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domingo, novembro 23, 2008

Obama promete envolvimento enérgico na luta contra alterações climáticas

Barack Obama promete “empenhar-se energicamente” nas discussões sobre as alterações climáticas e sublinha que negar a existência do problema não permitirá encontrar medidas de combate adequadas ao aquecimento global.

Numa mensagem enviada aos delegados da conferência anual sobre o clima, que se realiza no início de Dezembro na Polónia, sob a égide das Nações Unidas, o Presidente eleito dos EUA prometeu rever a política americana nesta matéria.

“Ainda que não seja Presidente aquando do vosso encontro (...) pedi aos membros do Congresso que vão estar presentes na conferência enquanto observadores que me reportarem o que aí foi dito”. “E assim que assumir funções, podem estar seguros que os EUA vão empenhar-se energicamente nas negociações e ajudarão a guiar o mundo para uma nova era de cooperação mundial sobre as alterações climáticas”, acrescenta.

Apesar da atenção internacional estar concentrada na crise, Obama diz que “este é o momento de enfrentar o desafio [do aquecimento global] de uma vez por todas. Esperar deixou de ser uma opção. Negá-lo deixou de ser uma resposta aceitável.

Também hoje, numa mensagem de vídeo enviada à cimeira de governadores americanos, que estão reunidos em Los Angeles para discutir as consequências das alterações climáticas, o Presidente eleito reiterou os planos para impor um sistema que limite as emissões de dióxido de carbono à indústria.

“Vamos estabelecer objectivos anuais apertados que nos permitam reduzir as emissões para níveis de 1990 até 2020 e reduzi-las em mais 80 por cento até 2050”, afirmou Obama, garantindo que a sua presidência “vai marcar um novo capítulo na liderança americana das políticas climáticas, o que contribuirá para reforçar a segurança e criar milhões de novos empregos”.

Países africanos adoptam plataforma comum sobre alterações climáticas



Os países africanos adoptaram hoje uma plataforma comum sobre as alterações climáticas, que servirá de base para as negociações na conferência das Nações Unidas sobre o Clima, em Copenhaga, na Dinamarca, prevista para Dezembro de 2009.

A plataforma foi assumida por perto de 50 Estados que participaram na conferência de ministros africanos do Ambiente, anunciou em sessão plenária o ministro delegado argelino dos Assuntos Africanos e Magrebinos, Abdelkader Messahel.

"Haverá uma posição africana comum" e "África considera e quer 'falar a uma só voz'", acrescentou.

A plataforma defende uma reforma e um alargamento das fontes de financiamento dos mecanismos de desenvolvimento limpo, que permitem aos países desenvolvidos compensar parte das suas emissões de dióxido de carbono, causadoras do aquecimento do planeta, desde que invistam num projecto "limpo".

Conheça as prendas de Natal que evitam o desperdício

Que prendas de Natal nos ajudam a fugir ao "consumismo desenfreado"? Para nos ajudar, o grupo O Contador de Histórias está a organizar um atelier com propostas e soluções contra a crise e desperdício, em Novembro e Dezembro, para quem for à Biblioteca de S. Roque do Pico, ilha do Pico, Açores.

"O Desperdício do Natal" é uma iniciativa da Ecoteca do Pico e do Grupo O Contador de Histórias na recentemente inaugurada Biblioteca de S. Roque, na Ilha do Pico, nos Açores. Divide-se em duas componentes: no dia 27 de Novembro às 20h00 realiza-se uma "Oficina para adultos onde se promoverá o livro como uma das melhores ofertas mas onde também se darão sugestões sobre a compra racional, a reutilização, como reduzir e o que fazer com os embrulhos, entre outras sugestões". Esta oficina será conduzida por Filipe Lopes d’O Contador de Histórias e Carla Goulart Silva, directora da Ecoteca do Pico.

Nos dias 3, 4 e 5 de Dezembro decorrerão sessões para as escolas (por marcação prévia), para alunos do pré-escolar, 1º e 2º ciclos. "Nestas sessões (adaptadas a cada escalão etário) são contadas algumas histórias sobre os valores que devem nortear a época de Natal e como eles estão presentes e são vividos noutros locais do mundo e nas diversas religiões. Valorizando os sentimentos e relativizando os bens materiais, esta acção procura sensibilizar para o respeito e tolerância, através do conto, dos livros e da leitura, incluindo-se numa estratégia de educação para a cidadania".



Contactos:

Telem: 91.856.96.62; 91.256.89.44

Email: mail@ocontadordehistorias.com

Comissão Europeia adopta documento que define bases da política para o Árctico



A Comissão Europeia adoptou hoje um documento que define as bases da política da União Europeia para o Árctico, região nas proximidades da Europa, prevendo uma resposta coordenada a novos desafios, como as alterações climáticas.

A União Europeia afirma-se disposta a colaborar com os Estados daquela região “para consolidar a estabilidade, melhorar a governação multilateral na região (...) e encontrar um equilíbrio adequado entre o objectivo prioritário, que consiste em preservar o ambiente (...), e a necessidade de utilizar de modo sustentável os recursos naturais, incluindo os hidrocarbonetos”, comentou Benita Ferrero-Waldner, comissária responsável pelas Relações Externas.

O documento define três objectivos estratégicos principais: proteger e preservar o Árctico, promover a utilização sustentável dos recursos e contribuir para melhorar a governação multilateral da região.

Para os concretizar, propõe um pacote de medidas, entre as quais a promoção da investigação, a melhoria da vigilância marítima, a monitorização de produtos químicos e a extensão ao Árctico do quadro regulamentar vigente em matéria de pesca.

“Não podemos permanecer impassíveis perante as alarmantes alterações climáticas que afectam o Árctico e, consequentemente, o resto do nosso planeta”, disse Joe Borg, comissário europeu responsável pelos Assuntos Marítimos e as Pescas.

“Dado que muitas políticas europeias em domínios como as alterações climáticas, o ambiente, a energia, a investigação, a pesca e os transportes têm repercussões directas no Árctico, é necessária uma acção coordenada. A política marítima integrada pode fornecer a indispensável plataforma de colaboração nesse contexto.”, acrescentou.

Moura diminiu gasto de água em 20 milhões de litros por mês




O gasto de água em Moura diminuiu 20 milhões de litros por mês depois da renovação da rede urbana de abastecimento. A cidade alentejana investiu dois milhões de euros na substituição da canalização que em alguns locais tinha perto de 50 anos.

"As medições feitas desde o passado mês de Agosto revelam que a cidade está a gastar menos 20 milhões de litros de água por mês", em comparação com os volumes gastos antes da renovação de "parte substancial" da rede pública urbana de abastecimento, que "em alguns locais tinha quase 50 anos", disse o vereador Santiago Macias.

A empreitada, que começou em Janeiro de 2007 e está "quase concluída", permitiu "renovar a rede pública de água, em várias artérias da cidade, sobretudo no centro histórico", para "garantir a eficácia do abastecimento e uma melhor gestão da água".

"Conseguimos diminuir de forma radical as roturas que existiam na rede, eliminar perdas subterrâneas de água e resolver problemas de abastecimento, nomeadamente ao nível da pressão", frisou Santiago Macias.

A "diminuição significativa do esforço de captação" de água salientou, "vai permitir gerir melhor e prolongar a vida útil do aquífero Moura-Ficalho", que abastece a sede de concelho.

"O investimento na melhoria do abastecimento público de água às populações do concelho vai continuar", garantiu Santiago Macias, adiantando que, através da Associação de Municípios Alentejanos para a Gestão do Ambiente, está a decorrer o processo de adjudicação da construção de uma conduta de abastecimento em alta, que "irá ligar a Fonte da Telha ao ponto de captação junto do rio Ardila".

A conduta, cuja construção está orçada em 2,5 milhões de euros, vai servir para "abastecer todo o concelho de Moura, à excepção da freguesia rural de Sobral da Adiça".

A autarquia já lançou o concurso público para a renovação da rede de saneamento naquela freguesia, num investimento previsto de 800 mil euros, e, "no final de 2009", prevê "avançar com a renovação da rede de água em alguns bairros periféricos de Moura".

Gaia: Rio afectado por derrame de ácido clorídrico em Agosto vai ser monitorizado



Um protocolo foi assinado hoje entre o Parque Biológico de Gaia e a Faculdade de Ciências do Porto para garantir a monitorização do Rio Febros, afluente do rio Douro que, em finais de Agosto, foi atingido por um derrame de ácido clorídrico, na sequência de um acidente envolvendo um camião-cisterna.

Na altura, o rio, cujo curso atravessa o parque situado em Avintes, viu ser contaminado com aquele líquido corrosivo cerca de um terço do seu caudal, o que provocou a morte de muitos peixes e outros animais fluviais e levou mesmo o vice-presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia, Marco António Costa, a convocar uma conferência de imprensa para alertar a população para os perigos associados à utilização da água do rio.

Segundo Nuno Oliveira, presidente do Parque Biológico, três meses volvidos já não existem vestígios do nocivo ácido e a vida aquática dá mostras de estar a recuperar bem, apesar de este ser um processo mais longo. “Do ponto de vista físico-químico, o rio está completamente recuperado. Do ponto de vista da fauna aquática, enfim, demora mais tempo. Os peixes crescem, desenvolvem-se, reproduzem-se e isso demora pelo menos um ciclo anual. Mas está já em recuperação evidente”, afiançou.

Com duração prevista de um ano, a monitorização da qualidade da água vai começar em breve, não só no rio Febros, como também na ribeira de Jaca, também afectada pelo acidente de Agosto. “Vão ser feitas amostragens trimestrais da comunidade piscícola e mensais da comunidade de macroinvertebrados, no sentido de apreciar a forma como estão a recuperar”, disse ao PÚBLICO Alexandre Valente, responsável pelo estudo e professor do departamento de Zoologia e Antropologia, sector da Faculdade de Ciências que vai assumir os trabalhos no rio. “Tem que se verificar a quantidade de peixes que está no rio e em que zonas é que eles estão. Para ver se eles estão a regressar aos sítios onde existiam, antes do acidente”, acrescentou.

Além de Nuno Oliveira e Alexandre Valente, estiveram na cerimónia de assinatura do protocolo Baltasar Romão de Castro, director da Faculdade de Ciências, e Nuno Miguel Clemente, administrador da Tranquilidade, companhia que segurava o camião-cisterna responsável pelo derrame, razão pela qual vai pagar ao Parque Biológico uma indemnização no valor de cinquenta mil euros. “A nossa atitude é de não apenas assumir as responsabilidades pelo sinistro como também de ser parte deste estudo”, realçou Nuno Miguel Clemente. “Obviamente, que, do ponto de vista da imagem e do ponto de vista de posicionamento no mercado, também queremos ter aqui contrapartidas de imagem e de diferenciação na forma de estar no mercado”, continuou.

