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quarta-feira, janeiro 24, 2007

A Aposta nas energias renováveis



10-01-2007 - Reuters, AFP
Nova estratégia apresentada hojeEnergia: Comissão Europeia quer reduzir dependência e controlar emissões até 2020

A Comissão Europeia anunciou hoje um ambicioso plano energético, assente numa redução da dependência dos combustíveis fósseis, importados de países terceiros, e na diminuição dos gases com efeito de estufa em 20 por cento até 2020.
"Se for adoptada, esta será de longe a política mais ambiciosa, não apenas na Europa mas em todo o mundo, contra as alterações climáticas", afirmou o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso na apresentação da estratégia.
Novamente confrontada com a interrupção no abastecimento petrolífero da Rússia (o seu principal fornecedor energético), a União Europeia (UE) vê-se obrigada a reduzir a sua dependência em relação ao exterior e ao mesmo tempo combater o sobre-aquecimento global – objectivos que só poderão ser alcançados através da redução do consumo e da aposta em energias alternativas.
"Precisamos de novas políticas para enfrentar uma nova realidade, políticas que mantenham a competitividade da Europa, protejam o ambiente e tornem as nossas fontes energéticas mais seguras", afirmou Barroso, para quem a iniciativa hoje anunciada pela Comissão abre a porta a uma "revolução pós-industrial".
A estratégia comum prevê que a União Europeia reduza até 2020 a emissão de gases com efeito de estufa em 20 por cento, relativamente aos valores de 1990, admitindo chegar aos 30 por cento se outros países desenvolvidos aderirem à iniciativa.
Esta meta vai muito além do compromisso assumido em 2004 pelos Estados-membros, que previa uma redução de oito por cento das emissões no período de 2008 e 2012, e que os ambientalistas consideraram insuficiente para combater o sobre-aquecimento global.
Aposta nas energias renováveis
Para que tal seja possível, o novo plano – em elaboração há um ano, mas que terá de ser aprovado pelos 27 Estados-membros antes de entrar em vigor – estabelece novas metas para o uso das energias renováveis, como a eólica e a solar. Até 2020, estas fontes deverão fornecer 20 por cento da energia usada na UE (a meta actual, que não deverá ser cumprida, previa um objectivo de 12 por cento até 2010, refere a AP).
A estratégia prevê também um aumento no recurso aos biocombustíveis – que deverão representar dez por cento da energia gasta pelo sector dos transportes – e uma aposta na investigação de formas para diminuir as emissões de carbono libertadas pela combustão das energias fósseis, em especial o carvão.
A estratégia aposta ainda numa redução do consumo, promovendo um uso mais eficiente da energia por parte da indústria, dos transportes e dos consumidores privados. O plano prevê que até 2020, a UE esteja a consumir menos 14 por cento de energia, o que representaria uma poupança estimada em cem mil milhões de euros.
O documento deixa, contudo, ao critério dos Estados-membros o recurso à energia nuclear – um dos temas mais polémicos em discussão. "Não nos compete dizer aos Estados-membros se devem recorrer mais ou menos ao nuclear, ou se não devem recorrer de todo", afirmou Durão Barroso. "O que é importante é progredir na direcção de uma economia menos dependente do carbono", sublinhou.
Contudo, o presidente do executivo europeu admitiu que o encerramento de centrais nucleares poderá tornar mais difícil o cumprimento da redução dos gases com efeito de estufa. Para limitar as consequências, a Comissão Europeia aconselha os países que estão a ponderar diminuir o recurso à energia nuclear, como é o caso da Alemanha, a substituí-la por fontes energéticas não poluentes.
Energias renováveis
A energia renovável é aquela que é obtida de fontes naturais capazes de se regenerar, e portanto virtualmente inesgotáveis, como por exemplo:
