o nível médio dos mares continuará a elevar-se, durante mais ou menos cem anos, por causa da dilatação térmica provocada pelo aumento da temperatura das águas.

6. Quais são as consequências de não haver um acordo para fortes cortes, nas emissões de gases com efeito de estufa?
Se a temperatura média aumentar mais de 2°C, começará a rolar uma bola de neve imparável. Os glaciares, primeiro, e os lençóis de gelo da Gronelândia, depois, derretem inexoravelmente. Um processo que, uma vez iniciado, não mais poderá ser contrariado. Sabendo-se que, na Gronelândia, há gelo suficiente para aumentar o nível do mar em sete metros, e que a maior parte da população do globo vive perto do litoral, imagina-se os efeitos dramáticos no nosso modo de vida. Cidades inteiras teriam de ser deslocadas, países ficariam debaixo de água, guerras seriam provocadas por questões de território e milhões de pessoas ficariam sem água potável - pelo desaparecimento dos reservatórios de água que são hoje os glaciares e pela invasão de água salgada nos rios e aquíferos junto à costa. As consequências na economia seriam também devastadoras. Nicholas Stern, um economista contratado pelo governo britânico para estudar os efeitos do aquecimento, calculou que as alterações climáticas custarão no futuro, ao ano, 20% do PIB mundial. E combatê-las antes que seja tarde de mais ficará apenas por 1% do PIB.

7. Qual a posição da União Europeia e de Portugal?
 A UE ocupou, desde o início, um lugar de liderança no combate contra as alterações climáticas. Em Dezembro do ano passado, a Comissão Europeia aprovou um plano de corte de 20% das emissões de CO2 (em relação a 1990) até 2020, unilateralmente - valor que crescerá para 30%, caso seja assinado um acordo global de redução; o compromisso inclui também uma fatia de 20% de energia produzida a partir de fontes renováveis e outra de 10% de biocombustíveis nos transportes. Portugal rapidamente tentou mostrar serviço e prometeu subir a fasquia de corte de emissões para 30% (responsáveis da Comissão, no entanto, dizem que o nosso país está muito mal encaminhado para atingir esse objectivo). A nossa aposta nas energias renováveis, apesar de reconhecida pelo resto da Europa, também não está a resultar tão bem como devia: a volatilidade das fontes (água, vento e sol) fez com que, este ano, Portugal tenha emitido mais CO2 na produção de electricidade do que no mesmo período de 2008, apesar de o consumo de energia ter baixado. Voltando às boas notícias, a UE tem cerca de um terço do mercado mundial de renováveis. E 1,4 milhões dos 2,3 milhões de pessoas empregadas neste sector são cidadãos comunitários.

8. Até que ponto estão os EUA e a China preparados para ceder?
É difícil fazer prognósticos a este nível de negociação política, mas o ponto de partida podia ser pior. Num gesto de boa vontade, a China pôs em cima da mesa uma redução entre 40% e 45% da sua intensidade de carbono, comparativamente a 2005. Ou seja, os chineses prometem emitir quase metade do CO2 por unidade de PIB. Do ponto de vista dos resultados líquidos, não é fabuloso, atendendo ao facto de o PIB da China crescer quase 10% ao ano (levando a um crescimento anual de emissões de 4% a 4,5 por cento). Mas é um sinal de que Hu Jintao está disposto a fazer a sua parte e não apenas a obrigar o Ocidente a pagar a factura, como acontecia até aqui. Já Obama esgrimiu, na semana passada, um decréscimo de 17% das emissões no seu país, até 2020, também relativamente a 2005. O Presidente dos EUA (que irá à cimeira de Copenhaga, num gesto que tenta mostrar o empenho americano no combate às alterações climáticas) não terá, contudo, grande margem de manobra para negociar acima desse valor, uma vez que o corte de emissões foi votado pelo Senado. Talvez, em alternativa, saque da cartola investimentos em energias limpas e ajudas financeiras ao Terceiro Mundo.

9. Há penalizações para quem não cumprir os acordos?
No papel, quem não cumprir o Protocolo de Quioto (nem que seja recorrendo à compra de créditos de emissão, ferramenta que Portugal está condenado a usar, dada a sua má situação) terá de pagar multas astronómicas. Na prática, como obrigar um Estado soberano a tal coisa? Declara-se guerra ao Canadá por este país ter ratificado Quioto e agora emitir quase 30% acima do prometido? Na realidade, as sanções para este tipo de incumprimentos acabarão por ser sempre a nível da pressão diplomática e da imagem do país. É por isso que a diferença entre um acordo ser juridicamente ou politicamente vinculativo se fica mais pela força psicológica da expressão do que pelas consequências concretas. Mas claro que é melhor para todos que de Copenhaga saia qualquer coisa com força de lei e não apenas um chorrilho de intenções.

10. Por que razão não se pedem mais responsabilidades aos países menos desenvolvidos, nomeadamente no corte das suas emissões?
Por uma questão de justiça. Os países industrializados enriqueceram poluindo o planeta, durante 200 anos. Não podem, agora, impedir os países pobres de tentarem dar um nível de vida confortável aos seus povos porque, entretanto, a ciência descobriu que a poluição faz mal à Terra. É por essa razão que a União Europeia não exige a gigantes como a China e a Índia os mesmos sacrifícios. E nem os EUA, que dizem ser tudo inútil sem a participação activa da China (o país que mais CO2 emite, em números absolutos, mas que está em 96° lugar nas emissões per capita), vão ao ponto de esperar cortes líquidos nos gases com efeito de estufa - apenas lutam por um abrandamento. Os chineses, aliás, pretendem conseguir em Copenhaga um compromisso por parte do Ocidente: que pague uma parte das suas emissões locais, uma vez que um terço do que é produzido na China se destina à exportação.

11. Ainda há dúvidas científicas sobre as alterações climáticas e a responsabilidade do Homem no fenómeno?
 Sérias, não. Alguns cientistas têm tentado provar o contrário mas, na maior parte das vezes, as suas investigações são aldrabices pegadas, estudos encomendados por companhias petrolíferas com o objectivo predefinido de lançar dúvidas sobre o tema ou trabalhos que não resistem a revisões científicas feitas pelos seus pares. Argumentos constantes entre os chamados cépticos do aquecimento global estão coisas como o Verão de 2008 ter sido mais frio do que a média, ignorando ostensivamente a variabilidade climática natural e o valor das estatísticas - sabendo que um só ano é irrelevante numa tendência de décadas. O imenso painel de investigadores do IPCC e todas as grandes academias de ciências concordam com o essencial das alterações climáticas que afectam o planeta e o papel do antropogénico nesta evolução. Quando muito, essa necessidade de consenso científico, no seio de um órgão diplomático como as Nações Unidas, peca por defeito e não por excesso. Cada novo relatório climático que analisa os degelos, a temperatura ou os fenómenos extremos, é mais grave que o anterior. Ao que parece, a realidade está a ultrapassar os cenários científicos.

12. Quem mais perde em caso de fracasso no que respeita à inversão do aquecimento?
Perdemos todos, mas uma coisa é certa: os pobres terão problemas muito maiores. Além da situação de países que podem, pura e simplesmente, submergir (Maldivas, Tuvalu e um terço do Bangladesh, o território que fica a menos de um metro acima do nível do mar), os desafios, no mundo subdesenvolvido, não podiam ser mais ciclópicos. As secas em África, por exemplo, serão muito mais frequentes, levando a um aumento colossal da fome e dos conflitos relacionados com água e território - um estudo publicado na semana passada, da Universidade da Califórnia, aponta para 400 mil mortes só em guerras civis provocadas pelo aquecimento global, até 2030, na África subsariana. Dados como este ganham outro relevo quando se sabe que 0,6% a 1,4% do PIB de todos os países seriam suficientes para mitigar os efeitos das alterações climáticas e ajudar as populações a adaptarem-se aos novos tempos. Sabia que, actualmente, os gastos com armamento atingem 2,6% do PIB mundial?

Revista Visão

Sumidouro de carbono de Sumatra sob ameaça

NUNO MARQUES


Segunda maior floresta de turfa do Mundo está a desaparecer ao ritmo de 200 mil hectarespor ano. E o risco não é só para os locais, que perdem meios de subsistência. É para o planeta.
A segunda maior floresta de turfa do Mundo está a perder 200 mil hectares por ano. Mas, em Sumatra, não é só o ambiente que está em risco. É a sobrevivência de aldeias inteiras, privadas do seu meio de subsistência.