O presidente da Câmara de Gaia, Luís Filipe Menezes, foi o grande ausente da cerimónia, que decorreu no Parque Biológico, sobre uma pequena ponte que une as duas margens do rio Febros. Para o substituir, marcou presença o vereador José Guilherme Aguiar, segundo o qual “uma doença súbita” afastou o líder da autarquia do acontecimento e “de algumas outras reuniões”. “Este rio é uma imagem de marca da política ambiental que o presidente implementou, numa área de intervenção que ele considera prioritária”, considerou. “Se dependesse de nós, o rio Douro seria completamente azul e despoluído. Da parte de Gaia, fazemos o nosso trabalho”, defendeu, a respeito de outras águas, Guilherme Aguiar.

Mais de metade dos resíduos urbanos do país continua a ir para os aterros


No ano passado foram produzidas em Portugal cinco milhões de toneladas de resíduos urbanos, segundo dados dos sistemas de gestão. Cerca de 3,1 milhões de toneladas foram directamente para os aterros, ou seja, mais 400 mil toneladas do que o previsto no plano estratégico para o sector para 2007-2016 (PERSU II), cujo relatório de acompanhamento será apresentado hoje.

Segundo o “Jornal de Notícias” de hoje, a seguir aos aterros (63 por cento), o segundo destino dos resíduos foi a incineração (967,542 toneladas, ou seja, 19 por cento). O plano previa que se podia queima 1,1 milhões de toneladas.

No ano passado entraram mais de 417 mil toneladas de resíduos em sistemas de tratamento mecânico e biológico, para produção de fertilizantes orgânicos. A meta do PERSU era de 382.500 toneladas. Mas o objectivo da recolha de resíduos biodegradáveis não foi atingido. Das 133 mil toneladas previstas registaram-se 72.139.

Relativamente à reciclagem, a recolha selectiva aumentou 20 por cento em relação a 2006 mas nem tudo correu bem. Em 2007 a reciclagem do plástico de embalagens ficou em 70 por cento do previsto (35.581) e a de alumínio ficou em 12 por cento. Mas o relatório sublinha que os objectivos para estes resíduos terão sido sobredimensionados e estão a ser revistos.

O Plano Estratégico para os Resíduos Sólidos Urbanos (PERSU) para 2007-2016 foi apresentado em Fevereiro do ano passado pelo ministro do Ambiente, Francisco Nunes Correia, em Setúbal. Na altura foi estimado que para concretizar o PERSU II, seriam necessários mil milhões de euros, repartidos pelo Estado e pelas empresas que gerem os sistemas multimunicipais.

O PERSU II aponta para aumentos de 10 por cento na valorização orgânica de resíduos urbanos biodegradáveis, de outros 10 por cento na valorização multimaterial e de 20 por cento no tratamento mecânico e biológico.

Cerca de 15 por cento da electricidade em 2010 deverá vir da força do vento


23.11.2008 - 15h01 Lusa
A Direcção Geral de Energia e Geologia (DGEG) garante que a produção de energia eléctrica de origem eólica representa, neste momento, cerca de 4 por cento do consumo final de electricidade mas que é expectável que, até 2010, represente 15 por cento.

O continente português possuía 1427 aerogeradores no final de Agosto, representando uma potência eólica instalada de 2672 megawatts (MW) distribuída por 164 parques eólicos que começaram a ser instalados em meados de 1996. Os dados mais recentes da DGEG são referentes ao final do mês de Agosto e revelam que Portugal Continental possui uma potência eólica de 2672 MW espalhada por 164 parques.

Entre Janeiro e Agosto, a produção de energia foi de 3561 gigawatts-hora (GWh), que equivaleram a 1999 horas de produção. Em 2001, a potência eólica instalada era de 114 MW, distribuída por 16 parques com um total de 173 aerogeradores. Em 2004, já existiam 441 ventoinhas espalhadas por 71 parques, que representavam uma potência de 537 MW.

Os distritos com maior potência eólica instalada são Viseu (478 MW), Castelo Branco (409), Viana do Castelo (302), Coimbra (277), Lisboa (225), Vila Real (171), Santarém (152), Leiria (151) e Braga (144). Os distritos de Lisboa, Leiria e Castelo Branco apresentam uma forte componente eólica, superior a 50 por cento da potência renovável desses distritos.

A DGEG refere ainda que, de Janeiro a Agosto de 2008, foram licenciados 384 MW de potência eólica. E, segundo os dados da direcção de Energia, se "não decrescer o ritmo de entrada em funcionamento de novos parques eólicos", no final do corrente ano, "deverão atingir-se os 2800 MW de potência eólica no sistema eléctrico nacional".

O total da potência licenciada renovável está concentrado no norte do país, principalmente devido à localização das grandes hídricas e de um número significativo de parques eólicos. Segundo os dados da DGEG, até Agosto foram licenciados 9653 MW de instalações electroprodutoras a partir de fontes de energia renováveis, representando mais 21 por cento relativamente à potência instalada até àquele mês. Até esse período, Portugal tinha 7984 MW de capacidade instalada para produção de energia eléctrica a partir de fontes de energia renováveis.

Espanha: 30 activistas da Greenpeace detidos por protestarem contra central nuclear de Garona

A polícia espanhola deteve ontem 30 activistas da organização ecologista Greenpeace que bloquearam os portões da central nuclear de Garona, Burgos, no Norte de Espanha, para pedir o seu encerramento imediato.

No total, 60 membros da Greenpeace participaram no protesto que começou cerca das 05h00 em frente à central de Garona, 350 quilómetros a Norte de Madrid.

Alguns dos activistas acorrentaram-se aos portões da central e oito instalaram-se dentro de um grande contentor colocado por uma grua dentro da central.

A polícia interveio dez horas depois do início da manifestação que, segundo um porta-voz da central, não afectou o seu funcionamento.

O protesto terminou às 21h30 (20h30 em Lisboa), quando todos os 30 activistas, acusados de desobediência, foram libertados e saíram do Quartel da Guardia Civil de Quintana Martín Galíndez.

O Governo socialista de José Luis Rodriguez Zapatero tem repetido que não tem intenção de relançar o nuclear e prometeu virar-se para as energias renováveis como a solar e a eólica.

No entanto, no contexto de aumento dos preços do petróleo, o Governo não excluiu aumentar a duração da exploração das oito centrais actuais, que geram cerca de 23 por cento da produção espanhola de electricidade.

“Já é altura do Governo socialista cumprir o seu compromisso de encerrar Garona. Zapatero cometeria um grande erro se decidisse voltar as costas à maioria anti-nuclear”, considerou ontem o director da Greenpeace em Espanha, Juan Lopez de Uralde.

A Greenpeace lembra que Garona, inaugurada em 1971, “é uma central nuclear obsoleta, com graves problemas de segurança”. A sua licença de exploração termina em Julho de 2009. Há anos que “está totalmente amortizada” mas, “no seu afã de obter mais benefícios, a empresa proprietária Nuclenor (Endesa, 50 por cento; Iberdrola, 50 por cento) pediu um prolongamento de outros dez anos para a central”.

terça-feira, novembro 04, 2008

Filha de Chico Mendes lembra o pai e diz que a Amazónia "só tem coisa boa"

04.11.2008 - 10h37 Lusa
A filha do activista brasileiro Chico Mendes, assassinado há 20 anos, enalteceu a vida do seu pai e defendeu que a Amazónia "só tem coisa boa", criticando os madeireiros e a corrupção existentes naquela região do Brasil.

Numa entrevista à Agência Lusa, Ângela Mendes, que completa hoje 39 anos, realçou que os ideais do seu pai "ainda estão vivos", sendo essa a razão pela qual o Comité Chico Mendes, de que é coordenadora desde 2007, continua a defender a floresta e os seringueiros da Amazónia brasileira.

"Se o Chico estivesse vivo, poderia estar hoje a contribuir (para a defesa da floresta e dos povos). Sempre foi um homem de sentimentos muito profundos. Hoje esperamos estar a contribuir para que as novas gerações conheçam um pouco os ideais e pensamento dele", afirmou Ângela Mendes, que se encontra em Portugal para dar a conhecer os objectivos do Comité Chico Mendes.

Segundo Ângela Mendes, natural de Xapuri, estado nortenho de Acre, a grande e actual questão na Amazónia é a corrupção ligada a várias áreas, sobretudo as relacionadas com a exploração de madeira e à consequente desflorestação.

"Não temos como os travar. Os madeireiros invadem áreas que ficam longe e conseguem retirar grandes quantidades de madeira, onde a fiscalização não consegue chegar", afirmou.

"Os madeireiros são muitos espertos, sabem por onde sair sem que sejam vistos. Mas existe outro problema: a corrupção. Muitas vezes, um carregamento de madeira ilegal é visto, mas alguém da fiscalização faz vista grossa, fecha os olhos. Não sabemos porque motivo. Mas existe todo esse aparato na região", acrescentou.

Sobre os povos que habitam na Amazónia e respectiva floresta, Ângela Mendes, tal como o seu pai, defendeu que não são necessárias "esmolas", mas "oportunidades". "O povo da Amazónia trabalha e tem recursos, mas não tem dinheiro, não tem apoios", sustentou, admitindo que a responsabilidade não cabe só ao Governo, mas a todos. "Na Amazónia só tem coisa boa. É a castanha, a borracha, as sementes, a bijutaria, o artesanato, as seivas, os óleos. É um mundo de possibilidades", sustentou.

O Comité Chico Mendes, criado a 22 de Dezembro de 1988, horas depois do assassinato de Francisco Alves Mendes Filho, então com 44 anos, destinava-se inicialmente a combater a impunidade, a levar à Justiça os autores do atentado e a promover e a proteger a floresta, os índios, os indígenas, os povos da Amazónia.

"O Chico tinha uma visão muito além. "Um velório numeroso, um enterro grandioso, não vai salvar a Amazónia. Eu quero viver para salvar a Amazónia", dizia. "Hoje, esperamos estar contribuindo de alguma forma para que essa geração nova, que não conheceu o Chico saiba um pouco dos seus ideais."

