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quarta-feira, outubro 03, 2007

Estudo prevê aumento dos dias de calor tórrido



O número de dias de calor extremo e perigoso para a vida humana, com temperaturas máximas superiores a 35 graus, vai aumentar entre 200 e 500 por cento nos países do Mediterrâneo ao longo deste século, segundo um estudo.


( 18:54 / 30 de Julho 07 )

Uma investigação da universidade norte-americana de Purdue e do Centro Internacional de Física Teórica Abdus Salam (Itália) conclui que, caso as emissões de gases com efeito de estufa continuem ao ritmo actual, o número de dias anuais com temperaturas máximas acima de 35 graus na região do Mar Mediterrâneo aumentarão cinco vezes durante o século XXI. No entanto, a investigação sublinha que se se conseguir reduzir as emissões, os dias com temperaturas extremas aumentariam apenas em 50 por cento na região. Segundo o estudo, publicado na revista «Geophysical Research Letters», as zonas do Mediterrâneo com maior risco de sofrer um aumento de ondas de calor são a França Ocidental e as regiões costeiras espanholas e do Norteda África. Embora a França seja o país onde as temperaturas mais irão aumentar - podendo subir oito graus acima da média durante vários dias - o estudo prevê que o maior aumento de número de dias extremamente quentes se verifique no litoral espanhol e no Norte da África. «Também a Itália será atingida, sobretudo nas regiões costeiras, porque ao calor se juntará a humidade», explicou Filippo Giorgi, um dos autores da investigação. O estudioso acrescentou que as projecções apontam para que «em algumas regiões se registem 40 dias tórridos em cada Verão, em comparação com os oito a dez sentidos hoje». Além do risco para a saúde humana, o aumento de dias extremamente quentes trará consigo, segundo o documento, «consequências negativas para a economia dos países mediterrânicos, assim como para os seus recursos hídricos, agricultura e procura de energia», diz o texto do estudo. Lembrando a onda de calor que no Verão de 2003 matou 35 mil pessoas em toda a região, 15 mil delas na França, o investigador italiano advertiu que a «situação de 2003 pode tornar-se regra», caso não se consiga reduzir rapidamente as emissões de gases com efeito de estufa. «É necessário conseguir rapidamente uma queda nas emissões e não apenas uma simples manutenção» frisou Giorgi, explicando que «isso teria um grande efeito sobre a temperatura, talvez ainda maior do que estimamos». Segundo os autores norte-americanos, chineses e italianos, a investigação confirma que a região do Mediterrâneo «será umas zonas mais afectadas pelas alterações climáticas nos próximos anos».

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