Entre a costa e a margem do rio Kampar já só resta uma faixa de terra à aldeia de Teluk Meranti

A vasta floresta de turfa da ilha de Sumatra, na Indonésia, a segunda maior do planeta a seguir à da Papua, armazena no seu interior milhões de toneladas de dióxido de carbono. Muslim Rasyid diz que existem 2,5 milhões de hectares de floresta na ilha, dos quais 1,6 milhões são zonas de turfa, incluindo os pântanos. O perigo está bem à vista diz o responsável da Jikalahari, uma organização não governamental que actua na província de Riau: "Nos últimos cinco anos o nível de desflorestação atingiu os 200 mil hectares por ano", pondo em risco um importante sumidouro de dióxido de carbono e contribuindo para o efeito de estufa.
Numa fase em que as alterações climáticas estão no centro da atenção em todo o Mundo, as organizações de defesa da floresta e dos direitos dos habitantes dessas zonas, em risco de perderem o acesso a um território que desde sempre lhes garantiu a sobrevivência, ganham um novo ânimo. Mas deixam, ao mesmo tempo, um aviso: "Achamos que o Governo quer fazer boa figura durante a cimeira de Copenhaga. Assim que a cimeira acabar, as operações recomeçam".
As operações de que fala Muslim Rasyid são os trabalhos de limpeza da floresta e plantação de acácias na Península de Kampar. "Em 1984 a península de Kampar tinha 600 mil hectares de floresta. Em 2007, restavam 400 mil", lança Muslim, em jeito de balanço.
Em Teluk Meranti, a aldeia sede do sub-distrito com o mesmo nome e que engloba nove aldeias, os habitantes estão perfeitamente cientes do risco que correm se a floresta que está logo ali, na outra margem do rio, desaparecer. Mohamed Yusuf, o líder cultural da aldeia, enumera os riscos sem hesitação: "Se a RAPP conseguir a concessão que está no centro do conflito na Península de Kampar, a população perde todos os seus rendimentos. As pessoas deixam de poder ir buscar madeira e outros materiais à floresta e todas as culturas que se fazem nas áreas perto das concessões tornam-se inviáveis, assim como a pesca". "É por causa dos fertilizantes usados nas plantações. Mata as culturas e os peixes", acrescenta Hajrusman, o líder religioso.
Mas há mais riscos. Mohamed Yusuf aponta o dos animais selvagens: "Sem floresta, os animais selvagens aproximam-se da aldeia e estragam as culturas". E não são apenas as culturas que estão em perigo: "Em Pulau Muda, uma outra aldeia junto a uma zona já desflorestada, os tigres começaram a vir à aldeia à procura de alimento e várias pessoas foram atacadas com gravidade por porcos selvagens".
Mohamed Yusuf, tal como a grande maioria dos habitantes de Teluk Meranti, retira da terra o seu sustento, principalmente do cultivo de milho. O resto, são três ou quatro hectares de produção de óleo de palma que ajuda a sustentar a família. Ou seja, a aldeia de cerca de três mil habitantes corre o risco de ficar sem qualquer fonte de rendimento. Os poucos pescadores da aldeia perdem também o seu trabalho: "A água que vem das zonas desflorestadas mata os peixes".
Mais uma vez, os exemplos conhecidos do que aconteceu em outras concessões cria ainda mais receios. Hajrusman tem outras preocupações, para além das económicas. "Isto já aconteceu noutras aldeias! Era isto que eu temia". Fala, agora, da divisão da aldeia entre aqueles que apoiam as operações da RAPP e os que defende a continuidade de Teluk Meranti tal como é agora, mesmo que estes sejam uma larga maioria e os outros, os adeptos da plantação de acácias, sejam o chefe da aldeia, o lurah Hasan, e pouco mais.
Hajrusman não vê, por isso, qualquer benefício com a vinda da RAPP para uma zona que Teluk Meranti reclama como sua, mesmo que não tenha documentos que o provem. Aliás, foi nessas mesmas terras, recorda outro dos habitantes mais velhos, que a aldeia já esteve instalada e de onde se mudou, ainda no século XIX, para uma zona mais alta e menos sujeita às inundações.
O líder religioso da aldeia retoma os argumentos contra a destruição da floresta e, mais uma vez, os exemplos chegam de outras aldeias: "Nunca ninguém tirou qualquer benefício da chegada da companhia. Os habitantes não têm qualificações para aquele tipo de trabalho e não arranjam emprego".
Apesar da preocupação generalizada, os habitantes mantêm uma grande incógnita: o que será de Teluk Meranti se a plantação de acácias se concretizar? Sem agricultura, sem pesca, sem a madeira e os produtos que retiram da floresta, como vai sobreviver a maioria das 800 famílias que ali vivem, ligadas ao mundo por pequenos barcos a motor e por uma estrada de terra batida que se transforma num lamaçal quase intransponível durante a época das chuvas?
Habituados a pouco, muito pouco, os habitantes de Teluk Meranti dizem-se dispostos a resistir e ganharam uma nova força quando perceberam que a sua luta era, afinal, muito maior do que pensavam.

Copenhaga: Pequena Sereia com máscara anti-contaminação


Copenhaga, 10 Dez (Lusa) - Sempre graciosa e solitária em cima do seu rochedo, a Pequena Sereia, ostentava hoje uma máscara anti-contaminação no porto de Copenhaga e um cartaz à volta do pescoço contra o nuclear, "falsa solução" para contrariar as alterações climáticas.
A rede Sair do Nuclear (RSN) e os seus parceiros internacionais (europeus, russo e norte-americano) da campanha "Não atomizem o clima!" conduziram uma acção simbólica para denunciar as tentativas, segundo eles, "de utilizar a crise climática" para promover a indústria nuclear.
"A tentativa entrava a luta contra as alterações climáticas mascarando as verdadeiras soluções", dizem.

segunda-feira, dezembro 07, 2009

Cimeira de Davos

De Quioto a Copenhaga

TVNET - Exposições na Dinamarca alertam para alterações climáticas

TVNET - Exposições na Dinamarca alertam para alterações climáticas

TVNET - Exposições na Dinamarca alertam para alterações climáticas

TVNET - Exposições na Dinamarca alertam para alterações climáticas

Por favor ajudem o mundo!!


A cerimónia de abertura da cimeira de Copenhaga começou esta manhã, segunda-feira, com a exibição de um curto filme de sensibilização para as consequências do aquecimento global. “Por favor ajudem o mundo” tem cerca de quatro minutos e foi produzido especialmente para a ocasião. O filme foi realizado pelo dinamarquês Mikkel Blaabjerg.

Aquecimento global considerado problema "muito importante"



Cerca de dois terços dos habitantes de 23 países questionados para uma sondagem que é hoje publicada pela BBC, consideram o aquecimento global como um problema "muito importante".

Este valor é substancialmente mais elevado do que o resultado de uma sondagem semelhante realizada em 1998, que foi então de 44 por cento.
A sondagem hoje publicada pela BBC foi realizada entre 13 de Junho e 13 de Outubro pelo Instituto Globescan para a BBC e abrangeu 24.971 habitantes de 23 países, dos mais populosos do mundo, entre os quais China, Índia, Estados Unidos, Indonésia, Brasil, Paquistão, Nigéria e Rússia.
Mas se o nível global de sensibilização quanto ao aquecimento global aumentou, o mesmo não se pode dizer relativamente a dois países: China e Estados Unidos, os dois mais importantes emissores de dióxido de carbono do planeta.
No caso da China, dos anteriores 59 por cento que consideravam o aquecimento global um problema "muito importante", o valor desceu para 57 por cento, enquanto nos Estados Unidos passou de 50 por cento para 45 por cento.
Os países com os níveis mais elevados de consciência do problema são o Brasil (86%), a Costa Rica e as Filipinas (83%) e a Turquia (81%).
Apesar da recessão que ainda condiciona as economias mundiais, 61 por cento das pessoas interrogadas dizem apoiar a ideia de se investir mais recursos na luta contra o aquecimento global, mesmo que tal se traduza em dificuldades acrescidas para a sua qualidade de vida.
Quase 90 por cento dos chineses apoiam esta posição, bem como 52% dos americanos, mas apenas 19% dos paquistaneses, 32% dos filipinos e 49% dos turcos não se importam de ver o seu governo dar prioridade à luta contra o aquecimento global.
A cimeira sobre o clima, patrocinada pela Nações Unidas, inicia-se hoje na capital dinamarquesa e termina no próximo dia 18, com a presença de representantes de 192 países, que vão tentar desbloquear um acordo que substitua o Protocolo de Quioto, que termina em 2012.

14 dias que vão definir a opinião da História sobre uma geração

Hoje, 56 jornais em 44 países dão o passo inédito de falar a uma só voz através de um editorial comum [sobre Copenhaga]. Fazemo-lo porque a Humanidade enfrenta uma terrível emergência.


Se não nos juntarmos para tomar uma acção decisiva, as alterações climáticas irão devastar o nosso planeta, e juntamente com ele a nossa prosperidade e a nossa segurança. Desde há uma geração que os perigos têm vindo a tornar-se evidentes. Agora, os factos já começaram a falar por si próprios: 11 dos últimos 14 anos foram os mais quentes desde que existem registos, a camada de gelo árctico está a derreter-se, e os elevados preços do petróleo e dos alimentos no ano passado permitiram-nos ter uma antevisão de futuras catástrofes.

Nas publicações científicas, a questão já não é se a culpa é dos seres humanos, mas sim quão pouco tempo ainda nos sobra para conseguirmos limitar os danos.
Mas, mesmo assim, até agora a resposta a nível mundial tem sido frouxa e sem grande convicção.
As alterações climáticas estão a ocorrer desde há séculos, têm consequências que durarão para sempre, e as nossas perspectivas de as limitarmos serão determinadas nas próximas duas semanas. Exortamos os representantes dos 192 países reunidos em Copenhaga a não hesitarem, a não caírem em disputas, a não se acusarem mutuamente, mas sim a resgatarem uma oportunidade do maior fracasso político das últimas décadas. Não deverá ser uma luta entre os países ricos e os países pobres, ou entre o Oriente e o Ocidente. O clima afecta-nos a todos, e deve ser solucionado por todos.
A ciência é complexa mas os factos são claros. O mundo precisa de dar passos em direcção a limitar o aumento de temperatura a apenas dois graus centígrados, um objectivo que exigirá que as emissões de gases a nível global alcancem o seu máximo e comecem a diminuir durante os próximos cinco a dez anos. Um aumento superior, na casa dos três ou quatro graus centígrados – a subida mais pequena que podemos realisticamente esperar se ficarmos pela inacção –, secaria os continentes, transformando terra arável em desertos. Metade de todas as espécies animais extinguir-se-ia, muitos milhões de pessoas ficariam desalojadas, nações inteiras afundar-se-iam no mar. A polémica sobre os e-mails de investigadores britânicos, sugerindo que eles terão tentado suprimir dados incómodos, tem agitado o ambiente mas não causou mossa na pilha de provas em que estas previsões se baseiam.
Poucos acreditam que Copenhaga ainda consiga produzir um acordo completamente definido – progressos efectivos em direcção a um tal acordo apenas se poderiam iniciar com a chegada do Presidente Barack Obama à Casa Branca e a inversão de anos de obstrução por parte dos Estados Unidos. Mesmo hoje, o mundo vê-se à mercê da política interna norte-americana, pois o Presidente não se pode comprometer com as acções necessárias até o Congresso fazer o mesmo.
Mas os políticos presentes em Copenhaga podem, e devem, chegar a um acordo sobre os elementos essenciais de uma solução justa e eficaz e, ainda mais importante, um calendário claro para a transformar num tratado. O encontro das Nações Unidas sobre alterações climáticas do próximo mês de Junho em Bona (Alemanha) deverá ser a data-limite. Segundo um dos negociadores: “Podemos ir a prolongamento, mas não nos podemos dar ao luxo de uma repetição do jogo.”
No centro do acordo deverá constar um arranjo entre os países ricos e os países em desenvolvimento, determinando como serão divididos os encargos da luta contra as alterações climáticas – e como iremos partilhar um recurso novo e precioso: os milhões de milhões de toneladas de gases de carbono que podemos emitir antes que o mercúrio dos termómetros alcance níveis perigosos.
As nações ricas gostam de fazer notar a verdade aritmética de que não poderá haver solução até que gigantes em desenvolvimento como a China tomem medidas mais radicais do que têm feito até agora. Mas os países ricos são responsáveis pela maioria dos gases de carbono acumulados na atmosfera – três quartos de todo o dióxido de carbono emitido desde 1850. São eles que agora devem dar o exemplo, e cada país desenvolvido deve comprometer-se com cortes maiores, que dentro de uma década reduzirão as suas emissões para substancialmente menos que o seu nível de 1990.
Os países em desenvolvimento podem argumentar que não foram eles que criaram a maior parte do problema, e também que as regiões mais pobres do globo serão as mais duramente atingidas. Mas vão cada vez mais contribuir para o aquecimento, e por isso devem comprometer-se com as suas próprias medidas significativas e quantificáveis. Apesar de ambos não terem chegado tão longe quanto alguns esperavam, os recentes compromissos de objectivos de emissões de gases dos maiores poluidores do mundo – os Estados Unidos e a China – constituíram passos importantes na direcção certa.
A justiça social exige que os países industrializados ponham a mão mais fundo nos seus bolsos e garantam verbas para ajudar os países mais pobres a adaptarem-se às mudanças climáticas, e tecnologias limpas que lhes permitam crescer a nível económico sem com isso aumentarem as suas emissões. A arquitectura de um futuro tratado deve também ser definida – com um rigoroso acompanhamento multilateral, compensações justas pela protecção de florestas, e uma aceitável taxa de “emissões exportadas”, de modo que o peso possa ser partilhado mais equitativamente entre os que produzem produtos poluentes e os que os consomem. E a equidade requer também que a carga colocada sobre determinados países desenvolvidos tenha em conta a sua capacidade para a suportar: por exemplo, novos membros da União Europeia, muitas vezes mais pobres do que a “Velha Europa”, não devem sofrer mais do que os seus parceiros mais ricos.
A transformação será dispendiosa, mas muito menos do que a conta que se pagou para salvar o sistema financeiro internacional – e ainda muito mais barata do que as consequências de não fazer nada.
Muitos de nós, particularmente nos países desenvolvidos, teremos que alterar os nossos estilos de vida. A época dos voos de avião que custam menos do que a viagem de táxi para o aeroporto está a chegar ao fim. Teremos que comprar, comer e viajar de forma mais inteligente. Teremos que pagar mais pela nossa energia, e usar menos dessa mesma energia.
Mas a mudança para uma sociedade com reduzidas emissões de gases de carbono alberga a perspectiva de mais oportunidades do que sacrifícios. Alguns países já reconheceram que aceitar as transformações pode trazer crescimento, empregos e melhor qualidade de vida. Os fluxos de capitais contam a sua própria história: em 2008, pela primeira vez foi investido mais dinheiro em formas de energia renováveis do que para produzir electricidade de combustíveis fósseis.
Abandonar o nosso “vício de carbono” dentro de poucas décadas irá exigir um feito de engenharia e inovação que iguale qualquer outro da nossa História. Mas se a viagem de um homem à Lua ou a cisão do átomo nasceram do conflito e da competição, a “corrida do carbono” que se aproxima deverá ser norteada por um esforço de colaboração, de forma a alcançarmos a salvação colectiva.
Superar as mudanças climáticas exigirá o triunfo do optimismo sobre o pessimismo, da visão a longo prazo sobre as vistas curtas, daquilo a que Abraham Lincoln chamou “os melhores anjos da nossa natureza”.
É dentro desse espírito que 56 jornais de todo o mundo se uniram sob este editorial. Se nós, com tão diferentes perspectivas nacionais e políticas, conseguimos concordar sobre o que deve ser feito, então certamente os nossos líderes também o conseguirão.
Os políticos em Copenhaga têm o poder de moldar a opinião da História sobre esta geração: uma geração que encontrou um desafio e esteve à altura dele, ou uma geração tão estúpida que viu a calamidade a chegar, mas não fez nada para a evitar. Imploramos-lhes que façam a escolha certa.


Em Portugal o Jornal O PÚBLICO foi desafiado pelo jornal diário britânico The Guardian a participar neste projecto global. A ideia original de um editorial comum foi sugerida por várias pessoas envolvidas nas questões climáticas e tornada um projecto real por The Guardian. Foi com agrado que, ao longo dos dias, vimos o número de participantes crescer para 56 jornais de 44 países de todos os continentes. Aderimos por acreditarmos na urgência desta mensagem.

