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quarta-feira, novembro 11, 2009

Água resultante do degelo favorece absorção de CO2 pelo fitoplâncton

O gelo que derrete dos glaciares próximos da Península Antárctica devido ao aquecimento climático acelera o próprio processo de "descongelação" mas também permite ao oceano reter o dióxido de carbono absorvido pelo fitoplâncton, concluíram investigadores. Segundo os cientistas do centro de investigação British Antarctic Survey, a maior parte dos efeitos do aquecimento climático tem um retorno ou efeito de retroacção positivo: sem gelo, o calor da radiação solar é menos reflectido na atmosfera e mais absorvido pela água, o que acelera o mecanismo de degelo.

No entanto, a absorção de CO2 pelo fitoplâncton oceânico retarda o aquecimento, destacaram os investigadores britânicos, que publicaram hoje os seus trabalhos na revista digital "Global Change Biology".
Durante os últimos 50 anos, cerca de 24 mil quilómetros quadrados de gelo derreteram em redor da Península Antárctica, o que provocou eclosões de fitoplâncton, que absorve o carbono por fotossíntese. A parte do fitoplâncton que não é consumida pelos animais marinhos deposita-se no fundo do mar.
O investigador Lloyd Peck e os seus colegas consideram - com base em fotografias de algas verdes captadas na zona - que 3,5 milhões de toneladas de carbono (o equivalente a 12,8 milhões de toneladas de CO2) ficavam no fundo do oceano perto da Península Antárctica.
Esta quantidade equivale à capacidade de armazenamento de dióxido de carbono que têm 6.000 a 17 mil hectares de floresta tropical, segundo os autores da investigação. Trata-se de uma gota de água, se comparada com as quantidades de CO2 resultantes da utilização dos combustíveis fósseis e da desflorestação, que ascenderam a 8,7 mil milhões de toneladas em 2007.
"É, ainda assim, uma descoberta importante", na opinião de Lloyd Peck, para quem o fenómeno é um sinal da "capacidade da natureza para contrariar as adversidades" e deve ser tido em conta nas futuras previsões relativas às alterações climáticas.


quarta-feira, novembro 04, 2009

Kilimanjaro sem gelo dentro de 20 anos



A neve que cobre o monte Kilimanjaro, o pico mais alto de África, está a diminuir rapidamente e poderá desaparecer dentro de 20 anos, alerta um estudo publicado na revista "Proceedings of the National Academy of Sciences".

Esta foi a primeira vez que investigadores calcularam os valores de perda de gelo em áreas montanhosas e os resultados não foram positivos.
A camada de gelo diminuiu 26 por cento desde o ano 2000 até aos dias de hoje. Os dados são mais alarmantes ao comparar-se esta camada entre 1912 e 2007, pois neste espaço de tempo, a capa de neve diminuiu 85 por cento.
As principais causas apontadas pelos especialistas para a evolução deste fenómeno são o aumento das temperaturas do planeta e as mudanças na nebulosidade e nas precipitações.
Tanto a norte, como a sul, os cumes do Kilimanjaro sofreram uma redução de 1,9 e 5,1 metros, respectivamente. Um exemplo disso é o pequeno glaciar Furtwangler, que diminuiu 50 por cento entre 2000 e 2009. Segundo Lonnie Thompson, co-autor do estudo e professor da Universidade de Ohio, este glaciar montanhoso corre o risco de desaparecer de um ano para o outro.
Os especialistas referiram ainda no estudo que esta rápida fusão do gelo demonstra que as condições climáticas que afectam actualmente o Kilimanjaro jamais foram vividas durante 11 milénios.
Um dos principais impactos do desaparecimento destes glaciares poderá ocorrer ao nível da disponibilidade de água em nascentes e poços que são parcialmente abastecidos com água de origem glaciar.

