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segunda-feira, novembro 02, 2009

Rã dos bosques sobrevive a congelamento

As rãs dos bosques (rana sylvatica) estão bem adaptadas ao clima gelado dos habitats do Norte dos Estados Unidos. Estas criaturas evoluíram e desenvolveram a habilidade de enganar a morte, ou seja, conseguem sobreviver após congelarem quase totalmente, segundo revelaram testes laboratoriais. A forma como tudo acontece pode, eventualmente, vir a ser copiada para ajudar no transplante de órgãos humanos.





De acordo com a recente edição da National Geographic, a rana sylvatica pode chegar a ter 70 por cento da água interna em gelo, durante até quatro semanas, encolhida em covas de árvores, segundo investigadores do Laboratory for Ecophysiological Cryobiology, da Universidade de Miami, Ohio (EUA).
Esta resistência deve-se à mudança das águas em áreas menos susceptíveis de congelar, e ao facto de estas rãs terem um "anticongelante" natural no sangue que evita a desidratação das células. Durante o processo de descongelamento, o coração dos animais volta a bater e os movimentos naturais regressam depois um dia, dizem os cientistas. A rã dos bosques mais comum dispõe de um traço próprio chamado de “tolerância ao congelamento”.
Quando o mercúrio começa a descer, o anfíbio transforma-se em cubo de gelo em formato de rã. O biólogo Jack Layne, do Slippery Rock, Universidade da Pennsylvânia referiu que “o coração e a respiração param e tudo aponta para o facto de estarem mortas”.
O metabolismo do anfíbio começa a diminuir e a temperatura do corpo desce para – 6º a – 1º Célsius, fazendo com que o cérebro e o coração parem de funcionar. Contudo, se chegar abaixo dos – 6º não se conseguirão reanimar – o que dificilmente acontecerá já que a neve serve de isolamento natural e mantém a criatura suficientemente quente durante o período de hibernação.
Especialistas, como os bioquímicos Ken e Janet Storey, da Universidade de Carleton (Canadá), acreditam que esta capacidade foi desenvolvida durante a Idade do gelo, há 15 mil anos e por isso, se permitem sobreviver a climas mais severos, mas não se encontram, por exemplo, no sul dos EUA.

Preservação de órgãos
Imagens publicadas por Boris Rubinsky, um engenheiro da Universidade da Califórnia, Berkeley (EUA), na revista «Discover», mostram como é que a água se mantém nas células do fígado. Para as representações usou um scanner CT baseado em calor.
Este processo pode revelar como preservar órgãos humanos usados em transplantes. Durante o período de hibernação, dois terços da água existente no anfíbio congelam e a restante, nomeadamente, a existente nas células, permanece líquida.
A glicose produzida pelo fígado da rã diminui a descida de temperatura e limita a formação de gelo no corpo, assim como evita os estragos provocados pelo encolhimento das células – próprio do congelamento.

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