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terça-feira, setembro 25, 2007

Combate às alterações climáticas


Exige acordo entre países desenvolvidos, diz Sócrates
O primeiro-ministro, José Sócrates, afirmou que a credibilidade de qualquer futuro acordo sobre combate às alterações climáticas exige um empenhamento e um entendimento global quanto a metas precisas por parte dos países mais desenvolvidos
"Os países mais desenvolvidos têm que acordar metas em torno da redução de emissões" poluentes para a atmosfera, declarou o presidente em exercício da União Europeia (UE), no discurso que proferiu esta segunda-feira na Conferência de Alto Nível das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas. A existência de um compromisso detalhado entre os países mais desenvolvidos do mundo "é o ponto mais importante de ordem política", disse. "A credibilidade de qualquer futuro plano (de combate às alterações climáticas) passa por aqui". Sócrates expôs em pormenor os objectivos da UE para o combate às alterações climáticas, sustentando que as consequências negativas da poluição ambiental "exigem agora um grau de cooperação internacional sem precedentes". "A cooperação internacional deverá ser baseada num princípio comum, mas com graus de responsabilidade diferentes" em termos de metas de cumprimento por parte de cada país. Neste contexto, Sócrates referiu que a UE está "preparada para reduzir as emissões de dióxido carbono (CO2) em 30 por cento até 2020", mas isto "no contexto de um acordo internacional em que outros países desenvolvidos façam um esforço comparável e mais profundo em termos económicos". Sócrates defendeu também que as metas de redução de emissões de gases poluentes deverão tomar em linha de conta as emissões provocadas por fenómenos como "a desflorestação, a aviação internacional e o transporte marítimo". "A UE acredita que o objectivo de redução de emissão de gases poluentes pode ser concretizada com uma boa gestão de custos, particularmente através da elevação do mercado global de carbono e do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (CDM)", disse. Em termos políticos, o chefe do Governo português sublinhou que o processo para um futuro acordo em torno do combate às alterações climáticas "deverá passar pelas Nações Unidas". "No final deste ano, a próxima cimeira de Bali poderá constituir-se como um marco" no caminho negocial para um acordo sobre alterações climáticas, afirmou. Em relação aos perigos das consequências das alterações climáticas, Sócrates frisou que sobre esta matéria "os cientistas já falaram e os economistas já também falaram". "Chegou a hora de nós, políticos, começarmos a actuar", advertiu o presidente em exercício da UE. Secretário-geral da ONU também apela a acções imediatas " O tempo das dúvidas passou. O painel intergovernamental das Nações Unidas sobre as alterações climáticas afirmou inequivocamente que o nosso sistema climático está a aquecer e que isso se deve directamente às actividade humanas ", disse Ba Ki-Moon, na conferencia. " A reunião das Nações Unidas sobre alterações climáticas é o fórum adequado para negociar uma acção global ", declarou Ban Ki-Moon, num aviso indirecto ao que alguns analistas consideram como um esforço dos Estados Unidos da América para seguir um caminho negocial separado. O secretário-geral também abordou uma das principais reticências manifestadas pelos Estados Unidos à imposição de limites para as emissões de gases com efeito de estufa (GEE), a de que seria demasiado penalizante para a economia norte-americana. "Não fazer nada agora será a acção mais cara de todas a longo prazo", sublinhou. Ban Ki-Moon organizou esta cimeira a fim de criar condições políticas para impulsionar as negociações que terão lugar no final do ano, em Bali, para acentuar a redução das emissões de dioxide de carbono e outros GEE. Os Estados Unidos estão representados no debate pela secretária de Estado, Condoleezza Rice, mas outros dois norte-americanos - o governador do Estado da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, e o ex-vice-presidente Al Gore - participam como convidados especiais. Arnold Schwarzenegger apela ao governo federal "A Califórnia está a pressionar os Estados Unidos para que se vá além do debate e das dúvidas rumo à acção", disse Schwarzenegger no plenário. A Califórnia - liderada por um governador republicano e com uma legislatura democrata - aprovou uma lei que obriga as indústrias locais a reduzirem as emissões de gases com efeitos de estufa em 25 por cento até 2020, ao mesmo tempo em que a Administração Bush continua a recusar um compromisso que obrigue os Estados Unidos a reduzir as emissões. "Estamos a mudar a dinâmica", acrescentou o ex-actor. Por outro lado, o presidente do Grupo Intergovernamental da ONU sobre alterações climáticas (IPCC), Rajendra Pachauri, afirmou que "a raça humana mudou substancialmente a atmosfera do planeta". "A mudança na temperatura agravará os incidentes atmosféricos extremos e reduzirá a disponibilidade de água, o que pode afectar mais de 700 mil pessoas na Ásia", disse Pachauri. As discussões de hoje decorrem em quatro grupos nos quais se analizam aspectos concretos como a "adaptação", "mitigação", "tecnologia" e "financiamento" do fenómeno das alterações climáticas. Estados Unidos fazem reunião à parte Na quinta e sexta-feira, o presidente norte-americano, George W. Bush, vai acolher um encontro dedicado às alterações climáticas, limitado aos 16 países mais poluidores do mundo. Muitos ambientalistas temem que este "caminho" norte-americano separado, que vai envolver a China e a Índia, possa fragilizar o processo negocial global das Nações Unidas. Mas outros manifestaram a esperança de que possa ajudar os dois grandes países em desenvolvimento e outras nações a juntarem-se a um novo regime de emissões negociado sob a égide da ONU.
Com Lusa

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