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quarta-feira, janeiro 24, 2007

Mudanças climáticas sem travão

Mais de um ano depois de divulgados os resultados da última parte do projecto SIAM, que traçou cenários sobre a evolução do clima em Portugal até ao ano 2100, não são visíveis os esforços para medidas de adaptação que contrariem ou façam retardar tendências para a desertificação do território. O Sul do país, foi relembrado ontem numa sessão dirigida a alunos do Instituto Superior Técnico, em Lisboa, será particularmente afectado no que toca ao aumento da temperatura e à disponibilidade de água. Ainda não foram integradas nas políticas de planeamento as medidas de minimização e adaptação sugeridas pelos dois estudos do projecto SIAM. Isto verifica-se, nomeadamente, no capítulo dos recursos hídricos, segundo confirmou ao JN o especialista nesta área Luís Ribeiro. Acrescentou ele que prosseguem diversos trabalhos de doutoramento sobre os cenários traçados pelo SIAM, mas tudo indica que, até 2050, o Sul do país tenha entre 30 a 40% menos água superficial. Em 2100, o Algarve verá reduzido em 80% o escoamento anual médio. A situação decorre de um aumento da temperatura (que ocorre a nível global, mas se fará sentir mais numa faixa Sul da Europa) bem como de uma redução da pluviosidade. Outra zona vulnerável à escassez de água é a orla ocidental, onde ocorrerá uma baixa do nível freático. Estas são situações em grande parte provocadas pelo aquecimento global, segundo o SIAM, projecto que é secundado por outros estudos internacionais. Ainda ontem, cientistas declaravam em Viena que a maioria dos glaciares dos Alpes, aqueles situados abaixo dos quatro mil metros, terá desaparecido em 2050. Na região do Tirol a massa de gelo diminui cerca de um metro por ano, criando riscos de cheias nos vales.

Eduarda Ferreira

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