O planeta tem hoje mais de 17.200 espécies ameaçadas de extinção



03.11.2009  - PÚBLICO
A ameaça de extinção a plantas e animais não pára de aumentar. Hoje, a UICN (União Internacional para a Conservação) revelou a actualização da Lista Vermelha. Das 47.677 espécies registadas, 17.291 estão ameaçadas de extinção.
Segundo esta lista, estão ameaçados 21 por cento de todas as espécies de mamíferos conhecidas para a ciência, 30 por cento dos anfíbios, 12 por cento das aves, 28 por cento dos répteis, 37 por cento dos peixes de água doce, 70 por cento das plantas e 35 por cento dos invertebrados.
“É cada vez mais claro e evidente que está a formar-se uma séria crise de extinções”, comentou Jane Smart, directora do Grupo de Conservação da Biodiversidade da UICN, em comunicado. “Em Janeiro será lançado o Ano Internacional da Biodiversidade. Mas a análise mais recente da Lista Vermelha da UICN mostra que a meta para 2010 de reduzir a perda de biodiversidade não será alcançada”, lamentou. “Já é altura de os Governos começarem a falar a sério sobre a conservação das espécies e colocar a questão no topo das suas agendas para o próximo ano. Estamos a ficar sem tempo”.
A Lista Vermelha revela que dos 5490 mamíferos do planeta, 79 estão extintos ou extintos na natureza, 188 estão Criticamente Ameaçados, 449 estão Ameaçados e 505 estão Vulneráveis.
Agora, esta lista tem 1677 espécies de répteis, 293 das quais acrescentadas este ano. No total, 469 estão ameaçadas de extinção e 22 já estão extintas ou extintas na natureza.
“Os répteis do planeta estão, sem dúvida, a sofrer, mas a situação pode ser muito pior do que parece”, comentou Simon Stuart, responsável pela Comissão da UICN para a Sobrevivência das Espécies. “Precisamos de uma avaliação de todos os répteis para compreender a gravidade da situação. Mas não temos os dois ou três milhões de dólares [1355 milhões ou 2032 milhões de euros] para a fazer”, salientou.
Actualmente, 1895 das 6285 espécies de anfíbios estão em perigo de extinção, tornando-os no grupo mais ameaçado. Destes, 39 estão extintos ou extintos na natureza, 484 estão Criticamente Ameaçados, 754 estão Ameaçados e 657 estão Vulneráveis.
Quanto às plantas, das 12.151 espécies na Lista Vermelha, 8500 estão ameaçadas de extinção, com 114 já extintas ou extintas na natureza.
A Lista tem 7615 espécies de invertebrados, 2639 estão ameaçados de extinção, e 2306 moluscos, 1036 dos quais estão ameaçados. Além disso, 3120 espécies de peixe de água doce figuram agora na Lista, quando no ano passado eram 510.
“Estes resultados são apenas a ponta do iceberg. Só conseguimos avaliar 47.663 espécies até agora: há muitos mais milhões lá fora que podem estar gravemente ameaçados”, comentou Craig Hilton-Taylor, gestor da Unidade da Lista Vermelha da UICN.

Hope Plus, o portal que espera vir a "fazer a diferença" em termos globais

04.11.2009 - PÚBLICO


O Presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, e o ex-homem-forte da Microsoft, Bill Gates, foram convidados a dar o seu apoio e a promoverem um portal que promova políticas sociais à escala global.
O portal vai chamar-se Hope Plus e tem como objectivo permitir a todas as pessoas do mundo que se preocupem com os outros e com o planeta em que vivem colaborarem em projectos como a construção de escolas e a luta contra a poluição.
Apesar de ainda estar a ser construído, o portal é já identificado como “um lugar onde as pessoas se podem encontrar e participar, online, na mudança do mundo”.
O site - que está a ser desenvolvido pela agência de consultoria política americana PoliticsOnline - deverá arrancar oficialmente em Dezembro, durante a conferência sobre as alterações climáticas, em Copenhaga (Dinamarca).
O fundador do projecto, Phil Noble, disse numa entrevista ao britânico E-Government Bulletin que “a ideia é criar o equivalente a um Peace Corps online, de dimensão mundial; um eBay global para a ajuda” internacional.
O portal será poliglota e consistirá numa vasta gama de projectos de activismo. Empresas como a Microsoft, Monster, Cisco e IBM estão igualmente envolvidas na criação do site.
Os conteúdos do portal e a forma como ele se desenvolverá serão da responsabilidade da comunidade, explica a BBC.
“A maioria das Organizações Não-Governamentais (ONG) ainda são muito Web 1.0 e nós queremos aplicar a tecnologia da Web 2.0 que Barack Obama usou de forma tão eficiente a todo o mundo que quer ajudar”, indicou ainda Phil Noble.
Este portal poderia ajudar as ONG e as instituições de caridade a desenvolverem novos projectos sem terem que se envolver em complicadas burocracias.
“Até agora, as tentativas de e-democracia e de bem social têm sido feitas em pequena escala, construídas em torno de comunidades e assuntos singulares. Esta é a primeira tentativa de transformar isto numa iniciativa internacional”, indicou Dan Jellinek, o editor do E-Government Bulletin.

