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quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Energias renováveis

Al Gore apoia as iniciativas de José Sócrates no campo das energias renováveis. O antigo vice-Presidente norte-americano, da era Clinton, veio a Lisboa para uma conferência sobre alterações climáticas, mas antes de seguir para Londres ainda teve tempo para se avistar com o primeiro-ministro
A ideia do encontro foi do primeiro-ministro português. Sócrates lembrou que mantém contacto com Al Gore desde os tempos em que era ministro do Ambiente. Mas este não foi um encontro entre velhos amigos. O antigo vice-Presidente norte-americano tornou-se a figura de maior prestígio no movimento global de defesa do ambiente. O ex-vice-Presidente norte-americano deslocou-se num veículo híbrido que funciona a electricidade e gasolina e que polui muito menos do que os carros normais. Alerta para aquecimento global Antes do encontro com José Sócrates, e numa conferência à porta fechada, AL Gore alertou para o problema do aquecimento global. É um alerta que tem sido repetido à exaustão por cientistas e associações de defesa do ambiente, mas que ganha ainda maior mediatismo quando quem fala é o ex-vice-Presidente dos Estados Unidos, agora nomeado para o Nobel da Paz. Convidados da esfera económica e políticaA emergência planetária de que fala Al Gore é cada vez mais um assunto de todos. Mas na conferência em Lisboa a entrada foi restrita a convidados, sobretudo da esfera económica e política. Gore trouxe a Portugal a apresentação de diapositivos que transpôs para o filme em "Uma Verdade Inconveniente" e as mais recentes novidades sobre a crise climática. Combate ao desperdícioA mensagem é de que o modelo de desenvolvimento actual, baseado nos combustíveis fósseis, tem de ser substituído por um novo paradigma baseado nas energias renováveis e no combate ao desperdício. Basta ver o parque automóvel dos 600 convidados da conferência para perceber que o discurso de redução de emissões de gases com efeito de estufa nem sempre condiz com a prática.

Al Gore apelou à mobilização pelo planeta em Lisboa

Al Gore partilhou hoje, em Lisboa, as suas «verdades inconvenientes» com uma plateia de políticos, empresários, administradores, investigadores, ambientalistas ou simples «VIP» que se juntaram para ouvir o apelo do ex-vice-presidente norte-americano à mobilização pelo planeta.
Na conferência, a que só um convite dava acesso, Al Gore revisitou ao vivo e a cores as principais mensagens do filme «Uma verdade inconveniente», com que lançou uma mediática cruzada em prol de uma acção imediata contra o aquecimento global.
Entre os políticos e ex-responsáveis políticos que preenchiam muitos dos lugares da área VIP no Museu da Electricidade encontravam-se nomes como o ministro do Ambiente, Francisco Nunes Correia, o presidente da Câmara de Lisboa, Carmona Rodrigues, e o ex-autarca Pedro Santana Lopes, o dirigente do Bloco de Esquerda Francisco Louçã, o ministro da Administração Interna, António Costa, a ex-ministra da Saúde Maria de Belém, o ex-deputado social-democrata e actual assessor do presidente da República para a área do Ambiente, Jorge Moreira da Silva, o deputado e ex-secretário de Estado do Ambiente José Eduardo Martins ou o ex-ministro social-democrata José Luís Arnaut.
A opinião dos convidados foi unânime: Al Gore demonstrou ser um grande comunicador e soube passar a mensagem que o filme já transmitia.
«Ao vivo tem uma força que jamais uma mensagem pode ter», comentou o ministro do Ambiente, em declarações à Agência Lusa.
Sublinhando o «apelo muito veemente» de Al Gore no combate às alterações climáticas, Nunes Correia salientou que a mensagem mais importante é perceber que «este é um desafio a toda a civilização porque não afecta um ou outro país. Afecta todos».
O presidente da câmara de Lisboa classificou a apresentação como «muito profissional» e disse ter sido «a melhor» a que já assistiu.
«Mostrou uma grande capacidade de comunicação, grande actualidade e grande objectividade. Fez um apelo muito forte no sentido em que é tempo de agir para combater esta crise que afecta todo o planeta», declarou Carmona Rodrigues.
Sobre o convite feito a Al Gore, o autarca considerou que era «importante trazer a Lisboa quem está a liderar o processo da maior campanha de sensibilização ambiental actualmente em curso» e que «tem uma voz reconhecida internacionalmente».
Carmona Rodrigues esteve, antes da conferência, num encontro informal com Al Gore, que reuniu personalidades de várias áreas, numa «troca de impressões» que descreveu como «muito interessante».
«Foram abordadas várias questões técnicas, algumas relacionadas com a área da energia. Falou-se, por exemplo, do hidrogénio, da micro-geração ou do nuclear», disse o presidente da Câmara de Lisboa.
O dirigente da Quercus, Francisco Ferreira, elogiou também esta «oportunidade de revisitar o filme, de forma actualizada», sobretudo junto de «uma série de líderes políticos e de opinião que não tinham visto o documentário».
«A vontade política é, felizmente, um recurso renovável», disse Francisco Ferreira, parafraseando a última parte da apresentação de Al Gore.
O ambientalista, que também participou no encontro informal com Al Gore, mostrou-se também satisfeito pela partilha de pontos de vista.
«Ficámos satisfeitos por ver que as opiniões do Al Gore vêm ao encontro de muitas das linhas que defendemos. Em termos de energia, por exemplo, é mais favorável às renováveis e à micro-geração, em detrimento do nuclear, sobretudo devido aos custos, mais ainda do que o risco de acidentes ou os resíduos».
Depois da conferência, Al Gore saiu de imediato para se encontrar com o primeiro-ministro José Sócrates.
Diário Digital / Lusa
08-02-2007 15:41:00

Promessa de milhões do nuclear alvo de críticas e desconfiança


A promessa de que o município que acolher o projecto de uma central nuclear vai receber 100 milhões de euros em receitas fiscais por ano foi recebida com críticas e desconfiança por responsáveis do sector energético. Já a Associação Nacional dos Municípios (ANMP) diz não comentar um processo que desconhece, enquanto o Governo garante que este dado não altera a sua posição. Para José Penedos, presidente da Rede Eléctrica Nacional (REN), a promessa - revelada ontem pelo JN - de Sampaio Nunes, sócio de Monteiro de Barros na Enupor (empresa que quer fazer a central), foi feita com base "numa lei que não existe", pois dificilmente haveria um só município com direito a receber receitas. O que a lei diz, explica, é que "têm direito à derrama todos os municípios que se encontram num raio de 20 quilómetros em termos dos centros electroprodutores".Mais crítico, Aníbal Fernandes, presidente do consórcio que venceu a primeira fase das eólicas, acusa os promotores de andarem a "enganar" os portugueses. Primeiro, por terem dito que o reactor a instalar não era um protótipo o que, afinal, "acabou por ser ontem admitido por Sampaio Nunes". "Há meses, Monteiro de Barros disse que quem afirmava que era um protótipo era estúpido. Não sei a quem está a chamar estúpido agora", ironiza. Sá da Costa, da associação dos produtores de renováveis, desconfia do número, explicando que 100 milhões é "quatro vezes mais do que todos os municípios vão receber de derrama quando estiverem instalados todos os parques" eólicos previstos. Fonte oficial da ANMP diz nunca ter sido "consultada" e garante desconhecer que municípios foram auscultados. Fonte oficial da Economia, por seu turno, afirma que este dado não muda a posição do Governo sobre a matéria. O Executivo, recorde-se, já rejeitou discutir qualquer projecto nesta área, pelo menos nesta legislatura.O nuclear foi ontem debatido no Instituto Alemão, tendo prevalecido a "tese prudencial" que, não rejeitando a tecnologia, também não a aceita de braços abertos. Ribeiro da Silva, presidente da Endesa Portugal, defendeu que Portugal deve prosseguir uma estratégia de produção descentralizada de renováveis, novos paradigmas em que "podemos ter incorporação nacional".José Penedos propôs que se faça o debate mas que, entretanto, se formem técnicos e se produza conhecimento na área para que, se um dia houver nuclear, o país não fique dependente do exterior. Axel Berg, deputado alemão do SPD, exortou Portugal a "investir na energia das ondas", onde, sendo pioneiro, poderá vir a ter um papel mundial de relevo. Apenas John Gittus, antigo dirigente da agência britânica para o nuclear, defendeu abertamente esta solução. O responsável preconizou mesmo que em 2025 a produção eléctrica nacional se baseie apenas em gás, renováveis e nuclear..

Al Gore reuniu com membros do Governo

O ex-vice-presidente norte-americano Al Gore reuniu, esta quinta-feira, com o primeiro-ministro José Sócrates e os ministros do Ambiente, Nunes Correia, e da Economia, Manuel Pinho.
O "número dois" de Bill Clinton na Casa Branca, autor do filme "Uma Verdade Inconveniente" e defensor das causas ambientais, fez um elogio às medidas do Executivo português nesta área, dizendo que apoia "muitas" delas.
Pouco antes de entrar no carro, na saída apressada do encontro, Al Gore afirmou que gostou "muito de visitar Portugal" e da "conversa com o presidente", referindo-se, por engano, ao primeiro-ministro português.
José Sócrates ofereceu a Al Gore um livro, em inglês, sobre as opções do Executivo em matéria de energias renováveis e explicou aos jornalistas a sua ambição para esta área, para tornar o país menos dependente de combustíveis fósseis, mais poluentes.
"As energias renováveis são a resposta para ligar energia e inovação", referiu o chefe de Governo, que conheceu Al Gore quando tutelou a pasta do Ambiente no Executivo de António Guterres. A meta de Portugal, reafirmou Sócrates, "é chegar a 2010 com 45 por cento da energia renovável".
José Sócrates sublinhou ainda ser um "dever dos políticos divulgar uma mensagem política para que os cidadãos tenham mais consciência do que podem fazer para responder a um problema mundial" como é o das alterações climáticas.
O gabinete do primeiro-ministro informou que, a exemplo do que aconteceu em Espanha, onde Al Gore esteve quarta-feira, também em Portugal o filme "Uma Verdade Inconveniente" vai ser distribuído pelas escolas com o objectivo de "sensibilizar os jovens para as temáticas do ambiente".
O ex-vice-presidente dos Estados Unidos esteve em Lisboa para participar numa conferência sobre alterações climáticas, que se realizou no Museu da Electricidade.

Poluição em praias de Matosinhos



Petrogal assume responsabilidade por descarga de hidrocarbonetos

A Petrogal assume a responsabilidade pela descarga poluente na zona de Matosinhos. Há um quilómetro de praia com resíduos de hidrocarbonetos.
Uma descarga poluente da Petrogal de Matosinhos deixou uma vasta extensão de praia com resíduos de hidrocarbonetos. Desde a praia do Aterro até à praia da Memória são evidentes os sinais de poluição. A bacia de retenção onde a Petrogal armaneza os efluentes com resíduos de combustível não foi suficiente para a quantidade de água existente, afectando as praias de Matosinhos. Não é uma situação nova. A Petrogal já assumiu a responsabilidade e já pôs em marcha uma operação de limpeza das praias.

Al Gore apoia políticas de energias renováveis de Sócrates

O ex-vice-presidente norte-americano Al Gore saiu hoje apressado do encontro com o primeiro-ministro português, mas ainda teve tempo para dizer que concordava com «muitas das iniciativas» do Governo de José Sócrates, a quem chamou presidente, para as energias renováveis

José Sócrates, a quem Al Gore chamou «presidente», aproveitou e explicou aos jornalistas a «longa conversa» que manteve, juntamente com os ministros do Ambiente, Nunes Correia, e da Economia, Manuel Pinho, com «número dois» de Bill Clinton na Casa Branca.
Pouco antes de entrar no carro, após o encontro, Al Gore afirmou que gostou «muito de visitar Portugal» e da «conversa com o presidente», referindo-se ao primeiro-ministro português.
O autor do filme Uma Verdade Inconveniente - «um filme absolutamente extraordinário», segundo Sócrates - e conhecido pela sua militância nas causas a mbientais fez um elogio à política de energias renováveis do executivo português, dizendo que apoia «muitas» delas.
José Sócrates ofereceu a Gore um livro, em inglês, sobre as opções do seu executivo em matéria de energias renováveis e explicou aos jornalistas a sua ambição para esta área, para tornar o país menos dependente de combustíveis fósseis, mais poluentes.

