Páginas

sábado, janeiro 13, 2007



Recuperar moinhos na Terra Fria para produzir energia eléctrica

A Associação de Desenvolvimento dos Concelhos da Raia Nordestina (CoraNE) defende a re-cuperação das represas e dos moinhos dos rios da Terra Fria para a produção de energia eléctrica e, sempre que possível, para alojamento turístico também. O coordenador da CoraNE, admite que o projecto poderá ser candidatado ao próximo quadro comunitário de apoio, sendo que a associação deverá ocupar este ano e o próximo com a inventariação do número de moinhos existentes, dimensões, medições de caudais, inves- timentos necessários, etc.
A ideia de recuperar moinhos para a produção de energia surge no âmbito do projecto Terres de Rivières, uma candidatura ao programa Interreg III que envolveu instituições de Espanha, França, Itália, Hungria, Polónia, Inglaterra, Grécia e Portugal, para debate e análise da importância dos rios para as populações ribeirinhas. A CoraNE ficou inserida no grupo de entidades às quais coube a missão de estudar a valorização económica das paisagens fluviais nos rios de montanha, não apenas em termos geográficos, mas também de patrimómio existente ao longo do rio. Em causa estão mais de uma centena de moinhos distribuídos pelos rios Mente, Rabaçal, Tuela, Sabos, Maçãs e Angueira.
"Ainda que sejam microcentrais hidroeléctricas, os moinhos têm a grande vantagem de terem pouco ou nenhum impacto ambiental. A estrutura está feita. Não vão alterar o equilíbrio ecológico", refere Leonel Vaz. E explica: "A represa existe, têm a queda de água feita, trata-se de recuperar as condutas de água para que não tenha atrito e chegue com força às turbinas dentro dos moinhos."
Por outro lado, este responsável admite que sendo micro centrais produzem pouca energia. Mas lembra que, "numa altura em que o país precisa de se concentrar nas energias alternativas", podem ser "um bom contributo". Mais importante, ainda, "tem uma componente de ser uma valorização para a população ribeirinha". Uma das soluções, acrescenta Leonel Vaz, é integrar os moinhos com potencialidades turísticas numa rota conjunta com os das províncias de Zamora e Salamanca. Outra hipótese é o aproveitamento integrado: produção eléctrica no Inverno, quando os rios são caudalosos, e turismo no Verão, quando secam.


DN

Sem comentários: