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sexta-feira, outubro 30, 2009

CE e EUA reforçam critérios Energy Star



A Comissão Europeia (CE) e o Governo dos EUA anunciaram novos critérios do programa Energy Star, que visa tornar os monitores mais eficientes do ponto de vista energético, para tornar a iniciativa mais «ambiciosa»

Com os novos critérios agora introduzidos, estabelecidos pela CE e pela Agência para a Protecção do Ambiente norte-americana, Bruxelas prevê que o consumo de electricidade baixe cerca de 7 TWh nos próximos cinco anos no espaço comunitário, o equivalente ao consumo anual de electricidade de todos os lares da Bulgária, compara o executivo comunitário.

Em comunicado, o comissário europeu para a Energia, Andris Piebalgs, considera que «os novos critérios representam um passo importante para cumprirmos as metas de eficiência energética e protecção do ambiente».

Líderes europeus procuram acordo sobre alterações climáticas após desbloquearem Tratado de Lisboa

Os líderes europeus vão tentar alcançar, esta sexta-feira, um acordo sobre a ajuda aos países pobres no combate às alterações climáticas, após terem chegado a um compromisso para satisfazer as reivindicações do presidente checo para assinar o Tratado de Lisboa.

A conclusão do processo de ratificação do Tratado de Lisboa e o financiamento do combate às alterações climáticas são os dois temas fortes da Cimeira que decorre em Bruxelas, tendo quinta-feira os 27 "fechado" o primeiro, com um acordo no sentido de anexar ao futuro Tratado um protocolo que responde às pretensões de Vaclav Klaus, quanto a uma excepção para o país na aplicação da Carta de Direitos Fundamentais.
Para esta sexta-feira, segundo e último dia de Cimeira, fica adiada a tentativa de acordo em torno da ajuda a conceder aos países mais pobres para estes aceitarem reduzir as emissões de gazes nocivos, tendo o primeiro dia de trabalhos revelado posições ainda muito divergentes entre os 27.
Fontes diplomáticas disseram que a presidência sueca defende a necessidade de os europeus liderarem o processo e avançarem com números, sendo apoiada por países como Portugal, Reino Unido ou Dinamarca.
No entanto, a Alemanha, que lidera um grupo onde também se incluem a França e a Itália, defende que os europeus devem aguardar pelas promessas financeiras dos restantes países desenvolvidos.
Já os países de Leste, com poucos rendimentos e grandes poluidores, chefiados pela Polónia, estão dispostos a avançar em função das suas capacidades financeiras.

A Comissão Europeia calculou em 100 mil milhões de euros anuais, entre 2013 e 2020, a ajuda necessária para que os países mais pobres adoptem medidas contra as alterações climáticas.
Esta é uma das derradeiras oportunidades de conseguir um acordo ao nível da UE antes da conferência de Copenhaga, de 7 a 18 de Dezembro, que visa chegar a um acordo, que deve entrar em vigor antes de expirar a primeira fase do Protocolo de Quioto, em Janeiro de 2013, para travar de forma vinculativa as emissões de dióxido de carbono.
Admitindo que ainda há muitas diferenças entre os 27, Durão Barroso disse todavia acreditar que será possível um acordo esta sexta-feira, de modo a que «a UE não perca agora a liderança que tem tido» no combate às alterações climáticas.
«Seria uma pena que, depois de tanto esforço, não conseguíssemos esse acordo», frisou o presidente do executivo comunitário.

Mapa Verde de Portugal

http://static.publico.clix.pt/docs/ambiente/mapaVerde/

Observação de aves na Ria de Alvor

29.10.2009


O Núcleo do Algarve da Liga para a Protecção da Natureza (LPN) organiza, a 5 de Dezembro, a actividade Observação de aves na Ria de Alvor.
"A Ria de Alvor é uma área de elevado valor paisagístico, onde, durante gerações, conviveram os valores naturais e as actividades tradicionais agrícolas e de salinicultura, que agora se encontram ameaçadas por projectos urbano-turísticos. A presença de centenas de aves aquáticas e a visão de uma águia-pesqueira a capturar peixe com certeza não deixam ninguém indiferente", explicam os organizadores.
Os pontos de encontro são, às 09h15 no largo da estação da CP em Portimão, ou às 10h00 na Associação A Rocha, Cruzinha, Mexilhoeira Grande.
As inscrições têm de ser feitas até 3 de Dezembro.
Contactos:
Email: lpn_algarve@yahoo.com

Blasted Mechanism participam em acção de reflorestação

Em silêncio, num círculo e invocando «uma boa energia para que as árvores cresçam melhor», foi assim que se iniciou a reflorestação da Ilha da Lezíria Grande, em Vila Franca de Xira, na qual participaram os Blasted Mechanism

«Vamos invocar para o meio deste círculo uma boa energia para que estas árvores cresçam melhor" da Terra, uma associação da Quercus.

O objectivo é plantar 4 mil árvores, para criar um pulmão verde perto de Lisboa, numa zona que no passado foi bastante florestada.



Lusa / SOL

segunda-feira, outubro 26, 2009

Fóssil Ida pode não ter parentesco com ser humano

Estudo publicado na revista «Nature» atribui origem a lémures ou lóris


2009-10-23
Considerada como a “Pedra da Roseta da história da evolução” pelos investigadores, a Ida – um fóssil, com 47 milhões de anos, considerado ancestral do ser humano e um dos mais completos já encontrados –, afinal, pode não ter qualquer relação com o Homem.

Num estudo publicado na revista «Nature», uma equipa de paleontólogos nova-iorquina avançou que a Ida se parece mais com um pequeno lémure ou um lóris (pequeno primata encontrado na Índia tropical e África, e particularmente em ilhas como o Bornéu, Madagascar e Sri Lanka).
Jorn Hurum, um paleontólogo norueguês, acompanhou o alegado primata fossilizado a que atribuiu o nome de “Ida”, em uma honra da sua filha, foi bastante criticado pela campanha mediática que criou em torno da descoberta.


Erik Seiffert, investigador da Stony Brook University (Nova Iorque, EUA), e os seus colegas vêm contestar as origens do Darwinius masillae (nome técnico). Os especialistas compararam 360 características anatómicas específicas de 117 espécies de primatas extintos e vivos que esboçam a árvore genealógica e concluíram que não pertence à mesma categoria ancestral dos humanos e macacos.
Em entrevista ao «The New York Times», Seiffert referiu que a criatura se assemelha ao grupo a que pertencem os lémures e outros cientistas concordaram, como Eric Sargis, docente em Antropologia na Universidade de Yale (EUA) ou David Begun, paleo- antropólogo na Universidade de Toronto (Canada).
Os investigadores (Jorn Hurum e a sua equipa) a cargo da descoberta defenderam imediatamente a sua interpretação, sublinhando que foi baseada em dois anos de meticulosas análises aos despojos encontrados. O artigo recentemente publicado abriu uma discussão científica que poderá durar semanas ou meses.

Espécies invasoras erradicadas do Parque Natural do Pico

O Parque Natural da Ilha do Pico está a ser alvo de uma eliminação de espécies exóticas que perturbam o desenvolvimento das naturais. Esta iniciativa é promovida pelo Governo Regional dos Açores no âmbito do Plano Regional de Erradicação e Controlo de Espécies de Flora Invasora em Áreas Sensíveis (PRECEFIAS) e envolve um investimento superior a 41 mil euros.


A acácia é uma das plantas que está a ser erradicada



Os trabalhos decorrem na Reserva Natural do Mistério da Prainha e na Área de Paisagem Protegida do Planalto Central, duas áreas que abrangem 8,5 hectares de terreno.
A primeira é considerada o melhor núcleo de vegetação endémica em lavas recentes, dominado por espécies como o louro e o azevinho. Neste caso, as principais plantas invasoras a serem erradicadas são a acácia, a conteira e o incenso.
Já a Área de Paisagem Protegida do Planalto Central, dominada por matos macaronésicos endémicos, é uma zona que se encontra encharcada e quase sempre coberta por nevoeiro. Aí existe um manto de turfa por baixo de espécies como o cedro-do-mato e a uva-da-serra. Os trabalhos nesta zona visam acabar com o povoamento do cedro japonês.
As intervenções na ilha do Pico incidem em dois habitats naturais que, apesar da perturbação causada pelas espécies invasoras, ainda se encontram em bom estado de conservação, possuindo um evidente interesse para a conservação da natureza.