«As energias renováveis são a resposta para ligar energia e inovação», afirmou o ex-ministro do Ambiente no Governo de António Guterres, que nessa qual idade, há anos, conheceu Al Gore. A meta de Portugal, reafirmou Sócrates, «é chegar a 2010 com 45 por cen to da energia renovável».
Sobre o filme «absolutamente extraordinário» de Al Gore, José Sócrates sublinhou ser um «dever dos políticos divulgar uma mensagem política para que os cidadãos tenham mais consciência do que podem fazer para responder a um problema mundial» como é o das alterações climáticas.
Após a audiência, o gabinete do primeiro-ministro informou que, a exemplo do que aconteceu em Espanha, onde o ex-vice-presidente esteve quarta-feira, também em Portugal o filme de Gore vai ser distribuído pelas escolas com o objectivo de «sensibilizar os jovens para as temáticas do ambiente».
A decisão foi acertada entre José Sócrates e a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, pouco depois do encontro na residência oficial de São Bento. O ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore está hoje em Lisboa par a participar numa conferência - apenas para convidados - sobre alterações climáticas, que se realizou no Museu da Electricidade.
Após a saída de Bill Clinton da Casa Branca, Al Gore foi candidato do Partido Democrata nas presidenciais norte-americanas de 2000, em que foi derrotado por escassa margem face a George W. Bush.
Autor do documentário Uma Verdade Inconveniente, nomeado para a edição deste ano dos Óscares, Al Gore foi indicado na semana passada para o Nobel da Paz 2007 pelos seus esforços para alertar a opinião pública mundial para os perigos do aquecimento global.

Lusa/SOL
Hoje

Verdes querem lei europeia contra excesso de embalagens


O partido ecologista quer que Portugal acabe com as embalagens 20 a 30 vezes maiores que o produto, bem como as embalagens duplas. Tudo para reduzir o lixo e os desperdícios.

No projecto de diploma, os ecologistas salientam que quem vai às compras a uma superfície comercial paga e transporta, sem que o tenha solicitado, um «conjunto significativo» de embalagens que vão para o lixo assim que os produtos são arrumados e guardados em casa.
«A dimensão de muitas embalagens é, por norma, exagerada em relação ao volume dos produtos embalados, o que se traduz numa maior quantidade e volume de resíduos de embalagens», lê-se no projecto de lei.
Frequentemente brinquedos, artigos de bricolage (pregos, parafusos) ou até canetas, embora de pequenas dimensões, são vendidos em embalagens de tamanho cinco ou mais vezes superior.
Essa falta de proporcionalidade deve-se a razões de marketing e de visualização do produto.
Os Verdes defendem que, tal como a proibição de bebidas alcoólicas a menores impôs uma adaptação do mercado a questões de saúde pública, também quanto às embalagens é preciso uma adaptação do interesse público.
O projecto de lei propõe que as embalagens que envolvem o produto a vender (embalagens primárias) tenham um tamanho mínimo para garantir a qualidade e a conservação do produto.
Também as embalagens que juntam vários produtos embalados (embalagens grupadas ou secundárias) para serem vendidos em conjunto, como os toalhetes de bebé ou sabonetes, seriam proibidas segundo o projecto.
Mas esta imposição aconteceria se a embalagem grupada não fosse determinan te para a preservação do produto e para a manutenção da sua qualidade, condições essas a definir pelos ministérios do Ambiente e Economia.
As embalagens de transporte (terciárias), como as que permitem levar seis ou 12 cervejas de uma só vez, seriam permitidas se fosse provado que são relevantes para evitar danos na mercadoria durante a sua movimentação ou transporte.
Os Verdes querem que sejam impostas multas ao importador ou embalador que viole as regras do diploma.

Lusa / SOL

Al Gore trouxe «verdades inconvenientes» e brilhou como comunicador


Al Gore partilhou hoje, em Lisboa, as suas «verdades inconvenientes» com uma plateia de políticos, empresários, administradores, investigadores, ambientalistas ou simples VIP que se juntaram para ouvir o apelo do ex-vice-presidente norte-americano à mobilização pelo planeta
Na conferência, a que só um convite dava acesso, Al Gore revisitou ao vivo e a cores as principais mensagens do filme Uma verdade inconveniente, com que lançou uma mediática cruzada em prol de uma acção imediata contra o aquecimento global.

Entre os políticos e ex-responsáveis políticos que preenchiam muitos dos lugares da área VIP no Museu da Electricidade encontravam-se nomes como o ministro do Ambiente, Francisco Nunes Correia, o presidente da Câmara de Lisboa, Carmona Rodrigues, e o ex-autarca Pedro Santana Lopes, o dirigente do Bloco de Esquerda Francisco Louçã, o ministro da Administração Interna, António Costa, a ex-ministra da Saúde Maria de Belém, o ex-deputado social-democrata e actual assessor do presidente da República para a área do Ambiente, Jorge Moreira da Silva, o deputado e ex-secretário de Estado do Ambiente José Eduardo Martins ou o ex-ministro social-democrata José Luís Arnaut.

A opinião dos convidados foi unânime: Al Gore demonstrou ser um grande comunicador e soube passar a mensagem que o filme já transmitia. «Ao vivo tem uma força que jamais uma mensagem pode ter», comentou o ministro do Ambiente, em declarações à Agência Lusa.

Sublinhando o «apelo muito veemente» de Al Gore no combate às alterações climáticas, Nunes Correia salientou que a mensagem mais importante é perceber que «este é um desafio a toda a civilização porque não afecta um ou outro país. Afecta todos».

O presidente da câmara de Lisboa classificou a apresentação como «muito profissional» e disse ter sido «a melhor» a que já assistiu. «Mostrou uma grande capacidade de comunicação, grande actualidade e grande objectividade. Fez um apelo muito forte no sentido em que é tempo de agir para combater esta crise que afecta todo o planeta», declarou Carmona Rodrigues.

Sobre o convite feito a Al Gore, o autarca considerou que era «importante trazer a Lisboa quem está a liderar o processo da maior campanha de sensibilização ambiental actualmente em curso" e que "tem uma voz reconhecida internacionalmente».

Carmona Rodrigues esteve, antes da conferência, num encontro informal com Al Gore, que reuniu personalidades de várias áreas, numa «troca de impressões» que descreveu como «muito interessante».