O Sol: energia solar
O vento: energia eólica
Os rios e correntes de água doce: energia hidráulica
Os mares e oceanos: energia mareomotriz
A matéria orgânica: biomassa
O calor da Terra: energia geotérmica
As energias renováveis são consideradas como "energias alternativas" ao modelo energético tradicional, tanto pela sua disponibilidade (presente e futura) garantida (diferente dos combustíveis fósseis que precisam de milhares de anos para a sua formação) como pelo seu menor impacto ambiental; ainda que em alguns casos este possa ser muito grande, como o causado pela Barragem das Três Gargantas, recentemente finalizada na China e que provocou o deslocamento de milhões de pessoas e a inundação de muitos quilómetros quadrados de terras.
Os combustíveis renováveis são combustíveis que usam como matéria-prima elementos renováveis para a natureza, como a cana-de-açúcar, utilizada para a fabricação do álcool e também de vários outros vegetais como a mamona utilizado para a fabricação do biodiesel ou outros óleos vegetais que podem ser usados diretamente em motores diesel com algumas adaptações.
Os combustíveis renováveis, além de serem fontes inesgotáveis de energia, não geram aumento de CO2 e outros gases nocivos na atmosfera, uma vez que as emissões geradas pela queima dos mesmos é re-absorvida pela biomassa. Ao contrário dos combustíveis renováveis, que representam um ciclo fechado de carbono, os combustíveis fósseis como o petróleo e o carvão mineral lançam carbono adicional na atmosfera (na verdade carbono que estava armazenado há milhões de anos), agravando o efeito estufa.
O óleo vegetal é uma gordura extraída de plantas formada por Triglicerídio. Apesar de, em princípio, outras partes da planta poderem ser utilizadas na extracção de óleo, na prática este é extraído na sua maioria (quase exclusivamente) das sementes. Os óleos vegetais são utilizados como óleo de cozinha, pintura, lubrificante, cosmeticos, farmaceutico, iluminação, combustível (Biodiesel ou Puro) e para usos industriais. Alguns tipos de óleos, tais como o óleo de colza, algodão ou ricínio são impróprios para consumo humano sem o devido processamento prévio.
Como todas as gorduras, os óleos vegetais são ésteres de glicerina e uma mistura de ácidos gordos e são insolúveis em água, mas solúveis em solventes orgânicos.
Fontes comuns de óleos vegetais incluem:
Óleos à base de sementes:
caju
semente do ricínio - óleo de ricíniobeto
sementa da linhaça - óleo de linhaça
semente da uva - óleo de uva
cânhamo (cannabis)
mostarda
semente da papoila - óleo de papoila
colza
semente de sésamo - óleo de sésamo
girassol
Outros óleos vegetais:
amêndos
alperce
abacate
milho - óleo de milho
algodão
côco - óleo de côco
avelã
neem
azeitona - azeite
palma - óleo de palma
amendoim - óleo de amendoin
abóbora
soja - óleo de soja
noz
De acorco com o Departamento de Agriculura dos Estados Unidos, o total de consumo de óleos vegetais em 2000 era o seguinte:

Soja - 26.0 milhões de toneladas métricas (t)
Palma- 23.3 t
Colza- 13.1 t
Girassol- 8.6 t
Amendoim- 4.2 t
Algodão- 3.6 t
Palma- 2.7 t
Azeite- 2.6 t
Note que estes dados além do consumo humano reflectem igualmente a utilização industrial e alimentação animal. A maioria do óleo de colza europeu é utilizado para a produção de biodiesel, ou utilizado como combustível em motores diesel com modificados desenvolvidas pela companhia alemã Elsbett para suportarem óleos com elevado teor de viscosidade. O uso como combustível pode causar surpresa, mas o proprio Rudolf Diesel originalmente desenhou o seu motor para rodar com óleo de amendoin em 1912 quando apresentou para o Institudo inglês de Engenharia Macânica (IMechE), depois disso seu uso como combustível retornou após a crise do petróleo, com a invenção do motor multicombustível Elsbett em 1970.
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