Questionada sobre o que mais lembra no seu pai, a resposta saiu pronta: "Amor. Muito amor. Em tudo o que se propunha, ele colocava o coração. Foi um homem de uma luta, de uma causa, que colocou tudo à frente de si, da sua família".

"O grande amor sempre foi a luta e a causa que ele defendia. A família era um porto seguro. Mas o Chico pensava no mundo à sua volta. É um exemplo que deve ser seguido por todos", referiu.

"O Chico, quando disse 'quero viver para salvar a Amazónia', não o conseguiu fisicamente, mas acredito que o vento espalhou as ideias e o pensamento por todas as gerações. Quero crer que, se essa semente brotou no coração de alguém, seja aqui, em África, em qualquer lugar, eu fico feliz. Como ele foi um homem que amou e lutou profundamente, podemos voltar a ter uma esperança num mundo melhor", concluiu.

O peso do lixo na China


04.11.2008 - 08h26
Uma mulher separa garrafas de plástico numa pilha de lixo num centro de reciclagem em Pequim. O Governo divulgou este ano um relatório onde defendia que uma melhor gestão na classificação dos resíduos era vital para a China não sucumbir ao peso do seu próprio lixo no espaço de 13 anos. Em 2020, a pilha de lixo do país poderá chegar às 400 milhões de toneladas, correspondente ao que o mundo produzia em 1997, segundo o China Council for International Cooperation and Development . Foto: David Gray/Reuters

Uma mulher separa garrafas de plástico numa pilha de lixo num centro de reciclagem em Pequim. O Governo divulgou este ano um relatório onde defendia que uma melhor gestão na classificação dos resíduos era vital para a China não sucumbir ao peso do seu próprio lixo no espaço de 13 anos. Em 2020, a pilha de lixo do país poderá chegar às 400 milhões de toneladas, correspondente ao que o mundo produzia em 1997, segundo o China Council for International Cooperation and Development . Foto: David Gray/Reuters

Conferência online "Klima 2008 /Climate 2008


04.11.2008 - 08h43
Decorre de 3 a 7 de Novembro a primeira conferência online global sobre alterações climáticas, a "Klima 2008/Climate 2008". O evento realiza-se apenas na Internet e não emite dióxido de carbono porque os participantes não precisam de viajar.

O objectivo do evento é oferecer uma plataforma para a partilha de informação relevante sobre temas relacionados com as alterações climáticas, envolvendo investigadores, ambientalistas e empresas.

Ao longo destes dias será possível aceder a publicações de todo o mundo, ver vídeos, ouvir podcasts e interagir com todos os intervenientes em "chats" em directo sobre as questões do clima.

A conferência está a ser organizada pela Universidade de Ciências Aplicadas de Hamburgo e conta com o apoio do príncipe Alberto do Mónaco, Annette Schavan, ministra alemã da Educação e Investigação, e Achim Steiner, director do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA).



Contactos:

Universidade de Hamburgo

Telef: +49.40.428 75-6324

Fax: +49.40.428 75-6499

Email: ftz-als@ls.haw-hamburg.de

Madeira: teleférico invade floresta património da UNESCO


Projecto foi chumbado pelo Parque Natural da Madeira e no Estudo de Impacte Ambiental

04.11.2008 - 09h02 Tolentino de Nóbrega
A Sociedade de Desenvolvimento da Ponta Oeste (SDPO) aguarda a decisão final do Governo Regional da Madeira para dar início à construção do Teleférico do Rabaçal. A deliberação será tomada em breve, após a apresentação do relatório de consulta pública que será divulgado nos próximos dias.

O projecto prevê três estações, zonas de estacionamento e esplanadas em pleno Parque Natural da Madeira e numa importante área da floresta laurissilva, classificada em 1999 de Património Mundial Natural da UNESCO. O interesse deste equipamento - a ser implantado numa zona incorporada na rede de Reservas Biogenéticas do Conselho da Europa e que constitui Zona de Protecção Especial, no âmbito da Directiva Aves - foi questionado pela direcção do Parque Natural da Madeira e mereceu sérias reservas no Estudo de Impacte Ambiental sobre o Projecto de Execução que esteve em consulta pública entre 11 de Agosto e 16 de Setembro.

O parecer negativo do Parque Natural ao projecto terá levado ao afastamento da sua directora, Susana Fontinha. A bióloga defende que é possível "conciliar a protecção do ambiente com o desenvolvimento económico", mas que "tal só é possível com sensatez e com melhorias ao nível da política do ordenamento do território".

Eventualmente para influenciar o parecer final da comissão de avaliação, a ser em breve emitido, vários governantes e entidades ligadas ao executivo regional vieram publicamente apoiar o projecto contestado por ambientalistas, partidos políticos da oposição e agentes turísticos, que apontam como aspecto mais negativo a degradação dos ecossistemas e da paisagem. O secretário regional do Ambiente e Recursos Naturais, Manuel António, acha que o teleférico "valoriza a natureza" e o ex-director regional do Ambiente e bastonário da Ordem dos Biólogos, Domingos Abreu, entende que o projecto "dá e reconhece valor à natureza".

Além dos efeitos invasores e a afectação de áreas classificadas como espaços naturais de uso condicionado, o estudo enumera os diferentes impactes na fase de construção, pela mobilização de maquinarias e impermeabilização dos terrenos inerentes à implantação dos estaleiros e fundações das infra-estruturas do projecto, o que implicará alterações nas condições naturais. Em fase de exploração, o aumento do número de pessoas na zona levará a uma maior geração de efluentes domésticos.

O estudo alerta para o risco de mortalidade de aves em colisão com os cabos do teleférico, para a degradação da qualidade da água e do ar no Paul da Serra. Pela positiva, destaca a maior divulgação da biodiversidade da ilha e a promoção do património natural do Rabaçal, actualmente visitado por 60 mil pessoas ao ano.

O projecto abrange a construção do teleférico, entre a cota alta do Paul da Serra (estação A, a mais de 1200 metros de altitude) e a zona da levada e vereda das Vinte e Cinco Fontes (estação C), situado a cerca de 400 metros desta. Prevê uma ligação a uma cota intermédia onde se situam as Casas do Rabaçal (estação B). A primeira ligação terá cerca de 705 metros de comprimento inclinado e a segunda 674. Prevê ainda a construção de duas torres e a implantação de uma área de estacionamento.

Petição contra "ultrajante atentado"

"Acabou de ser lançada on-line uma petição contra a construção do teleférico projectado para a ligação do Paul da Serra ao Rabaçal, para ser posteriormente enviada à UNESCO e a outras entidades internacionais ligadas à defesa da natureza. A petição (acessível no endereço http://www.petitiononline.com/247132/petition.html) lembra que o teleférico está projectado numa área classificada de Património Mundial Natural da UNESCO. "A laurissilva da Madeira não é propriedade privada do Governo Regional, é património da Humanidade", frisa o documento, que no segundo dia on-line já conta com quase meio milhar de subscritores que contestam aquele "ultrajante atentado contra o que de mais bonito tem esta terra", o Rabaçal. O projecto do executivo madeirense, promovido através de uma das suas sociedades de desenvolvimento, "não irá trazer nenhuma mais-valia para este local" e, pelo contrário, terá "consequências gravíssimas para a fauna e flora locais, degradando e alterando todo aquele aspecto visualmente belíssimo e apelativo", concluem.

segunda-feira, novembro 03, 2008

Caroços de azeitona para mover carros


31.10.2008 - 10h27
Quando deitamos fora caroços de azeitona não pensamos duas vezes. Mas devíamos, afirmam Sebastián Sánchez e colegas, da Universidade de Jaén e Granada, num artigo agora publicado na revista "Chemical Technology and Biotechnology". Conseguiram fabricar 5,7 quilos de etanol com 100 quilos de caroços. Texto de Ana Gerschenfeld. Foto: Pedro Cunha

É uma quantidade pequena, concedem, mas juntando todos os subprodutos agrícolas deste tipo, poder-se-á marcar a diferença.

O bioetanol já é utilizado como combustível de automóvel, mas para o produzir está-se a pensar cultivar espécies vegetais - uma escolha controversa porque poderá implicar uma grande redução das áreas cultiváveis para alimentação.

"Este trabalho abre o caminho à utilização de caroços de azeitona, que, de outra forma, seriam desperdiçados, na produção de energia", diz Sánchez.

O caroço representa um quarto da totalidade da azeitona e a indústria do azeite produz milhões de toneladas deste resíduo por ano.

Para obter o bioetanol, os cientistas cozeram os caroços sob pressão, acrescentaram-lhes enzimas para os degradar e gerar açúcares e a seguir leveduras para fermentar a papa resultante e obter o biocombustível.

Via passa por Reserva Ecológica Nacional

Ligação rodoviária entre Aveiro e Ílhavo autorizada pelo Governo
31.10.2008 - 18h33
O governo reconheceu hoje que a ligação rodoviária entre Aveiro e a cidade de Ílhavo era de interesse público e autorizou a utilização de solos da Reserva Ecológica Nacional. O despacho foi feito pelos ministérios do Ambiente e das Obras Públicas.

O despacho, assinado pelo secretário de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades, Machado Ferrão, e pelo secretário de Estado adjunto, das Obras Públicas e das Comunicações, Paulo Campos, publicado hoje no Diário da República, determina que "seja reconhecido o relevante interesse público da construção da ligação entre Aveiro e Ílhavo da Circular Interna Poente à cidade de Ílhavo, correspondente à segunda fase da variante norte.

A obra, segundo a decisão, melhora a acessibilidade e mobilidade da zona, “desviando o trânsito da EN 109 e da sua passagem pela cidade de Ílhavo e fazendo a ligação ao concelho de Aveiro”.

O despacho diz que a área que afecta a REN e a Reserva agrícola Nacional, diminuíram, depois de se terem feito adaptações no projecto. Vão ser utilizados 4783 metros quadrados da REN.

A segunda fase da variante terá uma extensão de pouco mais de um quilómetro e conclui a Via Circular da cidade de Ílhavo, com candidatura apresentada ao Plano Nacional de Variantes e Circulares, estando em conformidade com os planos directores municipais (PDM) de Ílhavo e de Aveiro.

A Assembleia Municipal de Aveiro já havia reconhecido o interesse público municipal da sua construção, que recebeu igualmente parecer favorável da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC).

O despacho conjunto dos dois secretários de Estado condiciona a obra, no entanto, a medidas de minimização, nomeadamente no que respeita ao escoamento das linhas de água e, particularmente à Ribeira da Amarona, cujo leito de cheia deverá ser preservado, bem como relativamente ao tratamento paisagístico da via.

Fundo de Carbono motiva queixa da Quercus contra Portugal na Comissão Europeia


03.11.2008 - 09h56 Lusa
A Quercus apresentou hoje queixa à Comissão Europeia por o Fundo Português de Carbono ter sido orçamentado para 2009 com menos dinheiro do que o previsto, aumentando o défice acumulado desde o seu lançamento em 2006.

O Orçamento de Estado para 2009 destina 53,1 milhões de euros à compra, através do Fundo Português de Carbono, de créditos de emissões de dióxido de carbono no exterior para ajudar o país a cumprir o Protocolo de Quioto, uma verba aquém dos 60 milhões programados pelo Governo.

"O Governo português está em incumprimento directo do Plano Nacional de Atribuição de Licenças de Emissão (PNALE) para Portugal, entre 2008-2012, bem como das medidas previstas no Plano Nacional de Alterações Climáticas (PNAC)", que são a base de cumprimento de Quioto, lê-se na queixa hoje enviada ao comissário europeu do Ambiente, Stavros Dimas.

Francisco Ferreira, da direcção da Quercus, disse que mais importante do que o Estado português ser condenado "no médio prazo" é a possibilidade de uma intervenção "imediata" da Comissão Europeia.

"O montante de licenças atribuído pela Comissão tinha por base um fundo de carbono com 354 milhões de euros (2006-2012). Não havendo essa garantia, pode haver uma reavaliação imediata em baixa das licenças atribuídas até ao final do período de cumprimento do Protocolo de Quioto (2012)", penalizando as indústrias, adiantou o ambientalista.

Fundo terá défice de cem milhões de euros no final deste ano

O Ministério do Ambiente, numa resposta enviada à Lusa a 15 de Outubro, dia da apresentação do orçamento de Estado para 2009, admitiu serem insuficientes as verbas disponibilizadas para o fundo.

"É verdade que o cumprimento do Protocolo de Quioto, na vertente coberta pelo Fundo Português de Carbono, não fica assegurada, salvo se se concretizarem novas fontes de financiamento para o fundo, admitidas no OE 2009", afirmou fonte do ministério.

A principal receita do fundo é o imposto sobre o gasóleo de aquecimento e as taxas sobre lâmpadas incandescentes, que estão orçamentadas para o próximo ano em 30 milhões de euros. Com a transferência de 23 milhões de euros do Orçamento de Estado e mais 0,1 milhões de euros de rendimentos da gestão de tesouraria, o fundo vai dispor em 2009 de um total de 53,1 milhões de euros.

Segundo contas da Quercus, no final deste ano o fundo vai ter um défice de cerca de cem milhões de euros em relação ao previsto pelo Governo e comunicado à Comissão Europeia: em 2006 estavam previstos e foram transferidos do Orçamento de Estado seis milhões de euros, no ano seguinte as receitas ficaram-se pelos 5,52 milhões quando estavam programados 78 milhões e este ano recebeu 35,89 milhões dos 75 milhões calculados.

Ministério à espera de decisão das Finanças para novas receitas

O Ministério do Ambiente aguarda agora uma decisão das Finanças para afectar novas receitas: "As medidas de fiscalidade ambiental reforçada previstas no OE 2009, (art. 145/1), em particular as que incidem em emissões de dióxido de carbono, criam a possibilidade de obtenção de receitas adicionais para o fundo", disse à Lusa fonte oficial do ministério do Ambiente.

Contactado pela Lusa, o ministério das Finanças escusou-se a esclarecer se está a definir novas receitas para o fundo.

O Ministério do Ambiente salientou que existem "várias vias" de cumprir o Protocolo de Quioto, destacando as medidas do PNAC e a limitação de emissões do sector electroprodutor e industrial prevista no PNALE.

"Para além disso, existem vários mecanismos de mercado previstos no Protocolo de Quioto, a que o Fundo Português de Carbono pode continuar a recorrer logo que receba receitas que supram o seu défice, em tempo útil para o período de cumprimento", acrescentou fonte do ministério do Ambiente.

O incumprimento de Portugal pode, na opinião do ambientalista Francisco Ferreira, aumentar custos que "serão assumidos directa ou indirectamente pelos contribuintes daqui a poucos anos".

A proposta de lei do Orçamento de Estado 2009 prevê a atribuição de 105 milhões de euros ao Ministério do Ambiente, mais 17,1 por cento do que a estimativa de execução orçamental de 2008.

Príncipe Carlos apresenta o seu plano para salvar as florestas tropicais




03.11.2008 - 10h24 AFP
O príncipe Carlos de Inglaterra apresentou hoje ao Presidente da Indonésia Susilo Bambang Yudhoyono o seu plano para combater a desflorestação ao oferecer receitas alternativas aos países com florestas tropicais, como a Indonésia.

O príncipe herdeiro explicou que essas receitas deveriam dissuadir estes países – como o Brasil, Indonésia ou República Democrática do Congo – a continuar com a desflorestação e encorajá-los a preservar as suas florestas.

É necessário que estes países “avaliem as ajudas necessárias para lhes permitir continuar a desenvolver as suas economias sem abater a floresta”, explicou o príncipe, precisando que o seu plano precisa do compromisso financeiro dos países desenvolvidos.

As florestas tropicais húmidas do Brasil, da bacia do Congo e da Indonésia garantem a retenção de metade das águas da chuva do planeta.

Todos os anos desaparecem milhões de hectares de árvores, nomeadamente para abrir espaço a plantações de óleo de palma.

O Presidente Yudhoyono deu o seu apoio ao plano proposto pelo príncipe Carlos e lembrou que a desflorestação é “responsável por cerca de 20 por cento das emissões mundiais de gases com efeito de estufa”.

O herdeiro da coroa britânica chegou no sábado à Indonésia vindo do Japão, onde apelou à actuação urgente contra as alterações climáticas.

Bush muda as regras da política ambiental nas vésperas de sair da Casa Branca

03.11.2008 - 12h23 Reuters
Enquanto os candidatos presidenciais norte-americanos se apressam para o dia das eleições, na terça-feira, a administração Bush apressa-se a aprovar alterações à política ambiental de última hora, antes de deixar a Casa Branca.

Quer seja a retirada do lobo da lista de espécies ameaçadas, a autorização da implantação de centrais eléctricas perto de parques nacionais ou o aliviar das normas para a exploração mineira, as alterações propostas não obtiveram o aval das associações ambientalistas.

Aquilo que os ecologistas mais desejavam – um programa vinculativo de redução das emissões de gases com efeito de estufa – não está entre as chamadas “regulamentações da meia-noite”.

Algumas organizações e associações ecologistas apelaram a uma moratória a estas alterações propostas por estruturas do Governo como o Departamento do Interior e a Agência de Protecção Ambiental. “A administração Bush esteve oito anos no poder e aprovou mais regulamentações do que qualquer outra administração na história” do país, comentou Eli Lehrer do Competitive Enterprise Institute.

Qual é a pressa?

A equipa de George W. Bush acelerou estas mudanças para que se concretizassem até sábado, para que ainda possam entrar em vigor antes que Bush saia da Casa Branca, a 20 de Janeiro.

Se entrarem em vigor será difícil para a próxima administração anulá-las e, em todo o caso, esta não deverá ser uma prioridade para o próximo Presidente, comentou Matt Madia do OMB Watch, que monitoriza a Gestão e Orçamento da Casa Branca, por onde têm que passar estas alterações. “É uma reacção natural de alguém que sabe que está prestes a perder o poder”, acrescentou.

A indústria deverá beneficiar se estas mudanças se concretizarem, disse Madia. “Quer seja a indústria de produção eléctrica, de exploração mineira ou agrícola, isto vai remover as restrições governamentais à sua actividade; vão poder poluir mais, o que acabará por prejudicar as pessoas”, concluiu.

Mas o que é pouco usual é a rapidez do processo. Por exemplo, uma das mudanças do Departamento do Interior, que irá reduzir a protecção das espécies ameaçadas em relação aos interesses mineiros, motivou mais de 300 mil opiniões do público. As autoridades dizem que pretendem analisá-las no espaço de uma semana.

Porquê a pressa? Porque uma legislação entra em vigor entre 30 a 60 dias depois de estar concluída e se não entrar em vigor quando o novo Presidente assumir o cargo, este pode negar-se a aplicá-la. Isto aconteceu quando a administração Bush entrou na Casa Branca.

Mas há pelo menos uma alteração que agrada aos ambientalistas: um plano para criar aquele que será o maior santuário de vida selvagem marinha do Oceano Pacífico.
Decreto-Lei estabelece o regime de protecção das águas subterrâneas contra a poluição e deterioração


http://dre.pt/pdf1sdip/2008/10/20900/0756907575.PDF

Curso de Iniciação à Observação de Aves

03.11.2008 - 15h16
A Quercus vai organizar, nos dias 29 e 30 de Novembro, o Curso de Iniciação à Observação de Aves, em Vila Velha de Rodão. A iniciativa conta com o apoio da empresa Incentivos Outdoor.

"A formação inicial para a observação de aves é fundamental para aprender as principais regras ligadas a esta prática e os principais aspectos que permitam a correcta identificação dos diversos grupos e espécies de aves. Pretende-se também com este curso, que os participantes adoptem comportamentos eticamente responsáveis aquando da prática de observação de aves", explicam os organizadores.

O curso - Cujos formadores são Alberto Lucas e Samuel Infante - destina-se a estudantes e profissionais da área da Biologia, Turismo de Natureza e outras Ciências Ambientais, e todos os interessados na observação de aves.

Este curso é composto por uma componente teórica (oito horas) leccionada no sábado e uma parte prática (quatro horas) que incluirá um passeio de barco pelo Tejo para observação de avifauna junto às Portas de Ródão.

Os participantes devem levar, binóculos, roupa e calçado confortável, adequado às condições atmosféricas e à natureza da actividade.

As inscrições, até 24 de Novembro, têm um limite máximo de 15 pessoas.

- 50 euros – sócios

- 70 euros – não sócios

Após 24 de Novembro:

- 60 euros – sócios

- 80 euros – não sócios (torne-se sócio e usufrua do preço de sócio)



Conctactos:

Email: castelobranco@quercus.pt

Telef e Fax: 272.324.272

Telem: 96.648.49.42

Comemorações do Dia Nacional do Mar

Decorrem de 10 a 16 de Novembro as comemorações do Dia Nacional do Mar, da responsabilidade da Estrutura de Missão para os Assuntos do Mar (EMAM).