Chuva faz transbordar reservatórios de ETAR de Matosinhos


O transbordo dos reservatórios da refinaria da Petrogal em Leça da Palmeira, devido à chuva que caiu a noite passada, resultou no despejo de resíduos não tratados de efluentes na Praia do Aterro, disse fonte da Galp Energia

A fonte referiu que os efluentes não tratados que escaparam dos reservatórios da Petrogal são constituídos por «água com alguns resíduos de hidrocarbonetos».
Acrescentou que os trabalhos de limpeza estão já a decorrer, devendo ficar concluídos até ao final do dia.
A vereadora do Ambiente da Câmara de Matosinhos, Joana Felício, afirmou, por seu turno, que a situação é recorrente, cada vez que há situações de grande pluviosidade, pelo facto de as bacias de retenção da ETAR da Petrogal se encontrarem ao ar livre.
Joana Felício adiantou que uma equipa da autarquia reforçará durante a tarde o pessoal da Petrogal que está a limpar a Praia do Aterro.
«No entanto, se as condições meteorológicas se agravarem, é possível que a situação se volte a verificar, prosseguindo a limpeza sem interrupção nos próximos dias», admitiu a Joana Felício.
A Petrogal está a construir desde Janeiro novas bacias de retenção, que irão quadruplicar a capacidade de retenção de efluentes, permitindo ultrapassar a situação.
Lusa/SOL

domingo, fevereiro 04, 2007

Rio Zambeze em alerta vermelho



Cheias agravaram-se no centro de Moçambique
O agravamento das cheias ao longo do rio Zambeze, no centro do País, levou as autoridades moçambicanas a colocaram a zona em alerta vermelho e a instarem as populações a procurar locais mais elevados.
Para o agravamento da situação estão a contribuir as chuvas intensas na vizinha Zâmbia e Maláui, que aumentam o caudal de alguns dos principais afluentes do Zambeze, nomeadamente os rios Revobue, Luenha e Aruanga. O aumento das águas do Zambeze é ainda agravado pela abertura parcial das comportas da barragem de Cahora Bassa, decidida pelos responsáveis do empreendimento. Armazenamento de águaA abertura das comportas a 40 por cento foi decidida depois de a albufeira da barragem ter atingido o limite da sua capacidade de armazenamento de água, em consequência das fortes chuvas que têm caído na vizinha Zâmbia e que contribuíram para o aumento do caudal do rio Zambeze. De acordo com a Administração Regional de Águas do rio Zambeze, a barragem aumentou o seu débito de água de 2.500 metros cúbicos para 3.570 metros cúbicos por segundo. A Direcção Nacional das Águas colocou, por isso, em alerta vermelho toda a região banhada pelo rio Zambeze, desde Zumbo, na fronteira com o Zimbabué, até Marromeu, distrito onde o rio desagua no Oceano Índico. Segundo o Instituto Nacional de Gestão de Catástrofes (INGC), as cheias e chuvas fortes que se têm feito sentir na região fizeram já dez mortos na província da Zambézia, a maioria das quais por afogamento, outras vitimadas de forma indirecta pelas cheias (electrocussão devido ao derrube de cabos de alta tensão, por exemplo). Nas últimas duas semanas, cerca de 36 mil pessoas foram assistidas pelas autoridades. Deslocação de centro de socorro Para esta semana está prevista a deslocação do centro operacional do INGC para Caia (centro), de forma a coordenar mais eficazmente eventuais operações de socorro no vale do Zambeze. Em contraste com as chuvas que atingem o centro do País, no Sul (Inhambane, Gaza, Maputo), a ausência prolongada de chuva começa a preocupar as autoridades, que estimam em 200 mil a 300 mil o número de pessoas que podem vir a ser a fectadas pela seca. Com Lusa

Suécia fecha quatro reactores nucleares


Razões de segurança levaram as autoridades suecas a suspender nos últimos dias o funcionamento de quatro dos dez reactores nucleares. Problemas idênticos já tinham ocorrido em Julho passado, quando cinco reactores foram parados devido a uma situação de emergência.Ao longo da semana que findou, sucederam-se os problemas com reactores nucleares na Suécia, que deles depende para a produção de metade da energia eléctrica consumida. Primeiro foram dois dos reactores da central Ringhals e, ontem, repetiram-se as deficiências de funcionamento em dois reactores de Forsmark. Uma vedação de borracha na parede exterior de um dos reactores perdeu a elasticidade, o que determinou a medida preventiva de encerramento. A vedação de borracha não tem qualquer função de segurança durante a operação corrente, só se exigindo o seu funcionamento para manter a pressão adequada se houver falha nas tubagens dentro do cofre do reactor. Nos casos de Ringhals (de propriedade estatal) foi verificada uma deficiência no sistema de arrefecimento, bem como na leitura de dados dos equipamentos.A inspecção da Energia Nuclear da Suécia já garantiu que os reactores só voltarão a funcionar com todas as garantias de segurança. A mesma autoridade apresentou há dias uma queixa quanto à forma como a central de Forsmark (privada) lidou com a emergência de Julho passado. Esta unidade fica situada a 100 quilómetros de Estocolmo e produz um sexto da energia sueca. Quando da crise no Verão, os preços da energia sofreram um agravamento súbito.

Menos água!


Por brincadeira, e considerando que cerca de 71% do planeta Terra está coberto de água, já houve quem dissesse que devia chamar-se o planeta Água. Mas não é assim...
É que além de a água não ser um recurso inesgotável, grande parte dela é salgada e outra grande parte está em forma de gelo...
A água é um recurso natural de grande valor económico, estratégico e social, essencial à existência e bem-estar do Homem e aos ecossistemas da Terra. É um bem comum a toda a Humanidade.Aqui vão uns numerozitos: - Cerca de 2/3 da superfície da Terra são dominados pelos mares e oceanos.- O volume total de água na Terra estima-se em cerca de 1,35 mil milhões de quilómetros cúbicos!- Os pólos e as zonas circundantes estão cobertos pelas águas sólidas dos glaciares.- As barragens e represas são a actividade que mais consequências teve nos sistemas de água doce. Actualmente retêm 14% de toda a água corrente do mundo.- No século XX perderam-se metade das zonas húmidas do mundo. Foram convertidas em terras de agricultura ou foram secas para combater doenças, como a malária. Onde está a água?- 97,4% está nos oceanos e mares, e é salgada;- 1,98% está armazenada nos glaciares e em lugares quase inacessíveis; - 0,589% são águas subterrâneas;- 0,03% está nos rios e lagos e ainda...- 0,001% na atmosfera.
Muito importante:Apenas 1% de toda a água do planetaestá disponível para uso!!!
Mesmo assim, durante muito tempo, a água foi sempre considerada um recurso infinito, pois a Natureza parecia ter muita abundância e a água parecia sempre renovável.
Hoje, o mau uso e a crescente procura deste recurso preocupam todos pela menor disponibilidade de água potável em todo o planeta. Para terminar...O Homem é mesmo um caso sério de desperdício. Ora lê:- Gota a gota, uma torneira chega a um desperdício de 46 litros por dia. Isto é, 1380 litros por mês. Ou seja, mais de um metro cúbico por mês!- Um fio de água de mais ou menos 2 milímetros totaliza 4140 litros num mês!- Se for um fio de água de 4 mm, são 13 260 litros por mês de desperdício! Algumas ideias para melhorar a situação:- Prefere o chuveiro ao banho de imersão: gastas entre 25 e 100 litros em vez de 200 a 300!- Fecha bem as torneiras. Não custa nada!- Não deixes a torneira aberta enquanto lavas os dentes!- Ao lavares a loiça, não uses a água a correr. Enche a pia!- Esquemas para reduzir a água de cada descarga de autoclismo são bem-vindos, como a garrafa de água no interior, que reduz o consumo em cerca de 30%.- Consertar o pingo da torneira poupa litros de água