Biocombustíveis contribuem para o efeito de estufa

Os biocombustíveis contribuem para a emissão de gases com efeito de estufa, nomeadamente ao encorajarem a desflorestação, alerta um estudo científico publicado hoje na revista norte-americana Science. Este chama ainda a atenção para o facto de este aspecto não ser referenciado no Protocolo de Quioto ou em outros documentos legislativos sobre o clima.
Hoje em dia, nenhuma grande potência contabiliza as emissões de carbono provenientes do uso de culturas associadas à produção de biocombustíveis, destinados a reduzir as emissões derivadas das energias fósseis.
O modelo informático utilizado pelos investigadores integra um conjunto de variáveis que mostram que "os diferentes modos de utilização de terras no âmbito dos programas intensivos para produzir biocombustíveis podem desencadear importantes emissões de CO2", explicou o principal autor do estudo, Jerry Melillo, do Laboratório Biológico e Marinho, um organismo de investigação privado sem fins lucrativos.


Alterações climáticas já preocupam

Temperatura média aumentou em Portugal 1,2 graus desde a década de 1930 e meio grau em três décadas


2009-10-24 - ALREDO MAIA

Ambientalistas de vários cantos do Mundo realizam hoje, sábado, acções públicas exigindo medidas contra as alterações climáticas. Haverá razões para os portugueses estarem preocupados com o clima? Que a temperatura está a subir, não há dúvidas.
As mudanças "devem preocupar-nos a todos, em particular se os registos que formos tendo denunciarem algumas tendências e sobretudo porque já foi demonstrado que há afectações do clima em particular com maior intensidade a partir dos anos 70", considera o presidente do Instituto de Meteorologia. "A fazer fé nos cenários, há uma antecipação de uma situação não favorável", acrescenta Adérito Serrão ouvido pelo JN.
"Nota-se efectivamente uma tendência, de alguma forma constante nas três últimas décadas, de aumento da temperatura, que em Portugal anda à razão de meio grau por década, o que é mais do que a nível global", acrescenta.
Trata-se de uma tendência que até agora não regista nenhuma regressão nos últimos dez anos, pois a maior parte dos anos registou valores médios da temperatura superiores aos normais para o período 1971-2000 e só o ano de 2008 foi inferior, acentua. Relativamente a este período, a temperatura média já está meio grau acima.
A situação é diferente quando se compara os dados actuais com os primeiros registos em Portugal. Na década de 1930, a temperatura média era de 14,5 graus centígrados; hoje temos temperaturas que andam acima dos 15 graus - precisamente 15,7, ou seja, mais 1,2 graus.
Se a tendência se mantiver - e verifica-se uma constância -, os cenários que se apresentam, mesmo que não sejam os mais gravosos, já preocupam. Poderemos chegar a uma anomalia (diferença entre a temperatura registada e a normal para uma série de dados de três décadas) de dois graus em relação ao período de referência de 1961-1990 considerando nas simulações internacionais.
Os vários cenários para Portugal apontam aumentos de temperatura entre dois a 8,6 graus até ao final deste século. O pior cenário poderá ocorrer se nada se fizer para contrariar as alterações climáticas. Alguns modelos admitem uma situação mais grave, antecipando esse aumento para meados da centúria - 2050.
Muitos de nós ainda estaremos vivos na altura em que a temperatura média será superior. Mas, independentemente do horizonte e das adaptações progressivas possíveis até lá, o que preocupa os meteorologistas é a ocorrência de fenómenos extremos. E isso, observa Adérito Serrão, está a acontecer. Por exemplo, nos últimos anos registou-se com maior frequência episódios como um número muito alargado de noites tropicais.
Em 2003, o país registou ondas de calor de 15 dias. No Verão passado, que registou três ondas de calor em muitas regiões, os valores médios da temperatura foram superiores em 1,1 graus à máxima média do período 1971-2000. O ano hidrológico que acabou (30 de Setembro) foi de seca meteorológica, com 44% do território com dois níveis severos de seca e só foi suplantado pelos de 1945 e 2005. Assim como temos tido e vamos ter anos de cheias.
Confirma-se que a temperatura aumenta e que há variações grandes na precipitação. Mas em que medida contribuem a variabilidade climática natural e as causas humanas? "Não temos elementos suficientes para dizer o peso de cada uma, mas o relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas diz que é altamente provável que haja factores antropogénicos e há muitas evidências que apontam para a influência inquestionável da correlação entre o aumento dos gases com efeito de estufa e o aumento da temperatura", diz Adérito Serrão.

sexta-feira, outubro 23, 2009

Ambiente: Ritmo de destruição de florestas equivale a 36 campos de futebol por minuto - WWF

Buenos Aires, 22 Out (Lusa) - O ritmo de destruição das florestas mundiais equivale actualmente a 36 campos de futebol por minuto, 13 milhões de hectares por ano, segundo um relatório hoje publicado pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF).


O relatório, publicado à margem do XIII Congresso Florestal Mundial, que decorre na capital argentina de Buenos Aires, indica ainda que a destruição das florestas é responsável por cerca de 20 por cento das emissões globais de gases de efeito estufa e desafia os líderes mundiais a comprometerem-se a anular a destruição florestal até 2010.
"Este objectivo evidencia a escala e a urgência com as quais temos de enfrentar estas ameaças para preservar a saúde do Planeta", afirmou Rodney Taylor, director do programa de florestas da organização não governamental WWF

quinta-feira, outubro 22, 2009

do meu jardim


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conselho de ministros subaquático


Até ao final do século, o arquipélago das Maldivas pode ficar submerso pelas águas do mar. O Presidente Mohamed Nasheed convocou um conselho de ministros subaquático para alertar o mundo. A reunião aconteceu a 17 de Outubro. Fotos: Governo das Maldivas/Reuters

Nova Legislação

http://dre.pt/pdf1sdip/2009/10/19700/0746707469.pdf
Portaria que aprova a lista de espécies de cujos espécimes é proibida a detenção (12 de Outubro)

http://dre.pt/pdf1sdip/2009/10/20200/0787207890.pdf
Decreto que fixa o regime jurídico da recolha, tratamento e descarga de águas residuais urbanas nos Açores (19 de Outubro)

http://dre.pt/pdf1sdip/2009/10/20200/0784307851.pdf
Portaria que estabelece o conteúdo dos planos de gestão de bacia hidrográfica (19 de Outubro)

Pombo azul


Um pombo coroado Victoria (Goura victoria) foi captado ontem pelas lentes de uma câmara fotográfica no parque Katandra Treetops no Puerto de la Cruz, na ilha de Tenerife. Foto: Santiago Ferrero/Reuters

Parque Peneda-Gerês: interditas energia eólica e mini-hídricas

O Plano de Ordenamento do Parque Nacional da Peneda-Gerês, cuja discussão pública começa quarta-feira, interdita os investimentos no seu território nos sectores da energia eólica e das mini-hídricas, disse, hoje, em Braga, o seu director.
Lagido Domingos, que preside à gestão das reservas naturais do Norte, justificou a proibição com o facto de a totalidade dos projectos até agora apresentados terem todos parecer negativo em estudos de impacto ambiental
«Os estudos dizem que esses investimentos põem em causa valores naturais relevantes», referiu, sustentando que, por isso, «será mais adequado e transparente» interditá-los.
Diário Digital / Lusa

Alterações climáticas: Lisboa e Porto em campanha mundial

Milhões de pessoas de todo mundo juntam-se sábado em 144 cidades, entre as quais Lisboa e Porto, para exigir que o acordo climático de Copenhaga estipule uma redução da concentração de carbono na atmosfera rumo ao «limite de segurança».

