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terça-feira, julho 28, 2009

Oceanário Lança alerta ecológico

Noventa por cento das ameaças ao mar têm origem terrestre. No principal aquário do País, a mensagem ao visitante é a de que temos um oceano global. Tratar dele é responsabilidade de todos. Os animais são os "embaixadores" desta mensagem ambiental.
Numa das salas do Oceanário de Lisboa, uma dezena de fotografias de pessoas em tamanho real estão penduradas nas paredes. Todas de nacionalidades diferentes e associadas aos vários oceanos. Os olhares destes rostos anónimos fixam-se em quem entra na sala. "Estão a olhar para si e a responsabiliza-lo pelo que acontece no oceano deles", explica João Falcato, biólogo e administrador-delegado do Oceanário de Lisboa.
O mote do Oceanário é este: o ser humano tem de cuidar de todos os oceanos como se fosse um só. O caso da gigantesca ilha de plástico no meio do Pacífico, com uma área sete vezes maior do que a de Portugal, é dado como exemplo. "Está no Pacífico porque as correntes convergem para lá, mas o lixo vem de todo o mundo. O oceano é um só, o homem é que o dividiu", argumenta.
Noventa por cento dos problemas ambientais do mar têm proveniência terrestre. "Quando vai atestar o automóvel, quantas pingas caem ao chão? Todas elas vão parar ao mar", conta o administrador. A prevenção tem de começar em terra, e o Oceanário coloca-se na linha da frente da educação ambiental. "Temos uma equipa especializada, em que mais de metade dos funcionários são biólogos. Depois tentamos passar uma mensagem científica de alerta, mas em linguagem acessível para que possa chegar a toda a gente", diz. O resto desta educação ecológica é dada pelo voo da andorinha-inca sobre a cabeça dos visitantes, ou pela lontra-marinha Eusébio, enquanto faz o seu exercício diário. "Os animais são os nossos embaixadores ambientais", diz.
Inaugurado em 1998, este gigantesco aquário alberga oito mil organismos em sete milhões de litros de água. Existem habitats de quatro oceanos (Atlântico, Pacífico, Antárctico e Índico) cujas temperaturas do ambiente variam entre os 12 e os 25 graus (na área do Índico há pulverizadores de vapor para tornar o ambiente húmido e refrigeradores na do Antárctico). Os gastos energéticos da enorme estrutura são uma preocupação. "Sabemos que temos uma pegada ecológica grande", reconhece o administrador. E nada como uma boa manutenção para poupar: "Válvulas bem calibradas, ar condicionado bem regulado, bombas inteligentes que adaptam o caudal às necessidades, iluminação com LED. Tudo tem sido feito pelo Oceanário para diminuir os consumos e temos conseguido." Preocupações ambientais que tornaram o aquário o primeiro na Europa a receber o certificado de qualidade ISO 9001 e o Prémio EMAS (Gestão e Auditoria Ecológica) em 2005.

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