Copenhaga

"No que diz respeito aos desafios do clima, devemos alcançar um acordo ambicioso em Copenhaga e um compromisso dos maiores países do mundo".

Lars Loekke Rasmussen, primeiro-ministro dinamarquês, 02-11-2009

Famílias de Mafra sensibilizadas para poupar água


O consumo médio diário de água em Mafra é de 434 litros por habitação, enquanto a média nacional é de 310 litros.


03.11.2009 - Lusa

Seis famílias de Mafra, englobadas no programa Ecofamílias da associação ambientalista Quercus, vão poder poupar na factura da água a partir de dia 6 de Novembro através da aplicação de redutores de caudal nas torneiras para controlar os consumos.

“Como já conhecemos os seus comportamentos e os seus hábitos vamos oferecer redutores de caudal para as torneiras mais utilizadas para vermos nos próximos seis meses se haverá poupança no consumo de água”, contou à Agência Lusa Ana Rita Nunes, coordenadora do programa. Além disso, a Quercus vai entregar também um conjunto de recomendações com o objectivo de levar as famílias a alterar os seus hábitos.
Dados da Quercus resultantes da fase de monitorização dos consumos revelam que o consumo médio diário de água em Mafra é de 434 litros por habitação, um valor que é superior ao consumo nacional médio diário, estimado em 310 litros por casa.
Através da instalação de redutores de caudal nas torneiras, a Quercus pretende “acompanhar os consumos reais de água ao nível doméstico” para poder “avaliar os potenciais de poupança de água das famílias”.
O programa visa “avaliar comportamentos, hábitos de consumo e identificar oportunidades de melhoria da eficiência na utilização da água”, sendo por isso efectuado um acompanhamento directo das famílias como forma de sensibilizar os consumidores para a poupança nos consumos de água para fins domésticos.
Por sua vez, começa esta semana na região Oeste a monitorização dos consumos de água junto de sete famílias que de forma voluntária aderiram ao programa.


segunda-feira, novembro 02, 2009

Lixo tecnológico «esquecido»

Investigadores americanos alertam para a necessidade de políticas que resolvam esta problemática

O desenvolvimento da “Era Tecnológica” fez nascer um problema poucas vezes lembrado, a acumulação do lixo electrónico que resulta da obsolescência de alguns equipamentos.



No artigo “The Electronics Revolution: From E-Wonderland to E-Wasteland”, publicado hoje na revista Science, investigadores da Universidade da Califórnia alertam para esta problemática e para a necessidade de políticas adequadas de reciclagem.
Computadores, telemóveis e outros aparelhos electrónicos descartados representam o tipo de resíduos sólidos que mais prolifera no mundo, inclusive nos países subdesenvolvidos. O principal problema deste “lixo” reside nas baterias, que contêm substâncias tóxicas prejudiciais ao ambiente.
Os investigadores destacam que os impactos ambientais não ocorrem apenas quando os materiais são descartados, mas também no processo de fabrico.
“Há riscos de toxidade consideráveis em todo o mundo. Por exemplo, a concentração média de chumbo no sangue das crianças que vivem em Guiyu, na China, um conhecido destino de lixo electrónico, é de 15,2 microgramas por decilitro", referem os autores do artigo. Embora não haja um limite oficialmente estabelecido para a exposição ao chumbo, os especialistas consideram os níveis registados em Guiyu alarmantes.
Relativamente aos EUA, foi estimado que existam 747 milhões de artigos electónicos descartados, o que equivale a um peso superior a 1,36 milhões de toneladas. Neste sentido, os investigadores pedem que os governos dos Estados Unidos e de outros países coloquem em prática medidas urgentes para o tratamento destes equipamentos. Além disso, destacam a necessidade de se encontrarem alternativas para os componentes que causem menos impactos à saúde humana e ao ambiente.

