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terça-feira, janeiro 30, 2007



Degelo da Gronelândia maior em cada Verão


"Ao contrário do que se pensa comummente, o aumento do nível médio do mar deve-se ao degelo da Antárctida e da Gronelândia e não aos gelos polares que vemos à deriva", disse ao JN o climatologista Ricardo Trigo, explicando que estas fontes de água doce correspondem a 97% da que existe na Terra. Segundo este especialista da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, as taxas de derretimento das calotes de gelo da Antárctida e da Gronelândia têm aumentado muito desde 2001. Ricardo Trigo refere que nessas zonas da Terra em cada ano e em cada fim de Verão há cada vez menos gelo. E no Árctico, o degelo pode vir a ser tão intenso que, em cinco ou seis décadas, serão por ali viáveis rotas marítimas entre a Europa e o Japão.Explica que o nível das águas sobe sobretudo porque, quando a água aumenta de temperatura, as distâncias das moléculas aumentam. Dá-se, assim, a expansão térmica dos oceanos. Este fenómeno surge em primeiro lugar de importância na subida dos oceanos, a que se segue a influência da água da Gronelândia e Antárctida e, logo depois, a das águas provenientes do degelo dos chamados pequenos glaciares (Noruega, Andes e Alpes). Na base de tudo, está o aquecimento global, segundo o relatório internacional. Um dos dados revistos desde 2001 foi precisamente a capacidade de absorção pelo oceano.Ricardo Trigo, que participou no estudo SIAM (sobre os cenários climáticos para Portugal ao longo deste século), considera que a subida dos mares entre 28 e 43 centímetros é um cenário a ter em conta "se as coisas correrem muito bem". Para além da subida da temperatura média, haverá que ter em conta factores como as marés diárias e semidiárias e outras variantes assim, só os valores indicados nesta parte do estudo internacional não são decisivos para avaliar o que vai passar-se na costa portuguesa. EF

Nível da água dos oceanos poderá subir entre 28 e 43 cm

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