O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, defendeu hoje a aposta nos biocombustíveis como solução para a segurança energética e as alterações climáticas, advertindo para os riscos do esperado forte aumento do consumo de energia no futuro.
Durão Barroso, que falava, em Bruxelas, na conferência internacional sobre biocombustíveis, destacou que a procura de energia está a aumentar em todo o mundo.
Na União Europeia - que, sublinhou, «é o maior importador e o segundo maior consumidor de energia» -, se nada for feito, o aumento do consumo será da ordem dos 70% até 2030.
Por outro lado, salientou também, «a temperatura do planeta aumentou 0,7 graus Celsius no século XX», valor esse que poderá ultrapassar os «quatro graus até ao final deste século».
Perante este cenário, Barroso salientou que os biocombustíveis podem oferecer várias vantagens, quer de política energética, quer ambientais.
«Esta conferência irá debater os prós e os contras dos biocombustíveis, em diálogo franco com todos os parceiros», salientou.
Um dos objectivos da Comissão Europeia é reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO2, um dos principais gases com efeito de estufa) no sector dos transportes, responsável por um terço daquelas emissões poluentes na União Europeia.
Durão Barroso recordou também que a UE importa mais de 80% das suas necessidades de petróleo.
Neste sentido, os biocombustíveis - combustíveis obtidos através de matéria-prima orgânica - podem ser uma solução para diminuir a dependência dos combustíveis fósseis (petróleo, carvão e gás), ao mesmo tempo que permitem desenvolver a inovação tecnológica.
Durão Barroso teve sempre no horizonte a adopção pelos líderes dos 27, em Março, de uma proposta de política energética prevendo que, até 2020, 20% da energia consumida na UE seja produzida a partir de fontes renováveis.
Por outro lado, Bruxelas pretende ainda que, até 2010, 10% do sector dos transportes da UE utilize biocombustíveis.
O presidente da Comissão Europeia referiu também que o crescente mercado europeu de biocombustíveis irá beneficiar todos, sendo que «o cultivo de matéria-prima vegetal pode ser uma oportunidade para os países em desenvolvimento».
«A UE está determinada em assegurar que os biocombustíveis sejam desenvolvidos de modos que protejam o nosso planeta e não que crie novos riscos», disse.
Entre as desvantagens apontadas ao desenvolvimento de biocombustíveis está o possível aumento do preço de produtos alimentares, como já aconteceu com o milho, e a desflorestação como forma de obtenção de mais terrenos agrícolas, problema já identificado na Indonésia.
Mas Durão Barroso disse acreditar ser possível desenvolver os biocombustíveis de modo a recolher os potenciais benefícios sem causar novos problemas.
Diário Digital / Lusa
05-07-2007 13:55:00
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