Os locais das actividades são Doca da Marinha; Paço de Arcos; Parque Palmela, Cascais; Parque das Nações, Lisboa.



Contactos:

Telef: 21.380.42.50

Fax: 21.386.94.02

Expo Energia

O Jornal Água & Ambiente organiza a Expo Energia de 25 a 27 de Novembro no Taguspark, Oeiras.

A Expo Energia inclui o 3º Fórum da Energia - Subordinado ao tema "Da crise à revolução energética: diminuir a dependência, investir nas novas oportunidades"; e uma Feira - Espaço de exposição de produtos e serviços do sector da energia.



Contactos:

Telef: 21.880.61.36/29

Fax: 21.880-61.37

Email: conferencias@about.pt

quarta-feira, outubro 08, 2008

domingo, agosto 17, 2008

Gerador eólico mais alto do mundo inaugurado na Argentina

Uma empresa mineira canadiana inaugurou hoje, na Argentina, o gerador de energia eólica «mais alto do mundo», 4.200 metros acima do nível do mar, na cordilheira dos Andes, na fronteira com o Chile.
O gerador, da firma Barrick Gold, tem 60 metros de altura por 40 metros de largura e uma hélice de 80 metros de diâmetro capaz de produzir até dois megawatts de electricidade em condições climatéricas extremas.

A estrutura foi montada na mina Veladero, onde a empresa explora ouro e prata, e será posta à prova sob baixa pressão atmosférica e com rajadas de vento de mais de 200 quilómetros por hora.

O seu mecanismo é accionado por computadores que enviam informação por cabos de fibra óptica para um centro instalado na mina ou para a sede do fabricante, na Alemanha, onde o gerador pode ser operado remotamente.

A Barrick Gold adiantou que se trata de uma primeira experiência, com vista à instalação de «um dos maiores parques eólicos» do Chile, com 18 moinhos capazes de gerar 36 megawatts de electricidade num terreno de 150 hectares, na localiddae de Punta Colorada, na região de Coquimbo, sobre os Andes.

Diário Digital / Lusa

Oceanos: Zonas «mortas» estão a aumentar

As chamadas «zonas mortas» dos oceanos, com muito pouco oxigénio, estão a aumentar, com consequências graves para a vida marinha, revela um estudo.
«Apercebemo-nos que a hipoxia [baixo teor de oxigénio nos tecidos orgânicos] não é um problema local mas um problema global que tem graves consequências para os ecossistemas«, alertou o especialista Robert Diaz, do Instituto de Ciência Marinha da Virgínia, nos Estados Unidos.

«Está a tornar-se um problema de tal magnitude, que começa a afectar os recursos que retiramos do mar para nos alimentarmos«, adiantou.

Robert Diaz e um outro investigador, Rutger Rosenberg, apontam, na edição de hoje da revista Science, a existência no mundo de mais de 400 «zonas mortas», o dobro das estimativas avançadas pelas Nações Unidas há dois anos.

Segundo os dois cientistas, a continuar este crescimento, deixará de haver no mar caranguejos, camarões ou peixes.

As novas zonas dos oceanos com muito pouco oxigénio têm sido detectadas na América do Sul, África e em parte da Ásia.
A principal causa do fenómeno reside nas algas, que privam outras vidas marinhas de oxigénio, embora os cientistas apontem o dedo também aos adubos químicos, aos despejos de esgotos e à queima de combustíveis fósseis.

Diário Digital / Lusa

segunda-feira, junho 23, 2008

Mudanças climáticas

O Árctico é das regiões do globo que mais tem sentido os efeitos das alterações climáticas. Nos últimos 100 anos, a vida mudou bastante nesta parte do globo e o aquecimento global ainda vai provocar mais alterações no ecossistema e a nível social.

quarta-feira, junho 04, 2008

Aumento de acidez nos oceanos pode prejudicar recifes de coral e ecossistemas marinhos

02.06.2008 - 13h46 Reuters
O aumento de acidez nos oceanos pode matar muitos recifes de coral e deixar ilhas como as Maldivas e o Kiribati mais vulneráveis a tempestades marítimas e ciclones. A conclusão vem no relatório de um centro de investigação australiano que estuda a ecologia e o impacto das alterações climáticas na Antárctica (Antarctic Climate & Ecosystems Cooperative Research Centre).Com o aumento de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, os oceanos absorvem mais gás e tornam-se mais acídicos. Segundo o relatório, por volta de 2100 o aumento de acidez vai expandir-se para norte a partir da Antárctica. Esta acidez dificulta a produção das partes rijas de animais como a estrela-do-mar e os corais, cujo exoesqueleto é formado por carbonato de cálcio. “A acidificação dos oceanos torna os corais e as algas mais fracos e os sistemas tropicais [as ilhas] ficarão mais vulneráveis ao impacto físico das tempestades e ciclones”, explica o relatório. As ilhas Maldivas no Oceano Índico e o Kiribati no sul do Pacífico vão ficar menos protegidas contra tempestades marítimas.O fenómeno também vai ter um impacto negativo no comércio tanto a nível piscatório como a nível turístico já que todo o ecossistema que depende dos recifes vai ficar em perigo.Cadeia alimentar em perigoQuando o CO2 é absorvido pelo oceano transforma-se num ácido fraco chamado ácido carbónico. Actualmente o aumento de concentração de CO2 é a maior dos últimos 650.000 anos devido à actividade humana.“O oceano é um enorme sumidouro das emissões e têm absorvido cerca de 48 por cento do CO2 emitido pela humanidade desde antes da revolução industrial”, diz o relatório. O Oceano Antárctico é dos oceanos que mais CO2 tem absorvido. Em 2060, a concentração de iões de carbonato nas águas da Antárctica será tão baixa que a aragonite, uma das formas de carbonato de cálcio existente nas conchas dos organismos, deixará de ser produzida.Esta alteração também poderá interferir com a respiração dos peixes, o desenvolvimento larvar dos organismos marinhos e com a capacidade dos oceanos para absorverem nutrientes e toxinas.“A acidificação irá ter provavelmente um efeito em cascata na cadeia alimentar, que é importante para os seres humanos”, diz Will Howard, um dos investigadores do Centro australiano.Segundo o relatório, as calotes polares mostram que o ritmo da subida do nível de CO2 é 100 vezes maior do que o maior que teve lugar durante os últimos 650.000 anos. Os registos sedimentares sugerem que o nível actual do gás é o mais alto dos últimos 23 milhões de anos. As previsões dizem que durante este século o nível do CO2 na atmosfera vai duplicar aquele que existia antes da era industrial. O oceano irá continuar a absorver parte deste CO2.“Muitas espécies [marinhas] necessitaram de milénios para evoluírem e não se sabe se serão capazes de se adaptar a uma acidificação do oceano relativamente rápida, na ordem de décadas e não de milénios”, diz o relatório.

Acção de "Os Verdes" e Ecolojovem no Dia Mundial do Ambiente

03.06.2008 - 14h28

Dia 5 de Junho, o Partido Ecologista “Os Verdes” e a Ecolojovem – “Os Verdes” assinalam o Dia Mundial do Ambiente com uma iniciativa de sensibilização ambiental da população, na Rua Augusta, em Lisboa."A iniciativa consistirá na realização de um jogo de perguntas/respostas pretendendo alertar e consciencializar a população para os diversos problemas ambientais, bem como divulgar certas medidas que se devem adoptar para melhorar a qualidade ambiental".A acção realiza-se às 13h00 e será precedida de acções de distribuição de documentos, entre as 09h00 e as 10h00, em várias saídas de estações de Metro, entre as quais Baixa-Chiado, Marquês de Pombal e Campo Grande.Além destas acções, neste dia “Os Verdes” levarão a campanha “Stop às Alterações Climáticas” a Aguiar da Beira e Fornos de Algodres (Distrito da Guarda) e participarão num debate sobre as Alterações Climáticas que se realizará em Santa Maria, nos Açores.

Semana do Ambiente da cidade de Lisboa

03.06.2008 - 14h39

A Câmara Municipal de Lisboa promove, para comemorar o Dia Mundial do Ambiente, entre 3 e 8 de Junho um conjunto de iniciativas que visam chamar a atenção para as questões ambientais, "procurando provocar a reflexão e a consciencialização individual e colectiva neste domínio".Extensão Cine'Eco (3 a 8 de Junho): no Espaço Monsanto, Cinema S. Jorge, Padrão dos Descobrimentos e Biblioteca Orlando Ribeiro.Lançamento das Rotas Auto-Guiadas (3 de Junho): no Espaço Monsanto.III Congresso da Criança (5 e 6 de Junho): no Cinema S. Jorge e no Espaço Monsanto.Apresentação da Campanha "O Ar que Respiramos" (5 de Junho): no Cinema S. Jorge.Reabertura do Parque Bensaúde: São Domingos de Benfica.Workshop de Geocaching (7 de Junho): no Espaço Monsanto, seguido de actividade no Parque Florestal de Monsanto.Freecycle na Quinta das Conchas (7 de Junho)Travessia do Aqueduto Águas Livres (7 de Junho)Passeio de Cicloturismo "Lisboa Antiga" (8 de Junho): na zona histórica.Contactos:Telef: 21.817.02.00/233Email: desa@cm-lisboa.pt

Eco-Bike na Marinha Grande

03.06.2008 - 15h31
A Câmara Municipal da Marinha Grande organiza, a 5 de Junho, a Eco-Bike, do Parque da Cerca à Mata Nacional, no âmbito da Semana da Criança e do Ambiente. A participação é gratuita.A Eco-Bike realiza-se a partir das 09h30. A partida e a chegada estão marcadas para o Parque da Cerca, na Marinha Grande, com percurso que passará pelo interior da Mata Nacional.Espera-se a participação de cerca de meio milhar de alunos e professores das Escolas do 2º / 3º ciclos e Secundário do concelho da Marinha Grande."É obrigatório o uso de capacete devidamente colocado durante todo o percurso. O passeio estará aberto ao movimento de outros veículos pelo que todos os participantes deverão respeitar as regras de trânsito. O Eco-Bike não terá qualquer intuito competitivo sendo apenas uma manifestação desportiva de lazer. O Eco-Bike contará com o apoio da Polícia de Segurança Pública da Marinha Grande e a Guarda Nacional Republicana de S. Pedro e o patrocínio do Hipermercado Modelo que oferecerá o lanche aos participantes.Ao concretizar esta iniciativa pretende-se que a Autarquia fomente a reutilização da bicicleta, que durante vários anos foi uma forte tradição nesta cidade, dando o primeiro passo através deste envolvimento da comunidade escolar.O uso da bicicleta como meio de transporte, no passado por ser um veículo de custos de valor reduzido, hoje como uma forma de combater o sedentarismo e adaptar um estilo de vida saudável, tentando desta forma contribuir para a diminuição do sedentarismo instalado concelho, estimulando toda a comunidade para a prática desportiva.Os principais motivos para fomentar o uso da bicicleta, nesta cidade, são os seus benefícios quer para a saúde individual das pessoas, quer para a saúde do meio-ambiente, nomeadamente na redução das emissões dos veículos automotores. Existe também uma outra questão, relacionada com o menor uso do solo, tanto para a circulação na via pública como também para estacionamento público".

