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segunda-feira, novembro 29, 2010

Em 2030 a União Europeia terá de importar 70 por cento da energia que necessita

Encontro internacional identifica os desafios com que a UE vai ter de lidar nos próximos anos

2010-11-19  - Por Luísa Marinho

Domenico Rossetti , Tonnie de Koster, João Faria e Wolfgang MunchIdentificar os principais desafios da Europa actual e definir estratégias para o seu crescimento nos próximos 15 anos, tendo em conta o crescimento regional, foram os objectivos do seminário «Europa 2020: Nova Estratégia, Novos Instrumentos de Financiamento», que hoje se realizou no Mosteiro de São Bento da Vitória, no Porto.

No primeiro painel foi analisado como seria o mundo em 2025, com o crescimento da Ásia e a actual transição “sócio-ecológica”. Antes das intervenções dos três membros da Comissão Europeia, Carlos Lage, presidente da CCDR-N (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte), explicou que este encontro era oportunidade única “para actualizar a informação sobre as políticas comunitárias e desencadear um debate público sobre o futuro”. As regiões, disse, “devem ser envolvidas na estratégia de crescimento da União Europeia (UE), através do reforço da governação regional e do financiamento”.

No painel «A Europa do Futuro: Diagnóstico e Estratégia», Domenico Rossetti identificou os desafios que a UE tem de enfrentar nos próximos anos. O crescimento da Ásia é um dos tópicos de relevo para esta discussão. “Em 2025, 61 por cento da população mundial vai viver na Ásia. Na UE viverá apenas 6,5”. Apesar disso, “a UE vai ter uma grande percentagem de população acima dos 65 anos (30 por cento)”.
Na próxima década, “a China vai tornar-se o primeiro produtor e exportador do mundo, deixando para trás a tríade Estados Unidos-Japão-União Europeia”. Neste quadro entra também a problemática da produção de energia. Rossetti admitiu que em 2030 a UE terá de importar 70 por cento da energia que necessita.
Depois de identificados os desafios, “é necessário saber como encará-los”. As novas estratégias a aplicar, visto que o Tratado de Lisboa não foi suficientemente aplicado, disse Tonnie de Koster, passam por três factores: “crescimento inteligente, crescimento sustentável e crescimento inclusivo”, que devem ser traduzidos a nível nacional, e isso implica “mais juventude, mais energia e mais emprego”.

Essas ideias devem ser aplicadas a nível regional, afirmou Wolfgang Munch. Os diversos estados da União Europeia devem afirmar a sua coesão, a cooperação e dinâmica territoriais.

 

Garrafas de plástico serão recicladas para revestir calçadas

O plastisoil é um novo material desenvolvido com tripla função
2010-11-26


O Plastisoil dará permeabilidade ao soloNaji Khoury, do Departamento de Engenharia Civil e do Ambiente na Universidade de Temple (EUA), desenvolveu uma nova sustância – plastisoil –, a partir de garrafas de plástico, para ser usada no revestimento de pavimentos.

A receita é simples: basta misturar terra quente, pó de PET-polyethylene terephthalate, derivado de garrafas de plástico reciclável e cascalho. O resultado é o plastisoil, um produto com um triplo interesse: uma nova forma de reciclagem do PET, dará permeabilidade ao solo – já que os grãos constituintes no alcatrão permitirão que a água se infiltre e evite inundações e o fabrico deste produto requer menos energia e um processo que fica barato do que usar o cimento tradicional, ou outros.

O material poderá ser usado como alternativa ao asfalto para passeios, parques de estacionamento e faixas de rodagem. “Ainda estamos a testar o plastisoil poroso para perceber se este reduz poluentes e tem a capacidade de filtrar”, refere o investigador na página da universidade.

O plastisoil trará benefícios ambientais, tendo em conta que é criado a partir polyethylene terephthalate (PET) das garrafas de plástico, podendo reduzir mil milhões de lixo que estas produzem anualmente.

Khoury e os colegas já começaram a pavimentar uma calçada no exterior do edifício principal para testar a consistência do material.

quinta-feira, novembro 25, 2010

Temperatura dos lagos aumentou dois graus em 25 anos

Estudo da NASA é publicado amanhã na «Geophysical Research Letters»



2010-11-24

Os lagos do planeta aqueceram em média dois graus desde 1985. Segundo estudo publicado amanhã pela NASA, na revista «Geophysical Research Letters», esta subida de temperatura foi duas vezes mais rápida do que a da atmosfera. A Agência Espacial Norte-Americana chegou a esta conclusão depois de medir a temperatura superficial da água em 167 lagos, através da tecnologia de satélite do Laboratório de Propulsão a Jacto.
O estudo revela que os lagos aumentaram 0,45 graus Celcius por década e alguns aumentaram a um ritmo de um grau por década. Os que aqueceram mais foram os do hemisfério norte, especialmente os situados a latitudes médias e altas.

