Alfred, Hoffman Jr., Embaixador dos EUA em PortugalNo que respeita às alterações climáticas, os Estados Unidos e a Europa têm mais em comum do que possamos pensar. O que acontece é que partimos de diferentes contextos para atingir o objectivo comum de combater as alterações climáticas - temos diferentes taxas de crescimento populacional e necessidades energéticas distintas. E não existe uma via única para alcançar a redução das emissões de gases com efeito de estufa. Cada nação atingirá os seus objectivos de acordo com as suas metas globais de segurança energética e crescimento económico, o que não invalida que podemos e devemos expandir a nossa cooperação para atingir esses mesmos objectivos.Durante o discurso sobre o Estado da União, o presidente Bush anunciou um novo plano que marcará a diferença no que toca à resposta aos desafios que nos colocam as alterações climáticas, a segurança energética e o desenvolvimento sustentável. Combinando medidas obrigatórias, incentivos e programas voluntários, o plano tem por base novas tecnologias que criarão condições para um futuro de boa gestão ambiental e crescimento económico.Este novo plano surge inserido num longo registo de acções de combate às alterações climáticas que é, não raras vezes, esquecido. Chamamos-lhe "Vinte em Dez", porque tem como principal objectivo alcançar uma redução de 20% da utilização de gasolina nos EUA, durante a próxima década. Pretende também travar o crescimento das emissões de dióxido carbono lançadas para a atmosfera por automóveis ligeiros e pesados e reduzir a nossa dependência de petróleo vindo do exterior.Há dois pressupostos básicos que se destacam nesta iniciativa. O primeiro aborda os gases poluentes emitidos por veículos automóveis, que representaram 22% das nossas emissões de gases com efeitos de estufa em 2004. O segundo prende-se com um aumento dos incentivos à aceleração da utilização de combustíveis renováveis. Os EUA são já o país que lidera a produção mundial de bio-combustíveis, mas queremos aumentar ainda mais o uso de combustíveis renováveis e implementar padrões mais exigentes de forma a, até 2017, reduzir as nossas emissões anuais de dióxido de carbono em cerca de 10%, ou cerca de 175 milhões de toneladas métricas. As fontes serão diversificadas. Incluirão etanol extraído do milho, resíduos florestais, lascas de madeira, assim como biodiesel, metanol e outros combustíveis alternativos. Estas medidas terão um impacto bastante significativo e permitirão eliminar 15% da nossa utilização anual de gasolina.Mas não nos limitaremos a reduzir o uso de combustíveis fósseis. Ao renovar e aumentar as exigências estabelecidas pela Corporate Average Fuel Economy (CAFE) - uma iniciativa que regula os limites às emissões de gases poluentes por frotas de veículos comerciais - esperamos reduzir a utilização de gasolina em mais 5%, ou 32 mil milhões de litros. Isto fará com que um número crescente de cidadãos troque o seu carro por um veículo mais eficiente a nível energético. Desta forma, prevemos alcançar uma redução de 20% até 2017.Qual o impacto ambiental deste plano? Aumentar o uso de combustíveis renováveis e implementar padrões mais exigentes permitir-nos-á reduzir as nossas emissões anuais de dióxido de carbono em cerca de 10%, ou cerca de 175 milhões de toneladas métricas, até 2017. Traduzindo estes números, isto equivaleria à produção de 26 milhões de carros que não emitissem quaisquer gases poluentes. Para além disso, os sectores privado e público americanos já investiram mais de 29 mil milhões de dólares em programas relacionados com o combate às alterações climáticas. Concretizámos também avanços tecnológicos dignos de nota, como a produção de motores para veículos menos poluentes, o desenvolvimento de tecnologia a carvão limpa para produzir electricidade e de tecnologias ligadas à produção de energia eólica e solar que nos permitirão atingir os nossos objectivos num clima de crescimento económico e populacional.Para além de agir a nível interno, os EUA estão também a colaborar com outros países para combater as alterações climáticas. Neste contexto, um dos programas essenciais é a Parceria Ásia-Pacífico para o Clima e Desenvolvimento Limpo (APP), uma vez que gera resultados onde estes têm mais impacto, nomeadamente nos países que estão entre os maiores emissores de gases com efeitos de estufa.A iniciativa combina os esforços da Austrália, China, Índia, Japão, Coreia do Sul e EUA para concretizar objectivos energéticos, económicos e ambientais de forma complementar. Aqueles seis países representam cerca de metade da produção económica mundial, assim como da utilização de energia e das emissões de gases poluentes. Prevê-se que, até 2010, as emissões dos países em vias de desenvolvimento - nomeadamente da China e da Índia - ultrapassem as emissões dos países desenvolvidos. A APP conta com a parceria da China e da Índia e prevê a sua participação na maioria dos seus projectos. Temos vindo a estabelecer parcerias semelhantes com outros parceiros internacionais - incluindo vários países da União Europeia - para, entre outras iniciativas, recolher e utilizar gás metano e capturar e armazenar dióxido de carbono em segurança. Mas podemos fazer ainda mais. Com a nossa capacidade científica e os nossos recursos económicos, podemos, em conjunto, alcançar soluções tangíveis e práticas, por forma a dirimir as mudanças climáticas. Os Estados Unidos estão disponíveis para trabalhar com Portugal, com outros países da UE e com o resto do Mundo para responder a este desafio global.