Investigação critica relatórios da NASA sobre alterações climáticas

03.06.2008 - 16h27 PÚBLICO
Um relatório de 48 páginas divulgado ontem com o resultado de uma investigação, pedida em 2006 por 14 senadores, sobre a informação científica prestada pela NASA sobre alterações climáticas revela que houve um padrão de distorção e sonegação de informação.O relatório, assinado por Kevin H. Winters, denuncia um padrão sustentado de actividades, orientadas por conselheiros políticos, que incluíram a não divulgação de comunicados de imprensa sobre alterações climáticas e o condicionamento das relações de um cientista, James E. Hansen, com os jornalistas.“A nossa investigação concluiu que, durante o Outono de 2004 e durante 2006, o gabinete de relações públicas da NASA geriu a questão das alterações climáticas de forma a reduzir ou marginalizar a ciência que foi veiculada ao público em geral”, escreve o relatório, cita o “New York Times”.O relatório identificou ainda relações intrincadas entre a política e a divulgação científica naquele período, num padrão “inconsistente com a responsabilidade de comunicar as descobertas científicas” definida nos estatutos da NASA, “especialmente sobre um tema que tem tanto interesse científico mundial”.Um porta-voz da NASA, Michael Cabbage, comentou que esta situação já se verificou há mais de dois anos e que, depois de se aperceber do que estava a acontecer, a NASA reviu a sua política de divulgação de informação científica”.“A resposta do nosso Governo às alterações climáticas deve basear-se na ciência e a manipulação da administração Bush à informação viola a confiança do público”, disse o senador democrata Frank R. Lautenberg, um dos 14 senadores que pediu a investigação.Há dois anos, James E. Hansen e outros funcionários da NASA denunciaram o que disserem ser distorção de informação relativa às alterações climáticas.A administração Bush recusou, em Março de 2001, ratificar o Protocolo de Quioto sobre alterações climáticas, alegando que ainda não existia um consenso mundial sobre a evidência científica do fenómeno.

Retiradas seis toneladas de peixe morto em barragem do Alandroal


03.06.2008 - 16h47 Lusa
Seis toneladas de carpas mortas já foram retiradas das margens da Barragem de Lucefecit, no concelho do Alandroal, distrito de Évora. O peixe começou a aparecer morto a 27 de Maio.A Câmara Municipal do Alandroal enviou para o local “máquinas para a sua remoção”, disse Joaquim Galhardas, vereador do ambiente da autarquia. No local estão duas retro-escavadoras e prevê-se que hoje outra máquina comece a trabalhar.As brigadas do Serviço de Protecção da Natureza e Ambiente (SEPNA) da GNR estão no local a recolher os peixes e já efectuaram análises aos animais mortos e às águas. Não registaram “presença de químicos ou intoxicação”, afirmou o comandante da GNR. “Os animais mortos estão a ser enterrados nos terrenos limítrofes para evitar o apodrecimento do peixe nas águas", explicou o vereador. Os proprietários dos terrenos deram autorização para se poder enterrar o peixe.A Câmara Municipal está à espera dos resultados químicos das amostras de peixe e da água que enviaram para um laboratório.Uma das hipóteses avançada pelo SEPNA para explicar o fenómeno é a temperatura da água que está mais baixa do que o normal para a altura do ano. As carpas estão na altura da desova. A barragem é utilizada para retenção de águas para rega. A entidade responsável é a Associação de Beneficiários do Lucefecit. Na barragem são permitidas a pesca e actividades de lazer como a vela, o windsurf e o ski.

Tóquio vai lançar quotas de emissões de dióxido de carbono




03.06.2008 - 16h57 AFP
A cidade de Tóquio, onde vivem 13 milhões de pessoas, prepara-se para instaurar quotas de emissões de dióxido de carbono para lutar contra as alterações climáticas, informou hoje a municipalidade.O governador de Tóquio, Shintaro Ishihara, anunciou hoje na assembleia da capital que quer criar o primeiro sistema de quotas de emissões de carbono do Japão. “A cidade de Tóquio visará uma redução de 25 por cento das emissões de carbono em 2020, em relação ao ano de 2000”, declarou Katsunori Yano, responsável do departamento de Ambiente do município.A proposta será submetida a 10 de Junho à assembleia municipal, onde a maioria é do partido do governador Ishihara, o Partido Liberal Democrata (PLD), direita, igualmente no poder no Japão.Em 2010 será lançado um mercado de carbono, com a fixação de quotas de emissão para as indústrias poluentes. Estas poderão comprar licenças para poluir às empresas mais limpas, precisou Yano. A região de Tóquio - que inclui a cidade de Tóquio propriamente dita e outras cidades, como Yokohama – constitui a maior cidade do mundo com 35 milhões de habitantes.O Japão está longe de cumprir os objectivos do Protocolo de Quioto, que lhe impõe uma redução das suas emissões de gases com efeito de estufa de seis por cento até 2012, em relação a níveis de 1990.De 7 a 9 de Julho, o país vai organizar a cimeira do G8, em Hokkaido, com prioridade dada à luta contra as alterações climáticas. Segundo a agência de imprensa Kyodo, que não cita fontes, as negociações entre os países do G8, antes da cimeira, estão a ser bloqueadas pelos Estados Unidos. Washington não quer um compromisso do G8 contra as alterações climáticas e defende que os países emergentes, como a China e a Índia, se associem a decisões vinculativas.A iniciativa de Tóquio segue a ideia de uma iniciativa do estado norte-americano da Califórnia, que votou em 2002 uma lei impondo aos construtores de automóveis uma redução de 30 por cento das emissões poluentes dos veículos, entre 2009 e 2016. A administração recusou legislar um plano nacional de reduções.

Semana Verde: A ecologia começa a tornar-se central para as empresas


03.06.2008 - 20h55 Paulo Miguel Madeira
A Comissão Europeia considera ser necessário mudar a maneira como a sociedade produz e consome de modo a que se torne possível ter um desenvolvimento sustentável e pretende impor padrões obrigatórios de produção e consumo com vista a aproximar-se deste objectivo, e é por isso que este ano a sua Semana Verde, que teve início hoje em Bruxelas, decorre centrada no lema do uso sustentável dos recursos.O mote e o cenário foram dados pelo comissário europeu do Ambiente, o grego Stavros Dimas, que no discurso que fez na sessão de abertura do evento afirmou também que a solução para um consumo sustentável é utilizar menos energia e menos matéria prima, pelo que “precisamos de pôr as nossas economias a fazer mais com menos”. Disse que proteger o ambiente cria empregos, num discurso em que teve um tom muito determinado quanto à necessidade e inevitabilidade de mudar a economia e a sociedade. Stavros Dimas lembrou que desde 1987 a Terra perdeu cerca de 20 por cento da sua biodiversidade, o que testemunha a enorme pegada ecológica deixada pela produção humana. Para o responsável pela política europeia de Ambiente, “ainda estamos longe dos objectivos ambientais de base”, apesar de hoje “testemunharmos um novo nível de consciencialização das questões ambientais”, segundo a directora executiva do Programa da ONU para o Ambiente, Angela Cropper.A atestar esta tese, Cropper disse que “vemos agora mais claramente os limites da produção e consumo” e lembrou que o assunto vai estar na agenda do encontro de Julho do G8 (o grupo dos oito principais países industrializados) – a questão ecológica “tornou-se central na sociedade”, rematou.
Mais verdades inconvenientes
Glosando o filme-documentário do ex-Presidente dos EUA Al Gore, a responsável da ONU, com sotaque americano e feições asiáticas, disse que “há mais verdades convenientes que precisam de ser abordadas” além da relativa às alterações climáticas, como é o caso da sustentabilidade da produção e consumo. O caminho, segundo disse, será afastarmo-nos do paradigma da sociedade que deita fora para passarmos a ser uma sociedade que recicla.O presidente da Cadbury para a Europa, Chris van Steenbergen, deu a perspectiva empresarial da questão. Lembrou que há muitos anos que as empresas têm programas ambientais, mas disse que nos últimos anos a questão tornou-se mais premente.“Os consumidores interessam-se mais pelo currículo ambiental das empresas, que nunca foram tão escrutinadas como agora”, afirmou, sem esquecer que se não produzirem porque não há, por exemplo água, também não vendem. Por isso a empresa definiu uma série de metas, como a redução em 50 por cento das emissões líquidas de carbono, ou produzir dez por cento menos embalagem. Não disse no entanto dentro de que prazo.De acordo com os padrões actuais de produção e consumo dos europeus, se toda a população humana vivesse da mesma maneira, seriam nessessários 2,6 planetas Terra, lembrou director executivo da Footprint Nertwoork, Athis Wackernagel, para quem “a sustentabilidade não é só uma questão moral, é uma questão pragmática”.
Educação pública
Mas, lembrou Angela Cropper, um político que tomasse decisões radicias contra o bem-estar da sua base eleitoral seria muito estúpido”, a não ser que o eleitorado percebece as razões e concordasse com elas. Daí a importância que atribuiu à Semana Verde da Comissão Europeia, que apontou como “um exemplo de educação pública”.E é disso que se trata. Até sexta-feira, largas dezenas de conferencistas abordam questões ligadas aos recursos e gestão dos lixos, consumo e produção sustentáveis, natureza e biodiversidade e alterações climáticas. Responsáveis políticos e da administração pública, académicos, membros de organizações não governamentais, há um pouco de tudo. E de muitas nacionalidades, mas nenhum dos conferencistas é português.Entretanto, ao fim da tarde foram atribuídos os Prémios Europeus de Negócios para o Ambiente, em quatro categorias. A maior cooperativa de consumo do Reino Unido, o Co-operative Group, ganhou o Prémio de Gestão, atribuído devido à sua abordagem do desenvolvimento sustentável, em que identifica e mede anualmente impactos-chave de âmbito ambiental, social e ético.Projectos de energia muito premiadosNa categoria Prémio de Produto o vencedor foi a Ertex-solar, da Áustria, pelas suas células fotovoltaicas de alta qualidade para a produção de energia solar, que podem ser aplicadas em edifícios sem necessidade de adaptações especiais de “design”.O Prémio de Processo e o Prémio de Cooperação Internacional foram ambos para projectos no domínio do biodiesel. O primeiro foi para a Choren, da Alemanha, pelo processo que desenvolveu para “para produzir biofuel com elevado grau de pureza a partir de biomassa”, “que não utiliza plantas destinadas à alimentação”, com poucas emissões poluentes, é quase neutro em dióxido de carbono e compatível com a actual e futura tecnologia de motores diesel”, segundo o comunicado de imprensa distribuído. Por seu lado, o Real Instituto Tropical dos Países Baixos venceu no domínio da cooperação, juntamente com a Mali BioCarburant. Trata-se de um projecto no Mali de produção de biodiesel sustentável a partir de nozes de jatropha, que é “resistente à seca e que pode crescer em solos não agrícolas”, ajudando a suplementar o rendimento dos agricultores.