A menos de dois meses de começar a cimeira de Copenhaga, na Dinamarca, onde se tentará chegar a acordo sobre o sucessor do Protocolo de Quioto, esta acção mundial visa sensibilizar os líderes políticos para a necessidade de o novo acordo prever a redução da concentração de dióxido de carbono (C02) na atmosfera para 350 partes por milhão (ppm), considerado o «limite superior de segurança».
Actualmente, os níveis de C02 na atmosfera situam-se entre 385 e 390 ppm e têm vindo a aumentar a um ritmo acelerado. De acordo com cientistas, especialistas em clima e governos progressistas em termos de ambiente, 350 ppm é o nível ideal para evitar os piores impactos do aquecimento global no planeta.

Diário Digital / Lusa

terça-feira, outubro 20, 2009

Londres alerta para catástrofe ambiental se não houver acordo

00h30m



RITA JORDÃO, CORRESPONDENTE EM LONDRES

A menos de 50 dias da Cimeira de Copenhaga, o primeiro-ministro britânico avisou ontem, segunda-feira, que os líderes mundiais terão que salvar o Globo até Dezembro, sob o risco de uma catástrofe ambiental que poderá trazer cheias, secas e ondas de calor como não antes vistas.
A falar em Londres numa conferência sobre as maiores economias globais, Gordon Brown adiantou ainda que o Mundo não tem um segundo plano para contrapor aos efeitos negativos da poluição.
"Se não chegarmos a um acordo não tenhamos dúvidas de que nenhum acordo futuro poderá corrigir essa decisão porque nessa altura será já irreversivelmente tarde", afirmou Brown, apelando aos líderes mundiais para fazerem história em Copenhaga. O chefe do Executivo britânico adiantou ainda números de um painel intergovernamental para o clima que estima que mais de um quarto da população mundial poderá sofrer de escassez de água em 2080 - caso o Mundo não faça um esforço para controlar as emissões de dióxido de carbono.
Gordon Brown havia já prometido participar pessoalmente na cimeira para ajudar à chegada a um acordo entre mais 190 países no que respeita às emissões de CO2. As negociações chegaram a um impasse com países ricos a recusarem cortes nas emissões enquanto países pobres e em vias de desenvolvimento se recusam a tomar medidas sem que as grandes potências dêm os primeiros passos.
Durante o fim-de-semana, o ministro britânico do Ambiente, Ed Miliband, descreveu sinais de evolução no sentido de um acordo com a Índia e a China a demonstrarem uma maior abertura relativamente a um compromisso. Receios continuam ainda a recair sobre os Estados Unidos, com Londres a apelar ao presidente Obama para viajar pessoalmente a Copenhaga para "salvar o acordo".

sábado, outubro 17, 2009

Greenpeace: «O rio não é um esgoto»

No recinto de festas das Caneiras, Santarém, a organização Greenpeace colocou tarjas com a mensagem “O rio não é um esgoto”, no âmbito da iniciativa "Cruzeiro contra a indiferença".

Alguns activistas espanhóis lamentavam o facto de o rio Tejo estar quase sem água na zona de Caneiras, mas salientavam que em Toledo a situação não é melhor.
Cerca de uma centena de pessoas subiu o rio Tejo, num cruzeiro em três embarcações, desde o Parque das Nações em Lisboa até à localidade de Valada, no Cartaxo, numa acção em defesa do rio Tejo, promovido pelo movimento português ProTejo em conjunto com o consórcio de candidatura da cultura avieira a património nacional e com várias associações espanholas similares.
O “Cruzeiro contra a indiferença” terminou na aldeia avieira das Caneiras, em Santarém, onde se concentraram também activistas do Greenpeace, membros da Plataforma para a Defesa do Tejo e do Alberche, de Talavera de la Reina, a Plataforma de Toledo em Defesa do Tejo e da organização de âmbito ibérico Rede de Cidadania por Uma Nova Cultura da Água no Tajo/Tejo e seus Afluentes.
Na mensagem lida por Paulo Constantino, porta-voz do movimento Protejo, são reivindicadas medidas que permitam uma “unidade na gestão da bacia hidrográfico do Tejo, em Espanha e Portugal”.
O grande receio deste movimento, e também dos seus similares espanhóis, é que, para além dos transvases que já existem entre Buendia e Murcia e entre o Tejo e o Guadiana, seja agora construído um novo transvase do Tejo Médio, entre Valdecañas e outro transvase que liga Buendia a Múrcia.
Um dos responsáveis e representante da plataforma de movimentos espanhóis em defesa do Tejo, Miguel Mendes, receia ainda que seja levada por diante a construção de um transvase entre um afluente do Tejo, o rio Tietar, e a zona de Valdecañas, retirando assim ainda mais água limpa do rio, que nesta zona “está cheio da porcaria de Madrid e arredores”, salienta o activista espanhol.


Mergulhadores retiraram 85 pneus do fundo do mar no Porto da Horta

Mergulhadores do Clube Naval e alunos da Escola Básica Integrada da Horta recolheram hoje 85 pneus e centenas de quilos de garrafas e plásticos do fundo do mar, no interior do Porto da Horta


Numa operação de limpeza que decorreu durante todo o dia, foram recolhidos 85 pneus de vários tamanhos e garrafas suficientes para encher um contentor de 1.200 litros, além de um contentor de 800 litros de plásticos e outro de 500 litros com resíduos variados.

«Retiramos também dezenas de aparelhos de pesca que estavam presos ao fundo», revelou Hugo Pacheco, presidente do Clube Naval da Horta, em declarações à Lusa.
Segundo este responsável, um dos grandes factores de poluição no interior do Porto da Horta são os pneus utilizados nas embarcações de pesca, que todos os anos são recolhidos em grande número do fundo do mar, sobretudo devido a quedas involuntárias à água.
Esta acção de limpeza do fundo do mar envolveu mais de 150 pessoas, incluindo vários pescadores, que ajudaram a retirar do mar muitos pneus e aparelhos de pesca.
«Foi bom eles estarem presentes e sentirem que, apesar de serem parte do problema, também podem ser parte da solução», salientou Hugo Pacheco, acrescentando que é necessário continuar a sensibilizar pescadores e armadores para a importância da preservação do fundo do mar.
Hugo Pacheco destacou ainda o facto de apenas ter sido encontrada uma bateria no fundo do mar, por comparação com as dezenas que foram encontradas em anos anteriores, considerando que esta melhoria resultou das acções de sensibilização realizadas junto dos pescadores.
A campanha foi realizada por mergulhadores do Clube Naval da Horta de algumas empresas de mergulho, com a colaboração de alunos da Escola Básica Integrada, que, em terra, separaram os resíduos recolhidos, depois transportados para o aterro sanitário da Praia do Norte.
Todos os anos, o Clube Naval organiza uma acção de limpeza do fundo do mar no interior do Porto da Horta, numa iniciativa que pretende sensibilizar a comunidade para a importância da preservação do meio marinho.
Anualmente, é retirada do fundo do mar mais de uma tonelada de lixo.



Lusa / SOL

Observatório Microbiano das Furnas «abre as portas» em 2010

Observatório Microbiano das Furnas vai ser inaugurado em 2010 com o intuito de promover a investigação dos microorganismos vivos existentes nesta localidade de S. Miguel (Açores), que possuem um grande potencial de aplicação em várias áreas, entre as quais a medicina. Será contemplado com uma vertente de investigação e outra de divulgação científica, que incluirá um museu onde será exposto o material recolhido nas Caldeiras.


