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domingo, junho 24, 2007

Jardins marinhos crescem em torno dos icebergues

LUÍS NAVES
A actividade industrial introduz na atmosfera da Terra gases com efeito de estufa, nomeadamente dióxido de carbono, que causam um aumento das temperaturas. Mas o planeta parece ter sistemas para reabsorver parte importante desta causa do aquecimento global.Um destes mecanismos de protecção é muito maior do que se pensava: enormes oásis marinhos florescem em torno dos icebergues que se separam das camadas polares. Quanto mais gelo houver a flutuar no mar, em maior número serão estes jardins e o respectivo impacto. Oceanógrafos americanos descobriram que a formação de icebergues na Antárctida, que o aquecimento global está a facilitar, aumenta por seu turno a actividade bio- lógica nos mares frios do sul. Isto pode ter implicações num outro fenómeno menos conhecido: a captura oceânica de dióxido de carbono, um dos principais gases com efeito de estufa.Um estudo dirigido por Kenneth Smith, da Universidade de Monterey, nos EUA, e publicado na Science Express chegou à conclusão de que a formação de icebergues potencia a cadeia alimentar marinha. Separadas da camada de gelo, as gigantescas montanhas flutuantes vão derretendo devagar. E, no ambiente de água doce que se forma à sua volta, floresce a vida, sobretudo organismos de fitoplâncton, normalmente constituído por seres microscópicos.Esta base da cadeia alimentar tem clorofila e é, provavelmente, responsável pela produção de 98% do oxigénio do planeta, além de um importante factor de absorção de dióxido de carbono. Com esta base, o oceano enriquece-se com kril, o principal alimento de peixes. Nestes surpreendentes jardins marinhos proliferam ainda aves e mamíferos.O ciclo da vida tem impacto na captura de dióxido de carbono, embora os cientistas não consigam calcular a dimensão do fenómeno. Os organismos morrem e afundam no oceano, em cujo leito o carbono se vai acumulando.O estudo foi conduzido pela equipa americana no mar de Weddell, na Antárctida, com ajuda de imagens de satélite e equipamento sofisticado, incluindo um robot submarino. Na zona estudada havia mais de mil icebergues, mas os cientistas concentraram a sua atenção em dois deles, o primeiro com 2 quilómetros por meio quilómetro e o segundo muito maior, com 21 por 5. A estimativa dos oceanógrafos aponta para um aumento de produtividade de 40% em todo o mar de Weddell, devido à presença de tantos icebergues. No próximo ano, a equipa tenciona prosseguir estas medições.

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