domingo, fevereiro 04, 2007
Alterações climatéricase resultados tangíveis
Alfred, Hoffman Jr., Embaixador dos EUA em PortugalNo que respeita às alterações climáticas, os Estados Unidos e a Europa têm mais em comum do que possamos pensar. O que acontece é que partimos de diferentes contextos para atingir o objectivo comum de combater as alterações climáticas - temos diferentes taxas de crescimento populacional e necessidades energéticas distintas. E não existe uma via única para alcançar a redução das emissões de gases com efeito de estufa. Cada nação atingirá os seus objectivos de acordo com as suas metas globais de segurança energética e crescimento económico, o que não invalida que podemos e devemos expandir a nossa cooperação para atingir esses mesmos objectivos.Durante o discurso sobre o Estado da União, o presidente Bush anunciou um novo plano que marcará a diferença no que toca à resposta aos desafios que nos colocam as alterações climáticas, a segurança energética e o desenvolvimento sustentável. Combinando medidas obrigatórias, incentivos e programas voluntários, o plano tem por base novas tecnologias que criarão condições para um futuro de boa gestão ambiental e crescimento económico.Este novo plano surge inserido num longo registo de acções de combate às alterações climáticas que é, não raras vezes, esquecido. Chamamos-lhe "Vinte em Dez", porque tem como principal objectivo alcançar uma redução de 20% da utilização de gasolina nos EUA, durante a próxima década. Pretende também travar o crescimento das emissões de dióxido carbono lançadas para a atmosfera por automóveis ligeiros e pesados e reduzir a nossa dependência de petróleo vindo do exterior.Há dois pressupostos básicos que se destacam nesta iniciativa. O primeiro aborda os gases poluentes emitidos por veículos automóveis, que representaram 22% das nossas emissões de gases com efeitos de estufa em 2004. O segundo prende-se com um aumento dos incentivos à aceleração da utilização de combustíveis renováveis. Os EUA são já o país que lidera a produção mundial de bio-combustíveis, mas queremos aumentar ainda mais o uso de combustíveis renováveis e implementar padrões mais exigentes de forma a, até 2017, reduzir as nossas emissões anuais de dióxido de carbono em cerca de 10%, ou cerca de 175 milhões de toneladas métricas. As fontes serão diversificadas. Incluirão etanol extraído do milho, resíduos florestais, lascas de madeira, assim como biodiesel, metanol e outros combustíveis alternativos. Estas medidas terão um impacto bastante significativo e permitirão eliminar 15% da nossa utilização anual de gasolina.Mas não nos limitaremos a reduzir o uso de combustíveis fósseis. Ao renovar e aumentar as exigências estabelecidas pela Corporate Average Fuel Economy (CAFE) - uma iniciativa que regula os limites às emissões de gases poluentes por frotas de veículos comerciais - esperamos reduzir a utilização de gasolina em mais 5%, ou 32 mil milhões de litros. Isto fará com que um número crescente de cidadãos troque o seu carro por um veículo mais eficiente a nível energético. Desta forma, prevemos alcançar uma redução de 20% até 2017.Qual o impacto ambiental deste plano? Aumentar o uso de combustíveis renováveis e implementar padrões mais exigentes permitir-nos-á reduzir as nossas emissões anuais de dióxido de carbono em cerca de 10%, ou cerca de 175 milhões de toneladas métricas, até 2017. Traduzindo estes números, isto equivaleria à produção de 26 milhões de carros que não emitissem quaisquer gases poluentes. Para além disso, os sectores privado e público americanos já investiram mais de 29 mil milhões de dólares em programas relacionados com o combate às alterações climáticas. Concretizámos também avanços tecnológicos dignos de nota, como a produção de motores para veículos menos poluentes, o desenvolvimento de tecnologia a carvão limpa para produzir electricidade e de tecnologias ligadas à produção de energia eólica e solar que nos permitirão atingir os nossos objectivos num clima de crescimento económico e populacional.Para além de agir a nível interno, os EUA estão também a colaborar com outros países para combater as alterações climáticas. Neste contexto, um dos programas essenciais é a Parceria Ásia-Pacífico para o Clima e Desenvolvimento Limpo (APP), uma vez que gera resultados onde estes têm mais impacto, nomeadamente nos países que estão entre os maiores emissores de gases com efeitos de estufa.A iniciativa combina os esforços da Austrália, China, Índia, Japão, Coreia do Sul e EUA para concretizar objectivos energéticos, económicos e ambientais de forma complementar. Aqueles seis países representam cerca de metade da produção económica mundial, assim como da utilização de energia e das emissões de gases poluentes. Prevê-se que, até 2010, as emissões dos países em vias de desenvolvimento - nomeadamente da China e da Índia - ultrapassem as emissões dos países desenvolvidos. A APP conta com a parceria da China e da Índia e prevê a sua participação na maioria dos seus projectos. Temos vindo a estabelecer parcerias semelhantes com outros parceiros internacionais - incluindo vários países da União Europeia - para, entre outras iniciativas, recolher e utilizar gás metano e capturar e armazenar dióxido de carbono em segurança. Mas podemos fazer ainda mais. Com a nossa capacidade científica e os nossos recursos económicos, podemos, em conjunto, alcançar soluções tangíveis e práticas, por forma a dirimir as mudanças climáticas. Os Estados Unidos estão disponíveis para trabalhar com Portugal, com outros países da UE e com o resto do Mundo para responder a este desafio global.
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