A instalação deste centro de investigação foi anunciada pelo secretário regional da Ciência, Tecnologia e Equipamentos, José Contente, durante uma visita aos tapetes de microorganismos existentes nas Caldeiras das Furnas.
José Contente salientou que a criação deste observatório se insere na estratégia traçada pelo executivo regional para “promover o conhecimento científico no meio ambiente, de modo a potenciá-lo em emprego qualificado e em mais-valias para as empresas e para a região”.
Nesse sentido, revelou a intenção do governo regional de garantir a preservação do potencial microorgânico das Furnas, através de legislação adequada, mas também com apoios para a investigação científica.
Este observatório será o sexto centro de ciência a integrar uma rede que já conta com cinco observatórios nas mais diversas áreas em várias ilhas.

Nem tudo o que vem à rede é peixe!

Greenpeace lança campanha «Oceanos em Perigo» em Portugal


A associação ambientalista Greenpeace, com o apoio de onze organizações não-governamentais nacionais, começou ontem uma campanha de sensibilização contra a pesca em águas profundas, uma actividade que quer ver proibida pelo Governo português e condenada pelos consumidores quando escolhem o peixe nos supermercados.
“Um dos objectivos da campanha é pedir ao Governo português para assumir a sua responsabilidade nesta matéria específica”, afirma Lanka Horstink ao Ciência Hoje. Segundo a coordenadora da Campanha dos Oceanos da Greenpeace em Portugal, é urgente “sensibilizar os consumidores para pedirem aos retalhistas para tirarem das prateleiras tudo o que é peixe de profundidade de alto mar” e também “pedir directamente aos retalhistas que deixem de comercializar essas espécies e que considerem uma política de compra que permita ao consumidor chegar ao supermercado e comprar o seu peixe descansadamente”.
Lanka Horstink afirma que tais medidas não afectam a economia portuguesa. “Garanto que não afecta a economia porque se trata de 0,1 por cento do valor global da pesca”. Para a coordenadora da campanha da Greenpeace, há maneiras de fazer uma gestão mais sustentável da pesca . “O que nós estamos a pedir é que não pesquem peixes de crescimento lento, que vivem até aos 70, 100 anos, porque isso nunca pode ser sustentável. Pesquem peixes com ciclos mais rápidos que renovem a sua população em três anos”.
A associação ambientalista Greenpeace afirma que a pesca em grande profundidade é uma das práticas mais destrutivas e insustentáveis e representa, actualmente, a maior ameaça à biodiversidade dos oceanos profundos. Sobretudo a pesca de arrasto, que põe em causa a manutenção de espécies como o alabote da Gronelândia, o tamboril e os tubarões de profundidade.

Cinco mil campos de futebol



Susana Fonseca, Margarida Castro e Lanka Horstink na conferência de lançamento da campanha

Segundo a Greenpeace, uma rede de arrasto pode varrer uma área do tamanho de cinco mil campos de futebol, numa única viagem. E 80% da vida marinha apanhada nessas redes é novamente atirada ao mar já morta ou moribunda.
Portugal é o oitavo país do mundo mais envolvido na pesca de profundidade em alto mar e, dentro da União Europeia, Portugal, França e Espanha são os países com maiores frotas de pescas de profundidade em águas internacionais.
Margarida Castro, bióloga marinha, explica ao Ciência Hoje que este tipo de pesca deve ser proibida, “porque há uma grande destruição de ecossistemas sensíveis que levam muito tempo a recuperar-se”. De acordo com a investigadora, “o que se pede é que se proíba o arrasto em particular, que é uma arte com bastantes impactos negativos”. E acrescenta: “Devemos adoptar uma atitude que estas são águas de todos e têm de ser protegidas”.
Segundo Margarida Castro, “a maior parte das espécies que são destruídas não são espécies de interesse comercial”, daí que um dos grandes problemas desta pesca seja a pequena proporção de captura que utiliza. “Depois há espécies de profundidade que são alvo da pesca comercial e que são o problema, como é o caso do peixe relógio, que foi recentemente descoberto no Pacífico e como é uma espécie de crescimento lento, a pescaria sobreviveu 10 anos até acabarem com ele. Depois foram descobertas populações de peixe relógio no Atlântico e aconteceu o mesmo”, exemplifica a investigadora.

ONU vai decidir
No próximo mês de Novembro, a Assembleia Geral das Nações Unidas vai decidir sobre o futuro da resolução adoptada em 2006 para proteger a vida marinha profunda em águas internacionais e que ainda não foi implementada.
É importante que “Portugal olhe para este tema dos recursos pesqueiros como uma questão estratégica para que a actividade económica que actualmente se desenvolve nessa área se possa manter por muitas décadas”, explica a presidente da Quercus, Susana Fonseca, ao Ciência Hoje.
Até dia 29 de Outubro, a Greenpeace vai estar em oito cidades de norte a sul do país, para alertar os consumidores portugueses para a destruição dos habitats profundos em alto mar e pressionar as grandes cadeias de distribuição alimentar a terminar a venda de espécies de peixe de profundidade. Esta Roadtour “Oceanos em Perigo” da Greenpeace, que inclui uma exposição de fotografias sobre o que se esconde nas profundezas do oceano, vai estar hoje em Almada, segunda-feira em Setúbal, dia 21 em Faro, 24 em Coimbra, 26 em Aveiro, 28 em Gaia e termina dia 29 no Porto.

Plantas em vias de extinção estão agora preservadas

Jardins Botânicos de Kew (Inglaterra) recebem 24200 espécies selvagens

Botânicos britânicos reuniram sementes de dez por cento das plantas mais ameaçadas do planeta, naquela que é a primeira etapa de um “banco” destinado a preservar a biodiversidade mundial.

Após nove anos de uma colecta levada a cabo com a colaboração de 54 países, o Banco de Sementes do Milénio, situado nos Jardins Botânicos de Kew, Sudoeste de Londres, conseguiu recolher 24200 espécies de plantas selvagens, que correspondem a um décimo das plantas mais ameaçadas no mundo.

Para Stephen Hopper, director dos Jardins Botânicos Reais, num momento em que aumenta a inquietação com as alterações climáticas e a perda da biodiversidade, o Banco de Sementes do Milénio é “uma verdadeira mensagem de esperança e um recurso vital num mundo de incerteza”.
Os Jardins Botânicos de Kew fixaram, agora, como meta guardar 25 por centos das plantas até 2020.
Entre 60 mil e 100 mil espécies de plantas estão ameaçadas de extinção, ou seja, um quarto das espécies conhecidas, o que se deve sobretudo à desflorestação, segundo os responsáveis dos Jardins Botânicos reais.



Instalações do Banco de Sementes do Milénio

A “sementoteca” está concentrada, numa primeira etapa, nas plantas mais ameaçadas ou que desapareceram já depois de as suas sementes chegarem ao Banco, pois 23 das espécies ali representadas já não existem na Natureza.
Desde 2000, mais de três mil milhões e meio de sementes foram guardadas em contentores estanques colocados em cofres com temperatura controlada instalados perto de Ardingly, no Sul de Inglaterra, bem como no país de origem das sementes.
Segundo Paul Smith, responsável pelo projecto, “não existe outro banco de sementes deste tipo no mundo”.


quinta-feira, outubro 15, 2009

Jardins de corais pretos descobertos ao largo dos Açores

Missão científica observa também várias espécies de crustáceos

Um conjunto de “espectaculares jardins de coral preto” foi recentemente descoberto no fundo do oceano, ao largo das ilhas do Grupo Central dos Açores, durante uma missão científica promovida pela Estrutura de Missão para Extensão da Plataforma Continental (EMEPC).

“Mais uma vez se confirmou a riqueza de habitats e a biodiversidade marinha do mar profundo dos Açores”, frisou hoje à Lusa Pedro Ribeiro, biólogo do Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores.

