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terça-feira, setembro 25, 2007

Alterações climáticas: Pequim «faz mais do que admite»

O Governo chinês faz mais no combate às alterações climáticas do que admite na sua retórica, disseram hoje ambientalistas chineses, um dia depois de Pequim ter recusado novamente metas obrigatórias para reduzir emissões de dióxido de carbono.
Um dia depois de, na conferência das Nações Unidas sobre as alterações climáticas, o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês ter remetido para os países desenvolvidos «a liderança na redução de emissões» e se ter oposto a limites obrigatórios de redução, ambientalistas em Pequim disseram à Agência Lusa que a China deve ser julgada mais pelas acções do que pela retórica.
«Na arena internacional, os comentários chineses são muito duros e obstinados quanto aos direitos de manutenção do desenvolvimento económico, algo com que a maioria da sociedade civil concorda», considera Ailun Yang, especialista em clima e energia da Greenpeace na China.
No entanto, acrescenta, «as boas notícias são que a China está a fazer muito e a comunidade internacional deve olhar mais para as medidas internas do que para a retórica».
A posição chinesa, semelhante à da maioria dos países em vias de desenvolvimento é que a imposição de metas de redução obrigatórias de emissão de gases de efeito estufa (GEE), causadores do aquecimento global, cria um obstáculo ao crescimento económico e à redução da pobreza e são injustas, uma vez que os países industrializados são responsáveis por 70% das emissões.
O que os ambientalistas concordam é que, para além da posição de princípio, a liderança chinesa já se apercebeu das consequências económicas negativas do aquecimento global e estão a dar passos para as solucionar.
«Mais do que aceitar metas obrigatórias de emissões, a China deveria fazer mais para aplicar no terreno as políticas que já existem e que são positivas» disse à Lusa Rebecca Gunning, directora do escritório de Pequim da consultora britânica de energias renováveis IT Power, com presença na China há 26 anos.
«A China já se apercebeu que ser verde não é só um caso de ser bem-vista e tem tudo a ver com a estabilidade social. O governo central está por isso seriamente empenhado no combate às alterações climáticas, aprovando inclusive um plano de combate que tem como objectivo melhorar a eficiência energética em 20%até 2010 e aumentar para 16% o peso das energias renováveis», considera Ailun Yang.
«São metas muito ambiciosas, muito mais que as de muitos países desenvolvidos, como a Austrália e os Estados Unidos», acrescenta.
No que as ambientalistas concordam é na dificuldade de aplicação das políticas públicas e das boas intenções de Pequim, com Rebecca Gunning a afirmar que «existe uma patente falta de recursos e de pessoas para o fazer», além de falta de capacidade política.
A dependência chinesa do carvão tem consequências sociais ao nível da poluição local - doenças respiratórias, contaminação das águas, chuvas químicas - que põem a população em fúria, algo que o governo central quer evitar, mas no qual tem dificuldades em envolver as autoridades regionais e locais.
«Qualquer que seja a posição internacional da China, a implementação cá dentro é que é fundamental», realçou Gunning, com Ailun Yang, por seu lado, a admitir que a Greenpeace «não está contente com as dificuldades de aplicação do plano de redução de emissões», que está aquém do proposto por Pequim.
«Ao nível local os responsáveis ainda pensam como antigamente e acham que, primeiro podem poluir para desenvolver a economia e depois limpar o que sujaram», lamentou Yang.
De qualquer das formas, a China ultrapassou já os Estados Unidos da América como maior emissor mundial de GEE, ultrapassando as seis mil milhões de toneladas, o que torna qualquer acção de Pequim vital para combater as alterações climáticas.
«Se a China não fizer nada, as consequências serão enormes, impensáveis», alertou Ailun Yang.
Diário Digital / Lusa
25-09-2007 16:12:00

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