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domingo, fevereiro 04, 2007

País com mais ondas de calor


O aumento das ondas de calor e da poluição por ozono são algumas das consequências do aquecimento global ontem focadas no relatório científico do painel intergovernamental das Nações Unidas, com impacto mais visível e imediato em Portugal. Esta análise de Francisco Ferreira, docente universitário em qualidade do ar e responsável da associação Quercus para esta área, foi feita poucas horas após a divulgação do relatório dos peritos reunidos desde segunda-feira em Paris. Francisco Ferreira considera que o relatório contém "dados dramáticos" e apontou duas conclusões que já têm impactos visíveis em Portugal o aumento das ondas de calor e a concentração de ozono na superfície da Terra (ozono troposférico), sobretudo no Verão. "Os dados do Instituto de Meteorologia indicam que, desde 1940, tivemos uma onda de calor em 1981, outra em 1991, uma grande em 2003, duas em 2005 e cinco em 2006. Isto confirma que estão a agravar-se", sublinhou o especialista em declarações à agência Lusa. Francisco Ferreira alerta também para os frequentes episódios de poluição por ozono que acontecem todos os anos no nosso país - aquele em que a poluição por este gás atingiu valores mais elevados em 2005, na União Europeia, tendo excedido várias vezes o limiar de informação ao público, acima do qual existem efeitos para a saúde humana, em caso de exposição de curta duração, para populações mais sensíveis. Comentando a previsão dos cientistas, de que o aquecimento global fará subir o nível médio dos oceanos até 58 centímetros e multiplicar as secas e as vagas de calor, Francisco Ferreira lembrou que as previsões são ainda mais graves para Portugal.Cenários de 2004"O SIAM (relatório sobre cenários, impactos e medidas de adaptação às alterações climáticas em Portugal) aponta para uma subida de 110 centímetros", observou o ambientalista, manifestando o seu receio de que "o aquecimento global é um comboio que já não é possível travar", impondo-se acções urgentes.Recorde-se que o SIM indicou, em 2004, aumentos drásticos de temperatura, na ordem dos cinco a seis graus, nas regiões da Beira Baixa e do Alentejo, bem como ondas de calor mais requentes e prolongadas. Embora a diminuição da precipitação venha a ser muito mais evidente no Sul, mesmo a região Norte, que poderá obter ganhos no Inverno, poderá perder noutras estações. Um dos cenários então traçados pelos cientistas portugueses apontava uma perda de 20% nesta região em termos anuais.


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