Segundo o investigador, a descoberta só foi possível graças à utilização do ROV Luso, que realizou mergulhos ao largo das ilhas Terceira, Graciosa e S. Jorge, a profundidades entre os 400 e os 1000 metros.
A utilização deste veículo de controlo remoto, que seguiu a bordo do navio oceanográfico Almirante Gago Coutinho, permitiu descobrir “espectaculares jardins de coral preto, do género Leiopathes”, que se juntam aos já conhecidos jardins de coral do Condor, da Fossa do Hirondelle e do Menez Gwen.
Nesta missão científica foram também observadas várias espécies de crustáceos, como o Gastroptychus formosus, que é frequentemente associada aos corais negros, além de extensas áreas dominadas por esponjas e bancos de ostras, onde se encontrou o crinóide Cyathidium foresti, considerado um fóssil vivo.

Missão científica foi condicionada pelo estado do mar

A missão científica, apesar dos resultados positivos, foi “fortemente condicionada pelo estado do mar”, que obrigou o navio Gago Coutinho a alterar o rumo inicialmente previsto (aos campos hidrotermais Lucky Strike e Menez Gwen) para procurar abrigo entre as ilhas do Grupo Central.
O estado do mar prejudicou também os trabalhos, segundo Pedro Ribeiro, já que as “várias tentativas para operar o ROV Luso durante os seis dias de missão, apenas três foram bem sucedidas”.

Ainda no contexto da Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental está a decorrer até domingo nos mares dos Açores uma nova missão científica, que visa a prospecção e a recolha de organismos no fundo do mar.

Mudanças climáticas


É PRECISO AGIR!!!!!!!!!!!!!!!!

Como estamos a alterar o clima?


1. Terão as alterações climáticas causa humana?



   Pela primeira vez na história da humanidade estamos a alterar o clima terrestre através da emissão dos chamados gases de efeito de estufa. A principal causa destas emissões prende-se com a rápida intensificação da utilização dos combustíveis fósseis (carvão, petróleo e seus derivados, gás natural) desde o início da Revolução Industrial.

Alterações climáticas no passado

O clima da Terra tem sofrido sempre alterações ao longo do tempo. Apenas à 20,000 anos atrás, grande parte do norte da Europa ainda estava coberto por um enorme glaciar com mais de 3 km de espessura! Nessa mesma altura, os Alpes e os Pirinéus estavam também cobertos com camadas de gelo, embora um pouco mais finas. Mudanças climáticas súbitas aconteceram frequentemente durante a Idade do Gelo, causando expansões ou retrocessos na cobertura glaciar. Nos climas frios ao longo do bordo sul dos glaciares pequenas comunidades humanas caçavam renas, cavalos selvagens e bisontes.

As pessoas da Idade do Gelo deixaram-nos vestígios de utensílios de pedra e fantásticas gravuras rupestres. No entanto, o seu modo de vida estava prestes a desaparecer para sempre. Ao longo de milhares de anos a órbita da Terra em torno do Sol sofreu alterações graduais que levaram à ocorrência de verões mais quentes e, em consequência, os gelos começaram a fundir. A Idade do Gelo terminou acerca de 10,000 anos. Desde então, o clima no Hemisfério Norte tornou-se progressivamente mais quente e muito mais estável. Assim, a agricultura desenvolveu-se rapidamente, surgiram as primeiras cidades e as primeiras civilizações - o que teria sido muito difícil de acontecer durante a Idade do Gelo.


1. GRAVURA RUPESTRE: cavalo selvagem na gruta de Lascaux (França) gravado e pintado à cerca de 12,000-17,000 anos. Quando a Idade do Gelo terminou, o modo de vida das pessoas alterou-se profundamente, deixando de realizar este tipo de gravuras.
Fotografia: Artchive.com (prima para aumentar, 75 kB)


Estaremos sempre expostos ao risco de inesperadas e desagradáveis alterações climáticas de causas naturais. Por exemplo, acerca de 400 anos atrás a Europa experimentou um período relativamente frio denominado por Pequena Idade do Gelo (não foi tão frio como uma verdadeira Idade do Gelo). A nossa situação actual é muito diferente, já que estamos expostos aos riscos de alterações súbitas causadas pela humanidade. Devido às crescentes emissões de CO2 e outros gases de efeito de estufa, espera-se que durante os próximos cem anos o aquecimento da Terra seja o mais rápido desde o fim da última Idade do Gelo.

Dos problemas locais para os globais

Desde que existem humanos à face da Terra que temos afectado o meio ambiente à nossa volta. Mas, no passado, os efeitos da caça, recolecção ou actividades agrícolas foram basicamente locais. Este cenário alterou-se radicalmente com a Revolução Industrial, que começou à volta de 1750, e que teve uma particular intensificação nos séculos XIX e XX. Uma revolução implica uma alteração social profunda.




2. COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS: Antes da revolução industrial todos os navios eram movidos a remo ou vela. Os primeiros navios com motor eram movidos a vapor, resultante da combustão do carvão. Fotografia: Biblioteca Fotográfica da NOAA (prima para aumentar, 140 kB)

A Revolução Industrial teve lugar quando se iniciou a produção em massa de bens de consumo em grandes unidades industriais e com recurso a máquinas a carvão e, mais tarde, a petróleo, gás natural e electricidade. Deste modo, a par do desenvolvimento da tecnologia moderna, a produção de bens de consumo ficou muito facilitada. Na época pré-industrial - isto é, antes da Revolução Industrial - não existiam comboios, carros, aviões, luz eléctrica, fábricas, telefones ou televisores.
Quanto mais nós produzimos e consumimos, mais afectamos o meio ambiente à nossa volta. Durante os últimos 50 anos, pela primeira vez na história, temos testemunhado sinais claros da influência do Homem no ambiente de todo o planeta; estamos a criar problemas ambientais que não são apenas locais, mas também globais. Um dos problemas ambientais à escala global prende-se com as alterações climáticas induzidas pelo Homem, também conhecido por aquecimento global.

Alterações climáticas globais

As alterações climáticas induzidas pelo Homem são o resultado na nossa emissão de gases de efeito de estufa para a atmosfera. Estas emissões têm diversas origens, incluindo as actividades industriais e agrícolas, que fornecem os mais variados bens de consumo, as centrais energéticas, que produzem electricidade, os carros e os aviões, que nos permitem deslocações rápidas e confortáveis.

Os gases de efeito de estufa afectam o clima da Terra através de um reforço do efeito de estufa. Este último processo tem causas naturais e está relacionado, por um lado, com a elevada transparência do vapor de água, CO2 e outros gases da atmosfera terrestre à radiação solar e, por outro lado, com a sua elevada absorção da radiação emitida pela Terra, que de outra forma seria reenviada novamente para o espaço exterior. Sem este efeito de estufa natural a temperatura da superfície do globo seria de cerca de -18ºC e a Terra estaria desabitada (escolha o tópico Baixa Atmosfera para saber mais acerca do efeito de estufa).
A emissão de gases de efeito de estufa em grandes quantidades leva a um aumento da sua concentração atmosférica, o que conduz a um efeito de estufa adicional, com mais calor a ser retido pela atmosfera. Este efeito adicional leva a um incremento da temperatura do ar e a alterações no clima da Terra.



3. O EFEITO DE ESTUFA: a radiação (luz) solar entra livremente na atmosfera terrestre (setas amarelas do lado esquerdo da figura). Alguma dessa radiação directa é imediatamente reflectida pelas nuvens, poeiras e superfícies reflectoras (setas amarelas a meio da figura). A restante radiação é absorvida e aquece a Terra. Os gases de efeito de estufa reduzem significativamente o escape de radiação para o espaço exterior (setas a vermelho na figura). Imagem: CICERO/Petter Haugneland (prima para aumentar, 56 kB)







O que está a acontecer ao clima?


Os registos de temperatura realizados numa rede de estações sobre todo o globo mostram que a temperatura média à superfície aumentou 0.6ºC nos últimos 100 anos.

Parte deste aquecimento, especialmente durante o início do século XIX, poderá ter causas naturais, tais como alterações na quantidade de radiação solar que chega à Terra. Todavia, têm-se acumulado evidências de que grande parte da subida da temperatura do ar nos últimos 30-50 anos foi provocada por emissões adicionais de gases de efeito de estufa relacionadas com as actividades humanas.