LISTA DE JORNAIS: “Süddeutsche Zeitung” - Alemanha,“Gazeta Wyborcza” – Polónia,“Der Standard” - Áustria,“Delo” - Eslovénia,“Vecer” – Eslovénia,“Dagbladet Information” - Dinamarca,“Politiken” - Dinamarca,“Dagbladet” - Noruega,“The Guardian” – Reino Unido,“Le Monde” - França,“Liberation” - França,“La Reppublica” - Itália,“El Pais” - Espanha,“De Volkskrant” – Holanda,“Kathimerini” - Grécia,“Público” - Portugal,“Hurriyet” - Turquia,“Novaya Gazeta” - Rússia,“Irish Times” - Irlanda,“Le Temps” - Suíça, “Economic Observer” - China,“Southern Metropolitan” - China,“CommonWealth Magazine” - Taiwan,“Joongang Ilbo” - Coreia do Sul,“Tuoitre” - Vietname,“Brunei Times” - Brunei,“Jakarta Globe” - Indonésia,“Cambodia Daily” – Camboja,“The Hindu” - Índia,“The Daily Star” - Bangladesh,“The News” - Paquistão,“The Daily Times” - Paquistão,“Gulf News” - Dubai,“An Nahar” – Líbano,“Gulf Times” - Qatar,“Maariv” - Israel,“The Star” – Quénia,“Daily Monitor” - Uganda,“The New Vision” - Uganda,“Zimbabwe Independent” – Zimbabwe,“The New Times” - Ruanda,“The Citizen” - Tanzânia,“Al Shorouk” - Egipto,“Botswana Guardian” – Botswana,“Mail & Guardian” - África do Sul, “Business Day” - África do Sul, “Cape Argus” - África do Sul,“Toronto Star” - Canadá,“Miami Herald” – Estados Unidos,“El Nuevo Herald” – Estados Unidos, “Jamaica Observer” – Jamaica, “La Brujula Semanal” - Nicarágua,“El Universal” - México, “Zero Hora” - Brasil, “Diário Catarinense” - Brasil, “Diario Clarin” - Argentina

Sobre a cimeira de copenhaga

http://copenhaga.blogs.sapo.pt/
http://sic.sapo.pt/online/noticias/vida/especiais/copenhaga/default.htm

domingo, dezembro 06, 2009

quarta-feira, novembro 11, 2009

Água resultante do degelo favorece absorção de CO2 pelo fitoplâncton

O gelo que derrete dos glaciares próximos da Península Antárctica devido ao aquecimento climático acelera o próprio processo de "descongelação" mas também permite ao oceano reter o dióxido de carbono absorvido pelo fitoplâncton, concluíram investigadores. Segundo os cientistas do centro de investigação British Antarctic Survey, a maior parte dos efeitos do aquecimento climático tem um retorno ou efeito de retroacção positivo: sem gelo, o calor da radiação solar é menos reflectido na atmosfera e mais absorvido pela água, o que acelera o mecanismo de degelo.

No entanto, a absorção de CO2 pelo fitoplâncton oceânico retarda o aquecimento, destacaram os investigadores britânicos, que publicaram hoje os seus trabalhos na revista digital "Global Change Biology".
Durante os últimos 50 anos, cerca de 24 mil quilómetros quadrados de gelo derreteram em redor da Península Antárctica, o que provocou eclosões de fitoplâncton, que absorve o carbono por fotossíntese. A parte do fitoplâncton que não é consumida pelos animais marinhos deposita-se no fundo do mar.
O investigador Lloyd Peck e os seus colegas consideram - com base em fotografias de algas verdes captadas na zona - que 3,5 milhões de toneladas de carbono (o equivalente a 12,8 milhões de toneladas de CO2) ficavam no fundo do oceano perto da Península Antárctica.
Esta quantidade equivale à capacidade de armazenamento de dióxido de carbono que têm 6.000 a 17 mil hectares de floresta tropical, segundo os autores da investigação. Trata-se de uma gota de água, se comparada com as quantidades de CO2 resultantes da utilização dos combustíveis fósseis e da desflorestação, que ascenderam a 8,7 mil milhões de toneladas em 2007.
"É, ainda assim, uma descoberta importante", na opinião de Lloyd Peck, para quem o fenómeno é um sinal da "capacidade da natureza para contrariar as adversidades" e deve ser tido em conta nas futuras previsões relativas às alterações climáticas.


quarta-feira, novembro 04, 2009

Kilimanjaro sem gelo dentro de 20 anos



A neve que cobre o monte Kilimanjaro, o pico mais alto de África, está a diminuir rapidamente e poderá desaparecer dentro de 20 anos, alerta um estudo publicado na revista "Proceedings of the National Academy of Sciences".

Esta foi a primeira vez que investigadores calcularam os valores de perda de gelo em áreas montanhosas e os resultados não foram positivos.
A camada de gelo diminuiu 26 por cento desde o ano 2000 até aos dias de hoje. Os dados são mais alarmantes ao comparar-se esta camada entre 1912 e 2007, pois neste espaço de tempo, a capa de neve diminuiu 85 por cento.
As principais causas apontadas pelos especialistas para a evolução deste fenómeno são o aumento das temperaturas do planeta e as mudanças na nebulosidade e nas precipitações.
Tanto a norte, como a sul, os cumes do Kilimanjaro sofreram uma redução de 1,9 e 5,1 metros, respectivamente. Um exemplo disso é o pequeno glaciar Furtwangler, que diminuiu 50 por cento entre 2000 e 2009. Segundo Lonnie Thompson, co-autor do estudo e professor da Universidade de Ohio, este glaciar montanhoso corre o risco de desaparecer de um ano para o outro.
Os especialistas referiram ainda no estudo que esta rápida fusão do gelo demonstra que as condições climáticas que afectam actualmente o Kilimanjaro jamais foram vividas durante 11 milénios.
Um dos principais impactos do desaparecimento destes glaciares poderá ocorrer ao nível da disponibilidade de água em nascentes e poços que são parcialmente abastecidos com água de origem glaciar.

O planeta tem hoje mais de 17.200 espécies ameaçadas de extinção



03.11.2009  - PÚBLICO
A ameaça de extinção a plantas e animais não pára de aumentar. Hoje, a UICN (União Internacional para a Conservação) revelou a actualização da Lista Vermelha. Das 47.677 espécies registadas, 17.291 estão ameaçadas de extinção.
Segundo esta lista, estão ameaçados 21 por cento de todas as espécies de mamíferos conhecidas para a ciência, 30 por cento dos anfíbios, 12 por cento das aves, 28 por cento dos répteis, 37 por cento dos peixes de água doce, 70 por cento das plantas e 35 por cento dos invertebrados.
“É cada vez mais claro e evidente que está a formar-se uma séria crise de extinções”, comentou Jane Smart, directora do Grupo de Conservação da Biodiversidade da UICN, em comunicado. “Em Janeiro será lançado o Ano Internacional da Biodiversidade. Mas a análise mais recente da Lista Vermelha da UICN mostra que a meta para 2010 de reduzir a perda de biodiversidade não será alcançada”, lamentou. “Já é altura de os Governos começarem a falar a sério sobre a conservação das espécies e colocar a questão no topo das suas agendas para o próximo ano. Estamos a ficar sem tempo”.
A Lista Vermelha revela que dos 5490 mamíferos do planeta, 79 estão extintos ou extintos na natureza, 188 estão Criticamente Ameaçados, 449 estão Ameaçados e 505 estão Vulneráveis.
Agora, esta lista tem 1677 espécies de répteis, 293 das quais acrescentadas este ano. No total, 469 estão ameaçadas de extinção e 22 já estão extintas ou extintas na natureza.
“Os répteis do planeta estão, sem dúvida, a sofrer, mas a situação pode ser muito pior do que parece”, comentou Simon Stuart, responsável pela Comissão da UICN para a Sobrevivência das Espécies. “Precisamos de uma avaliação de todos os répteis para compreender a gravidade da situação. Mas não temos os dois ou três milhões de dólares [1355 milhões ou 2032 milhões de euros] para a fazer”, salientou.
Actualmente, 1895 das 6285 espécies de anfíbios estão em perigo de extinção, tornando-os no grupo mais ameaçado. Destes, 39 estão extintos ou extintos na natureza, 484 estão Criticamente Ameaçados, 754 estão Ameaçados e 657 estão Vulneráveis.
Quanto às plantas, das 12.151 espécies na Lista Vermelha, 8500 estão ameaçadas de extinção, com 114 já extintas ou extintas na natureza.
A Lista tem 7615 espécies de invertebrados, 2639 estão ameaçados de extinção, e 2306 moluscos, 1036 dos quais estão ameaçados. Além disso, 3120 espécies de peixe de água doce figuram agora na Lista, quando no ano passado eram 510.
“Estes resultados são apenas a ponta do iceberg. Só conseguimos avaliar 47.663 espécies até agora: há muitos mais milhões lá fora que podem estar gravemente ameaçados”, comentou Craig Hilton-Taylor, gestor da Unidade da Lista Vermelha da UICN.