Portugal junta-se à defesa de nova organização para o ambiente


Um grupo de 46 países lançou o desafio para a criação de uma organização para o meio ambiente no âmbito das Nações Unidas. A referida organização teria papel semelhante ao desempenhado pela OMS no domínio da saúde, assimilando algumas das tarefas agora preenchidas pelo Programa da ONU para ao Meio Ambiente. As conclusões do último relatório sobre alterações climáticas estão na base desta proposta, que pode encontrar reticências por parte de alguns dos países mais poluidores do Mundo.Uma conferência de iniciativa do presidente francês decidiu ontem ,em Paris, lançar um apelo a toda a comunidade mundial para que esta se una e encontre uma estratégia de combate às alterações climáticas. Mais de 40 países, entre os quais Portugal, responderam "sim" à proposta, que lança a hipótese de uma Organização Mundial para o Ambiente, no quadro das Nações Unidas. O ministro Nunes Correia, que participou na reunião, afirmou que o nosso país "está na primeira linha de apoio" à criação da referida agência. Jacques Chirac, promotor do encontro de líderes, falou na necessidade de "reforçar a governança internacional do ambiente". Segundo o presidente francês, a nova organização deve não só avaliar os danos ecológicos, mas também "promover tecnologias e comportamentos mais respeitadores do meio ambiente" . Na conferência de Paris participaram ministros, administradores de empresa, representantes associativos e cientistas, num conjunto de 200 responsáveis, que subscreveram uma declaração reconhecendo ter chegado "o tempo da lucidez" e que faltava, até agora, "reconhecer que chegámos à beira do irreversível e do irreparável". Está já agendada uma reunião deste grupo de "amigos da Organização das Nações Unidas para o Ambiente". Ela terá lugar em Marrocos, em Abril próximo. Aí estarão representados quase todos os países da Europa, do Magrebe, alguns latino-americanos como o Chile e o Equador, bem como países muito pobres, caso do Burkina Faso, Madagascar e Cambodja. Jacques Chirac, que se encontra em fim de mandato, admitiu que "haverá muito a fazer para convencer" os países ricos e os grandes países emergentes como a China, Índia e o Brasil. Os países ricos, disse o presidente francês, "fecham-se sobre uma espécie de mito liberal, recusando aceitar as consequências dos seus actos", enquanto os países emergentes "não querem aceitar restrições".A Rússia já fez saber, através do seu vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, que "tem dúvidas" sobre a necessidade de uma nova organização da ONU.Comissário quer cortes O comissário europeu do Ambiente defende, numa entrevista publicada na edição dominical de um jornal alemão, que a primeira economia da zona euro deve fazer mais esforços na luta contra o aquecimento global. Stavros Dimas considera que a Alemanha tem obrigação de tomar consciência da sua responsabilidade e dar o exemplo."Muitos outros países estão mais próximos do objectivo fixado pelo Protocolo de Quioto, como o Reino Unido e a Suécia; outros, pelo contrário, escudam-se no exemplo alemão", afirma o comissário. Para Dimas, é altura de a Alemanha "traduzir as suas belas palavras em actos". Ontem, por sua vez, a chanceler Angela Merkel, mostrou-se satisfeita com as medidas tomadas pelo seu país e apelou a que a Comissão Europeia introduza limites para as emissões dos veículos novos, mas de forma gradual. Recorde-se que Merkel ameaçou bloquear a tentativa da Comissão para impor a redução de emissões a todo o sector automóvel.

Mudança do clima já é inequívoca para cientistas


De repente, o clima - ou a sua ruptura, tal como o conhecíamos - transformou-se no tema "quente" do momento, e a necessidade de acção para prevenir um desastre irreparável parece emergir finalmente como prioridade mundial.Quase 20 anos depois de ter sido criado, em 1988, pela ONU, o IPCC (o painel de peritos para avaliação das alterações climáticas) divulgou ontem, em Paris, o seu relatório mais mediático, inequívoco e alarmante de sempre, sobre a questão. Temperaturas em alta, concentrações de dióxido de carbono (CO ) a subir, nível dos oceanos na mesma onda, chuvas torrenciais, secas mortíferas, o rol que afinal já se esperava, depois de uma semana de fugas de informação sobre o seu conteúdo. A responsabilidade do que está a acontecer ao clima, como escreve o IPCC, está bem identificada. Pertence com certeza quase absoluta (90% de certeza) à acção humana, garante pela primeira vez o IPCC neste relatório científico, recheado de números e gráficos que não deixam margem a dúvidas.Os dados divulgados pelo IPCC mostram que a concentração de CO na atmosfera, o principal gás com efeito de estufa, vai aumentar até final do século, devido à queima de combustíveis fósseis, até às 550 partes por milhão (ppm). Para se ter uma ideia do que isto representa, esse valor é hoje de 379 ppm, mas antes da revolução industrial, há 150 anos, não passava de 270 ppm. A diferença pode parecer pequena, mas os efeitos deste aumento vão traduzir-se numa subida média da temperatura que andará pelos três graus Celsius até 2100.Os seis cenários traçados no relatório prevêem uma subida mínima da temperatura média em 1,8 graus Celsius e um valor máximo de 6,4 graus no pior dos cenários.Em qualquer caso, o aumento da temperatura é certo e, com ele, virá uma lista de convulsões climáticas, com os fenómenos extremos (chuvas torrenciais nas latitudes médias e secas intensas nas regiões tropicais) a tornarem-se mais frequentes.Uma das consequências mais temíveis em toda esta questão é a subida do nível dos oceanos. Apesar das incertezas científicas sobre a sua medida exacta - o degelo das calotes polares, no seu ritmo e consequências, está ainda cheio de incógnitas -, a subida é certa. A margem de incerteza anda entre os 18 e os 60 centímetros. Mas como explicava o climatologista e vice-presidente do grupo de trabalho que produziu o relatório, Jean Zouzel, "uma subida de 40 cm transformará 20 milhões de pessoas no planeta em refugiados".As reacções ao relatório foram imediatas, unânimes e generalizadas. Políticos, ambientalistas e cientistas afinaram em uníssono pela necessidade de acção urgente e concertada entre os Estados para a redução das emissões atmosféricas.Um deles foi Nicholas Stern, conselheiro do Governo britânico e autor do recente relatório que quantificou os custos económicos da inacção face ao aquecimento global (5% do PIB mundial). Stern garante que a solução do problema passa pelo alargamento do mercado europeu de emissões aos outros países, industrializados ou em desenvolvimento, pelas tecnologias limpas e pelo fim do desperdício energético. Outra voz forte que ontem se fez ouvir foi a de Yvo de Boer, o "patrão" do clima na ONU, que lançou um desafio aos decisores políticos: a realização de uma cimeira sobre o clima, antes de Novembro, para que a próxima conferência da ONU, em Bali, em Dezembro, não falhe nas decisões que terá que tomar sobre o que vai seguir-se a Quioto.

