Ciclo de vida passa por milhares de quilómetros. "Stocks" estão em perda
2009-01-24
EDUARDA FERREIRA
A população de enguias diminui em Portugal e no resto da Europa. Por cá, a monitorização feita por cientistas revela que a saúde da espécie não está mal, mas a sua apanha ilegal como angula ou meixão ameaça a conservação.
Reproduzem-se a seis mil quilómetros da costa portuguesa, no Mar dos Sargaços, e chegam à nossa plataforma continental ainda como angulas ou meixão. Irão atingir a maioridade nos nossos rios, estuários e lagoas costeiras. Se muitas não chegarem a essa fase, não se dá o retorno até ao outro lado do Atlântico e não haverá reprodução.
Parte da aventura desta espécie é acompanhada pelos cientistas Isabel Domingos e Lino Costa, do Instituto de Oceanografia, da Faculdade de Ciências de Lisboa. Estes biólogos desenvolveram um projecto, em conjunto com o Oceanário de Lisboa, para analisar o impacto dos metais pesados e de um parasita na população de enguias (este último não é prejudicial á saúde humana). O estudo só fica concluído em Junho, mas eles podem adiantar já que os níveis de mercúrio, cádmio, cobre, zinco e chumbo "são relativamente baixos face ao de enguias de outros países europeus", sobretudo os do Norte. É certo que o mercúrio ainda subsiste em zonas do Barreiro e Aveiro (de cuja Universidade contaram com a colaboração de Eduarda Pereira). Mas, resumem, "são boas notícias".
Os dois biólogos têm doutoramento em enguias (Isabel Domingos) e pós- doutoramento no mesmo tema (Lino Costa). Eles deram o seu contributo científico a uma comissão oficial que tem por tarefa avançar um plano de conservação das enguias a nível europeu (ver caixa ao lado). Não havendo dados anteriores, estes cientistas admitem que a população de enguias esteja a diminuir. Contributos: a apanha do meixão (que aliás só é legal em Portugal no Rio Minho, pois que em Espanha é permitida) e os obstáculos colocados pela regularização dos cursos de água, que também anulam ou reduzem a complexidade do meio necessária à alimentação das enguias. As alterações climáticas, com mudança de temperatura de águas e correntes, poderão puxar a espécie para Norte.
A nível europeu tem havido redução dos "stocks", afiançam os mesmos investigadores. E, alertam, "se cada país reduzir a população reprodutora, isso vai afectar o quantitativo da espécie". Isto diz respeito aos exemplares de enguia prateada, coloração correspondente à fase em que os adultos estão prontos a emigrar para o Mar dos Sargaços e aí reproduzir-se. Enquanto por cá estão, elas têm uma fase adulta dourada. Aos seis ou oito anos estão prontas para partir. Nessa fase têm em média 32 centímetros, no caso dos machos. A viagem pode demorar cerca de um ano.
2009-01-24
EDUARDA FERREIRA
A população de enguias diminui em Portugal e no resto da Europa. Por cá, a monitorização feita por cientistas revela que a saúde da espécie não está mal, mas a sua apanha ilegal como angula ou meixão ameaça a conservação.
Reproduzem-se a seis mil quilómetros da costa portuguesa, no Mar dos Sargaços, e chegam à nossa plataforma continental ainda como angulas ou meixão. Irão atingir a maioridade nos nossos rios, estuários e lagoas costeiras. Se muitas não chegarem a essa fase, não se dá o retorno até ao outro lado do Atlântico e não haverá reprodução.
Parte da aventura desta espécie é acompanhada pelos cientistas Isabel Domingos e Lino Costa, do Instituto de Oceanografia, da Faculdade de Ciências de Lisboa. Estes biólogos desenvolveram um projecto, em conjunto com o Oceanário de Lisboa, para analisar o impacto dos metais pesados e de um parasita na população de enguias (este último não é prejudicial á saúde humana). O estudo só fica concluído em Junho, mas eles podem adiantar já que os níveis de mercúrio, cádmio, cobre, zinco e chumbo "são relativamente baixos face ao de enguias de outros países europeus", sobretudo os do Norte. É certo que o mercúrio ainda subsiste em zonas do Barreiro e Aveiro (de cuja Universidade contaram com a colaboração de Eduarda Pereira). Mas, resumem, "são boas notícias".
Os dois biólogos têm doutoramento em enguias (Isabel Domingos) e pós- doutoramento no mesmo tema (Lino Costa). Eles deram o seu contributo científico a uma comissão oficial que tem por tarefa avançar um plano de conservação das enguias a nível europeu (ver caixa ao lado). Não havendo dados anteriores, estes cientistas admitem que a população de enguias esteja a diminuir. Contributos: a apanha do meixão (que aliás só é legal em Portugal no Rio Minho, pois que em Espanha é permitida) e os obstáculos colocados pela regularização dos cursos de água, que também anulam ou reduzem a complexidade do meio necessária à alimentação das enguias. As alterações climáticas, com mudança de temperatura de águas e correntes, poderão puxar a espécie para Norte.
A nível europeu tem havido redução dos "stocks", afiançam os mesmos investigadores. E, alertam, "se cada país reduzir a população reprodutora, isso vai afectar o quantitativo da espécie". Isto diz respeito aos exemplares de enguia prateada, coloração correspondente à fase em que os adultos estão prontos a emigrar para o Mar dos Sargaços e aí reproduzir-se. Enquanto por cá estão, elas têm uma fase adulta dourada. Aos seis ou oito anos estão prontas para partir. Nessa fase têm em média 32 centímetros, no caso dos machos. A viagem pode demorar cerca de um ano.