Hope Plus, o portal que espera vir a "fazer a diferença" em termos globais

04.11.2009 - PÚBLICO


O Presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, e o ex-homem-forte da Microsoft, Bill Gates, foram convidados a dar o seu apoio e a promoverem um portal que promova políticas sociais à escala global.
O portal vai chamar-se Hope Plus e tem como objectivo permitir a todas as pessoas do mundo que se preocupem com os outros e com o planeta em que vivem colaborarem em projectos como a construção de escolas e a luta contra a poluição.
Apesar de ainda estar a ser construído, o portal é já identificado como “um lugar onde as pessoas se podem encontrar e participar, online, na mudança do mundo”.
O site - que está a ser desenvolvido pela agência de consultoria política americana PoliticsOnline - deverá arrancar oficialmente em Dezembro, durante a conferência sobre as alterações climáticas, em Copenhaga (Dinamarca).
O fundador do projecto, Phil Noble, disse numa entrevista ao britânico E-Government Bulletin que “a ideia é criar o equivalente a um Peace Corps online, de dimensão mundial; um eBay global para a ajuda” internacional.
O portal será poliglota e consistirá numa vasta gama de projectos de activismo. Empresas como a Microsoft, Monster, Cisco e IBM estão igualmente envolvidas na criação do site.
Os conteúdos do portal e a forma como ele se desenvolverá serão da responsabilidade da comunidade, explica a BBC.
“A maioria das Organizações Não-Governamentais (ONG) ainda são muito Web 1.0 e nós queremos aplicar a tecnologia da Web 2.0 que Barack Obama usou de forma tão eficiente a todo o mundo que quer ajudar”, indicou ainda Phil Noble.
Este portal poderia ajudar as ONG e as instituições de caridade a desenvolverem novos projectos sem terem que se envolver em complicadas burocracias.
“Até agora, as tentativas de e-democracia e de bem social têm sido feitas em pequena escala, construídas em torno de comunidades e assuntos singulares. Esta é a primeira tentativa de transformar isto numa iniciativa internacional”, indicou Dan Jellinek, o editor do E-Government Bulletin.

Copenhaga

"No que diz respeito aos desafios do clima, devemos alcançar um acordo ambicioso em Copenhaga e um compromisso dos maiores países do mundo".

Lars Loekke Rasmussen, primeiro-ministro dinamarquês, 02-11-2009

Famílias de Mafra sensibilizadas para poupar água


O consumo médio diário de água em Mafra é de 434 litros por habitação, enquanto a média nacional é de 310 litros.


03.11.2009 - Lusa

Seis famílias de Mafra, englobadas no programa Ecofamílias da associação ambientalista Quercus, vão poder poupar na factura da água a partir de dia 6 de Novembro através da aplicação de redutores de caudal nas torneiras para controlar os consumos.

“Como já conhecemos os seus comportamentos e os seus hábitos vamos oferecer redutores de caudal para as torneiras mais utilizadas para vermos nos próximos seis meses se haverá poupança no consumo de água”, contou à Agência Lusa Ana Rita Nunes, coordenadora do programa. Além disso, a Quercus vai entregar também um conjunto de recomendações com o objectivo de levar as famílias a alterar os seus hábitos.
Dados da Quercus resultantes da fase de monitorização dos consumos revelam que o consumo médio diário de água em Mafra é de 434 litros por habitação, um valor que é superior ao consumo nacional médio diário, estimado em 310 litros por casa.
Através da instalação de redutores de caudal nas torneiras, a Quercus pretende “acompanhar os consumos reais de água ao nível doméstico” para poder “avaliar os potenciais de poupança de água das famílias”.
O programa visa “avaliar comportamentos, hábitos de consumo e identificar oportunidades de melhoria da eficiência na utilização da água”, sendo por isso efectuado um acompanhamento directo das famílias como forma de sensibilizar os consumidores para a poupança nos consumos de água para fins domésticos.
Por sua vez, começa esta semana na região Oeste a monitorização dos consumos de água junto de sete famílias que de forma voluntária aderiram ao programa.


segunda-feira, novembro 02, 2009

Lixo tecnológico «esquecido»

Investigadores americanos alertam para a necessidade de políticas que resolvam esta problemática

O desenvolvimento da “Era Tecnológica” fez nascer um problema poucas vezes lembrado, a acumulação do lixo electrónico que resulta da obsolescência de alguns equipamentos.



No artigo “The Electronics Revolution: From E-Wonderland to E-Wasteland”, publicado hoje na revista Science, investigadores da Universidade da Califórnia alertam para esta problemática e para a necessidade de políticas adequadas de reciclagem.
Computadores, telemóveis e outros aparelhos electrónicos descartados representam o tipo de resíduos sólidos que mais prolifera no mundo, inclusive nos países subdesenvolvidos. O principal problema deste “lixo” reside nas baterias, que contêm substâncias tóxicas prejudiciais ao ambiente.
Os investigadores destacam que os impactos ambientais não ocorrem apenas quando os materiais são descartados, mas também no processo de fabrico.
“Há riscos de toxidade consideráveis em todo o mundo. Por exemplo, a concentração média de chumbo no sangue das crianças que vivem em Guiyu, na China, um conhecido destino de lixo electrónico, é de 15,2 microgramas por decilitro", referem os autores do artigo. Embora não haja um limite oficialmente estabelecido para a exposição ao chumbo, os especialistas consideram os níveis registados em Guiyu alarmantes.
Relativamente aos EUA, foi estimado que existam 747 milhões de artigos electónicos descartados, o que equivale a um peso superior a 1,36 milhões de toneladas. Neste sentido, os investigadores pedem que os governos dos Estados Unidos e de outros países coloquem em prática medidas urgentes para o tratamento destes equipamentos. Além disso, destacam a necessidade de se encontrarem alternativas para os componentes que causem menos impactos à saúde humana e ao ambiente.

Rã dos bosques sobrevive a congelamento

As rãs dos bosques (rana sylvatica) estão bem adaptadas ao clima gelado dos habitats do Norte dos Estados Unidos. Estas criaturas evoluíram e desenvolveram a habilidade de enganar a morte, ou seja, conseguem sobreviver após congelarem quase totalmente, segundo revelaram testes laboratoriais. A forma como tudo acontece pode, eventualmente, vir a ser copiada para ajudar no transplante de órgãos humanos.





De acordo com a recente edição da National Geographic, a rana sylvatica pode chegar a ter 70 por cento da água interna em gelo, durante até quatro semanas, encolhida em covas de árvores, segundo investigadores do Laboratory for Ecophysiological Cryobiology, da Universidade de Miami, Ohio (EUA).
Esta resistência deve-se à mudança das águas em áreas menos susceptíveis de congelar, e ao facto de estas rãs terem um "anticongelante" natural no sangue que evita a desidratação das células. Durante o processo de descongelamento, o coração dos animais volta a bater e os movimentos naturais regressam depois um dia, dizem os cientistas. A rã dos bosques mais comum dispõe de um traço próprio chamado de “tolerância ao congelamento”.
Quando o mercúrio começa a descer, o anfíbio transforma-se em cubo de gelo em formato de rã. O biólogo Jack Layne, do Slippery Rock, Universidade da Pennsylvânia referiu que “o coração e a respiração param e tudo aponta para o facto de estarem mortas”.
O metabolismo do anfíbio começa a diminuir e a temperatura do corpo desce para – 6º a – 1º Célsius, fazendo com que o cérebro e o coração parem de funcionar. Contudo, se chegar abaixo dos – 6º não se conseguirão reanimar – o que dificilmente acontecerá já que a neve serve de isolamento natural e mantém a criatura suficientemente quente durante o período de hibernação.
Especialistas, como os bioquímicos Ken e Janet Storey, da Universidade de Carleton (Canadá), acreditam que esta capacidade foi desenvolvida durante a Idade do gelo, há 15 mil anos e por isso, se permitem sobreviver a climas mais severos, mas não se encontram, por exemplo, no sul dos EUA.

