Ban Ki-moon, secretário geral da ONU, confrontou ontem os representantes de 150 países com a responsabilidade de virem a ser julgados por aquilo que não fizerem perante o "desafio sem precedentes" do aquecimento global.A três meses da conferência que decidirá o futuro da Terra, no âmbito da redução das emissões de gases com efeitos de estufa, Ban Ki-moon lançou o seu alerta durante a maior reunião de chefes de Estado ou de Governo já realizada para debater este problema. O encontro decorreu em Nova Iorque, na véspera da abertura do debate geral da 62.ª sessão da Assembleia-Geral da ONU."Já não há dúvidas. O grupo intergovernamental da ONU sobre as alterações climatéricas declarou, sem equívocos, que o nosso sistema climático está a aquecer por acção directa das actividades humanas", afirmou Ban Ki-moon, apelando a uma acção imediata.O dirigente da ONU falava perante representantes de 150 países - entre os quais se contavam 80 chefes de Estado ou de Governo -, a quem deu um "sinal político" para que as negociações formais do acordo substituto do Protocolo de Quioto (PQ) comecem durante a reunião da Convenção-Quadro da ONU sobre Alterações Climatéricas (UNFCCC, na sigla inglesa), agendada para Dezembro próximo, em Bali (Indonésia). O presidente norte-americano, George W. Bush - que é forte opositor dos limites máximos estabelecidos pelo PQ - esteve ausente da reunião de ontem, mas fez-se representar pela sua secretária de Estado, Condoleezza Rice.O PQ, que determina que os países industrializados reduzam as emissões de gases com efeitos de estufa em 5,2% em relação a 1990, expira em 2012. A continuidade do protocolo tem de ser negociada em 2007, se o Mundo quiser evitar os piores efeitos das alterações climatéricas. Países como a China, os Estados Unidos da América e a Rússia - três dos maiores poluidores - opõem resistências a um novo tratado, alegando prejuízos para as economias. Com a reunião de ontem, Ban Ki-moon quis inviabilizar impasses susceptíveis de ameaçar o êxito desejado para a reunião da UNFCCC. Segundo o grupo de trabalho da ONU sobre as alterações climatéricas, se o Mundo não agir para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, a temperatura da Terra poderá aumentar 4,5 graus centígrados ou mais, com grande impacto nos ecossistemas e nas populações mais pobres e vulneráveis. Como consequências, prevêem-se a fusão dos glaciares e o risco do abastecimento de água, o que afectará muita gente nas regiões mais secas.Intervenções de SócratesA reunião de Nova Iorque foi articulada com quatro painéis temáticos sobre a adaptação ao aquecimento, redução dos efeitos da poluição ambiental, tecnologia e o financiamento das soluções para as alterações climatéricas.Segundo a agência Lusa, o primeiro-ministro português, José Sócrates, discursou, enquanto presidente da União Europeia (UE), no painel sobre redução dos efeitos da poluição, propondo um conjunto de acções a adoptar pelos países, em 2012. Sócrates referiu que a UE está "preparada para reduzir as emissões de dióxido carbono em 30% até 2020", mas "no âmbito de um acordo internacional em que outros países desenvolvidos façam um esforço comparável e mais profundo em termos económicos". Sócrates defendeu ainda que as metas de redução de emissões de gases poluentes deverão abarcar as resultantes de fenómenos como "a desflorestação, a aviação internacional e o transporte marítimo".O primeiro-ministro português participa e discursa, hoje, enquanto presidente do Conselho Europeu, na sessão de abertura da Assembleia-Geral da ONU.
terça-feira, setembro 25, 2007
Alerta de Ban Ki-moon para alterações do clima
Ban Ki-moon, secretário geral da ONU, confrontou ontem os representantes de 150 países com a responsabilidade de virem a ser julgados por aquilo que não fizerem perante o "desafio sem precedentes" do aquecimento global.A três meses da conferência que decidirá o futuro da Terra, no âmbito da redução das emissões de gases com efeitos de estufa, Ban Ki-moon lançou o seu alerta durante a maior reunião de chefes de Estado ou de Governo já realizada para debater este problema. O encontro decorreu em Nova Iorque, na véspera da abertura do debate geral da 62.ª sessão da Assembleia-Geral da ONU."Já não há dúvidas. O grupo intergovernamental da ONU sobre as alterações climatéricas declarou, sem equívocos, que o nosso sistema climático está a aquecer por acção directa das actividades humanas", afirmou Ban Ki-moon, apelando a uma acção imediata.O dirigente da ONU falava perante representantes de 150 países - entre os quais se contavam 80 chefes de Estado ou de Governo -, a quem deu um "sinal político" para que as negociações formais do acordo substituto do Protocolo de Quioto (PQ) comecem durante a reunião da Convenção-Quadro da ONU sobre Alterações Climatéricas (UNFCCC, na sigla inglesa), agendada para Dezembro próximo, em Bali (Indonésia). O presidente norte-americano, George W. Bush - que é forte opositor dos limites máximos estabelecidos pelo PQ - esteve ausente da reunião de ontem, mas fez-se representar pela sua secretária de Estado, Condoleezza Rice.O PQ, que determina que os países industrializados reduzam as emissões de gases com efeitos de estufa em 5,2% em relação a 1990, expira em 2012. A continuidade do protocolo tem de ser negociada em 2007, se o Mundo quiser evitar os piores efeitos das alterações climatéricas. Países como a China, os Estados Unidos da América e a Rússia - três dos maiores poluidores - opõem resistências a um novo tratado, alegando prejuízos para as economias. Com a reunião de ontem, Ban Ki-moon quis inviabilizar impasses susceptíveis de ameaçar o êxito desejado para a reunião da UNFCCC. Segundo o grupo de trabalho da ONU sobre as alterações climatéricas, se o Mundo não agir para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, a temperatura da Terra poderá aumentar 4,5 graus centígrados ou mais, com grande impacto nos ecossistemas e nas populações mais pobres e vulneráveis. Como consequências, prevêem-se a fusão dos glaciares e o risco do abastecimento de água, o que afectará muita gente nas regiões mais secas.Intervenções de SócratesA reunião de Nova Iorque foi articulada com quatro painéis temáticos sobre a adaptação ao aquecimento, redução dos efeitos da poluição ambiental, tecnologia e o financiamento das soluções para as alterações climatéricas.Segundo a agência Lusa, o primeiro-ministro português, José Sócrates, discursou, enquanto presidente da União Europeia (UE), no painel sobre redução dos efeitos da poluição, propondo um conjunto de acções a adoptar pelos países, em 2012. Sócrates referiu que a UE está "preparada para reduzir as emissões de dióxido carbono em 30% até 2020", mas "no âmbito de um acordo internacional em que outros países desenvolvidos façam um esforço comparável e mais profundo em termos económicos". Sócrates defendeu ainda que as metas de redução de emissões de gases poluentes deverão abarcar as resultantes de fenómenos como "a desflorestação, a aviação internacional e o transporte marítimo".O primeiro-ministro português participa e discursa, hoje, enquanto presidente do Conselho Europeu, na sessão de abertura da Assembleia-Geral da ONU.
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