Rã dos bosques sobrevive a congelamento

As rãs dos bosques (rana sylvatica) estão bem adaptadas ao clima gelado dos habitats do Norte dos Estados Unidos. Estas criaturas evoluíram e desenvolveram a habilidade de enganar a morte, ou seja, conseguem sobreviver após congelarem quase totalmente, segundo revelaram testes laboratoriais. A forma como tudo acontece pode, eventualmente, vir a ser copiada para ajudar no transplante de órgãos humanos.





De acordo com a recente edição da National Geographic, a rana sylvatica pode chegar a ter 70 por cento da água interna em gelo, durante até quatro semanas, encolhida em covas de árvores, segundo investigadores do Laboratory for Ecophysiological Cryobiology, da Universidade de Miami, Ohio (EUA).
Esta resistência deve-se à mudança das águas em áreas menos susceptíveis de congelar, e ao facto de estas rãs terem um "anticongelante" natural no sangue que evita a desidratação das células. Durante o processo de descongelamento, o coração dos animais volta a bater e os movimentos naturais regressam depois um dia, dizem os cientistas. A rã dos bosques mais comum dispõe de um traço próprio chamado de “tolerância ao congelamento”.
Quando o mercúrio começa a descer, o anfíbio transforma-se em cubo de gelo em formato de rã. O biólogo Jack Layne, do Slippery Rock, Universidade da Pennsylvânia referiu que “o coração e a respiração param e tudo aponta para o facto de estarem mortas”.
O metabolismo do anfíbio começa a diminuir e a temperatura do corpo desce para – 6º a – 1º Célsius, fazendo com que o cérebro e o coração parem de funcionar. Contudo, se chegar abaixo dos – 6º não se conseguirão reanimar – o que dificilmente acontecerá já que a neve serve de isolamento natural e mantém a criatura suficientemente quente durante o período de hibernação.
Especialistas, como os bioquímicos Ken e Janet Storey, da Universidade de Carleton (Canadá), acreditam que esta capacidade foi desenvolvida durante a Idade do gelo, há 15 mil anos e por isso, se permitem sobreviver a climas mais severos, mas não se encontram, por exemplo, no sul dos EUA.

Preservação de órgãos
Imagens publicadas por Boris Rubinsky, um engenheiro da Universidade da Califórnia, Berkeley (EUA), na revista «Discover», mostram como é que a água se mantém nas células do fígado. Para as representações usou um scanner CT baseado em calor.
Este processo pode revelar como preservar órgãos humanos usados em transplantes. Durante o período de hibernação, dois terços da água existente no anfíbio congelam e a restante, nomeadamente, a existente nas células, permanece líquida.
A glicose produzida pelo fígado da rã diminui a descida de temperatura e limita a formação de gelo no corpo, assim como evita os estragos provocados pelo encolhimento das células – próprio do congelamento.

Casa em bambu: Opção sustentável

Foi apresentado, esta semana em Barcelona (Espanha), um sistema de armazenamento natural de dióxido de carbono (CO2), usando bambu como material principal na construção, de forma a promover vivendas sustentáveis. O projecto foi o vencedor do Prémio 2008 da Fundação Altran para a Inovação, segundo avançou o jornal «El Mundo».

Para além de reduzir a concentração de CO2 na atmosfera, será ainda uma mais valia para o negócio dos países produtores da cana, em países subdesenvolvidos. A criação é de Francisco Gallo e o sistema supõe a transformação do bambu em material moldável para a construção de elementos prefabricados que permitam levantar os edifícios com bastante rapidez.




O bambu pode absorver até 30 por cento mais de CO2 do que outros materiais normalmente usados nas construções e os benefícios deste novo negócio irá repercutir directamente na população produtora.
O criador explicou ao diário espanhol que as áreas limítrofes, onde cresce o bambu gigante, coincidem com as fronteiras de vários países tropicais subdesenvolvidos e para além de ser uma fonte de negócio, representa uma nova forma natural e rápida de construírem os seus próprios edifícios, até cinco pisos.
A primeira habitação deste género será construída em Pereira, na Colômbia, por volta de 2010 e, segundo Gallo, embora o valor inicial destas vivendas seja superior ao das casas tradicionais, aquilo que se economizará em energia acabará por compensar.