Páginas

sexta-feira, outubro 19, 2007

Alterações Climáticas: Luta contra aquecimento global passa por cooperação internacional sobre os Oceanos

18 de Outubro de 2007, 14:15

Ponta Delgada, 18 Out (Lusa) - A solução para as alterações climáticas passa por uma cooperação internacional sobre os Oceanos, defendeu hoje o presidente da Comissão Oceanográfica Intersectorial da Fundação para a Ciência e Tecnologia, Mário Ruivo.
"Neste momento, não estamos mais a falar de mares fragmentados", mas sim de Oceanos que ocupam "dois terços do planeta" e que são fundamentais no processo de aquecimento global, alegou.
Esta situação obriga a que, no curto prazo, seja necessário passar de respostas das instituições para projectos destinados à "Humanidade no seu conjunto", defendeu o biólogo, que participava num seminário nos Açores sobre as questões ambientais e científicas no Atlântico Norte, promovido pela comissão do Ambiente, Agricultura e Questões Territoriais do Conselho da Europa, uma instituição com 47 países membros.
"O problema das alterações climáticas requer uma cooperação para salvar o planeta", defendeu Mário Ruivo, para quem não se trata de um alerta "trágico", mas de uma constatação.
De acordo com o especialista ligado à oceanografia, a futura Política Marítima Europeia que a União pretende adoptar significa que todos os países "podem desempenhar um papel importante", logo que sejam dadas as condições necessárias para a investigação.
Esta política deve consagrar, porém, que os problemas dos mares só terão uma "reposta adequada se houver consciência por parte dos cidadãos, no âmbito de processos democráticos e de participação".
"Isso implica que a opinião pública esteja esclarecida, que os deputados nacionais e europeus, as organizações públicas e não governamentais assumam responsabilidades colectivas", disse.
Para Mário Ruivo, estes problemas ambientais já não estão fragmentados, mas atingem países ricos e pobres, num mundo em que ainda se usa o "argumento que os dados científicos não são suficientes" para encarar a situação.
Estes dados "só são claramente aceites quando a catástrofe está em cima de nós", o que já acontece em alguns locais, alertou.
Num seminário marcado pelo debate sobre se o aquecimento global do planeta se deve à acção do Homem, o investigador britânico Chris Reid, da Alistair Foundation for Ocean Science, defendeu que "não há dúvida que somos nós que estamos a causar as alterações" climáticas.
Chris Reid alegou ser "muito simples" estabelecer a relação entre a acção da Humanidade e o aquecimento que se verifica no planeta, alertando para que estas alterações estão a acontecer a "velocidades inéditas".
O perito inglês adiantou que, nos últimos anos, o degelo foi 20 por cento acima das médias habituais, um aquecimento mais sentido a Norte e mais intenso a partir de 2000.
Devido a estas alterações, registou-se um movimento para Norte de plâncton, exemplificou o especialista da SAFHOS.
"Um dos grupos de plâncton ligado a águas mais quentes nunca tinha sido registado a Norte da Irlanda até 1990", afirmou Chris Reid, ao adiantar que as estimativas indicam ainda que, em 2045, os recifes de coral no mundo sejam "altamente afectados" por oceanos cada vez mais ácidos, um problema que "não está a ser tratado com a premência" necessária.
Para o especialista, o aumento das temperaturas é um fenómeno global, com acréscimos médios de seis graus, mas "haverá outras partes do mundo que aquecerão ainda mais".
Chris Reid alertou, também, que o mundo assiste a um aumento da população, que se prevê que possa crescer 15 por cento nos próximos anos, o que terá efeitos na emissão de dióxido de carbono.
PC.
Lusa/Fim

Sem comentários: