
19.05.2008 - 11h35 Ricardo Garcia
O vidro já foi pioneiro da reciclagem em Portugal. Mas, embora os portugueses coloquem cada vez mais garrafas nos "vidrões", a evolução está com pouco fôlego. Ao ritmo actual, Portugal poderá ter dificuldades em cumprir as metas a que está obrigado por uma directiva comunitária até 2011.O assunto está a preocupar a Sociedade Ponto Verde (SPV), responsável pela reciclagem da maior parte das embalagens no país. A taxa de reciclagem do vidro pela SPV subiu de 34 por cento em 2005 para 35,6 por cento em 2006. Em 2007 chegou aos 38 por cento.A empresa tem necessariamente de duplicar o passo para cumprir a meta até 2011, que é de 60 por cento. "O vidro é o material que mais nos preocupa", afirma Luís Veiga Martins, director-geral da SPV. A recolha de vidro pela SPV aumentou 13 por cento entre 2006 e 2007. Mas o efeito está a ser atenuado pelo facto de haver mais garrafas a circular - mais seis por cento em 2007. "O mercado do vidro continua a crescer", diz Luís Martins. Directiva em riscoA SPV está obrigada às mesmas metas de reciclagem que se aplicam ao país como um todo. As fileiras do papel, metais e madeiras já cumprem hoje o que será obrigatório dentro de quatro anos. Os plásticos (18,4 por cento, em 2007) não estão longe dos 22,5 por cento até 2011. O vidro é o que está mais atrasado.Embora haja resíduos de embalagem recolhidos fora do sistema Ponto Verde, os números da SPV são decisivos para a contabilidade nacional da reciclagem. No ano passado, a empresa respondia pelo destino de 71 por cento das embalagens. No caso do vidro, a proporção era de 93 por cento em 2005 - data dos dados mais recentes do Ministério do Ambiente sobre a reciclagem total no país.Ou seja, se a SPV não conseguir atingir as suas metas para o vidro, Portugal provavelmente terá dificuldade em cumprir a directiva comunitária sobre reciclagem de embalagens.O grande desafio da empresa, agora, é identificar onde param as garrafas que não estão a ser depositadas nos ecopontos. Está já em curso um estudo sobre a quantidade de vidro nos caixotes de lixo dos restaurantes e hotéis, que não chega, por isso, aos "vidrões". Segundo os responsáveis da SPV, os resultados - que deverão estar prontos no final deste semestre - permitirão estudar medidas para se aumentarem os níveis de recolha.Dentro das casas, também, ainda há muitas garrafas a serem deitadas para o lixo normal. Uma parte acaba por dar às três incineradoras de resíduos que há no país - nas regiões de Lisboa, Porto e Madeira - de onde o vidro sai misturado, em pequenas fracções, às cinzas de fundo. A SPV está a avaliar quanto vidro há nessas escórias, as quais podem ser reutilizadas, por exemplo, como sub-base para estradas. Se isto ocorrer, seria uma forma de reaproveitamento do vidro. Na óptica da empresa, isto poderia ser contabilizado nos resultados da reciclagem.
O vidro já foi pioneiro da reciclagem em Portugal. Mas, embora os portugueses coloquem cada vez mais garrafas nos "vidrões", a evolução está com pouco fôlego. Ao ritmo actual, Portugal poderá ter dificuldades em cumprir as metas a que está obrigado por uma directiva comunitária até 2011.O assunto está a preocupar a Sociedade Ponto Verde (SPV), responsável pela reciclagem da maior parte das embalagens no país. A taxa de reciclagem do vidro pela SPV subiu de 34 por cento em 2005 para 35,6 por cento em 2006. Em 2007 chegou aos 38 por cento.A empresa tem necessariamente de duplicar o passo para cumprir a meta até 2011, que é de 60 por cento. "O vidro é o material que mais nos preocupa", afirma Luís Veiga Martins, director-geral da SPV. A recolha de vidro pela SPV aumentou 13 por cento entre 2006 e 2007. Mas o efeito está a ser atenuado pelo facto de haver mais garrafas a circular - mais seis por cento em 2007. "O mercado do vidro continua a crescer", diz Luís Martins. Directiva em riscoA SPV está obrigada às mesmas metas de reciclagem que se aplicam ao país como um todo. As fileiras do papel, metais e madeiras já cumprem hoje o que será obrigatório dentro de quatro anos. Os plásticos (18,4 por cento, em 2007) não estão longe dos 22,5 por cento até 2011. O vidro é o que está mais atrasado.Embora haja resíduos de embalagem recolhidos fora do sistema Ponto Verde, os números da SPV são decisivos para a contabilidade nacional da reciclagem. No ano passado, a empresa respondia pelo destino de 71 por cento das embalagens. No caso do vidro, a proporção era de 93 por cento em 2005 - data dos dados mais recentes do Ministério do Ambiente sobre a reciclagem total no país.Ou seja, se a SPV não conseguir atingir as suas metas para o vidro, Portugal provavelmente terá dificuldade em cumprir a directiva comunitária sobre reciclagem de embalagens.O grande desafio da empresa, agora, é identificar onde param as garrafas que não estão a ser depositadas nos ecopontos. Está já em curso um estudo sobre a quantidade de vidro nos caixotes de lixo dos restaurantes e hotéis, que não chega, por isso, aos "vidrões". Segundo os responsáveis da SPV, os resultados - que deverão estar prontos no final deste semestre - permitirão estudar medidas para se aumentarem os níveis de recolha.Dentro das casas, também, ainda há muitas garrafas a serem deitadas para o lixo normal. Uma parte acaba por dar às três incineradoras de resíduos que há no país - nas regiões de Lisboa, Porto e Madeira - de onde o vidro sai misturado, em pequenas fracções, às cinzas de fundo. A SPV está a avaliar quanto vidro há nessas escórias, as quais podem ser reutilizadas, por exemplo, como sub-base para estradas. Se isto ocorrer, seria uma forma de reaproveitamento do vidro. Na óptica da empresa, isto poderia ser contabilizado nos resultados da reciclagem.
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