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terça-feira, janeiro 30, 2007

Quercus duvida das metas para renováveis


As medidas foram aplaudidas e vistas com bom olhos. Mas, feitas as contas, as metas apresentadas pelo primeiro-ministro no domínio das energias renováveis levantam muitas dúvidas aos ambientalistas. Os objectivos traçados para combater as alterações climáticas podem ficar pelo caminho de tão ambiciosos que são, alerta Francisco Ferreira, dirigente da Quercus.E dá exemplos. O Governo resolveu rever em alta a meta para a energia produzida através de fontes alternativas, passando-a de 39% em 2010 para 45%. Mas os dados da Direcção-Geral da Geologia e Energia - relativos a Novembro de 2006, e embora ainda provisórios - demonstram que a taxa de renováveis se situava nos 35,4%. Segundo as contas da Quercus, para alcançar estes objectivos em 2010, a taxa de energia renovável teria de subir 2,5% por ano. Mas outro factor a ter em conta nestas previsões, acrescenta Francisco Ferreira, é o consumo de electricidade, que tem vindo a subir todos os anos. Ou seja, se cresce a energia consumida pelos cidadãos, para alcançar os propósitos do Governo, as energias renováveis têm de aumentar ainda mais.A Quercus lembra ainda que os investimentos que têm sido feitos recentemente, nomeadamente na energia eólica, podem ainda não estar prontos em 2012, não contribuindo assim para a diminuição de emissões de dióxido de carbono prevista pelo Protocolo de Quioto. Na semana passada, o Governo aprovou uma forma de acelerar o procedimento de licenciamento dos projectos de energia eólicas. Mas, mesmo com estes "empurrões", os ambientalistas duvidam que se cumpram as metas traçadas.Em relação aos biocombustíveis, feitos a partir de culturas energéticas ou de resíduos, as metas também foram revistas em alta. Em 2010, o Governo quer passar de 5,75% dos transportes a circular com biocombustível para 10%. Mas como vamos alcançar estes objectivos? - questiona a Quercus, lembrando que actualmente essa percentagem não chega aos 3%. "Além disso, o nosso potencial de produção não é assim tão grande. Vamos ter de importar?"

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