Alterações climatéricase resultados tangíveis


Alfred, Hoffman Jr., Embaixador dos EUA em PortugalNo que respeita às alterações climáticas, os Estados Unidos e a Europa têm mais em comum do que possamos pensar. O que acontece é que partimos de diferentes contextos para atingir o objectivo comum de combater as alterações climáticas - temos diferentes taxas de crescimento populacional e necessidades energéticas distintas. E não existe uma via única para alcançar a redução das emissões de gases com efeito de estufa. Cada nação atingirá os seus objectivos de acordo com as suas metas globais de segurança energética e crescimento económico, o que não invalida que podemos e devemos expandir a nossa cooperação para atingir esses mesmos objectivos.Durante o discurso sobre o Estado da União, o presidente Bush anunciou um novo plano que marcará a diferença no que toca à resposta aos desafios que nos colocam as alterações climáticas, a segurança energética e o desenvolvimento sustentável. Combinando medidas obrigatórias, incentivos e programas voluntários, o plano tem por base novas tecnologias que criarão condições para um futuro de boa gestão ambiental e crescimento económico.Este novo plano surge inserido num longo registo de acções de combate às alterações climáticas que é, não raras vezes, esquecido. Chamamos-lhe "Vinte em Dez", porque tem como principal objectivo alcançar uma redução de 20% da utilização de gasolina nos EUA, durante a próxima década. Pretende também travar o crescimento das emissões de dióxido carbono lançadas para a atmosfera por automóveis ligeiros e pesados e reduzir a nossa dependência de petróleo vindo do exterior.Há dois pressupostos básicos que se destacam nesta iniciativa. O primeiro aborda os gases poluentes emitidos por veículos automóveis, que representaram 22% das nossas emissões de gases com efeitos de estufa em 2004. O segundo prende-se com um aumento dos incentivos à aceleração da utilização de combustíveis renováveis. Os EUA são já o país que lidera a produção mundial de bio-combustíveis, mas queremos aumentar ainda mais o uso de combustíveis renováveis e implementar padrões mais exigentes de forma a, até 2017, reduzir as nossas emissões anuais de dióxido de carbono em cerca de 10%, ou cerca de 175 milhões de toneladas métricas. As fontes serão diversificadas. Incluirão etanol extraído do milho, resíduos florestais, lascas de madeira, assim como biodiesel, metanol e outros combustíveis alternativos. Estas medidas terão um impacto bastante significativo e permitirão eliminar 15% da nossa utilização anual de gasolina.Mas não nos limitaremos a reduzir o uso de combustíveis fósseis. Ao renovar e aumentar as exigências estabelecidas pela Corporate Average Fuel Economy (CAFE) - uma iniciativa que regula os limites às emissões de gases poluentes por frotas de veículos comerciais - esperamos reduzir a utilização de gasolina em mais 5%, ou 32 mil milhões de litros. Isto fará com que um número crescente de cidadãos troque o seu carro por um veículo mais eficiente a nível energético. Desta forma, prevemos alcançar uma redução de 20% até 2017.Qual o impacto ambiental deste plano? Aumentar o uso de combustíveis renováveis e implementar padrões mais exigentes permitir-nos-á reduzir as nossas emissões anuais de dióxido de carbono em cerca de 10%, ou cerca de 175 milhões de toneladas métricas, até 2017. Traduzindo estes números, isto equivaleria à produção de 26 milhões de carros que não emitissem quaisquer gases poluentes. Para além disso, os sectores privado e público americanos já investiram mais de 29 mil milhões de dólares em programas relacionados com o combate às alterações climáticas. Concretizámos também avanços tecnológicos dignos de nota, como a produção de motores para veículos menos poluentes, o desenvolvimento de tecnologia a carvão limpa para produzir electricidade e de tecnologias ligadas à produção de energia eólica e solar que nos permitirão atingir os nossos objectivos num clima de crescimento económico e populacional.Para além de agir a nível interno, os EUA estão também a colaborar com outros países para combater as alterações climáticas. Neste contexto, um dos programas essenciais é a Parceria Ásia-Pacífico para o Clima e Desenvolvimento Limpo (APP), uma vez que gera resultados onde estes têm mais impacto, nomeadamente nos países que estão entre os maiores emissores de gases com efeitos de estufa.A iniciativa combina os esforços da Austrália, China, Índia, Japão, Coreia do Sul e EUA para concretizar objectivos energéticos, económicos e ambientais de forma complementar. Aqueles seis países representam cerca de metade da produção económica mundial, assim como da utilização de energia e das emissões de gases poluentes. Prevê-se que, até 2010, as emissões dos países em vias de desenvolvimento - nomeadamente da China e da Índia - ultrapassem as emissões dos países desenvolvidos. A APP conta com a parceria da China e da Índia e prevê a sua participação na maioria dos seus projectos. Temos vindo a estabelecer parcerias semelhantes com outros parceiros internacionais - incluindo vários países da União Europeia - para, entre outras iniciativas, recolher e utilizar gás metano e capturar e armazenar dióxido de carbono em segurança. Mas podemos fazer ainda mais. Com a nossa capacidade científica e os nossos recursos económicos, podemos, em conjunto, alcançar soluções tangíveis e práticas, por forma a dirimir as mudanças climáticas. Os Estados Unidos estão disponíveis para trabalhar com Portugal, com outros países da UE e com o resto do Mundo para responder a este desafio global.


Terra aquece por mais mil anos

Confirma-se a Terra aquece demasiado depressa e a temperatura média deverá aumentar mais 1,8 a 4 graus centígrados, daqui até ao final do século. Esta é a "melhor das estimativas" de seis cenários equacionados com um intervalo mais largo de probabilidades - de 1,1 a 6,4 graus - comparados com o período 1980-1999. Mas já não se poderá evitar o aumento médio de pelo menos 0,1 graus em cada década. Secas e tempestades e subida do nível médio dos oceanos de 18 a 58 centímetros são outras previsões dramáticas do 4.º relatório apresentado ontem pelo Grupo intergovernamental de Peritos sobre a Evolução do Clima (GIEC), num aviso sem precedentes da comunidade científica para a amplitude do aquecimento global e numa insistência quanto à responsabilidade humana no fenómeno.Dramáticas, mas expectáveis, face a antecipações dos últimos dias e a sucessivos estudos, as conclusões apresentam porém uma novidade os 500 especialistas de 130 países consideram haver 90% de probabilidades de acertarem nas suas previsões. No último relatório, de 2001, só arriscavam 66%. Apesar de as previsões se reportarem ao horizonte 2100, também já é certo que a temperatura continuará a aumentar nos próximos séculos e para além do milénio... Nunca um grau de certeza foi tão forte, depois da criação, pela Organização das Nações Unidas, em 1988, de uma vasta rede mundial de especialistas, nem tão expressamente vincada a responsabilidade dos gases com efeito de estufa (especialmente o dióxido de carbono) lançados para a atmosfera pelas sociedades "energívoras em petróleo, gás e carvão", na expressão certeira de uma jornalista da AFP, Anne Chaon. "Tudo converge para demonstrar a parte essencial do homem" no aquecimento global, disse o presidente do grupo, reunido desde segunda-feira passada em Paris, onde ontem o presidente da República francesa iniciou uma conferência internacional para a governação ecológica, enquanto as campainhas de alarme soavam nas principais capitais europeias, recolocando a necessidade de revisão dos acordos internacionais e de decidir sobre o futuro do Protocolo de Quioto (instrumento internacional destinado a reduzir as emissões de gases poluentes).Em Washington, George W. Bush terá acolhido "sem reservas" as conclusões do GIEC, mandando um porta-voz da Casa Branca declarar que o relatório "continuará para o conjunto dos conhecimentos para estudarmos e compreendermos a melhor maneira de responder aos desafios das alterações climáticas". Mas sem esboçar qualquer sinal de revisão da resistência ao Protocolo de Quioto, apesar das suas responsabilidades de grande poluidor (com 5% da população mundial, os EUA respondem por um quarto das emissões totais de CO2). * Com agências AFP e Lusa+ 1,8 ºC (1,1-2,9 ºC)O menos poluente, fruto de um Mundo convergente, diminuição da população e políticas de viabilidade económica e ambiental a nível mundial.+ 2,4 ºC (1,4-3,8) Crescimento muito rápido apoiado em energias não fósseis e tecnologias mais eficientes.+ 2,4 ºC (1,4-3,8 ºC)Viabilidade económica, social e ambiental com soluções locais.+ 2,8 ºC (1,7-4,4 ºC)Uso de energias fósseis e outras, com introdução rápida de tecnologias mais eficientes.+ 3,4 ºC (2-5,4 ºC)Mundo muito heterogéneo e desenvolvimento económico de orientação regional.+ 4 ºC (2,4-6,4 ºC)O mais poluente num mundo de crescimento muito rápido com recurso a energias fósseis.Principais conclusões do Relatório de peritos O essencial do aumento da temperatura média do Planeta desde meados do século XX deve-se, com 90% de certeza, ao aumento de gases poluentes emitidos pelo homem. As emissões mundiais de CO2 devidas ao uso de energias fósseis passaram de 6,4 mil milhões de toneladas por ano na década de 90 para 7,5 mil milhões anuais entre 2000 e 2005.O aquecimento na atmosfera e no oceano e a diminuição das massas de gelo conduzem à conclusão de que é "extremamente inverosímil" (ou seja, tem menos de 5% de probabilidade de se realizar) que as alterações climáticas mundiais dos últimos 50 anos possam ser explicadas apenas por causas naturais.As emissões "passadas e futuras de CO2 continuarão a contribuir para o aquecimento e para o aumento do nível médio do mar durante mais de um milénio", devido à duração da vida dos gases com efeito de estufa na atmosfera.Os 11 anos mais quentes desde que há registos de temperatura do ar à superfície (1850) ocorreram nos últimos 12 anos.A tendência de aquecimento nos últimos 50 anos (+0,13 graus por década) é aproximadamente o dobro da tendência dos últimos 100 anos.No fim do século, as temperaturas deverão aumentar entre mais 1,8 a mais quatro graus em relação a 1980-1999. Estas "melhores estimativas" são os valores médios de um intervalo mais largo 1,1 a 6,4 graus. As observações desde 1961 mostram que a temperatura média do oceano mundial aumentou até uma profundidade de três mil metros e que este absorveu mais de 80% do calor acrescentado ao sistema climático.O aquecimento da água do mar provoca a sua dilatação. O nível médio dos oceanos poderá aumentar, segundo vários cenários, entre 18 e 59 centímetros. Um aumento de 1,9 a 4,6 graus em relação à era pré-industrial causará o desaparecimento completo do gelo da Gronelândia e o aumento do nível do mar em cerca de sete metros.As simulações indicam diminuições de gelo no mar tanto no Árctico como na Antárctida em todos os cenários. Nalgumas, o gelo desaparece quase completamente no Árctico no final do Verão na segunda metade do século actual.Há mais de 90% de probabilidades de confirmar-se que o calor extremo, vagas de calor e os episódios de fortes precipitações serão cada vez mais frequentes.

País com mais ondas de calor


O aumento das ondas de calor e da poluição por ozono são algumas das consequências do aquecimento global ontem focadas no relatório científico do painel intergovernamental das Nações Unidas, com impacto mais visível e imediato em Portugal. Esta análise de Francisco Ferreira, docente universitário em qualidade do ar e responsável da associação Quercus para esta área, foi feita poucas horas após a divulgação do relatório dos peritos reunidos desde segunda-feira em Paris. Francisco Ferreira considera que o relatório contém "dados dramáticos" e apontou duas conclusões que já têm impactos visíveis em Portugal o aumento das ondas de calor e a concentração de ozono na superfície da Terra (ozono troposférico), sobretudo no Verão. "Os dados do Instituto de Meteorologia indicam que, desde 1940, tivemos uma onda de calor em 1981, outra em 1991, uma grande em 2003, duas em 2005 e cinco em 2006. Isto confirma que estão a agravar-se", sublinhou o especialista em declarações à agência Lusa. Francisco Ferreira alerta também para os frequentes episódios de poluição por ozono que acontecem todos os anos no nosso país - aquele em que a poluição por este gás atingiu valores mais elevados em 2005, na União Europeia, tendo excedido várias vezes o limiar de informação ao público, acima do qual existem efeitos para a saúde humana, em caso de exposição de curta duração, para populações mais sensíveis. Comentando a previsão dos cientistas, de que o aquecimento global fará subir o nível médio dos oceanos até 58 centímetros e multiplicar as secas e as vagas de calor, Francisco Ferreira lembrou que as previsões são ainda mais graves para Portugal.Cenários de 2004"O SIAM (relatório sobre cenários, impactos e medidas de adaptação às alterações climáticas em Portugal) aponta para uma subida de 110 centímetros", observou o ambientalista, manifestando o seu receio de que "o aquecimento global é um comboio que já não é possível travar", impondo-se acções urgentes.Recorde-se que o SIM indicou, em 2004, aumentos drásticos de temperatura, na ordem dos cinco a seis graus, nas regiões da Beira Baixa e do Alentejo, bem como ondas de calor mais requentes e prolongadas. Embora a diminuição da precipitação venha a ser muito mais evidente no Sul, mesmo a região Norte, que poderá obter ganhos no Inverno, poderá perder noutras estações. Um dos cenários então traçados pelos cientistas portugueses apontava uma perda de 20% nesta região em termos anuais.


