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domingo, janeiro 14, 2007

Energia: Comissão Europeia quer reduzir dependência e controlar emissões até 2020


10-01-2007 - Reuters, AFP Nova estratégia apresentada hoje
Comissão Europeia anunciou hoje um ambicioso plano energético, assente numa redução da dependência dos combustíveis fósseis, importados de países terceiros, e na diminuição dos gases com efeito de estufa em 20 por cento até 2020.
"Se for adoptada, esta será de longe a política mais ambiciosa, não apenas na Europa mas em todo o mundo, contra as alterações climáticas", afirmou o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso na apresentação da estratégia.
Novamente confrontada com a interrupção no abastecimento petrolífero da Rússia (o seu principal fornecedor energético), a União Europeia (UE) vê-se obrigada a reduzir a sua dependência em relação ao exterior e ao mesmo tempo combater o sobre-aquecimento global – objectivos que só poderão ser alcançados através da redução do consumo e da aposta em energias alternativas.
"Precisamos de novas políticas para enfrentar uma nova realidade, políticas que mantenham a competitividade da Europa, protejam o ambiente e tornem as nossas fontes energéticas mais seguras", afirmou Barroso, para quem a iniciativa hoje anunciada pela Comissão abre a porta a uma "revolução pós-industrial".
A estratégia comum prevê que a União Europeia reduza até 2020 a emissão de gases com efeito de estufa em 20 por cento, relativamente aos valores de 1990, admitindo chegar aos 30 por cento se outros países desenvolvidos aderirem à iniciativa.
Esta meta vai muito além do compromisso assumido em 2004 pelos Estados-membros, que previa uma redução de oito por cento das emissões no período de 2008 e 2012, e que os ambientalistas consideraram insuficiente para combater o sobre-aquecimento global.
Aposta nas energias renováveis
Para que tal seja possível, o novo plano – em elaboração há um ano, mas que terá de ser aprovado pelos 27 Estados-membros antes de entrar em vigor – estabelece novas metas para o uso das energias renováveis, como a eólica e a solar. Até 2020, estas fontes deverão fornecer 20 por cento da energia usada na UE (a meta actual, que não deverá ser cumprida, previa um objectivo de 12 por cento até 2010, refere a AP).
A estratégia prevê também um aumento no recurso aos biocombustíveis – que deverão representar dez por cento da energia gasta pelo sector dos transportes – e uma aposta na investigação de formas para diminuir as emissões de carbono libertadas pela combustão das energias fósseis, em especial o carvão.
A estratégia aposta ainda numa redução do consumo, promovendo um uso mais eficiente da energia por parte da indústria, dos transportes e dos consumidores privados. O plano prevê que até 2020, a UE esteja a consumir menos 14 por cento de energia, o que representaria uma poupança estimada em cem mil milhões de euros.
O documento deixa, contudo, ao critério dos Estados-membros o recurso à energia nuclear – um dos temas mais polémicos em discussão. "Não nos compete dizer aos Estados-membros se devem recorrer mais ou menos ao nuclear, ou se não devem recorrer de todo", afirmou Durão Barroso. "O que é importante é progredir na direcção de uma economia menos dependente do carbono", sublinhou.
Contudo, o presidente do executivo europeu admitiu que o encerramento de centrais nucleares poderá tornar mais difícil o cumprimento da redução dos gases com efeito de estufa. Para limitar as consequências, a Comissão Europeia aconselha os países que estão a ponderar diminuir o recurso à energia nuclear, como é o caso da Alemanha, a substituí-la por fontes energéticas não poluentes

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