Preservação de órgãos
Imagens publicadas por Boris Rubinsky, um engenheiro da Universidade da Califórnia, Berkeley (EUA), na revista «Discover», mostram como é que a água se mantém nas células do fígado. Para as representações usou um scanner CT baseado em calor.
Este processo pode revelar como preservar órgãos humanos usados em transplantes. Durante o período de hibernação, dois terços da água existente no anfíbio congelam e a restante, nomeadamente, a existente nas células, permanece líquida.
A glicose produzida pelo fígado da rã diminui a descida de temperatura e limita a formação de gelo no corpo, assim como evita os estragos provocados pelo encolhimento das células – próprio do congelamento.

Casa em bambu: Opção sustentável

Foi apresentado, esta semana em Barcelona (Espanha), um sistema de armazenamento natural de dióxido de carbono (CO2), usando bambu como material principal na construção, de forma a promover vivendas sustentáveis. O projecto foi o vencedor do Prémio 2008 da Fundação Altran para a Inovação, segundo avançou o jornal «El Mundo».

Para além de reduzir a concentração de CO2 na atmosfera, será ainda uma mais valia para o negócio dos países produtores da cana, em países subdesenvolvidos. A criação é de Francisco Gallo e o sistema supõe a transformação do bambu em material moldável para a construção de elementos prefabricados que permitam levantar os edifícios com bastante rapidez.




O bambu pode absorver até 30 por cento mais de CO2 do que outros materiais normalmente usados nas construções e os benefícios deste novo negócio irá repercutir directamente na população produtora.
O criador explicou ao diário espanhol que as áreas limítrofes, onde cresce o bambu gigante, coincidem com as fronteiras de vários países tropicais subdesenvolvidos e para além de ser uma fonte de negócio, representa uma nova forma natural e rápida de construírem os seus próprios edifícios, até cinco pisos.
A primeira habitação deste género será construída em Pereira, na Colômbia, por volta de 2010 e, segundo Gallo, embora o valor inicial destas vivendas seja superior ao das casas tradicionais, aquilo que se economizará em energia acabará por compensar.

sexta-feira, outubro 30, 2009

CE e EUA reforçam critérios Energy Star



A Comissão Europeia (CE) e o Governo dos EUA anunciaram novos critérios do programa Energy Star, que visa tornar os monitores mais eficientes do ponto de vista energético, para tornar a iniciativa mais «ambiciosa»

Com os novos critérios agora introduzidos, estabelecidos pela CE e pela Agência para a Protecção do Ambiente norte-americana, Bruxelas prevê que o consumo de electricidade baixe cerca de 7 TWh nos próximos cinco anos no espaço comunitário, o equivalente ao consumo anual de electricidade de todos os lares da Bulgária, compara o executivo comunitário.

Em comunicado, o comissário europeu para a Energia, Andris Piebalgs, considera que «os novos critérios representam um passo importante para cumprirmos as metas de eficiência energética e protecção do ambiente».

Líderes europeus procuram acordo sobre alterações climáticas após desbloquearem Tratado de Lisboa

Os líderes europeus vão tentar alcançar, esta sexta-feira, um acordo sobre a ajuda aos países pobres no combate às alterações climáticas, após terem chegado a um compromisso para satisfazer as reivindicações do presidente checo para assinar o Tratado de Lisboa.

A conclusão do processo de ratificação do Tratado de Lisboa e o financiamento do combate às alterações climáticas são os dois temas fortes da Cimeira que decorre em Bruxelas, tendo quinta-feira os 27 "fechado" o primeiro, com um acordo no sentido de anexar ao futuro Tratado um protocolo que responde às pretensões de Vaclav Klaus, quanto a uma excepção para o país na aplicação da Carta de Direitos Fundamentais.
Para esta sexta-feira, segundo e último dia de Cimeira, fica adiada a tentativa de acordo em torno da ajuda a conceder aos países mais pobres para estes aceitarem reduzir as emissões de gazes nocivos, tendo o primeiro dia de trabalhos revelado posições ainda muito divergentes entre os 27.
Fontes diplomáticas disseram que a presidência sueca defende a necessidade de os europeus liderarem o processo e avançarem com números, sendo apoiada por países como Portugal, Reino Unido ou Dinamarca.
No entanto, a Alemanha, que lidera um grupo onde também se incluem a França e a Itália, defende que os europeus devem aguardar pelas promessas financeiras dos restantes países desenvolvidos.
Já os países de Leste, com poucos rendimentos e grandes poluidores, chefiados pela Polónia, estão dispostos a avançar em função das suas capacidades financeiras.

A Comissão Europeia calculou em 100 mil milhões de euros anuais, entre 2013 e 2020, a ajuda necessária para que os países mais pobres adoptem medidas contra as alterações climáticas.
Esta é uma das derradeiras oportunidades de conseguir um acordo ao nível da UE antes da conferência de Copenhaga, de 7 a 18 de Dezembro, que visa chegar a um acordo, que deve entrar em vigor antes de expirar a primeira fase do Protocolo de Quioto, em Janeiro de 2013, para travar de forma vinculativa as emissões de dióxido de carbono.
Admitindo que ainda há muitas diferenças entre os 27, Durão Barroso disse todavia acreditar que será possível um acordo esta sexta-feira, de modo a que «a UE não perca agora a liderança que tem tido» no combate às alterações climáticas.
«Seria uma pena que, depois de tanto esforço, não conseguíssemos esse acordo», frisou o presidente do executivo comunitário.

Mapa Verde de Portugal

http://static.publico.clix.pt/docs/ambiente/mapaVerde/

Observação de aves na Ria de Alvor

29.10.2009


O Núcleo do Algarve da Liga para a Protecção da Natureza (LPN) organiza, a 5 de Dezembro, a actividade Observação de aves na Ria de Alvor.
"A Ria de Alvor é uma área de elevado valor paisagístico, onde, durante gerações, conviveram os valores naturais e as actividades tradicionais agrícolas e de salinicultura, que agora se encontram ameaçadas por projectos urbano-turísticos. A presença de centenas de aves aquáticas e a visão de uma águia-pesqueira a capturar peixe com certeza não deixam ninguém indiferente", explicam os organizadores.
Os pontos de encontro são, às 09h15 no largo da estação da CP em Portimão, ou às 10h00 na Associação A Rocha, Cruzinha, Mexilhoeira Grande.
As inscrições têm de ser feitas até 3 de Dezembro.
Contactos:
Email: lpn_algarve@yahoo.com

Blasted Mechanism participam em acção de reflorestação

Em silêncio, num círculo e invocando «uma boa energia para que as árvores cresçam melhor», foi assim que se iniciou a reflorestação da Ilha da Lezíria Grande, em Vila Franca de Xira, na qual participaram os Blasted Mechanism

«Vamos invocar para o meio deste círculo uma boa energia para que estas árvores cresçam melhor" da Terra, uma associação da Quercus.

O objectivo é plantar 4 mil árvores, para criar um pulmão verde perto de Lisboa, numa zona que no passado foi bastante florestada.



Lusa / SOL

segunda-feira, outubro 26, 2009

Fóssil Ida pode não ter parentesco com ser humano

Estudo publicado na revista «Nature» atribui origem a lémures ou lóris


2009-10-23
Considerada como a “Pedra da Roseta da história da evolução” pelos investigadores, a Ida – um fóssil, com 47 milhões de anos, considerado ancestral do ser humano e um dos mais completos já encontrados –, afinal, pode não ter qualquer relação com o Homem.

Num estudo publicado na revista «Nature», uma equipa de paleontólogos nova-iorquina avançou que a Ida se parece mais com um pequeno lémure ou um lóris (pequeno primata encontrado na Índia tropical e África, e particularmente em ilhas como o Bornéu, Madagascar e Sri Lanka).
Jorn Hurum, um paleontólogo norueguês, acompanhou o alegado primata fossilizado a que atribuiu o nome de “Ida”, em uma honra da sua filha, foi bastante criticado pela campanha mediática que criou em torno da descoberta.


