Páginas

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Promessa de milhões do nuclear alvo de críticas e desconfiança


A promessa de que o município que acolher o projecto de uma central nuclear vai receber 100 milhões de euros em receitas fiscais por ano foi recebida com críticas e desconfiança por responsáveis do sector energético. Já a Associação Nacional dos Municípios (ANMP) diz não comentar um processo que desconhece, enquanto o Governo garante que este dado não altera a sua posição. Para José Penedos, presidente da Rede Eléctrica Nacional (REN), a promessa - revelada ontem pelo JN - de Sampaio Nunes, sócio de Monteiro de Barros na Enupor (empresa que quer fazer a central), foi feita com base "numa lei que não existe", pois dificilmente haveria um só município com direito a receber receitas. O que a lei diz, explica, é que "têm direito à derrama todos os municípios que se encontram num raio de 20 quilómetros em termos dos centros electroprodutores".Mais crítico, Aníbal Fernandes, presidente do consórcio que venceu a primeira fase das eólicas, acusa os promotores de andarem a "enganar" os portugueses. Primeiro, por terem dito que o reactor a instalar não era um protótipo o que, afinal, "acabou por ser ontem admitido por Sampaio Nunes". "Há meses, Monteiro de Barros disse que quem afirmava que era um protótipo era estúpido. Não sei a quem está a chamar estúpido agora", ironiza. Sá da Costa, da associação dos produtores de renováveis, desconfia do número, explicando que 100 milhões é "quatro vezes mais do que todos os municípios vão receber de derrama quando estiverem instalados todos os parques" eólicos previstos. Fonte oficial da ANMP diz nunca ter sido "consultada" e garante desconhecer que municípios foram auscultados. Fonte oficial da Economia, por seu turno, afirma que este dado não muda a posição do Governo sobre a matéria. O Executivo, recorde-se, já rejeitou discutir qualquer projecto nesta área, pelo menos nesta legislatura.O nuclear foi ontem debatido no Instituto Alemão, tendo prevalecido a "tese prudencial" que, não rejeitando a tecnologia, também não a aceita de braços abertos. Ribeiro da Silva, presidente da Endesa Portugal, defendeu que Portugal deve prosseguir uma estratégia de produção descentralizada de renováveis, novos paradigmas em que "podemos ter incorporação nacional".José Penedos propôs que se faça o debate mas que, entretanto, se formem técnicos e se produza conhecimento na área para que, se um dia houver nuclear, o país não fique dependente do exterior. Axel Berg, deputado alemão do SPD, exortou Portugal a "investir na energia das ondas", onde, sendo pioneiro, poderá vir a ter um papel mundial de relevo. Apenas John Gittus, antigo dirigente da agência britânica para o nuclear, defendeu abertamente esta solução. O responsável preconizou mesmo que em 2025 a produção eléctrica nacional se baseie apenas em gás, renováveis e nuclear..

Sem comentários: