
Um grupo de 46 países lançou o desafio para a criação de uma organização para o meio ambiente no âmbito das Nações Unidas. A referida organização teria papel semelhante ao desempenhado pela OMS no domínio da saúde, assimilando algumas das tarefas agora preenchidas pelo Programa da ONU para ao Meio Ambiente. As conclusões do último relatório sobre alterações climáticas estão na base desta proposta, que pode encontrar reticências por parte de alguns dos países mais poluidores do Mundo.Uma conferência de iniciativa do presidente francês decidiu ontem ,em Paris, lançar um apelo a toda a comunidade mundial para que esta se una e encontre uma estratégia de combate às alterações climáticas. Mais de 40 países, entre os quais Portugal, responderam "sim" à proposta, que lança a hipótese de uma Organização Mundial para o Ambiente, no quadro das Nações Unidas. O ministro Nunes Correia, que participou na reunião, afirmou que o nosso país "está na primeira linha de apoio" à criação da referida agência. Jacques Chirac, promotor do encontro de líderes, falou na necessidade de "reforçar a governança internacional do ambiente". Segundo o presidente francês, a nova organização deve não só avaliar os danos ecológicos, mas também "promover tecnologias e comportamentos mais respeitadores do meio ambiente" . Na conferência de Paris participaram ministros, administradores de empresa, representantes associativos e cientistas, num conjunto de 200 responsáveis, que subscreveram uma declaração reconhecendo ter chegado "o tempo da lucidez" e que faltava, até agora, "reconhecer que chegámos à beira do irreversível e do irreparável". Está já agendada uma reunião deste grupo de "amigos da Organização das Nações Unidas para o Ambiente". Ela terá lugar em Marrocos, em Abril próximo. Aí estarão representados quase todos os países da Europa, do Magrebe, alguns latino-americanos como o Chile e o Equador, bem como países muito pobres, caso do Burkina Faso, Madagascar e Cambodja. Jacques Chirac, que se encontra em fim de mandato, admitiu que "haverá muito a fazer para convencer" os países ricos e os grandes países emergentes como a China, Índia e o Brasil. Os países ricos, disse o presidente francês, "fecham-se sobre uma espécie de mito liberal, recusando aceitar as consequências dos seus actos", enquanto os países emergentes "não querem aceitar restrições".A Rússia já fez saber, através do seu vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, que "tem dúvidas" sobre a necessidade de uma nova organização da ONU.Comissário quer cortes O comissário europeu do Ambiente defende, numa entrevista publicada na edição dominical de um jornal alemão, que a primeira economia da zona euro deve fazer mais esforços na luta contra o aquecimento global. Stavros Dimas considera que a Alemanha tem obrigação de tomar consciência da sua responsabilidade e dar o exemplo."Muitos outros países estão mais próximos do objectivo fixado pelo Protocolo de Quioto, como o Reino Unido e a Suécia; outros, pelo contrário, escudam-se no exemplo alemão", afirma o comissário. Para Dimas, é altura de a Alemanha "traduzir as suas belas palavras em actos". Ontem, por sua vez, a chanceler Angela Merkel, mostrou-se satisfeita com as medidas tomadas pelo seu país e apelou a que a Comissão Europeia introduza limites para as emissões dos veículos novos, mas de forma gradual. Recorde-se que Merkel ameaçou bloquear a tentativa da Comissão para impor a redução de emissões a todo o sector automóvel.
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