Presidente francês propõe uma ONU só para o Ambiente


O presidente francês, Jacques Chirac, apelou ontem em Paris a uma tripla "revolução" ecológica para que o mundo entre na era do desenvolvimento sustentado. "Estamos à beira do irreversível, chegou o tempo da revolução das consciências, da economia e da acção política", disse no discurso de abertura da conferência internacional de Paris, após o lançamento do relatório do IPCC.Diante das cerca de duzentas personalidades políticas, científicas e culturais de 60 países, Chirac propôs a criação de uma Organização das Nações Unidas para o Ambiente. A ideia consiste em transformar o programa das Nações Unidas para o ambiente numa instituição independente, capaz de avaliar as ameaças ligadas às alterações climáticas e de pôr em prática as medidas decididas multilateralmente. Chirac pretende que se constitua um grupo de países pioneiros para lançar as bases desta instituição. Convidado a discursar na sessão de abertura da cimeira, o presidente da Comissão Europeia instou os responsáveis políticos a assumirem um papel mais importante na protecção do ambiente e na luta contra o aquecimento global. "Hoje, os cientistas do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas passaram-nos o testemunho", afirmou Durão Barroso, numa referência ao relatório divulgado horas antes, que resume os dados científicos disponíveis sobre a matéria.Lembrando que há hoje mais de 400 protocolos e convenções internacionais em matéria ambiental, Durão Barroso disse partilhar a ideia de que há uma falta de coerência nos dispositivos internacionais perante os desafios ambientais. "A Comissão Europeia apoia uma abordagem mais coordenada, nomeadamente pelo reforço das instituições no que toca ao seu mandato, às suas competências e ao seu financiamento", disse em declarações à imprensa. No entanto, nenhuma decisão foi ainda tomada. Durão Barroso fez notar que "a ideia de uma nova instituição agora lançada pela França é muito interessante, mas a Comissão Europeia deve reflectir um consenso generalizado, que ainda não existe na União Europeia" sobre a questão. Cabe assim a cada um dos Estados membros definir a sua posição, no quadro das Nações Unidas.O presidente da Comissão Europeia salientou o papel impulsionador da União Europeia ao propor-se reduzir as suas emissões de CO em 30% até 2020. Quanto aos EUA, que se mantêm à margem do protocolo de Quioto, Durão Barroso disse estar "confiante" numa mudança de posição. "Posso garantir que há hoje nos Estados Unidos uma maior consciência da urgência deste problema devido, sobretudo, à preocupação crescente com as questões de segurança energética", disse.Em nome do Governo português, o ministro do Ambiente disse ao DN que Portugal "concorda com a criação de uma ONU para o ambiente e que participará nas suas actividades quando essa organização for criada". Convidado a participar num dos seis debates que decorreram durante a tarde de ontem, Nunes Correia referiu ainda que "o pacote de medidas anunciadas na semana passada pelo primeiro-mi- nistro demonstram que Portugal aponta para metas que o colocam na linha da frente das iniciativas europeias em matéria ambiental" .Nicolas Hulot, apresentador de televisão francês e militante ecologista, encerrou a sessão com uma palavra de esperança, sublinhando que "o desafio ecológico encerra também a oportunidade de voltar a dar sentido à ideia de progresso"

Mais 40 países pedem organização ONU para meio ambiente

Mais de 40 países apoiam a criação de uma organi zação das Nações Unidas para o meio ambiente, hoje proposta na conferência inter nacional de Paris, como forma de impulsionar uma política mundial contra as alterações climáticas do planeta.
«Hoje, sabemos que a humanidade está destruir, a uma velocidade aterradora, os recursos e os equilíbrios que têm permitido o seu desenvolvimento e que têm determinado o seu futuro», afirmou o presidente francês, Jacques Chirac, cit ando o documento final da conferência que hoje termina em Paris e que reuniu, es ta semana, 500 delegados do Painel Intergovernamental das Alterações Climáticas.
O documento defende a transformação do actual Programa da ONU para o Meio Ambiente numa agência similar à Organização Mundial da Saúde (OMS), com o objectivo de ser uma «voz forte e reconhecida em todo o mundo» e que consiga «avaliar os danos ecológicos e compreender como enfrentá-los».
Fontes da presidência francesa referem que o «grupo pioneiro» de 46 nações que apoiam a nova organização é composto por uma maioria de países europeus e cerca de 20 países de África, Ásia e América Latina.
Os Estados Unidos e um conjunto de grandes países emergentes, como Chin a, Índia e Brasil, foram algumas das nações mais resistentes à criação desta nova organização.
«Lançamos assim um apelo solene para uma grande mobilização internacional contra a crise ecológica e em prole de um crescimento que tenha respeito pelo meio ambiente«, reforça o documento.
As principais conclusões do relatório apresentado sexta-feira em Paris pelos 500 delegados do Painel Intergovernamental das Alterações Climáticas (IPCC, na sigla inglesa) mostraram que o aquecimento global continuará durante séculos, sendo «inequívoco» e que «muito provavelmente» tem causa humana.
De acordo com o relatório dos especialistas mundiais, o planeta vai aqu ecer entre 1,8 e quatro graus até ao final do século e o nível dos mares subirá até 58 centímetros, fazendo multiplicar secas e vagas de calor.
O ministro do Ambiente português, Francisco Nunes Correia, foi um dos participantes na reunião para discutir a possível criação de uma agência para o Ambiente da ONU.
Diário Digital / Lusa
03-02-2007 15:22:00