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sábado, outubro 17, 2009

Nem tudo o que vem à rede é peixe!

Greenpeace lança campanha «Oceanos em Perigo» em Portugal


A associação ambientalista Greenpeace, com o apoio de onze organizações não-governamentais nacionais, começou ontem uma campanha de sensibilização contra a pesca em águas profundas, uma actividade que quer ver proibida pelo Governo português e condenada pelos consumidores quando escolhem o peixe nos supermercados.
“Um dos objectivos da campanha é pedir ao Governo português para assumir a sua responsabilidade nesta matéria específica”, afirma Lanka Horstink ao Ciência Hoje. Segundo a coordenadora da Campanha dos Oceanos da Greenpeace em Portugal, é urgente “sensibilizar os consumidores para pedirem aos retalhistas para tirarem das prateleiras tudo o que é peixe de profundidade de alto mar” e também “pedir directamente aos retalhistas que deixem de comercializar essas espécies e que considerem uma política de compra que permita ao consumidor chegar ao supermercado e comprar o seu peixe descansadamente”.
Lanka Horstink afirma que tais medidas não afectam a economia portuguesa. “Garanto que não afecta a economia porque se trata de 0,1 por cento do valor global da pesca”. Para a coordenadora da campanha da Greenpeace, há maneiras de fazer uma gestão mais sustentável da pesca . “O que nós estamos a pedir é que não pesquem peixes de crescimento lento, que vivem até aos 70, 100 anos, porque isso nunca pode ser sustentável. Pesquem peixes com ciclos mais rápidos que renovem a sua população em três anos”.
A associação ambientalista Greenpeace afirma que a pesca em grande profundidade é uma das práticas mais destrutivas e insustentáveis e representa, actualmente, a maior ameaça à biodiversidade dos oceanos profundos. Sobretudo a pesca de arrasto, que põe em causa a manutenção de espécies como o alabote da Gronelândia, o tamboril e os tubarões de profundidade.

Cinco mil campos de futebol



Susana Fonseca, Margarida Castro e Lanka Horstink na conferência de lançamento da campanha

Segundo a Greenpeace, uma rede de arrasto pode varrer uma área do tamanho de cinco mil campos de futebol, numa única viagem. E 80% da vida marinha apanhada nessas redes é novamente atirada ao mar já morta ou moribunda.
Portugal é o oitavo país do mundo mais envolvido na pesca de profundidade em alto mar e, dentro da União Europeia, Portugal, França e Espanha são os países com maiores frotas de pescas de profundidade em águas internacionais.
Margarida Castro, bióloga marinha, explica ao Ciência Hoje que este tipo de pesca deve ser proibida, “porque há uma grande destruição de ecossistemas sensíveis que levam muito tempo a recuperar-se”. De acordo com a investigadora, “o que se pede é que se proíba o arrasto em particular, que é uma arte com bastantes impactos negativos”. E acrescenta: “Devemos adoptar uma atitude que estas são águas de todos e têm de ser protegidas”.
Segundo Margarida Castro, “a maior parte das espécies que são destruídas não são espécies de interesse comercial”, daí que um dos grandes problemas desta pesca seja a pequena proporção de captura que utiliza. “Depois há espécies de profundidade que são alvo da pesca comercial e que são o problema, como é o caso do peixe relógio, que foi recentemente descoberto no Pacífico e como é uma espécie de crescimento lento, a pescaria sobreviveu 10 anos até acabarem com ele. Depois foram descobertas populações de peixe relógio no Atlântico e aconteceu o mesmo”, exemplifica a investigadora.

ONU vai decidir
No próximo mês de Novembro, a Assembleia Geral das Nações Unidas vai decidir sobre o futuro da resolução adoptada em 2006 para proteger a vida marinha profunda em águas internacionais e que ainda não foi implementada.
É importante que “Portugal olhe para este tema dos recursos pesqueiros como uma questão estratégica para que a actividade económica que actualmente se desenvolve nessa área se possa manter por muitas décadas”, explica a presidente da Quercus, Susana Fonseca, ao Ciência Hoje.
Até dia 29 de Outubro, a Greenpeace vai estar em oito cidades de norte a sul do país, para alertar os consumidores portugueses para a destruição dos habitats profundos em alto mar e pressionar as grandes cadeias de distribuição alimentar a terminar a venda de espécies de peixe de profundidade. Esta Roadtour “Oceanos em Perigo” da Greenpeace, que inclui uma exposição de fotografias sobre o que se esconde nas profundezas do oceano, vai estar hoje em Almada, segunda-feira em Setúbal, dia 21 em Faro, 24 em Coimbra, 26 em Aveiro, 28 em Gaia e termina dia 29 no Porto.

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