Erik Seiffert, investigador da Stony Brook University (Nova Iorque, EUA), e os seus colegas vêm contestar as origens do Darwinius masillae (nome técnico). Os especialistas compararam 360 características anatómicas específicas de 117 espécies de primatas extintos e vivos que esboçam a árvore genealógica e concluíram que não pertence à mesma categoria ancestral dos humanos e macacos.
Em entrevista ao «The New York Times», Seiffert referiu que a criatura se assemelha ao grupo a que pertencem os lémures e outros cientistas concordaram, como Eric Sargis, docente em Antropologia na Universidade de Yale (EUA) ou David Begun, paleo- antropólogo na Universidade de Toronto (Canada).
Os investigadores (Jorn Hurum e a sua equipa) a cargo da descoberta defenderam imediatamente a sua interpretação, sublinhando que foi baseada em dois anos de meticulosas análises aos despojos encontrados. O artigo recentemente publicado abriu uma discussão científica que poderá durar semanas ou meses.

Espécies invasoras erradicadas do Parque Natural do Pico

O Parque Natural da Ilha do Pico está a ser alvo de uma eliminação de espécies exóticas que perturbam o desenvolvimento das naturais. Esta iniciativa é promovida pelo Governo Regional dos Açores no âmbito do Plano Regional de Erradicação e Controlo de Espécies de Flora Invasora em Áreas Sensíveis (PRECEFIAS) e envolve um investimento superior a 41 mil euros.


A acácia é uma das plantas que está a ser erradicada



Os trabalhos decorrem na Reserva Natural do Mistério da Prainha e na Área de Paisagem Protegida do Planalto Central, duas áreas que abrangem 8,5 hectares de terreno.
A primeira é considerada o melhor núcleo de vegetação endémica em lavas recentes, dominado por espécies como o louro e o azevinho. Neste caso, as principais plantas invasoras a serem erradicadas são a acácia, a conteira e o incenso.
Já a Área de Paisagem Protegida do Planalto Central, dominada por matos macaronésicos endémicos, é uma zona que se encontra encharcada e quase sempre coberta por nevoeiro. Aí existe um manto de turfa por baixo de espécies como o cedro-do-mato e a uva-da-serra. Os trabalhos nesta zona visam acabar com o povoamento do cedro japonês.
As intervenções na ilha do Pico incidem em dois habitats naturais que, apesar da perturbação causada pelas espécies invasoras, ainda se encontram em bom estado de conservação, possuindo um evidente interesse para a conservação da natureza.

Biocombustíveis contribuem para o efeito de estufa

Os biocombustíveis contribuem para a emissão de gases com efeito de estufa, nomeadamente ao encorajarem a desflorestação, alerta um estudo científico publicado hoje na revista norte-americana Science. Este chama ainda a atenção para o facto de este aspecto não ser referenciado no Protocolo de Quioto ou em outros documentos legislativos sobre o clima.
Hoje em dia, nenhuma grande potência contabiliza as emissões de carbono provenientes do uso de culturas associadas à produção de biocombustíveis, destinados a reduzir as emissões derivadas das energias fósseis.
O modelo informático utilizado pelos investigadores integra um conjunto de variáveis que mostram que "os diferentes modos de utilização de terras no âmbito dos programas intensivos para produzir biocombustíveis podem desencadear importantes emissões de CO2", explicou o principal autor do estudo, Jerry Melillo, do Laboratório Biológico e Marinho, um organismo de investigação privado sem fins lucrativos.


Alterações climáticas já preocupam

Temperatura média aumentou em Portugal 1,2 graus desde a década de 1930 e meio grau em três décadas


2009-10-24 - ALREDO MAIA

Ambientalistas de vários cantos do Mundo realizam hoje, sábado, acções públicas exigindo medidas contra as alterações climáticas. Haverá razões para os portugueses estarem preocupados com o clima? Que a temperatura está a subir, não há dúvidas.
As mudanças "devem preocupar-nos a todos, em particular se os registos que formos tendo denunciarem algumas tendências e sobretudo porque já foi demonstrado que há afectações do clima em particular com maior intensidade a partir dos anos 70", considera o presidente do Instituto de Meteorologia. "A fazer fé nos cenários, há uma antecipação de uma situação não favorável", acrescenta Adérito Serrão ouvido pelo JN.
"Nota-se efectivamente uma tendência, de alguma forma constante nas três últimas décadas, de aumento da temperatura, que em Portugal anda à razão de meio grau por década, o que é mais do que a nível global", acrescenta.
Trata-se de uma tendência que até agora não regista nenhuma regressão nos últimos dez anos, pois a maior parte dos anos registou valores médios da temperatura superiores aos normais para o período 1971-2000 e só o ano de 2008 foi inferior, acentua. Relativamente a este período, a temperatura média já está meio grau acima.
A situação é diferente quando se compara os dados actuais com os primeiros registos em Portugal. Na década de 1930, a temperatura média era de 14,5 graus centígrados; hoje temos temperaturas que andam acima dos 15 graus - precisamente 15,7, ou seja, mais 1,2 graus.
Se a tendência se mantiver - e verifica-se uma constância -, os cenários que se apresentam, mesmo que não sejam os mais gravosos, já preocupam. Poderemos chegar a uma anomalia (diferença entre a temperatura registada e a normal para uma série de dados de três décadas) de dois graus em relação ao período de referência de 1961-1990 considerando nas simulações internacionais.
Os vários cenários para Portugal apontam aumentos de temperatura entre dois a 8,6 graus até ao final deste século. O pior cenário poderá ocorrer se nada se fizer para contrariar as alterações climáticas. Alguns modelos admitem uma situação mais grave, antecipando esse aumento para meados da centúria - 2050.
Muitos de nós ainda estaremos vivos na altura em que a temperatura média será superior. Mas, independentemente do horizonte e das adaptações progressivas possíveis até lá, o que preocupa os meteorologistas é a ocorrência de fenómenos extremos. E isso, observa Adérito Serrão, está a acontecer. Por exemplo, nos últimos anos registou-se com maior frequência episódios como um número muito alargado de noites tropicais.
Em 2003, o país registou ondas de calor de 15 dias. No Verão passado, que registou três ondas de calor em muitas regiões, os valores médios da temperatura foram superiores em 1,1 graus à máxima média do período 1971-2000. O ano hidrológico que acabou (30 de Setembro) foi de seca meteorológica, com 44% do território com dois níveis severos de seca e só foi suplantado pelos de 1945 e 2005. Assim como temos tido e vamos ter anos de cheias.
Confirma-se que a temperatura aumenta e que há variações grandes na precipitação. Mas em que medida contribuem a variabilidade climática natural e as causas humanas? "Não temos elementos suficientes para dizer o peso de cada uma, mas o relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas diz que é altamente provável que haja factores antropogénicos e há muitas evidências que apontam para a influência inquestionável da correlação entre o aumento dos gases com efeito de estufa e o aumento da temperatura", diz Adérito Serrão.

sexta-feira, outubro 23, 2009

Ambiente: Ritmo de destruição de florestas equivale a 36 campos de futebol por minuto - WWF

Buenos Aires, 22 Out (Lusa) - O ritmo de destruição das florestas mundiais equivale actualmente a 36 campos de futebol por minuto, 13 milhões de hectares por ano, segundo um relatório hoje publicado pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF).


O relatório, publicado à margem do XIII Congresso Florestal Mundial, que decorre na capital argentina de Buenos Aires, indica ainda que a destruição das florestas é responsável por cerca de 20 por cento das emissões globais de gases de efeito estufa e desafia os líderes mundiais a comprometerem-se a anular a destruição florestal até 2010.
"Este objectivo evidencia a escala e a urgência com as quais temos de enfrentar estas ameaças para preservar a saúde do Planeta", afirmou Rodney Taylor, director do programa de florestas da organização não governamental WWF

quinta-feira, outubro 22, 2009

do meu jardim


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conselho de ministros subaquático


Até ao final do século, o arquipélago das Maldivas pode ficar submerso pelas águas do mar. O Presidente Mohamed Nasheed convocou um conselho de ministros subaquático para alertar o mundo. A reunião aconteceu a 17 de Outubro. Fotos: Governo das Maldivas/Reuters

Nova Legislação

http://dre.pt/pdf1sdip/2009/10/19700/0746707469.pdf
Portaria que aprova a lista de espécies de cujos espécimes é proibida a detenção (12 de Outubro)

http://dre.pt/pdf1sdip/2009/10/20200/0787207890.pdf
Decreto que fixa o regime jurídico da recolha, tratamento e descarga de águas residuais urbanas nos Açores (19 de Outubro)

http://dre.pt/pdf1sdip/2009/10/20200/0784307851.pdf
Portaria que estabelece o conteúdo dos planos de gestão de bacia hidrográfica (19 de Outubro)