domingo, junho 01, 2008

Reciclagem do vidro está a crescer a um ritmo lento perante as metas até 2011




19.05.2008 - 11h35 Ricardo Garcia
O vidro já foi pioneiro da reciclagem em Portugal. Mas, embora os portugueses coloquem cada vez mais garrafas nos "vidrões", a evolução está com pouco fôlego. Ao ritmo actual, Portugal poderá ter dificuldades em cumprir as metas a que está obrigado por uma directiva comunitária até 2011.O assunto está a preocupar a Sociedade Ponto Verde (SPV), responsável pela reciclagem da maior parte das embalagens no país. A taxa de reciclagem do vidro pela SPV subiu de 34 por cento em 2005 para 35,6 por cento em 2006. Em 2007 chegou aos 38 por cento.A empresa tem necessariamente de duplicar o passo para cumprir a meta até 2011, que é de 60 por cento. "O vidro é o material que mais nos preocupa", afirma Luís Veiga Martins, director-geral da SPV. A recolha de vidro pela SPV aumentou 13 por cento entre 2006 e 2007. Mas o efeito está a ser atenuado pelo facto de haver mais garrafas a circular - mais seis por cento em 2007. "O mercado do vidro continua a crescer", diz Luís Martins. Directiva em riscoA SPV está obrigada às mesmas metas de reciclagem que se aplicam ao país como um todo. As fileiras do papel, metais e madeiras já cumprem hoje o que será obrigatório dentro de quatro anos. Os plásticos (18,4 por cento, em 2007) não estão longe dos 22,5 por cento até 2011. O vidro é o que está mais atrasado.Embora haja resíduos de embalagem recolhidos fora do sistema Ponto Verde, os números da SPV são decisivos para a contabilidade nacional da reciclagem. No ano passado, a empresa respondia pelo destino de 71 por cento das embalagens. No caso do vidro, a proporção era de 93 por cento em 2005 - data dos dados mais recentes do Ministério do Ambiente sobre a reciclagem total no país.Ou seja, se a SPV não conseguir atingir as suas metas para o vidro, Portugal provavelmente terá dificuldade em cumprir a directiva comunitária sobre reciclagem de embalagens.O grande desafio da empresa, agora, é identificar onde param as garrafas que não estão a ser depositadas nos ecopontos. Está já em curso um estudo sobre a quantidade de vidro nos caixotes de lixo dos restaurantes e hotéis, que não chega, por isso, aos "vidrões". Segundo os responsáveis da SPV, os resultados - que deverão estar prontos no final deste semestre - permitirão estudar medidas para se aumentarem os níveis de recolha.Dentro das casas, também, ainda há muitas garrafas a serem deitadas para o lixo normal. Uma parte acaba por dar às três incineradoras de resíduos que há no país - nas regiões de Lisboa, Porto e Madeira - de onde o vidro sai misturado, em pequenas fracções, às cinzas de fundo. A SPV está a avaliar quanto vidro há nessas escórias, as quais podem ser reutilizadas, por exemplo, como sub-base para estradas. Se isto ocorrer, seria uma forma de reaproveitamento do vidro. Na óptica da empresa, isto poderia ser contabilizado nos resultados da reciclagem.

Planeta perdeu 27 por cento da vida selvagem desde 1970

16.05.2008 - 15h20 Helena Geraldes
As populações de animais selvagens do planeta registaram uma queda global de 27 por cento desde 1970, revela o Índice Planeta Vivo 2008 realizado pela Sociedade Zoológica de Londres para a organização WWF (Fundo Mundial da Natureza) e divulgado hoje.As populações das espécies terrestres diminuíram 25 por cento, as marinhas 28 por cento e as de água doce, 29 por cento, revela este Índice que monitoriza quatro mil populações de 302 espécies de mamíferos, 811 de aves, 241 de peixes, 83 de anfíbios e 40 de répteis.Nos gráficos que denunciam as tendências populacionais, são mais as linhas que descem do que as que sobem. A WWF receia que o Baiji (Lipotes vexillifer) ou golfinho do rio Yangtzé (China), se tenha perdido. O espadarte do Atlântico (Xiphias gladius) é outra espécie que está a perder terreno, assim como o abutre indiano (Gyps bengalensis). Mas também há populações que estão em recuperação. É o caso do elefante africano na Tanzânia (Loxodonta africana) e do salmão atlântico (Salmo salar) na Noruega.Apesar disso, os números não são de todo animadores se pensarmos que a comunidade internacional tem apenas mais dois anos para cumprir o ambicioso desígnio a que se propôs em 2000: conseguir reduzir “significativamente” o ritmo de perda da biodiversidade mundial até 2010. A WWF aponta a destruição de habitats e o comércio ilegal como os grands responsáveis por um declínio que se mantém constante desde 1976. Tudo isto leva a crer que “é muito provável que a meta de 2010 não seja cumprida”, diz o relatório de apresentação do Índice. “A menos que sejam tomadas medidas imediatas para reduzir as pressões sobre os ecossistemas naturais, a perda da biodiversidade global vai continuar inalterada”.A tarefa não será fácil porque, segundo as contas do Índice, todos os anos a humanidade consome 25 por cento mais recursos naturais do que aqueles que o planeta consegue repor.De 19 a 30 deste mês, os líderes mundiais reúnem-se em Bona, Alemanha, na nona Convenção das Partes (COP) da Convenção da ONU sobre Diversidade Biológica. Em cima da mesa estará, precisamente, a meta de 2010.

Estudo americano diz que num planeta mais quente haverá menos furacões

19.05.2008 - 13h45 PÚBLICO
O planeta do final do século, mais quente, terá menos furacões, conclui um estudo norte-americano, publicado ontem na revista “Nature Geoscience”. Este é um trabalho contra-corrente, num mar de previsões de tempestades mais frequentes.A investigação da NOAA (Administração Nacional Atmosférica e Oceânica), liderada por Thomas R. Knutson, quis saber quais serão os impactos das alterações climáticas no Atlântico Norte, através de um novo modelo informático regional. “Os nossos resultados não apoiam a teoria do aumento da frequência das tempestades, originadas pelas concentrações de gases com efeito de estufa na atmosfera”, revela Knutson.A investigação projecta para o oceano Atlântico no final deste século uma diminuição de 27 por cento no número de tempestades tropicais e de 18 por cento de furacões. No entanto, os cientistas ainda não conseguem apontar as razões para este decréscimo. “As razões para a redução da frequência de tempestades continuam a ser investigadas”. Mas as “alterações na circulação e/ou humidade são os factores mais prováveis de influenciar” este quadro, adianta.O estudo de Knutson conclui também que, apesar de serem em menor quantidade, os furacões serão ligeiramente mais fortes.Knutson não espera que estas conclusões ponham um ponto final do debate científico sobre o impacto das alterações climáticas nas tempestades. “Não vemos neste estudo a última palavra sobre esta questão”, cuja pertinência foi reforçada desde os furacões Katrina, Wilma e Rita, em 2005, comentou o cientista aos jornalistas, citado pela BBC online.Na verdade, em Janeiro, Mark Saunders e Adam Lea do University College de Londres publicaram na revista “Nature” um estudo, segundo o qual a subida em meio grau da temperatura das águas superficiais do oceano Atlântico estava associada ao aumento de 40 por cento da frequência dos furacões.Segundo um relatório de Dezembro de 2007 da Federação Internacional da Cruz Vermelha, em 2006 registaram-se 427 catástrofes naturais. O número de furacões e ciclones duplicou desde 1950

Estudo diz que pesticidas aplicados nas colheitas na Índia danificam ADN das populações


19.05.2008 - 14h55 PÚBLICO
Um estudo feito na Índia relacionou o uso de pesticidas na agricultura do país com a degradação do ADN nas populações expostas aos tratamentos, fazendo aumentar o número de casos de cancro.Um grupo de agricultores foi seguido durante vários meses por cientistas da Universidade de Patiala, no estado de Punjab, no norte da Índia. Segundo os cientistas, o ADN destas comunidades tem vindo a ser alterado, o que aumenta a probabilidade de desenvolverem cancro. “Encontrámos uma alteração significativa no ADN e o risco de cancro aumenta muito quando estas alterações são altas”, explica Satbir Kaur à BBC News, professor e investigador na Universidade. Segundo Kaur, a investigação excluiu outros factores que poderiam danificar o ADN como a idade, o uso de álcool ou tabaco. Sugerindo que a exposição aos pesticidas é a causa mais provável.O porta-voz da associação para o comércio da indústria de colheitas, Salil Singhal, disse à BBC News que não existe nenhuma ligação entre o uso de pesticidas e alteração do ADN. “Hoje em dia, não há um uso de pesticida suficiente para causar cancro”, disse. Singhal afirma que só se aplica pesticidas algumas vezes em cada época.Mas segundo a BBC, vários agricultores da região usaram muitas vezes os químicos. Um dos agricultores, que tem cancro, aplicava os pesticidas diariamente.