Foi o maior lago da Europa, o Ladoga, situado na Rússia, que aqueceu mais: quatro graus em 25 anos. Segue-se o lago Tahoe, situado nas montanhas da Serra Nevada, Estados Unidos, com um aumento de três graus. Segundo um dos autores do estudo, Simon Hook é no norte da Europa que se regista um aquecimento mais consistente, enquanto que o sudeste, arredores do mar Negro e mar Cáspio, a temperatura da água aumenta menos bruscamente.
Na Sibéria, na Mongólia, no norte da China e no Cazaquistão a tendência para o aquecimento está a aumentar. Na América do Norte, os lagos que aquecem mais são os do sudoeste dos Estados Unidos, a um ritmo ligeiramente superior ao dos Grandes Lagos do norte. O aumento é mais lento nos trópicos e no hemisfério sul, especialmente nas latitudes médias.
Estas mudanças de temperatura têm um impacto negativo para os ecossistemas. Uma das consequências pode ser a proliferação de algas que tornam os lagos tóxicos para os peixes. Pode também provocar a introdução de espécies exógenas (não nativas) da qual resulta a perda de biodiversidade.

Para realizarem estas medições, os investigadores da NASA utilizaram a tecnologia de infravermelhos da Agência Nacional do Oceano e da Atmosfera norte-americana (NOAA) e da Agência Espacial Europeia (ESA). Analisaram as temperaturas entre os meses de Julho e Setembro, no hemisfério norte, e entre Janeiro e Março, no sul.
Segundo Philipp Schneider, outros dos autores do estudo, os resultados são consistentes com as mudanças associadas ao aquecimento global.

segunda-feira, novembro 22, 2010

Movimento quer fazer do sobreiro a árvore nacional de Portugal


19.11.2010- Helena Geraldes


A ideia de Portugal ter uma árvore nacional já ganhou raízes. Duas organizações lançaram um movimento para que o sobreiro receba este estatuto simbólico, a fim de travar a perda dos montados.
O Canadá tem o plátano, a Inglaterra o carvalho e Portugal poderá vir a ter o sobreiro.

“Ao contrário do que se possa pensar, esta árvore está presente em todo o território nacional, não apenas no Alentejo. E não nos podemos esquecer da sua importância vital aos níveis social, cultural e económico”, justificou ao PÚBLICO Miguel Rodrigues, da Árvores de Portugal que, com a Transumância e Natureza (ATN), é responsável por esta iniciativa.

O território nacional do sobreiro (Quercus suber) estende-se por 737 mil hectares, segundo o Inventário Florestal Nacional de 2006. Ou seja, 32 por cento da área que a espécie ocupa no Mediterrâneo ocidental.

Além da importante biodiversidade associada aos montados, o sobreiro ajuda a travar a desertificação do solo e a gerar receitas da exploração da cortiça. Segundo os responsáveis pela iniciativa, o país produz cerca de 200 mil toneladas de cortiça por ano, mais de 50 por cento do total mundial. “A perda desta liderança representaria um descalabro económico, social e ambiental sem paralelo para o nosso país”, alertam.
Ainda que o sobreiro esteja protegido por lei, desde Maio de 2001, Miguel Rodrigues considera que “a legislação por si só não tem conseguido travar o declínio do sobreiro. Há sempre excepções que se abrem na lei, ao sabor das decisões que vão sendo tomadas”.
Há vários anos que Domingos Patacho, da Quercus, tem denunciado o abate ilegal de sobreiros. E hoje, contou, “continuam a existir denúncias, especialmente na zona envolvente da Grande Lisboa”.
Ricardo Nabais, da ATN, também é da opinião que, perante grandes projectos, “a protecção legal não é suficiente. É preciso acarinhar a árvore enquanto símbolo de Portugal”. “Queremos atingir a maioria da população portuguesa”, disse.
Além dos abates de árvores para dar lugar a projectos imobiliários, a ameaça aos sobreirais tem outras origens. “O que está a matar o sobreiro é o efeito de muitos anos de má gestão dos montados, como o excesso de pisoteio pelo gado, excesso de matéria orgânica e uma gradagem do solo demasiado profunda”, explicou Miguel Rodrigues. Os vedantes sintéticos, em substituição das rolhas de cortiça, “podem ser a machadada final”.
Ainda assim, o país tem grandes manchas de montado e árvores monumentais. Segundo os dados da Autoridade Floresta Nacional relativos a 2008, existem 41 sobreiros classificados como árvores de interesse público. Miguel Rodrigues estima que aquele que será o sobreiro mais antigo e o maior situa-se em Pai Anes, Castelo de Vide. Terá cerca de 500 anos. “Isto é uma coisa fabulosa para um sobreiro, dado que costuma viver 200 anos”. No entanto, esta árvore “deverá estar já fase terminal da sua vida e perdeu, há cerca de dois anos, uma das pernadas principais, da grossura de um sobreiro adulto”.
Miguel Rodrigues adiantou que está em fase de classificação o sobreiro da Corte Grande, em Monchique. Este é, “provavelmente, o maior do Algarve e um dos maiores do país”.
As duas associações vão convidar uma lista de entidades para formar um núcleo inicial da iniciativa, entre as quais universidades, associações de defesa do ambiente e associações florestais. Depois vão preparar um documento técnico que justifique a classificação e, por fim, lançar uma petição para levar à Assembleia da República.
Mas o trabalho não acaba por aqui. “Depois de classificar, queremos ver o que tem de ser feito para travar a perda do montado e recuperá-lo”, explicou o responsável, salientando a importância de uma estratégia para a reflorestação, em vez das plantações “pontuais para aproveitar subsídios europeus”.