1. ALTERAÇÕES NA TEMPERATURA: A linha vermelha mostra as estimativas dos cientistas para a evolução da temperatura média da superfície do globo durante os últimos mil anos - medida em graus Celsius abaixo ou acima da temperatura média global em 1990. A área a cinzento indica as perspectivas dos cientistas sobre quanto mais alta ou baixa deverá ter sido a temperatura real (poderemos ver que a incerteza é tanto maior quanto mais recuarmos no tempo). Para os anos de 1000-1860 os cientistas têm tentado reconstruir a temperatura no Hemisfério Norte através do estudo de anéis de árvores, corais, amostras de gelo e documentos escritos (existe muito pouca informação acerca das temperaturas no Hemisfério Sul anterior a 1860). No período de 1860-2000, a temperatura tem sido medida em todo o globo com recurso a termómetros. As curvas para o período 2000-2100 mostram como os cientistas esperam que a temperatura se altere no futuro (projecções), as quais dependem das nossas emissões de gases de efeito de estufa ao longo de século XXI (ver próxima unidade). Fonte: IPCC (prima para aumentar, 54 kB)

Existem muitos tipos de gases de efeito de estufa. Grande parte da contribuição humana para o efeito de estufa adicional deve-se às emissões de dióxido de carbono (CO2). Este gás existe naturalmente na atmosfera terrestre, mas a sua concentração tem crescido dramaticamente desde o início da Revolução Industrial. Este crescimento é maioritariamente, se não completamente, causado pelo Homem. Outros gases de efeito de estufa, tal como o metano (CH4), também viram as suas concentrações aumentadas. Adicionalmente, a atmosfera contém hoje vários gases de efeito de estufa que não ocorrem naturalmente na atmosfera e, por isso, podem apenas ter causa humana (ler mais acerca de alteraçoes observadas nas concentraçoes atmosféricas de gases de efeito de estufa aqui). A concentração de vapor de água, um importante gás de efeito de estufa, também aumentou. Mais vapor de água na atmosfera não é resultado directo de maiores emissões de vapor. Em vez disso, é um resultado indirecto das emissões de outros gases de efeito de estufa. Temperaturas mais elevadas levam a maiores evaporações de água dos oceanos, solos, lagos e rios e a uma maior capacidade da atmosfera para reter a humidade.


2. MAIS E MAIS CO2: Concentração de CO2 na atmosfera desde o ano 1000 até ao ano 2000 (ppm significa partes por milhão, ou litros de CO2 por um milhão de litros de ar). Os cientistas analisaram amostras de gelo antigo a fim de determinarem quanto CO2 havia na atmosfera. Nos anos mais recentes, eles têm também analisado amostras de ar recolhidas directamente da própria atmosfera. Os níveis de concentrações após o ano 2000 são estimativas baseadas em diferentes possibilidades de como as concentrações poderão evoluir no futuro, dependendo essencialmente de quanto CO2 for emitido (ver próxima unidade). Fonte: IPCC (prima para aumentar, 33 kB)


As actividades humanas também aumentam a quantidade de partículas na atmosfera. Algumas delas levam a um arrefecimento que cancela parcialmente o aquecimento causado pelo efeito de estufa adicional. Por exemplo, quando o dióxido de enxofre (SO2) é libertado para a atmosfera transforma-se em partículas que reflectem a luz solar e reduzem, deste modo, a radiação solar que atinge a superfície do globo. Mas, enquanto que maioria dos gases de efeito de estufa permanece na atmosfera por muitos, por vezes milhares, de anos, as partículas têm um tempo de vida de apenas alguns dias. Sendo assim, o arrefecimento por elas causado é de curta duração e limitado a certas áreas.
A influência humana adiciona-se a todos os factores naturais que desde sempre estiveram presentes no clima da Terra. O clima é influenciado por condições exteriores à atmosfera terrestre (por exemplo, luminosidade do Sol e pequenas alterações na órbita terrestre). O clima é também influenciado por processos naturais que têm lugar na própria atmosfera, oceanos, vegetação, neves e gelos. Estes factores combinam-se com a influência humana na formação o clima da Terra.
Um clima mais quente modificará o planeta de várias formas. À medida que a Terra se tem tornado mais quente, o nível do mar tem subido alguns centímetros. Uma atmosfera ainda mais quente levará a subidas ainda maiores no nível do mar. Isto acontece principalmente porque as temperaturas mais elevadas dos oceanos levam à expansão da água do mar, o que significa que os oceanos passam a ocupar um maior volume. Esta necessidade crescente de mais espaço "empurra" a superfície dos oceanos para cima. Para além disto, as temperaturas mais elevadas são a causa da fusão de muitos glaciares. Partes das enormes camadas de gelo que cobrem a Antártida e a Groenlândia podem também começar a fundir. Os escoamentos resultantes destas fusões dirigem-se para os oceanos, adicionando-lhe massa e contribuindo também para a subida do nível do mar. Os gelos marinhos que flutuam no Árctico, junto ao Pólo Norte, também se podem fundir. Contudo, uma vez que este gelo já está a flutuar no oceano, a sua fusão não terá qualquer efeito na subida do nível do mar.
Temperaturas mais elevadas causarão maior evaporação de água. Isto poderá agravar as secas em alguns locais e aumentar a precipitação noutros - se o vapor de água criar nuvens de chuva. Uma atmosfera mais quente pode também alterar as direcções dominantes do vento e as correntes oceânicas. O aquecimento não será distribuído uniformemente pelo planeta; algumas regiões ficarão mais quentes, enquanto que outras arrefecerão (ler mais acerca de algumas alteraçoes observadas no clima físico). Na unidade 2 conheceremos quais as alterações climáticas que podem ser esperadas nos próximos cem anos e quais as consequências que estas poderão ter nas pessoas, animais e plantas. Na unidade 3 aprenderemos o que pode ser feito para reduzir estas alterações.

Como sabemos que as pessoas têm afectado o clima?

Os cientistas têm discutido seriamente, durante pelo menos as últimas três décadas, o risco de alterações climáticas induzidas pelo Homem. Os governos e o cidadão comum começaram-se a preocupar no final dos anos 80, quando o problema surge nas primeiras páginas dos jornais e da televisão em todo o mundo. Desde então, os cientistas têm descoberto muito mais acerca das causas das alterações climáticas.



Em 2001, o Painel Internacional para as Alterações Climáticas (IPCC) (ver unidade 2), que é formado por especialistas mundiais nesta matéria, concluiu que é virtualmente certo que as emissões de gases de efeito de estufa originadas pelas actividades humanas contribuíram significativamente para as alterações climáticas observadas nos últimos 30 a 50 anos.

Em que se baseia esta conclusão? Fundamenta-se em melhores e mais observações compreensivas das alterações climáticas. Desde o início do século XIX que numerosas estações meteorológicas têm registado a temperatura com recurso a termómetros. Desde meados do século XX que as concentrações de CO2 têm também sido registadas. Por fim, desde os anos 70, os satélites têm medido a radiação solar que entra na atmosfera terrestre e o calor irradiado pela Terra para o espaço exterior. Através da análise de amostras de gelo extraídas do fundo de glaciares e amostras de lama do fundo de lagos, os cientistas podem traçar as alterações climáticas que ocorreram em tempos mais remotos.

Estas observações levaram os cientistas a procurar encontrar as causas para as alterações do clima na Terra e a prever como é que ele se pode modificar no futuro. Uma vez que o sistema climático é tão vasto e complexo, os cientistas têm depositado grande confiança nos modelos climáticos.