Pombo azul


Um pombo coroado Victoria (Goura victoria) foi captado ontem pelas lentes de uma câmara fotográfica no parque Katandra Treetops no Puerto de la Cruz, na ilha de Tenerife. Foto: Santiago Ferrero/Reuters

Parque Peneda-Gerês: interditas energia eólica e mini-hídricas

O Plano de Ordenamento do Parque Nacional da Peneda-Gerês, cuja discussão pública começa quarta-feira, interdita os investimentos no seu território nos sectores da energia eólica e das mini-hídricas, disse, hoje, em Braga, o seu director.
Lagido Domingos, que preside à gestão das reservas naturais do Norte, justificou a proibição com o facto de a totalidade dos projectos até agora apresentados terem todos parecer negativo em estudos de impacto ambiental
«Os estudos dizem que esses investimentos põem em causa valores naturais relevantes», referiu, sustentando que, por isso, «será mais adequado e transparente» interditá-los.
Diário Digital / Lusa

Alterações climáticas: Lisboa e Porto em campanha mundial

Milhões de pessoas de todo mundo juntam-se sábado em 144 cidades, entre as quais Lisboa e Porto, para exigir que o acordo climático de Copenhaga estipule uma redução da concentração de carbono na atmosfera rumo ao «limite de segurança».

A menos de dois meses de começar a cimeira de Copenhaga, na Dinamarca, onde se tentará chegar a acordo sobre o sucessor do Protocolo de Quioto, esta acção mundial visa sensibilizar os líderes políticos para a necessidade de o novo acordo prever a redução da concentração de dióxido de carbono (C02) na atmosfera para 350 partes por milhão (ppm), considerado o «limite superior de segurança».
Actualmente, os níveis de C02 na atmosfera situam-se entre 385 e 390 ppm e têm vindo a aumentar a um ritmo acelerado. De acordo com cientistas, especialistas em clima e governos progressistas em termos de ambiente, 350 ppm é o nível ideal para evitar os piores impactos do aquecimento global no planeta.

Diário Digital / Lusa

terça-feira, outubro 20, 2009

Londres alerta para catástrofe ambiental se não houver acordo

00h30m



RITA JORDÃO, CORRESPONDENTE EM LONDRES

A menos de 50 dias da Cimeira de Copenhaga, o primeiro-ministro britânico avisou ontem, segunda-feira, que os líderes mundiais terão que salvar o Globo até Dezembro, sob o risco de uma catástrofe ambiental que poderá trazer cheias, secas e ondas de calor como não antes vistas.
A falar em Londres numa conferência sobre as maiores economias globais, Gordon Brown adiantou ainda que o Mundo não tem um segundo plano para contrapor aos efeitos negativos da poluição.
"Se não chegarmos a um acordo não tenhamos dúvidas de que nenhum acordo futuro poderá corrigir essa decisão porque nessa altura será já irreversivelmente tarde", afirmou Brown, apelando aos líderes mundiais para fazerem história em Copenhaga. O chefe do Executivo britânico adiantou ainda números de um painel intergovernamental para o clima que estima que mais de um quarto da população mundial poderá sofrer de escassez de água em 2080 - caso o Mundo não faça um esforço para controlar as emissões de dióxido de carbono.
Gordon Brown havia já prometido participar pessoalmente na cimeira para ajudar à chegada a um acordo entre mais 190 países no que respeita às emissões de CO2. As negociações chegaram a um impasse com países ricos a recusarem cortes nas emissões enquanto países pobres e em vias de desenvolvimento se recusam a tomar medidas sem que as grandes potências dêm os primeiros passos.
Durante o fim-de-semana, o ministro britânico do Ambiente, Ed Miliband, descreveu sinais de evolução no sentido de um acordo com a Índia e a China a demonstrarem uma maior abertura relativamente a um compromisso. Receios continuam ainda a recair sobre os Estados Unidos, com Londres a apelar ao presidente Obama para viajar pessoalmente a Copenhaga para "salvar o acordo".

sábado, outubro 17, 2009

Greenpeace: «O rio não é um esgoto»

No recinto de festas das Caneiras, Santarém, a organização Greenpeace colocou tarjas com a mensagem “O rio não é um esgoto”, no âmbito da iniciativa "Cruzeiro contra a indiferença".

Alguns activistas espanhóis lamentavam o facto de o rio Tejo estar quase sem água na zona de Caneiras, mas salientavam que em Toledo a situação não é melhor.
Cerca de uma centena de pessoas subiu o rio Tejo, num cruzeiro em três embarcações, desde o Parque das Nações em Lisboa até à localidade de Valada, no Cartaxo, numa acção em defesa do rio Tejo, promovido pelo movimento português ProTejo em conjunto com o consórcio de candidatura da cultura avieira a património nacional e com várias associações espanholas similares.
O “Cruzeiro contra a indiferença” terminou na aldeia avieira das Caneiras, em Santarém, onde se concentraram também activistas do Greenpeace, membros da Plataforma para a Defesa do Tejo e do Alberche, de Talavera de la Reina, a Plataforma de Toledo em Defesa do Tejo e da organização de âmbito ibérico Rede de Cidadania por Uma Nova Cultura da Água no Tajo/Tejo e seus Afluentes.
Na mensagem lida por Paulo Constantino, porta-voz do movimento Protejo, são reivindicadas medidas que permitam uma “unidade na gestão da bacia hidrográfico do Tejo, em Espanha e Portugal”.
O grande receio deste movimento, e também dos seus similares espanhóis, é que, para além dos transvases que já existem entre Buendia e Murcia e entre o Tejo e o Guadiana, seja agora construído um novo transvase do Tejo Médio, entre Valdecañas e outro transvase que liga Buendia a Múrcia.
Um dos responsáveis e representante da plataforma de movimentos espanhóis em defesa do Tejo, Miguel Mendes, receia ainda que seja levada por diante a construção de um transvase entre um afluente do Tejo, o rio Tietar, e a zona de Valdecañas, retirando assim ainda mais água limpa do rio, que nesta zona “está cheio da porcaria de Madrid e arredores”, salienta o activista espanhol.


Mergulhadores retiraram 85 pneus do fundo do mar no Porto da Horta

Mergulhadores do Clube Naval e alunos da Escola Básica Integrada da Horta recolheram hoje 85 pneus e centenas de quilos de garrafas e plásticos do fundo do mar, no interior do Porto da Horta


Numa operação de limpeza que decorreu durante todo o dia, foram recolhidos 85 pneus de vários tamanhos e garrafas suficientes para encher um contentor de 1.200 litros, além de um contentor de 800 litros de plásticos e outro de 500 litros com resíduos variados.

«Retiramos também dezenas de aparelhos de pesca que estavam presos ao fundo», revelou Hugo Pacheco, presidente do Clube Naval da Horta, em declarações à Lusa.
Segundo este responsável, um dos grandes factores de poluição no interior do Porto da Horta são os pneus utilizados nas embarcações de pesca, que todos os anos são recolhidos em grande número do fundo do mar, sobretudo devido a quedas involuntárias à água.
Esta acção de limpeza do fundo do mar envolveu mais de 150 pessoas, incluindo vários pescadores, que ajudaram a retirar do mar muitos pneus e aparelhos de pesca.
«Foi bom eles estarem presentes e sentirem que, apesar de serem parte do problema, também podem ser parte da solução», salientou Hugo Pacheco, acrescentando que é necessário continuar a sensibilizar pescadores e armadores para a importância da preservação do fundo do mar.
Hugo Pacheco destacou ainda o facto de apenas ter sido encontrada uma bateria no fundo do mar, por comparação com as dezenas que foram encontradas em anos anteriores, considerando que esta melhoria resultou das acções de sensibilização realizadas junto dos pescadores.
A campanha foi realizada por mergulhadores do Clube Naval da Horta de algumas empresas de mergulho, com a colaboração de alunos da Escola Básica Integrada, que, em terra, separaram os resíduos recolhidos, depois transportados para o aterro sanitário da Praia do Norte.
Todos os anos, o Clube Naval organiza uma acção de limpeza do fundo do mar no interior do Porto da Horta, numa iniciativa que pretende sensibilizar a comunidade para a importância da preservação do meio marinho.
Anualmente, é retirada do fundo do mar mais de uma tonelada de lixo.



Lusa / SOL