03.06.2008 - 16h27 PÚBLICOUm relatório de 48 páginas divulgado ontem com o resultado de uma investigação, pedida em 2006 por 14 senadores, sobre a informação científica prestada pela NASA sobre alterações climáticas revela que houve um padrão de distorção e sonegação de informação.O relatório, assinado por Kevin H. Winters, denuncia um padrão sustentado de actividades, orientadas por conselheiros políticos, que incluíram a não divulgação de comunicados de imprensa sobre alterações climáticas e o condicionamento das relações de um cientista, James E. Hansen, com os jornalistas.“A nossa investigação concluiu que, durante o Outono de 2004 e durante 2006, o gabinete de relações públicas da NASA geriu a questão das alterações climáticas de forma a reduzir ou marginalizar a ciência que foi veiculada ao público em geral”, escreve o relatório, cita o “New York Times”.O relatório identificou ainda relações intrincadas entre a política e a divulgação científica naquele período, num padrão “inconsistente com a responsabilidade de comunicar as descobertas científicas” definida nos estatutos da NASA, “especialmente sobre um tema que tem tanto interesse científico mundial”.Um porta-voz da NASA, Michael Cabbage, comentou que esta situação já se verificou há mais de dois anos e que, depois de se aperceber do que estava a acontecer, a NASA reviu a sua política de divulgação de informação científica”.“A resposta do nosso Governo às alterações climáticas deve basear-se na ciência e a manipulação da administração Bush à informação viola a confiança do público”, disse o senador democrata Frank R. Lautenberg, um dos 14 senadores que pediu a investigação.Há dois anos, James E. Hansen e outros funcionários da NASA denunciaram o que disserem ser distorção de informação relativa às alterações climáticas.A administração Bush recusou, em Março de 2001, ratificar o Protocolo de Quioto sobre alterações climáticas, alegando que ainda não existia um consenso mundial sobre a evidência científica do fenómeno.
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