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terça-feira, junho 19, 2007

Energia: Produção de biocombustíveis criará oportunidades entre Brasil e Portugal

Curitiba, Brasil, 20 Jun (Lusa) - A produção de biocombustíveis vai criar oportunidades de negócios entre empresas do Brasil e de Portugal, disse hoje o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-brasileira (CCIL), em Curitiba, região Sul do país.
António Espírito Santo Bustorff salientou que, nos próximos 20 anos, os países da América Latina serão responsáveis por cerca de 78 por cento da produção de biocomubustíveis exportáveis de todo o mundo.
"O Brasil terá a maior fatia nesse bolo, sendo uma potência mundial na área de produção de combustíveis limpos, nos próximos anos, o que vai gerar muitas oportunidades de negócios", afirmou Bustorff.
O presidente da CCIL sublinhou, na abertura do primeiro Encontro Luso-brasileiro de Negócios em Bicombustíveis, que decorre de hoje até sábado, na capital do Estado do Paraná, que o tema dos combustíveis limpos "é extremamente oportuno".
"É uma preocupação da humanidade o facto de que mais de 50 por cento das reservas mundiais de petróleo estão em regiões de conflitos incontroláveis, com motivações de difícil negociação", afirmou.
"Por isso, a utilização do petróleo está em causa em todo o mundo, dando início a um novo ciclo de desenvolvimento de produção de energia limpa", salientou Bustorff.
O presidente da CCIL sublinhou que os investimentos mundiais na produção de energia limpa vão aumentar de 55 mil milhões de dólares (41 mmil milhões de euros), no ano passado, para cerca de 226 mil milhões de dólares (168,5 mil milhões de euros), em 2016.
Só nos Estados Unidos da América, os investimentos de risco em tecnologias limpas passaram de 468 milhões de dólares (350 milhões de euros), em 1999, para 2,4 mil milhões de dólares (1,7 mil milhões de euros), no ano passado.
O secretário de Agricultura do Paraná, Valter Bianchini, salientou que o Estado é um dos principais produtores brasileiros de grãos, com uma safra de cerca de 30 milhões de toneladas por ano, com destaque para soja e milho.
Segundo o secretário, o Paraná terá uma "forte" participação na meta do Governo brasileiro de produzir cerca de dois mil milhões de litros de biodiesel até 2010, no âmbito da redução da dependência por petróleo.
No encontro, o embaixador de Portugal em Brasília, Francisco Seixas da Costa, sublinhou que o desenvolvimento de biocombustíveis será uma "área do futuro" e que a União Europeia planeia ter o Brasil como seu "parceiro estratégico" nesse sector.
O diplomata salientou que a Cimeira UE-Brasil, que decorerá em Lisboa, a 04 de Julho, transformará o Brasil no sétimo parceiro estratégico da União Europeia, ao lado dos Estados Unidos, Japão, Canadá, China, Índia e Rússia.
Após a Cimeira UE-Brasil, haverá uma conferência internacional de biocombustívies em Bruxelas, para a qual o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, foi convidado.
"O Brasil foi o primeiro país a desenvolver com êxito uma produção nacional de biocombustíveis. A UE vive hoje um momento de reflexão nesse domínio, e para nós é uma prioridade ter o Brasil como parceiro nesse processo", afirmou.
"A União Europeia é um dos maiores consumidores e emissores de gases que causam o efeito estufa, e a adopção do plano de acção comunitário para redução de 20 por cento das emissões até 2020 representará uma espécie de revolução industrial", afirmou.
O vice-governador do Paraná, Orlando Pessutti, negou que o aumento da produção de biocombustíveis representará a intensificação da desflorestação ou da redução de áreas utilizadas actualmente para a produção de alimentos.
"Poderemos utilizar áreas de pastagens hoje degradadas para produção de oleaginosas e continuar a ser o maior produtor mundial de carne bovina e suína, sem tirar áreas utilizadas o cultivo de comida", afirmou.
MAN.
Lusa/Fim

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