Modelos climáticos


1. PERFURANDO EM BUSCA DE INFORMAÇÃO: A temperatura exterior é de -40ºC, por isso é necessário construir um abrigo quando se está a perfurar o gelo sobre a Antártida. Cientistas de vários países europeus têm durante vários anos perfurado o gelo para alcançar uma profundidade de mais de 3 km. Conseguiram obter amostras de gelo formado à mais de 900,000 anos. Fotografia: Marzena Kaczmarska/NPI (prima para aumentar, 31 kB)


2. MODELOS: Um modelo é uma representação simplificada da realidade. O que os modelos têm em comum é o facto de simplificarem o que eles supostamente devem reproduzir ou descrever. Aqui está representado o modelo de uma molécula de ADN (que contém os nossos genes) e de um modelo de um edifício (o templo de Knossos na ilha de Creta). Imagem: Galeria Corel

Um modelo climático é geralmente um programa de computador onde os cientistas introduzem a informação que dispõem sobre como a radiação solar, os gases de efeito de estufa, a atmosfera, os solos, os gelos e os oceanos interagem e moldam o clima da Terra. Os modelos podem ser utilizados para investigar as causas possíveis das alterações climáticas observadas. Quando os cientistas incluem os efeitos quer de factores naturais, quer das actividades humanas durante os últimos cem anos, os modelos calculam alterações no clima que se assemelham às alterações climáticas observadas no mundo real.

Os modelos climáticos podem estimar o clima no futuro. Por exemplo, podem estimar alterações futuras na temperatura assumindo certas concentrações de gases de efeito de estufa, partículas, intensidade solar e outras condições que afectam o clima. Os modelos climáticos mais complicados exigem computadores com enorme capacidade e levam frequentemente meses a completar uma única simulação.

As estimativas dos modelos têm sempre alguma incerteza associada. Os modelos não só simplificam a realidade, mas também existem certos mecanismos que ainda não estão suficientemente compreendidos. Por exemplo, os cientistas ainda estão incertos quanto ao papel desempenhado pelas partículas em suspensão na atmosfera, pelas nuvens e pelos oceanos no aquecimento global. Esta é uma das razões porque os modelos climáticos não são capazes de prever o clima futuro com exactidão. Uma outra fonte importante de inexactidão nas previsões prende-se com a incerteza acerca da próprias emissões de gases de efeito de estufa e partículas.

Alterações súbitas
Quanto mais específica for uma previsão, maior a incerteza nela envolvida. Por exemplo, é muito mais difícil realizar previsões acerca de alterações climáticas num país específico que prever alterações para o planeta como um todo. Da mesma forma, um modelo pode não ser capaz de prever o ano exacto de determinadas alterações, mas pode indicar com elevada certeza um período de tempo para o qual essas alterações são mais prováveis. Apesar de ainda termos pela frente um trabalho árduo para avaliar a gravidade das influências humanas no clima futuro e para determinar onde e quando essas alterações terão lugar, poderemos estar virtualmente certos de que as nossas actividades têm originado alterações climáticas e que estas se continuarão a fazer sentir no futuro.

A inércia do sistema climático


A inércia é uma propriedade importante do sistema climático - isto é, o sistema leva muito tempo a reagir (efeito) a uma perturbação (causa). Por exemplo, o sistema climático leva muito tempo a reagir:


  • desde a emissão de CO2, ou outro gás, até ser possível medir uma nova concentração estável destes gases na atmosfera


  • desde o aumento na concentração de gases de efeito de estufa até ser detectável o seu efeito na temperatura do ar


  • desde o aumento na temperatura até ser possível identificar os efeitos nas plantas e animais, tais como a sua extinção, mutações ou deslocações no seu habitat natural


Esta inércia pode ser ilustrada pelo recuo dos glaciares, medido em certas regiões; apesar destes terem sofrido uma redução para cerca de um terço nos últimos 135 anos, isto acontece principalmente porque a Terra ainda está a retomar o seu estado normal depois de um arrefecimento temporário durante a Idade Média ("Pequena Idade do Gelo" de 1400 a 1800)!

A lentidão de resposta do sistema climático leva a um aquecimento do planeta mesmo depois das emissões terem sido reduzidas. O nível médio do mar continuará a subir por muitos séculos após a estabilização das concentrações de CO2.

Esta lentidão também constitui uma importante incerteza no nosso conhecimento acerca das alterações climáticas. O papel do homem nas alterações climáticas e as potenciais consequências na vida humana são difíceis de avaliar; o sistema leva muito tempo a responder desde a emissão até ocorrerem alterações climáticas mensuráveis e significativas. Para além disto, quando os cientistas estimam como será o clima no futuro é necessário esperar muito tempo para que as estimativas possam ser definitivamente confirmadas.


RESPOSTA LENTA: Esta figura mostra o que deverá acontecer se as emissões antropogénicas de CO2 pararem de crescer a determinado momento nos próximos 100 anos e, depois, começarem a diminuir. Depois da redução nas emissões de CO2 e da estabilização da sua concentração na atmosfera, a temperatura da superfície do globo continuará a aumentar lentamente por mais de um século. A expansão dos oceanos, devido à subida da temperatura das suas águas, continuará muito depois da redução nas emissões de CO2 e a fusão dos gelos continuará a contribuir para a subida do nível médio do mar por muitos séculos. Fonte: IPCC (prima para aumentar, 48 kB)

A inércia também significa que as consequências das nossas acções actuais são menos sentidas no presente do que serão sentidas no futuro. As emissões de uma geração afectarão sobretudo as gerações futuras; tudo o que fizermos agora para abrandar as alterações climáticas irá apenas ter resultados visíveis daqui a muitos anos.

Autor: Camilla Schreiner - CICERO (Center for International Climate and Environmental Research - Oslo) - Norway. Revisores científicos: Andreas Tjernshaugen - CICERO (Center for International Climate and Environmental Research - Oslo) - Norway - 2004-01-20 e Knut Alfsen - Statistics Norway - Norway - 2003-09-12. Revisor educacional: Nina Arnesen - Marienlyst school in Oslo - Norway - 2004-03-10. Última actualização: 2004-03-27. Versão portuguesa: João A. Santos

Efeitos de realimentação

Quando a Terra aquece ocorre um grande número de alterações na atmosfera, nos oceanos e nos continentes. Algumas destas alterações podem, por sua vez, afectar a temperatura. Estes são mecanismos de realimentação. Enquanto que alguns destes efeitos de realimentação incrementam ainda mais o aquecimento, outros conduzem à sua diminuição.

Realimentação causada pelo vapor de água

O vapor de água contribui para um dos mais importantes mecanismos de realimentação. Um ligeiro aquecimento da Terra, devido à intensificação do efeito de estufa, levará a um aumento na evaporação de água e a um aumento na concentração de vapor na atmosfera. Mas, o vapor de água também é um gás de efeito de estufa e, por isso, mais vapor implicará uma intensificação do efeito de estufa, conduzindo assim a um aquecimento ainda mais acentuado da Terra. Deste modo, o vapor de água tem um efeito amplificador do aquecimento global.

Realimentação causada pela neve e gelos

O mecanismo de realimentação causado pelas superfícies cobertas de gelos e neve é semelhante. Num clima frio existe muito gelo e neve na superfície dos solos. Estas superfícies brancas reflectem a luz solar para o espaço e tornam a atmosfera junto à superfície ainda mais fria. Um clima mais quente implica menos neve e gelo, logo menor reflexão da luz solar para o espaço exterior, amplificando o aquecimento.



1. COBERTURA DE GELOS no Oceano Polar Árctico em torno da Groenlândia. Fotografia: NASA (prima para aumentar, 100 kB)


Realimentação causada pelas nuvens


2. NUVENS, Fotografia: Biblioteca Fotográfica da NOAA (prima para aumentar, 48 kB)

Outro mecanismo importante de realimentação é atribuído à nebulosidade. Quando a Terra aquece, a quantidade de vapor de água na atmosfera aumenta e podem-se formar mais nuvens. Isto pode levar quer a um aquecimento, quer a um arrefecimento, dependendo do tipo de nuvens envolvidas. Todas as nuvens arrefecem a Terra por reflexão da luz solar e aquecem-na pela absorção de calor irradiado da superfície, tal como acontece com os gases de efeito de estufa. Os cirrus (que muitas vezes aparecem com o "bom tempo"), nuvens em camadas finas e em níveis muito elevados na atmosfera, têm um efeito de aquecimento. Por outro lado, os cúmulos e os estratos têm um efeito de arrefecimento, porque o seu efeito de estufa resultante é menor que nos níveis mais elevados. Estes mecanismos de realimentação e a forma como as alterações climáticas afectam a formação dos vários tipos de nuvens não é ainda bem conhecida.

Mudanças abruptas

A história da Terra tem muitos exemplos de mudanças abruptas no clima. Durante a última Idade do Gelo, que terminou acerca de 10 000 anos, ocorreram alterações profundas no clima aproximadamente de 1000 em 1000 anos.

Os cientistas têm extraído camadas de gelo a grandes profundidades na Groenlândia, depositadas aí à dezenas de milhares de anos. As análises mostraram que, em várias ocasiões, a temperatura média na Groenlândia sofreu alterações de 8-16 ºC num curto período de tempo - tão pequeno como uma década ou duas! O clima tem sido muito mais estável após a Idade do Gelo, ainda que com algumas variações importantes, como é o caso da "Pequena Idade do Gelo" na Europa (1400-1850).

Causas para as mudanças abruptas

Um aquecimento gradual da Terra - por exemplo, devido à um aumento na radiação solar recebida pelo planeta - pode levar a mudanças abruptas no sistema climático quando um determinado limiar é excedido. Por exemplo, as mudanças abruptas durante a última Idade do Gelo provavelmente ocorreram quando as torrentes de água doce, provenientes da fusão das grandes massas de gelo, deixaram de se escoar para os oceanos, dando início às correntes oceânicas no Atlântico Norte, responsáveis pelo transporte de calor para o Norte da Europa. Os cientistas pensam que é muito improvável que a intensidade das das correntes oceânicas sofra alterações tão dramáticas como as que ocorreram na Idade do Gelo. Todavia, não podem excluir a possibilidade destas sofrerem rápidas alterações que conduzam a alterações climáticas profundas na Europa.

Uma outra causa possível para as mudanças bruscas é a enorme quantidade de metano (CH4) aprisionado nos solos gelados do Árctico. Se o permafrost derreter e o metano for libertado, poderá ocorrer um rápido aquecimento.

Modelação das mudanças abruptas

Os modelos climáticos são mais apropriados para estimar mudanças graduais, resultantes de concentrações crescentes de gases de efeito de estufa, e são frequentemente incapazes de prever mudanças abruptas. A avaliação das probabilidades e consequências de alterações abruptas no clima é muito complexa e envolve elevadas incertezas, em parte devido ao não conhecimento preciso dos "limiares" ou das causas dessas mudanças. Assim, pouco se sabe acerca de quando, onde e como as alterações abruptas no clima poderão ocorrer.

Consequências das mudanças abruptas

Mudanças rápidas e imprevisíveis têm geralmente graves consequências. As mudanças abruptas não dão tempo ou oportunidade para nos prepararmos. Estas mudanças são particularmente sérias para a vida animal e vegetal, especialmente para espécies com grande longevidade, com pouca mobilidade, muito específicas de um determinado habitat ou com poucas possibilidades de adaptação rápida. Estas mudanças não dão tempo suficiente para as espécies se adaptarem aos novos habitats e, por isso, acabam por correr risco de extinção.

quarta-feira, outubro 14, 2009

Alterações climatéricas provocarão mudanças drásticas na Europa

Um relatório efectuado por seis países europeus, revela que, futuramente, o Norte vai passar a ter um clima mais moderado, enquanto que a zona mediterrânica vai ser alvo de variações climatéricas insuportáveis.


Ao longo dos últimos três anos, seis países europeus, entre os quais Portugal, efectuaram um relatório sobre as mudanças climatéricas na Europa e o seu impacto no futuro.


«Modelling the Impact of Climate Extremes» é o nome do relatório, apresentado pela University of East Anglia's Climate Research Unit, que revela o comportamento futuro do clima na Europa e impacto das mudanças climatéricas em seis sectores da economia.

Através de modelos computorizados de representações da atmosfera, do oceano e do solo, os investigadores conseguiram chegar à conclusão de que a Europa vai sofrer fortes alterações, uma vez que as temperaturas vão aumentar significativamente. O relatório revela que as ondas de calor vão ficar mais quentes e vão durar mais tempo. Por outro lado, as estações frias vão tornar-se muito mais curtas. No entanto, na maioria dos países, haverá um aumento de chuva no Inverno, com elevado risco de inundações e poluição na água. Quanto às temperaturas, no Norte, os dias abaixo dos 0º C irão diminuir para 4 meses. Também nestas zonas irão verificar-se Invernos muito secos. Já no Sul da Europa e no Mediterrâneo vão viver-se épocas de seca prolongadas e reduzidos períodos de chuva. Na Europa Ocidental, prevê-se um aumento do número de tempestades severas no Inverno.

Para além das previsões generalizadas sobre o impacto do clima no dia-a-dia dos europeus, os cientistas analisaram a influência do mesmo em seis sectores da economia: Turismo, Água, Agricultura, Silvicultura, Energia e Segurança de Propriedade. De acordo com o relatório, o Turismo vai sofrer mudanças significativas, uma vez que, por exemplo, nas férias de Verão as zonas do Norte da Europa vão ser as opções viáveis em detrimento das zonas do Mediterrâneo.
As altas temperaturas, a seca e as mudanças do tempo de estações vão também modificar a Agricultura, principalmente no Sul. Os cientistas acreditam que os meses do denominado "período em flor" podem atingir temperaturas muito altas. Por outro lado, vastos períodos de chuva irão afectar a altura das sementeiras, alterando todos os estágios de desenvolvimento.
Como também já se tem vindo a registar, o clima tem um forte impacto na Silvicultura. Um exemplo disso, foi o fogo florestal que arrasou meio milhão de hectares no Mediterrâneo, em 2003, com uma estimativa de custo para a economia europeia entre 1000 a 5000 euros por hectare. O mesmo se tem vindo a passar em Portugal, onde, nos últimos anos – e este não tem sido excepção -, vários fogos de grandes dimensões têm deflagrado em praticamente todo o país. Infelizmente, e de acordo com os investigadores, devido ao aquecimento global os fogos florestais irão aumentar.


Links relacionados:

Modelling the Impact of Climate Extremes - http://www.cru.uea.ac.uk/cru/projects/mice/html/extremes.html

Climatic Research Unit- http://www.cru.uea.ac.uk/



Artigo Relacionado:

As maiores pegadas de dinossauro do mundo


As maiores pegadas de dinossauro do mundo estão em França

As maiores pegadas de dinossauro conhecidas até ao momento foram descobertas no sul de França, perto de Lyon, em Abril passado.

Os primeiros estudos agora divulgados pelo Centro Nacional de Investigação Científica francês dão conta que pertencem a dinossauros herbívoros com 30 toneladas de peso e 25 metros de comprimento. As pegadas têm entre 1,20 e 1,50 metros de diâmetro.
Os investigadores do Laboratório de Paleontologia da Universidade de Lyon, Jean-Pierre Mazin e Pierre Hantzpergue, explicam que as pegadas foram conservadas devido a uma capa calcária de 150 milhões de anos, período durante o qual a zona estava coberta por um mar quente e pouco profundo.



As investigações indicam que as pegadas, que se estendem ao longo de cem metros, mostram que os saurópodes vaguearam por este território durante uma fase de emersão da região, ou seja, durante uma descida do nível do mar.



Para investigar a fundo as pegadas será necessária uma vasta equipa e muitos meios técnicos. O Centro Nacional de Investigação Científica afirma que escavações nos próximos anos podem mesmo revelar este espaço como o maior a conter registos deste género.