Portugal não acompanha os outros países da UE nas ajudas à protecção ambiental







21.05.2008 - 14h35 Lusa
Os Estados Membros da União Europeia têm concedido cada vez mais auxílios estatais para a protecção do ambiente, uma tendência que não é acompanhada por Portugal, revela um estudo divulgado hoje em Bruxelas pela Comissão Europeia.O mais recente painel de avaliação das ajudas de Estado indica que as despesas relativas aos auxílios estatais para financiar projectos de protecção do ambiente aumentaram significativamente na UE nos últimos sete anos, tendo passado de 7 mil milhões de euros em 2001 para o dobro, 14 mil milhões, em 2006. Contudo, Portugal figura na "cauda" da lista. Entre 2004 e 2006, as despesas médias por ano em auxílios estatais para a protecção do ambiente em Portugal foram de um milhão de euros, exactamente o mesmo montante médio para o período entre 2001 e 2003.Este valor - o quinto mais baixo entre os 27, a par de Chipre e Letónia - não tem sequer expressão em termos de percentagem do PIB português, enquanto a nível da UE o valor médio anual de 13.365 milhões de euros entre 2004 e 2006 representa 0,12 por cento da riqueza da União e o crescimento verificado entre 2001 e 2006 representa em termos relativos um aumento de 50 por cento em termos de percentagem do PIB. O país que mais auxílios destinou ao ambiente entre 2004 e 2006 foi a Suécia, com mais de 2 mil milhões de euros, equivalente a 0,77 por cento da sua riqueza.Num comentário geral a este painel de avaliação, a Comissão Europeia considera que a tendência de crescimento das ajudas estatais a favor do ambiente revela que os Estados-Membros utilizaram cada vez mais as possibilidades proporcionadas pelas disposições comunitárias em matéria de auxílios estatais. O executivo comunitário faz notar, todavia, que há que ter em consideração o facto de uma grande proporção dos auxílios (estimada em 53 por cento) consistir em isenções de impostos ambientais, beneficiando, de forma geral, indústrias de grande consumo energético, incluindo por vezes grandes poluidores que tiveram de ser aceites a fim de permitir a introdução de determinadas medidas que excedem os mínimos impostos pelas directivas da UE.A Comissão considera, no entanto, que esses auxílios "proporcionam benefícios indirectos para o ambiente". "É encorajador que os Estados-Membros concentrem os seus auxílios em medidas ambientais. Esta tendência deve ser reforçada com as novas orientações em matéria de auxílios ambientais", observou a comissária europeia responsável pela Concorrência, Neelie Kroes.

Poluidores vão passar a ser criminalizados e alvo de sanções

21.05.2008 - 15h01 Lusa
O Parlamento Europeu aprovou hoje, em Estrasburgo, uma directiva de Bruxelas que criminaliza as infracções ambientais, prevendo sanções penais contra os poluidores. O texto estabelece um conjunto de infracções que serão punidas como crime por todos os Estados-Membros da União Europeia (UE) e estabelece um conjunto de "regras mínimas" onde define o que é considerado crime ambiental. A partir do momento em que a directiva entre em vigor, os países têm dois anos para adoptar as medidas.A directiva, apresentada em Fevereiro de 2007, permite que cada Estado-membro tenha a liberdade de adoptar ou manter medidas mais rigorosas que as "regras mínimas" no seu direito penal. Bruxelas propunha molduras penais consoante a gravidade do crime ambiental, mas o PE lembra que tal é ilegal, sustentado num acórdão do Tribunal de Justiça Europeu, de Outubro passado. Assim, a fixação do tipo e do grau das sanções penais a aplicar é da competência dos 27, sendo que a directiva prevê que sejam punidas como crime, por exemplo, a morte, destruição, posse e captura de espécies protegidas da fauna ou da flora selvagem.O texto criminaliza ainda "a produção, importação, exportação, colocação no mercado ou utilização de substâncias que empobrecem a camada de ozono". Também a "descarga, emissão ou introdução de uma quantidade de matérias ou de radiações ionizantes na atmosfera, no solo ou na água, que causem ou sejam passíveis de causar a morte ou lesões graves a pessoas, ou danos substanciais à qualidade do ar, à qualidade do solo, à qualidade da água, ou a animais ou plantas" passa a ser um crime ambiental, entre outros.A decisão do PE foi já saudada pela Comissão Europeia, tendo o comissário para o Ambiente, Stavros Dimas, sublinhado, em comunicado, que "este rápido acordo é um grande sucesso para o ambiente e para a UE". A directiva foi aprovada em primeira leitura.

Estaremos à beira do descontrolo climático?

29.05.2008 - 19h16 Ana Gerschenfeld

Os especialistas do clima tentam perceber há décadas algo que aconteceu há cerca de 635 milhões de anos: o que transformou a Terra, que estava há 45 milhões de anos reduzida ao estado de bola de gelo, num planeta dezenas de graus mais quente. Uma resposta é avançada hoje na "Nature" por cientistas que receiam que o mesmo possa tornar a acontecer, provocando uma mudança radical e repentina do clima actual."Os nossos resultados documentam um abrupto e catastrófico processo de aquecimento global que conduziu, sem transição, de um clima muito frio e estável a um clima muito quente e estável", diz o geólogo Martin Kennedy, líder da equipa da Universidade da Califórnia que realizou o estudo, citado num comunicado da universidade.O que terá acontecido então foi uma libertação maciça de um gás, o metano, preso no solo congelado devido a condições precisas de temperatura e pressão criada pelos glaciares que cobriam o planeta. A libertação terá começado de forma lenta, com o degelo dos glaciares nas latitudes mais baixas, provocando em seguida um desequilíbrio maior que por sua vez conduziu à libertação de mais e mais metano, um potentíssimo gás de estufa, numa espiral descontrolada. Os cientistas recolheram centenas de amostras de sedimentos marinhos no Sul da Austrália e identificaram nelas a assinatura química dessa libertação.Ainda existe muito metano em estado latente no Árctico, "no permafrost e nas margens continentais dos oceanos", diz Kennedy. Permanecerá nesse estado até o "gatilho" do aquecimento desequilibrar novamente o sistema. "O que precisamos de determinar", salienta, "é se a situação actual de aquecimento atmosférico é suficiente para desencadear novamente essa libertação." O mesmo fenómeno já foi proposto para explicar um período de aquecimento global, há uns 55 milhões de anos, em que as temperaturas aumentaram em quatro a oito graus Celsius - e também as extinções em massa que, no passado, afectaram organismos marinhos.

Primavera na Islândia... que andamos nós a fazer ao planeta???


01-06-2008 8:49:00


Icebergues derretem em Hvannadalshnukur, no galciar de Vatnajokull, a cerca de 330 km da capital do país, Reiquejavique. Este glaciar situa-se no sudeste da Islândia e é o maior da Europa. Fotografia: Ints Kalnins/Reuters

quinta-feira, maio 29, 2008

Lisboa: SimTejo investe 1,6 milhões de euros para melhorar tratamento de caudais pluviais poluentes


22.05.2008 - 12h12 Lusa


A SimTejo, concessionária do sistema de saneamento do Tejo e do Trancão, vai investir 1,6 milhões de euros para melhorar o tratamento de caudais pluviais com grande carga de poluentes, resultantes dos dias de maior precipitação.Parte significativa do sistema de saneamento da cidade de Lisboa funciona com redes unitárias (que juntam águas residuais domésticas e águas pluviais), o que coloca problemas quando as chuvas mais fortes provocam alterações radicais dos caudais. "Nessas alturas, os caudais podem ser 20 ou 30 vezes superiores aos caudais em época de estio", explicou o presidente da comissão executiva do conselho de administração da Simtejo. O sistema de Beirolas vai ser, por isso, alvo de uma intervenção que visa "assegurar que os caudais pluviais com maior carga poluente chegam à ETAR [Estação de Tratamento de Águas Residuais] e não são descarregados no rio sem tratamento", acrescentou Carlos Martins. Isto porque quando a precipitação é muito intensa a capacidade dos colectores esgota-se e os caudais pluviais, anormalmente elevados, chegam a pôr em causa alguns órgãos da rede de saneamento que estão sujeitos a paragens. "A intervenção visa, sobretudo, melhorar as condições ambientais no rio Tejo em épocas de fortes chuvadas", salientou o mesmo responsável, acrescentando que as situações de precipitação que provocam estes caudais excepcionais ocorrem apenas 20 dias por ano. A obra deve ser adjudicada em Junho, prevendo-se a sua conclusão até ao fim deste ano. A SimTejo é concessionária do sistema multimunicipal de saneamento do Tejo e Trancão, que abrange os concelhos da Amadora, Lisboa, Loures, Odivelas e Vila Franca de Xira, servindo uma população de 1,5 milhões de habitantes.

UICN põe na Lista Vermelha onze espécies de tubarões e raias do mal alto


22.05.2008 - 15h30 PÚBLICO

No Dia Mundial da Biodiversidade 2008, celebrado hoje, a União Mundial para a Conservação (UICN) pôs onze espécies de tubarões e raias na sua Lista Vermelha e lembrou que ainda não há limites para a captura destes animais ameaçados de extinção.Para marcar o dia, a UICN apresentou os resultados do primeiro estudo que traça a situação global de 21 espécies de tubarões e raias pelágicas (que vivem no mar alto). Mas os 15 cientistas que o realizaram, coordenados pelo Grupo de Especialistas da UICN em Tubarões, não tinham boas notícias para dar. Pelo menos para onze espécies, entre elas o Tubarão-raposo (Alopias vulpinus), o Tubarão luzidio (Carcharhinus falciformis) e o Rinquim (Isurus oxyrinchus).A culpa, dizem, é das capturas acidentais mas sobretudo do excesso de pesca para a comercialização das barbatanas e de carne. No ano passado, só em Singapura foram consumidas mais de 470 toneladas de barbatanas de tubarão, segundo o “China Post”.“A visão tradicional dos tubarões e raias oceânicos como rápidos e poderosos muitas vezes leva ao erro de pensar que eles são resilientes à sobre-exploração pesqueira”, diz Sonja Fordham, da UICN.Mas apesar “das provas do declínio e das crescentes ameaças a estas espécies, não existem limites internacionais para as capturas dos tubarões oceânicos”, salienta. “É urgente tomar medidas globais para que estas pescas sejam sustentáveis”.Além da definição de limites para as capturas, o estudo da UICN – publicado na revista “Aquatic Conservation: Marine and Freshwater Ecosystems” - sugere a melhoria da monitorização das pescas, o investimento em investigação e a minimização das capturas acidentais.“Estamos a perder espécies a um ritmo entre dez a cem vezes mais rápido do que os níveis históricos de extinção (...). Mas não tem de ser assim. Com o apoio das pessoas e a vontade política podemos dar a volta a esta maré”, comentou o autor principal do estudo, Nicholas Dulvy, da Universidade Simon Fraser, em Vancouver.