Economia verde: eficiente e hipocarbónica

Novo plano de estratégia europeia para a energia

2010-11-19 - Por Marlene Moura
Ciência Hoje



Apresentação do plano estratégico para a energiaO plano de estratégia lançado pela Comissão Europeia (CE) - «Europa 2020» – que diz respeito ao crescimento sustentável visa, antes de mais, promover uma economia hipocarbónica competitiva em termos de recursos e com uma poupança de 20 por cento. No início do próximo ano, haverá um plano de energia já disponível, mas ainda não tem uma legislação implementada.

Bárbara Sellier, responsável da DG Energia da CE, esteve hoje presente no Seminário Internacional «Europa 2020: Nova estratégia, novos instrumentos de financiamento» – promovido pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) e pelo «ON.2 - O Novo Norte» (Programa Operacional Regional do Norte) – para apresentar as novas medidas para a política energética.

Segundo a representante, “estamos [Europa] longe dos objectivos de poupança de energia por não investimos o suficiente em inovação”; contudo admite que “a interdependência entre os países é crescente e que existem esforços na investigação”. Sellier sustenta que apesar de o plano estratégico depender de uma continuidade, existe uma prioridade: “Poupar energia, em pelo menos 20 por cento”.
Manuel Laranja, do gabinete do secretário de Estado da Energia e da Inovação, argumentou que Portugal ultrapassou esse objectivo há muito e que já estamos nos 47 por cento. “Este ano foi particularmente rico em chuvas e produziu bastante energia hídrica e eólica". Agora, a gestão das redes inteligentes, “dependem do ‘mix’ de energia”. O interveniente alertou para o facto de Portugal se estar a tornar “num dos líderes europeus nas políticas de energias renováveis” e tem dado um novo impulso à rede, com “maior conforto quanto à dependência da importação energética”.

Inovação e redução

As cinco dimensões prioritárias do plano de estratégia explanado por Sellier enfatizam em larga medida que “a poupança de energia é urgente, assim como conseguir um mercado com preços competitivos, com cooperação em espaços de transição, reduzir as emissões de carbono e apostar na liderança tecnológica (redes e cidades inteligentes), através da inovação”.
O gabinete da Energia e da Inovação apresentou três pontos para chegar aos resultados desejáveis em 2020. Manuel Laranja sustentou que "60 por cento da energia deverá ser produzida a partir de fontes renováveis", para contribuir de forma positiva para o défice da balança comercial (que depende em boa parte da importação energética).
Uma das estratégias que o gabinete propõe é evitar o desequilíbrio regional e que a energia seja distribuída com a participação de todas as localidades – micro ou mini-geração. O responsável acrescentou ainda que para chegar a esta economia verde é necessário que existam compromissos de acção.

A nova estratégia para a energia apresentada pela CE, há escassos dias, pretende assentar na "segurança e competitividade". Segundo Paulo Gomes, vice-presidente da CCDR Norte, esta é a aposta do milénio, mas é crucial que a Europa se comprometa a desenvolver "uma economia eficiente e hipocarbónica".

quarta-feira, novembro 17, 2010